ORTODONTIA CONTEMPORÂNEA: Novembro 2017

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Historia da Ortodontia - Museu da ASPAD














Atualizando a parte da Historia da Ortodontia, me deparei com a bela pagina da Associação da Salvaguarda do Patrimônio da Arte Dentaria em Paris. E fiquei surpreso com que vi. Um mergulho na Historia da Ortodontia Européia. Temos muitas referências da Ortodontia Norte Americana, principalmente via Dental Cosmos (Digitalizada na Universidade de Michigan). E pelos belos trabalhos realizados por Dr. Edward H. Angle e posteriormente pelos seus seguidores e alunos.

Pouco conhecia da Historia da Ortodontia Européia, se restringia  a publicação do Dr. Pierre Fauchard e seu celebre Bandelet. Mas com que eu vi nesta pagina fiquei surpreso, principalmente pelo que os colegas europeus desenvolveram a nível de aparatologia Ortodontica e dinâmica de tratamento entre 1800 e 1900.






Aconselho vocês a visitarem a pagina, irão dar um passeio pela historia da nossa especialidade, vendo belas fotografias e aparelhos, para distalização, expansão, movimento de coroa dentaria, aparelhos removíveis, Ortopédicos, entre outros.

Sempre falo aos alunos, que conhecendo a historia do que quer que nos interesse, conseguiremos distinguir nos dias de hoje o que são novas fronteiras na nossa especialidade ou simplesmente a repetição de um conceito com nova roupagem!

Aproveitem este belo passeio virtual !!!


Link do site do Museu:

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

A relação entre o crescimento mandibular e a maturação esquelética em jovens brasileiras melanodermas




Neste artigo de 2010, publicado pelo Dental Press Journal Ortodontics, pelos autores Irene Moreira Serafim, Gisele Naback Lemes Vilani, Vânia Célia Vieira de Siqueira; Do Mestrado em Ortodontia pela PUC/Minas e da disciplina de Ortodontia da Faculdade de Odontologia de Piracicaba - Unicamp; Avalia o grau de correlação existente entre o crescimento mandibular e a maturação esquelética em jovens brasileiras melanodermas.


O conhecimento dos eventos relacionados ao crescimento e ao desenvolvimento craniofacial, mostra-se de suma importância na Ortodontia, pois a eleição de uma meta terapêutica que atue durante o crescimento maxilomandibular deve apoiar-se na avaliação da maturação esquelética do paciente. Constitui uma importante informação para o ortodontista, como um meio auxiliar na prevenção, no diagnóstico, no planejamento e no tratamento precoce das anomalias, uma vez que o sucesso ou fracasso do tratamento ortodôntico relaciona-se diretamente ao crescimento e desenvolvimento craniofacial.

Os métodos frequentemente utilizados para identificação da maturação esquelética englobam a idade cronológica, a dentária, a estatura, o peso, as manifestações das características sexuais secundárias e a avaliação do desenvolvimento de centros de ossificação. Contudo, os quatro primeiros métodos mostraram-se pouco eficazes, enquanto a avaliação da idade óssea, utilizando,
principalmente, radiografias de mão e punho, representa o registro mais fiel da idade esquelética.
Encontra-se bem estabelecida na literatura a estreita relação existente entre a idade em que ocorre a maior taxa de crescimento corporal e o período de mineralização de centros de ossificação presentes na mão e no punho.

Algumas investigações comprovaram a existência de um surto de crescimento facial e consideraram a época de sua ocorrência, de um modo geral, coincidente à do surto de crescimento em estatura. Outras pesquisas concordaram com essa correlação, mas, durante uma avaliação em meninos, o surto de crescimento em estatura ocorreu discretamente antes do facial, e o surto de crescimento estatural nas meninas ocorreu anteriormente ao incremento máximo da mandíbula. As pesquisas indicaram que os aumentos e diminuições na velocidade de maturação esquelética são acompanhados por aumentos e diminuições semelhantes, em alguns aspectos do crescimento da face, particularmente da mandíbula.


A maioria dos autores mostrou-se unânime em afirmar que a avaliação da radiografia da mão e punho representa o método mais utilizado para observação da idade óssea, bem como da maturação esquelética. Outros estudos, no entanto, utilizaram o grau de pneumatização do seio frontal como método para avaliação esquelética, observando que essa estrutura anatômica apresentou correlação com a maturidade esquelética avaliada por meio das radiografias de mão e punho.


No presente estudo, buscou-se correlacionar as modificações na falange proximal do 3º dedo e na epífise distal do rádio, avaliadas nas radiografias de mão e punho, com a pneumatização do seio frontal, avaliada nas telerradiografias obtidas em norma lateral e com o incremento anteroposterior da mandíbula.


Para avaliação do crescimento puberal, utilizou-se as radiografias de mão e punho devido ao grau de fidelidade que essa área proporciona. Escolheu-se a metodologia de Eklöf e Ringertz, pois esse método mostrou-se adequado para a avaliação de pacientes brasileiros, confiável e facilmente reproduzível por diferentes examinadores, por utilizar parâmetros bem definidos.


O presente estudo indicou que o início do surto de crescimento puberal iniciou entre 9 e 10 anos, com o pico aos 12 anos, sugerindo uma possível precocidade das jovens melanodermas em sua maturidade esquelética, estando de acordo com os resultados obtidos em estudos prévios. Pesquisas avaliando jovens leucodermas mostraram que o início do surto de crescimento puberal ocorreu na idade média de 10,5 anos e o pico de velocidade de crescimento puberal aconteceu em média 2 anos após o início do surto ou mais tardio, entre 13 e 14 anos de idade.




Conclusões


De acordo com as características da amostra avaliada, com a metodologia empregada e com os resultados e as informações obtidas, concluiu-se que ocorreu uma correlação altamente significativa entre os centros de ossificação observados na radiografia de mão e punho e as medidas cefalométricas representativas do crescimento mandibular (r = 0,777). Apesar de estatisticamente significativa, ocorreu uma baixa correlação entre a pneumatização do seio frontal e os eventos da maturidade esquelética (r = 0,306), assim como a relação entre a pneumatização do seio frontal e as medidas cefalométricas representativas do crescimento mandibular (r = 0,218).




Link do artigo na Integra via Scielo:


terça-feira, 14 de novembro de 2017

Fios e braquetes: o movimento em evolução















Artigo Publicado na edição comemorativa de 50 anos da Revista da Sociedade Paulista de Ortodontia OrtoSPO.
Como os novos materiais e a compreensão dos conceitos biomecânicos contribuíram para a evolução dos dispositivos ortodônticos.

Colaboração: Marlos Loiola e Hugo Trevisi


Por Adilson Fuzo e João de Andrade Neto


Protagonistas da movimentação dentária na Ortodontia atual, fios ortodônticos e braquetes acompanham a evolução secular da especialidade. Desde 1728, quando o francês Pierre Fauchard relatou o primeiro método de movimentação dentária através de uma tira de metal perfurada, as mudanças alcançaram a concepção dos dispositivos e os materiais utilizados. O entendimento correto da biomecânica, aliado às novas descobertas tecnológicas, revolucionou os tratamentos realizados com aparelhos ortodônticos.
Fauchard inventou um aparelho que chamou de “bandeou”, que utilizava uma tira em forma de ferradura, onde os dentes mal posicionados eram presos por meio de fibras e, assim, se deslocavam. Depois, ao longo do século 18, diversos autores desenvolveram técnicas de formas isoladas através de experiências clínicas, com a utilização de aparelhos de borracha, de prata e de metais, como bronze, e até madeira. “Até aquele momento, cada um enxergava as más-oclusões e tratava de acordo com suas perspectivas, conhecimentos e experiências clínicas. Era como se fossem formações e pontos de vistas diferentes, mas com soluções”, conta o mestre em Ortodontia Marlos Loiola.
A errática linha evolutiva da Ortodontia só passou a contar com um eixo consistente a partir de 1899, quando Edward H. Angle apresentou sua famosa classificação das más-oclusões. Angle ficou marcado na história da especialidade por contribuir em diversos aspectos da compreensão da biomecânica, assim como pelos aparelhos que desenvolveu.

O primeiro dispositivo importante foi o arco em E, descrito em 1890. O aparelho era simples e proporcionava bom alinhamento dos dentes pelo uso de bandas nos molares, com tubos vestibulares rosqueados e arco de expansão, também rosqueado, para conexão com os tubos. Isso aumentava o perímetro do arco e, assim, era possível obter espaço e posicionar os dentes.

Angle imaginava que este era o primeiro mecanismo que controlava e distribuía as forças de maneira fisiológica, realizando movimentos dentários que respeitassem os tecidos envolvidos. Mas, ainda não era possível obter o controle das rotações. Desta forma, em 1916, Angle desenvolveu o aparelho de arco de cinta, que tinha um delicado bloco de metal soldado às bandas. O dispositivo foi denominado “braquete” pelo autor. Também conhecido como “ribbon arch”, o aparelho conseguiu individualizar acessório por acessório, além de apresentar encaixes verticais no sentido oclusogengival. Nele, arcos retangulares eram colocados passivamente e por meio de dobras. Desta forma, os arcos com retificação assumiam a forma ideal e alinhavam os dentes. A partir daí, as forças passaram a ser transmitidas aos dentes por intermédio dos braquetes.

Ao longo desse período de desenvolvimento, os metais utilizados também passaram por uma evolução. Ele utilizava ligas de níquel-prata para confeccionar acessórios ortodônticos, o que dava um volume maior aos dispositivos. Depois, fez a substituição por ligas de cobre, níquel e zinco sem prata. Até que, posteriormente, passou a escolher as ligas de ouro.
No final de sua carreira, em 1928, Angle apresentou o aparelho Edgewise (arco de canto), certamente uma de suas mais importantes contribuições para a Ortodontia. O aparelho também fazia uso de arcos retangulares presos às canaletas por meio de ligaduras metálicas, de modo que permitia a movimentação do elemento dentário em todas as direções. Os primeiros braquetes já eram confeccionados em ouro maleável, com fácil deformação. O Edgewise permitia a execução da movimentação dos dentes em todas as direções.
O domínio do Edgewise só voltou a ser impactado com a chegada do aparelho Straight-Wire, desenvolvido por Lawrence F. Andrews em 1970. Analisando possíveis melhorias em relação ao conceito do Edgewise, Andrews incorporou as “dobras” necessárias para movimentar os dentes nas direções desejadas no desenho dos braquetes, de forma mais previsível e em menos tempo. Na tentativa de aperfeiçoar ainda mais o aparelho, foram desenvolvidas séries de braquetes Straight-Wire para casos com extração, seguindo os conceitos de angulação, torque e antirrotação, que buscavam anular os efeitos colaterais dos movimentos de translação. Andrews preconizou, ainda, três especificações de torque diferentes para os incisivos superiores e inferiores. O aparelho passou, então, a conter várias prescrições.

Desde então, as novidades mais notáveis são de materiais, em especial para os braquetes. A Ortodontia estética ganha destaque e, com ela, os braquetes de porcelana e os cerâmicos, também conhecidos como safira. Eles têm forte apelo junto aos pacientes adultos, que passaram a representar uma parcela relevante nos atendimentos, por conta da estética.

À primeira vista, a evolução dos fios e braquetes se confunde com a trajetória da própria Ortodontia. No entanto, as últimas décadas ofereceram outros dispositivos que potencializaram o arsenal do ortodontista, como os alinhadores estéticos, os mini-implantes, as miniplacas etc., ampliando as possibilidades de tratamento. Somam-se a esse quadro as técnicas cirúrgicas de aceleração do tratamento e as tecnologias digitais, cada vez mais presentes. Diante disso, a evolução da Ortodontia abre perspectivas ainda mais animadoras para o futuro. Qual será o próximo advento a nos surpreender?


Link do artigo na integra via Ortociencia:

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Homenagem in memorian ao Prof. Arno Locks

Prof. Dr. Arno Locks
1947 - 2017
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Assim como em outras tristes oportunidades, este blog registra a perda de um dos grandes nomes da ortodontia mundial.
Catarinense, da cidade de Braço do Norte, mudou-se para Florianópolis ainda criança e se formou em Odontologia pela UFSC, em 1973. Iniciou seus estudos em ortodontia no Rio de Janeiro e retornou à Santa Catarina como Mestre para assumir o cargo de professor da UFSC. Mesmo já sendo um prestigiado professor, foi a Araraquara para cursar o programa de Doutorado na UNESP quando foi apresentado à técnica do Arco Segmentado e à mecânica ortodôntica com sistemas de forças predeterminados. Seguindo nesta linha, cursou Pós doutorado na Dinamarca (Aarhus University) sob orientação da Dra. Birte Melsen. Autor de diversos artigos com grande influência no meio científico e clínico ortodôntico.


Toda a comunidade ortodôntica lamenta profundamente sua partida e há muitos relatos de sua personalidade risonha. Neste momento sentimos muito em não termos tido muitas oportunidades de convivência com ele.

A todos os familiares e amigos, nossas condolências. A todos os ortodontistas e futuros ortodontistas, deixo aqui o registro deste grande professor, clínico e entusiasta da nossa especialidade. 

Informações extraídas do seu perfil no Facebook e intrevista publicada pela DentalPress e disponível nesse LINK

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Análise tridimensional do movimento ortodontico dentário baseado em sistemas XYZ e no eixo helicoidal finito




Neste artigo de 2007, publicado no European Journal of Orthodontics; pelos autores Kazuo Hayashi, Jun Uechi, Seung-Pyo Lee e Itaru Mizoguchi; do Department of Orthodontics, School of Dentistry, Health Sciences University of Hokkaido, Japão e do Department of Oral Anatomy, College of Dentistry, Seoul National University, Corea. Mostra uma aplicação de um software na analise da movimentação Ortodontica em caninos superiores com niveis de força diferentes.

O objetivo deste estudo foi demonstrar a vantagem do sistema do eixo helicoidal finito (FHA)para análise biomecânica do movimento dentário ortodôntico, comparando-a com as coordenadas retangulares (XYZ) do sistema.

Dez pacientes (6 mulheres e 4 homens, com a idade média de 23 anos e 7 meses) foram selecionados. Com tração de caninos superiores utilisando forças contínuas de diferentes magnitudes (0,5 e 1 N), foi usada para retrair os canisnos direito e esquerdo em indivíduos que necessitaram de ancoragem posterior máxima. Os resultados foram comparados com base em implantes palatinos médios que proporcionou uma referência fixa para a medição. A significância da diferença entre os resultados obtidos com as duas magnitudes de forças diferentes foi determinada pelo teste-rank de Wilcoxon.


Em ambos, as coordenadas XYZ e o sistema FHA, não ocorreram diferenças significativas na quantidade de movimento distal desses caninos em mais de dois meses, as diferenças encontradas entre as duas magnitudes de força. No entanto, os resultados mostraram que os caninos eram susceptíveis de inclinação distal durante a retração com uma força de 1 N em comparação com a força de 0,5 N.


Neste estudo, a combinação dessas duas abordagens diferentes para descrever o movimento do dente claramente mostrou uma diferença entre as forças contínuas de 0,5 e 1 de N.




Link do artigo na integra: