ORTODONTIA CONTEMPORÂNEA: Entrevista com o Professor Dr Jay Bowman - Parte 1

terça-feira, 5 de junho de 2018

Entrevista com o Professor Dr Jay Bowman - Parte 1






Marlos Loiola - Professor Jay Bowman, por favor, conte-nos um pouco sobre sua História: Graduação, Pós-Graduação, Trabalhos Científicos, Trabalho em Associações e Clínica Privada.

Prof. Jay Bowman - Eu sou natural de uma pequena comunidade agrícola em Illinois, graduado na Illinois Wesleyan University com Bacharelado em Biologia (1979), completei minha formação em odontologia na Southern Illinois University (DMD, 1983) e em seguida, uma residência em ortodontia na Saint Louis University (MSD, 1985). Em 1985, iniciei minha clinica particular na cidade de Kalamazoo, Michigan. Dei minhas primeiras palestras em 1993, comecei a pesquisar o Distal Jet em 1996 e desenvolvi o sistema de aparelhos “Butterfly”, que foram introduzidos em 2000. Tive a boa sorte de ter mais de 150 artigos e capítulos de livros publicados e palestras em mais de 38 estados dos EUA e 35 países.




                                              Sistema “Butterfly”

Sou diplomado pela American Board of Orthodontics,  membro da Sociedade de Ortodontistas do Edward H. Angle, membro do Colégio Internacional e Americano de Dentistas, membro de honra da Organização Internacional da Academia Pierre Fauchard, membro da Federação Mundial de Ortodontistas e  orientador da fundação da Associação Americana de Ortodontistas. Desenvolvi e leciono o curso Straightwire na Universidade de Michigan, sou professor associado adjunto na Saint Louis University, professor clínico assistente na Case Western Reserve University, professor visitante na Seton Hill University e professor visitante da Universidade de Milton Sims em Adelaide. Recebi o Angle Research Award em 2000, o Alumni Merit Award da Saint Louis University em 2005 e o Orthodontic Education e Research Foundation Merit Award em 2017. Possuo 1 em cada 4  pesquisas com Invisalign Teen Team.




Marlos Loiola - Com a introdução dos Mini-implantes na rotina ortodôntica, surgiram diversas possibilidades biomecânicas. Você é um dos autores dos primeiros livros sobre o assunto em 2008, com o Dr. Ludwing e o Dr. Baumgaertel. Nesta ultima década, quais foram na sua opinião as principais mudanças? E hoje quais ainda são limitações desses recursos?

Professor Jay Bowman - Em 2004, fui solicitado pelos meus três mentores para me envolver profundamente com o novo conceito de ancoragem esquelética. Quando os Drs. Lysle Johnston, Buzz Behrents e Tony Gianelly me sugeriram que fizesse alguma coisa e tomando isso como um mandamento, pulei no "fundo da piscina" e não olhei para trás. 

            Professores Drs. Buzz Behrents, Lysle Johnston e Jay Bowman


Nestes últimos 14 anos,  coloquei mais de 5000 mini parafusos de 17 sistemas diferentes e em praticamente todas as aplicações que eu pude conceber. Tive a sorte de participar de uma incrível colaboração com Bjorn Ludwig e Sebastien Baumgaertel, ajudando a escrever e editar o livro didático Mini-implantes em Ortodontia. Embora o livro tenha sido publicado há 10 anos, ainda acho que é bastante completo e previ muitos conceitos bem antes de sua adoção hoje. Consequentemente, parece ainda ser uma referência muito útil.


Em termos de grandes mudanças no campo de ancoragem de mini parafusos desde a sua introdução, a principal seria a mudança de foco da inserção inter-radicular no alvéolo e em locais de inserção palatina para qualquer má oclusão, juntamente com inserções extra-alveolares na região mandibular “Bucal Shelf” e no arco infra zigomatico. Mais recentemente, tem havido um interesse crescente também em usar os mini parafusos em uma variedade de aparelhos de expansão maxilar.

Embora já tenham passado os dias dos primeiros adeptos e até mesmo o ponto de inflexão em que a maioria dos ortodontistas pensaram ou tentaram, pelo menos em usar os mini-implantes. Infelizmente, há também um número significativo de ortodontistas que não têm utilizado por várias razões. Certamente, a inserção dos mini-implantes é um procedimento invasivo e requer alguma diligência e aplicação de anestésicos, mas na verdade existem situações de biomecânica nas quais estes dispositivos são uma ferramenta muito útil.




Marlos Loiola - Em 2011, você participou de um artigo na JCO que determinou as linhas de referência para a inserção dos  mini parafusos na região palatina para os aparelhos híbridos e ancorados no osso maxilar. Estamos chegando à época das intervenções ortopédicas em adultos? Qual as aplicações e sua experiência com esses recursos?




O artigo faz referência às diretrizes anatômicas para a inserção dos mini parafusos palatinos e, portanto, está um pouco à frente de seu tempo. Como muitos de nós estávamos frustrados com a perda dos dispositivos colocados entre as raízes do alvéolo vestibular, consideramos o palato como um outro local para projetar aparelhos para várias aplicações ortodônticas. 

Esta avaliação baseada em tomografias de feixe cônico forneceu orientação para dois locais de favoráveis para os mini-implantes: o palato anterior e também no alvéolo palatino entre o 2º pré-molar e o 1º molar. Ambos os locais têm taxas de perda mais baixas do que o alvéolo vestibular e a criação de expansores palatais (como o MARPE e o Hyrax Hibrido), juntamente com distalizadores de molares (como o “ferradura” Jet que desenvolvi) fornecem resultados mais previsíveis. 

Eu também introduzi algumas modificações simples na barra transpalatina (BTP + em um artigo recente, “Uno, Dos, Três: Um Conceito para Três Classes de Angle”) que pode ser adaptado para  as três classes de má oclusão Angle. 




Em relação aos tratamentos para adultos, parece que os mini-implantes são indispensáveis ​​em muitas situações,  melhorando a previsibilidade do tratamento que antes era aparentemente intransponível sem intervenção cirúrgica.


Link dos Sites do Professor Dr Jay Bowman:



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