ORTODONTIA CONTEMPORÂNEA: Outubro 2016

terça-feira, 25 de outubro de 2016

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Desgaste interproximal e suas implicações clínicas






Neste artigo de 2007, publicado pela Revista Dental Press, pelos autores Osmar Aparecido Cuoghi, Rodrigo Castellazzi Sella, Fernanda Azambuja Macedo, Marcos Rogério de Mendonça;  do Departamento de Odontologia Infantil e Social, Disciplina de Ortodontia Preventiva, da Faculdade de Odontologia de Araçatuba – UNESP. Apresenta uma discussão, embasada na literatura pertinente, dos principais fatores envolvidos com este procedimento clínico.

O apinhamento dentário está presente na maioria das más oclusões, requerendo do profissional um conhecimento amplo sobre o diagnóstico e plano de tratamento. De acordo com sua severidade, existem modos diferentes de tratamento, como a distalização de molares, as extrações, as expansões dos arcos dentários e os desgastes interproximais. Os desgastes dentários referem-se à diminuição das dimensões dentárias mesiodistais com objetivo de corrigir apinhamentos suaves ou moderados, bem como eliminar a desproporção natural de tamanho dentário entre os arcos, e requerem o conhecimento de vários aspectos clínicos para serem realizados. 


A Ortodontia contemporânea vem usufruindo intensivamente deste procedimento, o que o torna cada vez mais freqüente no cotidiano clínico. Entretanto, muitas são as dúvidas quanto ao nível de apinhamento que pode ser corrigido, quantidade de desgaste do esmalte e sua qualidade após a terapia, envolvimento pulpar e periodontal, materiais utilizados e estabilidade em longo prazo, de modo que o desgaste interproximal constitui um assunto de suma importância e não completamente conhecido.


Porém, é importante deixar bem claro que os desgastes interproximais são utilizados para a redução da dimensão dentária, pois este é o fator a ser corrigido; quando a discrepância de modelos tem como fator principal o aumento do espaço presente, outros procedimentos têm melhor indicação. O clínico deve estar atento para não oferecer o tratamento equivocado ou até mesmo associar dois métodos de tratamento sem o correto entendimento do que deve ser corrigido. 


Tradicionalmente, o desgaste de esmalte nas regiões interproximais foi idealizado para o tratamento de casos com discrepâncias entre as larguras dos dentes superiores e inferiores. Esta filosofia foi brilhantemente descrita por Bolton em seu artigo clássico de 1958, que relata a desarmonia de tamanho dentário e sua relação para a análise e tratamento das más oclusões. Estudos subseqüentes, como os de Crosby, Alexander e Freeman et al., demonstraram que aproximadamente 20% dos pacientes apresentam discrepância de tamanho dentário, decorrente de um excesso de massa dentária no arco inferior.

Em um artigo clássico de 1980 relacionando os fatores envolvidos com a oclusão do segmento anterior, Tuverson inferiu que a redução de esmalte de 0,3mm para os incisivos inferiores e 0,4mm para os caninos inferiores pode ser realizada sem prejudicar a vitalidade dentária. Radiograficamente, existe esmalte suficiente para permitir o desgaste dentário sem comprometimento da face proximal. Enfatizou que a opção pelo desgaste dentário seria a alternativa mais indicada para casos limítrofes de extração.

Sheridan afirmou que os desgastes interproximais podem ser indicados para tratar indivíduos que apresentem discrepâncias de modelos de 4 a 8mm, evidenciando-se uma alternativa para o tratamento de casos com discrepância negativa de modelos. 



Considerando que a diminuição de 50% do esmalte dentário resguarda uma espessura de esmalte aceitável biologicamente, este procedimento constitui um método de tratamento que pode ser aplicado nos casos de apinhamentos suaves a moderados, ou ainda, para correção de desproporções dentárias dos casos que apresentam discrepância de Bolton. 



Considerando as inúmeras tentativas de eliminação dos sulcos provocados pelos desgastes, Zachrisson destacou que superfícies lisas podem ser produzidas com discos para polimento. Conforme o disco de lixa vem se desgastando durante o procedimento, age como um instrumento de polimento, descartando a necessidade de polimento adicional. 


Sheridan e Ledoux informaram que a realização de desgaste com brocas associadas à micromotores e selantes pode proporcionar um menor risco de cáries interproximais, por meio do selamento e suavização dos sulcos gerados durante o procedimento de desgaste. 


Vários métodos são utilizados para realização do desgaste. Os mais citados são a lixa de aço para amálgama, a ponta diamantada montada em alta rotação, o disco de lixa unifacetado e as brocas de tungstênio multilaminadas com 8 lâminas retas.

Sheridan descreveu a técnica de desgaste com alta rotação, objetivando a remoção de esmalte, principalmente, na região distal de caninos, em decorrência da maior quantidade de esmalte. 



CONCLUSÕES
O procedimento de desgastes interproximais pode ser realizado para correção da falta de proporcionalidade dentária, ou seja, casos que apresentam discrepância de Bolton. Além disso, constitui uma alternativa para os casos com apinhamentos moderados de até 2mm para dentes anteriores e 4mm para dentes posteriores, sendo 2mm para cada hemiarco. 


A saúde dentária e periodontal podem ser preservadas por meio deste procedimento, desde que os limites biológicos sejam respeitados, o que implica em não ultrapassar o limite de aproximadamente 0,25mm de desgaste em cada face de esmalte proximal dos dentes anteriores e 0,5mm para os dentes posteriores. Este procedimento mantém uma espessura de esmalte aceitável biologicamente, resguarda a proporção mínima entre coroa e raiz no sentido mesiodistal e evita alterações periodontais em virtude da proximidade radicular inadequada. 

Link do artigo na integra via Scielo:

sábado, 15 de outubro de 2016

Feliz dia dos Professores


Felicitações a todos aqueles que trabalham em prol da transformação de vidas, compartilhando seus conhecimentos e suas experiências .... Parabéns a todos os Professores !!! Nossa homenagem aos Professores que passaram e passarão da Academia da Ortodontia Contemporânea...

Informações sobre o curso avançado 2017 :

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Fio de Latão: uma alternativa para o clínico geral no tratamento de molares ectópicos semi-irrompidos





Neste artigo de 2008, publicado pela Revista da Associação Brasileira de Odontologia Nacional, pelos autores Hiroshi Maruo, Cláudio Vinícius Sabatoski, Marcos Adriano Sabatoski, Ivan Toshio Maruo, Orlando Tanaka; da Graduação e Pós-Graduação em Odontologia – Ortodontia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). Mostra, através da apresentação de casos clínicos, a eficiência do fio de latão, empregado isoladamente ou associado ao aparelho ortodôntico, na desimpactação e verticalização de molares ectópicos semi-irrompidos.


A Ortodontia não se constitui apenas de procedimentos complexos. Muitas vezes, pequenas intervenções podem minimizar o desenvolvimento de problemas oclusais que, com o tempo, transformarse-iam em grandes desvios, acarretando sérias dificuldades de tratamento. Desta maneira, intervenções simples, porém de grande importância para a prevenção do estabelecimento de maloclusões, podem e devem ser realizados por profissionais que não sejam especialistas em Ortodontia, desde que suficientemente treinados e com conhecimentos básicos de crescimento e desenvolvimento craniofacial, biogênese da dentição e etiologia da maloclusão.


Nesta linha de pensamento, um problema freqüentemente observado nos consultórios de Ortodontia e que poderia ser tratado preventivamente pelo clínico geral são dentes ectópicos semi-irrompidos ou impactados.


Segundo Cossman, erupção ectópica pode ser definida como um dente irrompido ou tentando irromper em uma posição ou lugar que não seja o normal. Os principais fatores etiológicos são a morfologia dentária, o desenvolvimento dentário e a correlação entre crescimento ósseo e erupção dentária.


Morfologicamente, os dentes ectópicos podem ser, significantemente, maiores que o normal e a superfície mesial do primeiro molar permanente superior se encaixa perfeitamente na superfície distal do segundo molar superior decíduo, favorecendo a sua impactação.


O descompasso entre o crescimento ósseo e erupção dentária também pode constituir um importante fator etiológico, uma vez que a falta de desenvolvimento e crescimento da maxila e mandíbula, limitando o aumento do comprimento das arcadas dentárias pode ocasionar a erupção ectópica por falta de espaço.


Segundo Interlandi, Moyers, Paiva Lino, Guedes Pinto e Carranza as conseqüências da erupção ectópica são impactação dentária, reabsorção radicular, perda precoce de molares decíduos, diminuição do comprimento do arco, apinhamento dentário e pericoronarite.


O diagnóstico não é complexo, sendo feito através da análise clínica dos pontos de contatos interproximais dos dentes em erupção e da avaliação do posicionamento dentário e do estágio de rizogênese em radiografias panorâmicas e periapicais. É importante ressaltar que a precocidade do diagnóstico possibilita um tratamento mais simples e eficiente, uma vez que o potencial de erupção é maior em dentes com rizogênese incompleta. Daí a importância de se informar e instruir o clínico geral acerca da relevância da abordagem precoce destes desvios na biogênese da oclusão, uma vez que, na maioria das vezes, são eles os primeiros a ter contato com o paciente.


Para a adaptação e a ativação do fio de latão são seguidas as seguintes etapas:

1- Toma-se um segmento de fio de latão de aproximadamente 10 cm de comprimento e com o diâmetro podendo variar de 0,6 a 0,9 mm;


2- Com o auxílio de um alicate 139, contorna-se um semicírculo em uma das extremidades do fio;


3- Com o auxílio do alicate 110, pressiona a extremidade do semicírculo, para facilitar a passagem do fio de latão sob o ponto de contato;


4- Ainda com o alicate 110, introduz-se o fio de latão, de vestibular para lingual, sob o ponto de contato;


5- Volta-se a extremidade do fio de lingual para vestibular e une-se as duas extremidades;


6- As extremidades são tracionadas e torcidas lentamente, forçando o fio ao redor do ponto de contato;


7- Por fim, corta-se o excesso de fio e, com um calcador de banda, acomoda-se a ponta de maneira que não traumatize a bochecha ou a gengiva e não interfira na oclusão.



O fio deve ser ativado a cada 15 dias, torcendo novamente o fio sempre no mesmo sentido. Com este procedimento, o dente é desimpactado gradativamente e, de acordo com o seu potencial, continua o movimento eruptivo.


Durante o processo de desimpactação, o fio de latão pode soltar-se devido à perda do contato interproximal. Nestas situações, deve-se aguardar o restabelecimento do contato, que ocorre no período de duas a quatro semanas, para recolocar o fio de latão e continuar as ativações.



CONCLUSÃO


Com a avaliação dos resultados obtidos nos casos clínicos apresentados, pode-se concluir que a utilização do fio de latão, para desimpactação de molares ectópicos semi-irrompidos, mostrou-se eficaz nos casos de rizogênese incompleta e, portanto com maior potencial de erupção. Porém, nos casos de rizogênese completa, o fio de latão precisou ser associado ao aparelho ortodôntico fixo, a fim de se obter a verticalização e o estabelecimento do correto ponto de contato.



Link do artigo na integra via ABO: