ORTODONTIA CONTEMPORÂNEA: Junho 2017

terça-feira, 27 de junho de 2017

Tratamento em duas fases da maloclusão de classe II com caninos impactados





Neste artigo de 2017, publicado pela Contemporary Clinical Dentistry, pelos autores Vaibhav Gandhi, Falguni Mehta, Hrishabh Joshi. Do Department of Orthodontics, Government Dental College and Hospital, Ahmedabad, Gujarat, India. Apresenta um relato de caso utilizando aparelho Twin Block na primeira fase de tratamento de má oclusão de Classe II em um paciente em crescimento, e aparelho ortodôntico fixo para acabamento e detalhamento.

No presente relato, uma adolescente do sexo feminino de 14 anos foi ao Departamento de Ortodontia com a queixa principal de dentes da frente superior para fora. O exame clínico revelou que a paciente apresentava relação molar Classe II da divisão 1 de Angle, com todos os dentes permanentes em erupção, incluindo todos os segundos molares, exceto que os quatro caninos decíduos retidos, com caninos permanentes impactados. De acordo com os dados cefalométricos (SNA: 80 °, SNB: 72 °, ANB: 8 °)  observou-se relação de base esquelética Classe II com maxila protognática e mandíbula retrognática, com padrão de crescimento horizontal, aumento da sobressaliência e sobremordida.

O tratamento foi iniciado com o dispositivo removível Twin Block modificado com arco labial (Fase I) para reduzir o overjet, alcançar relações molares de Classe I e obter ancoragem no início do tratamento para simplificar o estágio do aparelho fixo. O objetivo da retenção de dentes decíduos era manter espaço para caninos permanentes. O aparelho foi monitorado a cada 3 semanas e foi mantido no total por 11 meses. Após a conclusão da correção funcional, o tratamento com aparelho fixo foi iniciado usando a prescrição MBT de slot 0,22". Sequencialmente, a progressão do fio foi feita a partir de 0,014 "NiTi, 0,016" NiTi, 0.017 "× 0.025" NiTi termoativado, e fio de aço inoxidável de 0.017 "× 0.025". Depois disso, todos os quatro caninos decíduos retidos foram extraídos e a exposição cirúrgica dos quatro caninos permanentes foi realizada. Em seguida, a progressão do fio foi feita até 0,019 "× 0,025" de aço inoxidável. A duração total do tratamento foi de 24 meses, incluindo 11 meses de fase I e 13 meses de fase II.

Os autores concluíram que o aparelho funcional Twin Block tem maior efeito dentoalveloar com pequeno componente esquelético. E que há uma série de situações em que os aparelhos funcionais podem ser usados com sucesso para corrigir má oclusão Classe II.  Eles simplificam a fase seguinte do aparelho fixo alcançando a relação molar Classe I.

Palavras-chave: Classe II, Aparelho funcional, Maturação esquelética, Twin Block

Agradecimentos a Dra Nathalia Torres pela tradução do artigo e colaboração com o BLOG

Link do Artigo na Integra:


quarta-feira, 21 de junho de 2017

Uma viagem no tempo - Tweed em Tucson-AZ


Durante muitos anos temos postado artigos sobre novas tecnologias neste Blog, bem como na coluna OrtoTecnologia da Revista Orto-SPO. Acceledent, corticotomias, novos desenhos de braquetes, etc. Tudo em primeira mão. Mas também usamos esse espaço para compartilhar com os amigos experiências ligadas a nossa especialidade e que podem, de alguma forma, influenciar positivamente.
Hoje tenho algo diferente para compartilhar com vocês. Algo que retorna aos românticos tempos dos braquetes standards, sem nenhum ajuste, soldas em prata e muita habilidade e conhecimento. Sim, a ortodontia já foi "Homemade".
O processo de desenvolvimento tecnológico seria maravilhoso caso os conceitos básicos não fossem subjugados e aspectos incontroversos não fossem preteridos. Daí a vontade de voltar no tempo foi aumentando e fui ao local de nascimento da nossa especialidade: Tucson, no estado do Arizona - EUA.
É em Tucson que ficava a escola e consultório do Dr. Charles Tweed, bem conhecido de qualquer ortodontista. Hoje funciona no mesmo lugar e com pouquíssimas modificações estruturais, a Fundação Internacional para pesquisas ortodônticas Charles H. Tweed. 

Com algum esforço, poderá ver a cidade de Tucson na foto acima, uma cidade plana, horizontal e nenhum problema de espaço. Em Tucson fica uma importante base da aeronáutica Americana também. Essa foto foi tirada do topo da Lemmon Mountain durante o único dia que tive para sair ao redor e conhecer a cidade.



 Como podem ver, apesar de muitas reformas sofridas, as instalações permanecem muito similares e talvez, caso Dr. Tweed pudesse voltar, ele não sentiria dificuldades em reconhecer a escola dos dias atuais.

O primeiro curso de Ortodontia que fiz foi na UEL (Universidade Estadual e Londrina) com o Dr. James Vaden, e lembro dele ter feito o convite para irmos à Tweed Foundation... Se fazer especialização em Ortodontia já era um sonho naquela época, ir para o Arizona definitivamente não estava nos planos. Eis que 15 anos depois, lá eu estava com o próprio Dr. Jimmy.

 Se você ainda não entendeu o que eu fui fazer lá, permita-me explicar melhor: Além de ser a mais antiga escola de ortodontia do mundo, esse treinamento é uma excelente oportunidade de melhorar as habilidades em confecções de arco, incorporação das 3 ordens de dobras e solda em prata. Em duas semanas simulamos tratamentos de diversas más oclusões em typodonts e confeccionamos dezenas de arcos utilizando braquetes sem qualquer pre ajuste. 

Se na especialização demoramos semanas ou meses para concluir um typo, lá terminávamos em um ou dois dias. Só valeria à pena mesmo se deixasse um pouco de sangue na bancada. OK, feito!

Vermelho como um camarão foi como fiquei quando escutei, em excelente português, a Profa. Marjorie Langer, do Peru, me chamando pelo nome. Se apresentou como seguidora deste Blog e interessada no curso avançado da Academia da Ortodontia Contemporânea (www.ortodontiacontemporanea-academia.com). Uma amizade que começou assim e promete sedimentar-se por muuuuitos anos. Grande abraço, Marjorie!


Essa foto acima é do Team da mesa 2, neste dia liderado pelo Instrutor Dr. Bob Stoner, de Indianápolis. Um abraço ao Dr. Sérgio Mota,  de Juiz de Fora e demais componentes do Japão e Romênia. Ao lado, a equipe do Dr. Paulo Picanço, de Fortaleza, que foi muito bem representado. Uma pena não termos tido tempo para mais integração. 
E para não dizer que não falei das flores... Sim, alguns raros momentos de descontração no jardim atrás do laboratório, onde celebrávamos a ortodontia responsável e satirizávamos os aparelhos milagrosos. Ali de costas, sentado e com um bom senso de humor, Dr. Klontz, que sozinho contaria quase toda a história da ortodontia que conhecemos hoje. Sem dúvida, foi uma grande oportunidade poder conversar e escutar o que ele tem a dizer de foram tão descontraída e informal.


 Como todos os cursos, fica uma saudade até mesmo dos momentos de maior tensão. Grandes amizades foram feitas com colegas residentes, professores, presidentes de associações e clínicos fantásticos do mundo inteiro. Essa foto abaixo reúne ortodontistas de Chicago, Espanha, Republica Dominicana, Austrália, Califórnia, Flórida, Peru e Bahia-Brasil ✋. Espero poder cultivar essas boas amizades por toda a vida. Sabe? Se tem um lugar bom para fazer amizades é na Tweed Foundation. Não tem gente que gosta de atalhos por lá... já é um começo.






















Nesta outra foto estão todos os alunos que finalizaram a turma 123 da Tweed Foundation, 2017. Ali no centro, mais a cima, de camisa branca sou eu! Achou?


Finalizo com esta classica foto da frente da Tweed Foundation. Abraço a todos vocês!


  



segunda-feira, 19 de junho de 2017

Condições de forças ótimas para controlar a mecânica de deslize dos dentes anteriores










Neste artigo de 2009, publicado pela Angle Orthodontist, pelos autores Jun-ya Tominaga; Motohiro Tanaka; Yoshiyuki Koga; Carmen Gonzales; Masaru Kobayashi; Noriaki Yoshida; do Department of Orthodontics and Dentofacial Orthopedics, Nagasaki University Graduate School of Biomedical Sciences, Nagasaki, Japão; Mostra através de um estudo com elementos finitos a eficiência de uma mecânica de deslize com o auxilio de mini implantes.


Este estudo teve o objetivo de determinar ótimas condições de carga, como a altura da retração e vigor do braço de força e sua posição no arco ortontico na mecânica de deslizamento. o metodo 3D de Elementos Finitos (MEF) foi usado para simular a retração maciçamente dos dentes anteriores na mecânica de deslizamento. O grau de alteração labiolingual dos incisivos centrais superiores foi calculado e o vigor da retração foi aplicado a diferentes alturas de um determinado braço de força localizado a mesial ou distal do canino.


Quando o braço de força foi colocado a mesial do canino, o nível de 0 mm (braquete nível do slot), foi observado uma inclinação lingual descontrolada da coroa do incisivo e o segmento anterior do arco ortodontico foi deformada para baixo. Na altura do braço de força de 5,5 mm, o movimento corporal foi produzido e os acos ortodonticos foram menos deformados. Quando a altura do braço de força excedeu 5,5 mm, o segmento anterior do arco ortodontico foi levantado para cima e a inclinação lingual da raiz ocorreu. Quando o braço de força foi posicionado a distal do canino, uma inclinação lingual da coroa foi observada até um nível de 11,2 mm.


A colocação do braço de força e de um arco ortodontico entre o incisivo lateral e o canino permite aos ortodontistas manter um melhor controle dos dentes anteriores em uma mecânica de deslizamento. Ambos os princípios biomecânicos associados ao centro da resistência do dente e da deformação do arco ortodontico devem ser tidos em consideração para a previsão e planejamento ortodôntico na movimentaçao dentaria.




Link do artigo na integra via Angle Orthodontist:


segunda-feira, 12 de junho de 2017

Taxa de falha primária de 1680 mini-parafusos inferiores extra-alveolares "Buccal Shelf" colocados na mucosa livre ou na gengiva inserida








Neste artigo de 2015, publicado pela Angle Orthodontist, pelos autores Chris Chang ; Sean S.Y. Liu; W. Eugene Roberts. Da Private Practice, Beethoven Orthodontic Center, Hsinchu City, Taiwan. Apresenta um estudo que compara a taxa de insucesso inicial  (≤4 meses) de mini-parafusos extra-alveolares mandibulares buccal shelf (MBS) instalados em mucosa livre(ML)  ou gengiva inserida (GI).

No presente estudo, foram inseridos 1680 mini-parafusos MBS de aço inoxidável de 2 x 12-mm  em 840 pacientes (405 homens e 435 mulheres, com idade média, 16 ±5 anos). Todos os parafusos foram colocados o mais paralelo possível, lateralmente ao processo alveolar, entre  primeiro e segundo molares inferiores, próximo à junção mucogengival (abordagem extra-alveolar). As cabeças dos parafusos ficaram pelo menos 5 mm acima dos tecidos moles. Foram aplicadas cargas de 227g-397g com elásticos em cadeia para retrair o segmento  mandibular anterior durante pelo menos 4 meses. Os pacientes foram orientados como realizar a higiene oral de forma correta para controlar inflamação e a estabilidade dos mini-parafusos MBS foram testadas a cada consulta.

Os autores observaram que no total de 1680 miniparafusos, 121 falharam (7,2%): 7,31% estavam em ML e 6,85% em GI (diferença estatisticamente insignificante). As falhas foram unilaterais em 89 pacientes e bilaterais em 16. As falhas do lado esquerdo (9,29%) foram significativamente maiores (P< .001) em comparação com as do lado direito (5,12%). A idade média para pacientes com falha foi de 14 ± 3 anos.

Concluíram que os mini-parafusos MBS foram altamente bem sucedidos (aproximadamente 93%), mas não houve diferença significativa entre a colocação em MM ou GI. As falhas foram mais comuns do lado esquerdo do paciente e em pacientes adolescentes mais jovens. Tendo 16 pacientes com falhas bilaterais, sugere-se que uma pequena fração dos pacientes (1,9%) estão predispostos a falhas com este método. (Angle Orthod. 2015; 85: 905-910.)

PALAVRAS-CHAVE: Mandibular Buccal Shelf; Mini-parafusos; Ancoragem esquelética; Gengiva inserida; Mucosa alveolar; Ancoragem ortodôntica extra-alveolar

Nossos Agradecimentos pela tradução a Dra Nathalia Torres

Link do Artigo na integra via Angle Orthodontist:

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Tratamento da maloclusão de classe III com ancoragem esquelética, e seus efeitos nas vias aéreas respiratórias





Este artigo publicado em 2015 pelo Angle Orthodontist, pelos autores Tung Nguyen; Hugo De Clerck; Michael Wilson; Brent Golden. Do Department of Orthodontics, School of Dentistry, University of North Carolina, Chapel Hill, NC. Apresenta um estudo comparativo do efeito do tratamento da maloclusão de Classe III com ancoragem esquelética, sobre as vias aéreas respiratória nestes pacientes.

O artigo comparou os volumes das vias aéreas respiratórias e as alterações mínimas na secção transversal em pacientes com maloclusão de classe III tratados com protração maxilar esquelética (PME) versus grupo controle de pacientes com Classe III não tratados. 

Foram avaliados vinte e oito pacientes com Classe III esquelética, na faixa etária entre 10 e 14 anos (idade média de 11,9 anos), tratados com PME, foram instaladas quatro miniplacas, sendo duas na crista infra-zigomática e duas entre os incisivos laterais e caninos inferiores. As miniplacas modificadas (Bollard, Tita-Link, Bruxelas, Bélgica) foram fixadas ao osso por dois (mandíbula) ou três (maxila) parafusos, com diâmetro de 2,3 mm, e 5 mm de comprimento. As extensões das placas perfuraram a gengiva inserida próxima à junção mucogengival. Três semanas após a cirurgia, as miniplacas foram ativadas usando elásticos de Classe III com de 100g de força de cada lado. A força foi aumentada para 200g após 1 mês de tração, e para 250g após 3 meses. Os pacientes foram orientados substituir os elásticos pelo menos uma vez por dia e usa-los por 24 horas por dia. Nos casos de sobremordida associada, foram inseridas placas de mordida no arco superior para eliminar a interferência oclusal. 

Os avaliados fizeram tomografias computadorizadas de feixe cônico (TCFC) tomadas antes dos tratamento (T1) e 1 ano após (T2). Vinte e oito pacientes Classe III não tratados com idade média de 12,4 anos, tiveram TCFC tomadas e cefalogramas gerados. Os volumes das vias aéreas foram avaliadas usando o software Dolphin Imaging 11.7 3D. 
De T1 a T2, o volume das vias aéreas dos pacientes tratados com PME apresentou aumento significativo (1499,64 mm3 ). A área na secção mais estreita aumentou ligeiramente (15,44 mm2). O volume das vias aéreas de pacientes com PME em T2 foi 14136,61 mm3, em comparação com pacientes Classe III não tratados foi de 14432,98 mm3. 
Os autores concluíram que o tratamento com PME não impediu o desenvolvimento da orofaringe. (Angle Orthod.2015; 85: 591-596.)

PALAVRAS-CHAVE: Ancoragem esquelética; Via aérea; Classe III

Artigo Traduzido pela Colega: Nathalia Torres

Link do Artigo na Integra via Angle Orthodontist: