ORTODONTIA CONTEMPORÂNEA: Novembro 2015

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Avaliação qualitativa em modelo experimental fotoelástico do sistema de força gerado pela mola “T” com pré-ativações preconizadas por Burstone




Neste artigo de 2011, publicado pelo Dental Press Journal Orthodontics, pelos autores Luiz Guilherme Martins Maia, Vanderlei Luiz Gomes, Ary dos Santos-Pinto, André da Costa Monini, Luiz Gonzaga Gandini-Jr; do curso de Odontologia da Universidade Tiradentes/SE, do departamento de Prótese Removível e Materiais Odontológicos da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Uberlândia; da Disciplina de Ortodontia do Departamento de Clínica Infantil da Faculdade de Odontologia de Araraquara - UNESP; Avalia o sistema de forças gerado pela mola T centralizada no espaço interbraquete, com pré-ativação preconizada por Burstone.



Na terapêutica ortodôntica, por meio de um detalhado diagnóstico, a extração de pré-molares é um procedimento algumas vezes adotado e requer do ortodontista um conhecimento acurado da biomecânica no fechamento dos espaços remanescentes, assim como dos princípios histológicos, anatômicos e fisiológicos. O fechamento do espaço poderá ocorrer pela distalização dos dentes anteriores, mesialização do segmento posterior ou uma combinação entre elas. Nessa fase, é importante que o profissional escolha o dispositivo a ser utilizado de acordo com o tipo de ancoragem necessária, observando o sistema de força liberado, de modo que haja bom controle do movimento sem agredir as estruturas adjacentes aos dentes.



Pensando nesse sistema de força e considerando os princípios da técnica do arco segmentado, Burstone, em 1982, idealizou a mola T confeccionada com fio de titânio-molibdênio, de secção 0,018”x 0,025” ou 0,017” x 0,025”, a qual possibilitaria ao clínico trabalhar de forma mais previsível, e seu sistema de forças liberado seria intimamente relacionado à quantidade de ativação e à incorporação das dobras de pré-ativação. Com isso, seria possível controlar de forma mais precisa o centro de rotação dos dentes.


De forma peculiar, a mola T proporciona baixa magnitude de força em quantidades de ativações altas. Isso ocorre em função do tipo de liga utilizada e pela grande quantidade de fio incorporada em seu desenho. Clinicamente, isso é muito positivo, uma vez que a quantidade de ativação é muito grande e a perda de força é relativamente baixa quando comparada à de outros dispositivos de fechamento de espaço. Assim sendo, esse dispositivo ainda apresenta níveis satisfatórios na proporção momento/força (M/F) e carga/deflexão (C/D).

Assim, o propósito deste estudo foi avaliar, em modelo experimental fotoelástico, o sistema de força gerado pela mola T de Burstone, centralizada no espaço interbraquetes, buscando, por meio de análise qualitativa, respaldo de forma a complementar as pesquisas já existentes.

Foi utilizada a técnica da análise experimental fotoelástica, que transforma as forças internas mecânicas produzidas em padrões de luz visíveis que indicam a localização e a magnitude da tensão. Isso se baseia no princípio de que, quando um feixe de luz polarizada passa através de um material birrefringente, essa diferença entre as velocidades dos feixes é observada com filtro polarizante. O equipamento utilizado para visualização do efeito fotoelástico foi o polariscópio circular, que consiste de um sistema de iluminação, um par de polarizadores e um suporte para sustentar o modelo fotoelástico a ser observado, e uma câmera para obtenção das imagens e posterior análise dos resultados.

Para cada modelo, utilizou-se uma mola T, confeccionada com fio de titânio-molibdênio (TMA), com secção transversal de 0,017” x 0,025”. No intuito de manter o padrão das molas T, definido por Burstone, quando de sua confecção, foi feito um template cujas medidas foram: 10mm de comprimento e 7mm de altura. Em seguida, dobras de pré-ativação foram incorporadas às molas, seguindo o padrão definido por Burstone.

CONCLUSÃO

Utilizando o método experimental fotoelástico para análise qualitativa do sistema de forças liberado pela mola T centralizada e confeccionada com fio de TMA 0,017” x 0,025”, podemos concluir que:

1. Em posição neutra, a molaT apresentou uma ordem de franja muito baixa em toda a superfície radicular.

2. Com ativação de 3mm,a ordem de franja mostrou-se com tendência de movimento de incli- nação controlada.

3. Com ativação de 6mm, a concentração de energia, ou de força, foi claramente maior.

4. Em nenhuma das ativações observadas, a ordem de franja mostrou-se com característica de movimento de inclinação descontrolada.


Link do artigo na integra via Scielo:

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Correção de uma mordida aberta posterior dentaria com biomecânica simples usando uma miniplaca C-tubo anterior

Neste artigo de 2012, publicado pelo Korean Journal Orthodontics, pelos autores Hyo-Won Ahn, Kyu-Rhim Chung, Suk-Man Kang, Lu Lin, Gerald Nelson e Seong-Hun Kim. Do Departament of Orthodontics, School of Dentistry, Kyung Hee University, Seoul, Korea, Department of Orthodontics, School of Medicine, Ajou University, Suwon, Korea e da Division of Orthodontics, University of California San Francisco, San Francisco, USA. Mostra a aplicação da miniplaca ortodontica com tudo na correção de uma mordida aberta posterior de um paciente.



Uma menina com 12 anos de idade, possuía  queixa principal de mordida aberta posterior. Ela foi submetida a um tratamento ortodôntico prévio para resolver protrusão dentaria, 2 anos antes em uma clínica local. Os segundos molares superiores e inferiores foram extraídos com o objetivo de distalização de toda dentição corrigindo a deficiência mandibular, foi utilizado um aparelho Twin block removível associado a um bite block posterior. No entanto, o tratamento resultou em uma abertura iatrogênica posterior da mordida com  inclinação mesial dos molares inferiores após os 2 anos. 


Ela compareceu na clínica com uma relação molar de Classe III integral de cúspide, mordida aberta posterior, curva de Spee mandibular profunda, curva acentuada no arco superior, diastemas no arco superior e molares inferiores inclinados mesialmente, sem oclusão de relação cêntrica (CR-CO). Protrusão labial no perfil lateral, e assimetria facial insignificante. Uma radiografia panorâmica mostrou a formação dos terceiros molares de ambos os lados.


Com base nestes resultados, a paciente foi diagnosticada com padrão esquelético de Classe I, Classe III dentária com mordida aberta posterior. Embora tivesse protrusão labial, ela recusou-se a  submeter-se a extrações adicionais de pré-molares superiores devido ao aumento da duração do tratamento e experiência anterior de 4 extrações dos segundos molares. Portanto, uma abordagem para a correção sem extração dentaria foi selecionada. Os objetivos do tratamento foram: (1) a posição vertical dos molares inferiores, sem extrusão simultânea, (2) Resolver a mordida aberta posterior, e (3) Atingir uma classe I com oclusão funcional,  com sobremordida e sobressaliência ideal.

Uma miniplaca tipo C-tubo (Jin-Biomed Co., Bucheon, Coreia) foi colocada na área antero-inferior. Como o dispositivo era bastante pequeno, e os parafusos de fixação  curtos, o procedimento cirúrgico para a colocação de tubo-C foi mais fácil do que as miniplacas convencionais. Uma incisão de 5 mm vertical sem elevação do retalho foi realizada por colocação. Após a adaptação da miniplaca ao contorno do osso,  a mesma foi fixada com dois microparafusos autoperfurantes  1,5 x 5 mm.

O C-tubo serviu para suportar um arco, o qual foi levantado com um fio de bronze 0,8 mm de extensão realizada apartir da parte da cabeça do tubo. O comprimento da extensão do fio de latão podia ser modificado para se aplicar uma magnitude de força desejada sobre os dentes posteriores.


A duração total do tratamento foi de 18 meses. As relações molares e caninos foram corrigidas  de uma completa relação de classe III para uma relação de Classe I. A mordida aberta posterior foi corrigida por meio do controle da inclinação dos molares superiores e inferiores, e uma sobremordida  e sobressaliência ideais foram alcançadas. 





A serie de telerradiografias demonstrou a verticalização dos dentes posteriores inferiores e aplainamento do plano oclusal superior. A série radiografias panorâmicas confirmou a verticalização dos pré-molares  e primeiros molares inferiores, com paralelismo radicular favorável. A distal dos molares  livres para uma boa erupção dos terceiros molares superiores e inferiores.



Os autores concluíram que este novo sistema biomecânico  descrito é ideal para a correção de certos tipos de  maloclusões de Classe III dentarias, com o objetivo de distalização e verticalização molares inferiores sem extrusão. O sistema inclui a colocação dos braquetes apenas sobre os dentes que serão submetidos ao movimento, com sistema de ancoragem fornecido por uma miniplaca anterior menor,  fixada ao osso da sínfise. As forças aplicadas com o arco de curva reversa NiTi  provou ser muito eficaz para a verticalização molar e, se desejado, o fechamento da mordida aberta  posterior.

Link do artigo na integra via Korean Journal Orthodontics:

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Condições de carga ideal para movimentação controlada de dentes ateriores na mecânica de deslize




Neste artigo de 2009, publicado na Angle Orthodontist, pelos autores Jun-ya Tominaga; otohiro Tanaka; Yoshiyuki Koga; Carmen Gonzales; Masaru Kobayashi; Noriaki Yoshida; do Departmento de Ortodontia e ortopedia dentofacial, Nagasaki University Graduate School of Biomedical Sciences, Nagasaki, Japão. Mostra mais um belo estud realizado com o método de elementos finitos.


Este estudo foi realizado com o intuito de se determinar as condições de carga, como a altura ideal da força de retração no braço de força e sua posição no arco na mecânica de deslize.


A método dos elementos finitos (FEM) 3D, foi usado para simular uma retração em massa de dentes anteriores numa mecânica de deslizamento. O grau de inclinação vestíbulo-lingual dos incisivos centrais superiores foi calculado quando a força de retração foi aplicada em diferentes alturas de braços de força por mesial ou distal ao canino.


Quando o braço de força foi colocado à mesial do canino, ao nível de 0 mm (do nível do slot), foi observado que coroa do incisivo foi "jogada" de forma descontrolada para lingual, foi observado que o segmento anterior do arco foi deformado para baixo. Numa altura do braço de força de 5,5 mm, o movimento de corpo foi produzido e os arcos foram menos deformados. Quando a altura do braço força excedeu 5,5 mm, o segmento anterior do arco foi levantado para cima e a raiz "jogada" para a lingual. Quando o braço de força foi colocado distal ao canino, a coroa foi para a lingual até um nível de 11,2 mm.


A colocação de braço de força em um arco entre o incisivo lateral e canino permite aos ortodontistas manter um melhor controle dos dentes anteriores na mecânica de deslizamento. Ambos os princípios biomecânicos associados com o centro de resistência do dente e da deformação do arco deve ser tomado em consideração para a previsão e planejamento ortodôntico do movimento dentario.




Link do artigo na integra via Angle Orthodontist:


sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Entrevista com Prof. Dr. Marcio Rodrigues Almeida - Parte 3




Dando continuidade, o Blog Ortodontia Contemporânea  disponibiliza a terceira parte da entrevista com o Prof. Dr. Marcio Rodrigues Almeida, Ortodontista Clinico, Professor de Ortodontia, Autor de vários artigos de relevância na Ortodontia, Autor do Livro Ortodontia Clinica e Biomecânica, publicado pela Editora Dental Press. Que conta com 16 capítulos que abordam mecânicas ortodônticas contemporâneas, ilustrados com mais de 3.000 fotografias e grande casuística clinica.  Leitura necessária para o  especialista clinico e alunos em processo de formação na área. Também teremos o imenso prazer de contar com sua presença  no curso Avançado em Ortodontia, da Academia da Ortodontia Contemporânea, em Salvador - Bahia.

Marlos Loiola - O capitulo que demonstra a “Versatilidade Biomecânica dos Arcos de Intrusão”,  aborda todas as indicações e aplicações, níveis de força e inclusive a confecção passo a passo deste poderoso recurso auxiliar da biomecânica ortodontica. Seria este arco um “coringa” nas difíceis situações da mecânica do arco continuo?

Dr. Marcio Almeida - Perfeita a sua colocação aqui. O arco de intrusão é um arco coringa. Obrigado pela sugestão do nome, Marlos. Na verdade eu já estava precisando de um nome para este arco. Este é um arco que eu utilizo em aproximadamente 70% de todos os meus pacientes, em várias fases durante o tratamento. No início utilizava-o para intruir os incisivos superiores, mais tarde passei a usa-lo parai intruir os inferiores, por questões da estética do sorriso.


Atualmente, utilizo o arco de intrusão que na verdade não se aplica somente para isso, para executar o controle da ancoragem molar superior, desinclinar plano incisal, fechar mordida aberta, desinclinar molares, evitar a formação de Classe II durante o alinhamento do arco superior, distalizar molares superiores, nivelar curva de Spee e finalmente intruir incisivos. A intrusão de incisivos é um movimento tecnicamente elaborado e deve ser muito bem planejado, assim, algumas opções de tratamento para estes casos se faz necessária. De fato, a intrusão dos incisivos deve obedecer a um protocolo padronizado e muito bem elaborado pelo ortodontista. É interessante salientar que o profissional que optar pela intrusão dos dentes anteriores deve previamente analisar a linha do sorriso e a sua relação com os incisivos superiores.

Por exemplo, um paciente jovem com sobremordida que na fotografia de sorriso expor pouco os incisivos superiores deve-se preferir a intrusão dos dentes inferiores. Por outro lado, para um jovem com sobremordida que apresenta uma linha do sorriso alta (sorriso gengival) com exposição avantajada dos incisivos superiores deve-se preferir a intrusão dos dentes anterossuperiores. para a intrusão dos dentes anteriores recomenda-se o uso de um dinamômetro capaz de registrar forças de baixa magnitude com faixa de leitura entre 25 e 250 gramas Na mecânica de intrusão dos dentes anteriores é de primordial importância utilizar forças de baixa magnitude e de longa duração. A força de baixa magnitude permite intruir os incisivos de modo que não ocorra reabsorção radicular extensa. Os ortodontistas, em geral, denotam receio quando se fala em movimento de intrusão, pois certamente, se mal controlado, é um movimento que se direciona contrariamente ao alvéolo, podendo causar reabsorção no ápice.





A utilização do arco de intrusão vem crescendo para a correção da Classe II dentoalveolar, tão comum por problemas de perdas de dentes decíduos e conseqüentes mesializações dos dentes permanentes. Nestes casos objetiva-se a distalização dos primeiros molares superiores, principalmente nos casos em que os segundos molares superiores não estão irrompidos.

Na Biomecânica moderna opta-se por utilizar o arco de intrusão durante a retração dos caninos até encostá-los em pré-molares, minimizando a perda de ancoragem dos molares e a extrusão dos incisivos superiores. Nestas condições o arco de intrusão deve ser amarrado sobre um arco contínuo que geralmente é o fio retangular .016’’ x .022’’ e o método de retração utilizado pode ser a corrente elástica ou a mola. Com a mecânica de deslize do canino por meio de molas NiTi ou corrente elástica, mesmo com a expressão de sua angulação devido ao seu movimento para distal, não ocorre extrusão dos dentes anteriores com conseqüente aprofundamento da mordida, devido à utilização em conjunto do arco de intrusão que promove uma força no sentido oposto sobre os incisivos, neutralizando o efeito extrusivo nos dentes anteriores, além de evitar a perda de ancoragem por meio do momento nos molares superiores

A literatura é escassa quando da busca pela mecânica de ancoragem decorrente do uso de arcos de intrusão. Publicamos um trabalho, em 2010, onde estudamos a capacidade do arco de intrusão em manter a ancoragem, em jovens portadores da má-oclusão de Classe II, 1ª divisão, tratados com exodontia de primeiros pré-molares superiores, e retração de caninos realizada com molas de nitinol, em conjunto com Arco de Intrusão. Telerradiografias laterais foram tomadas assim que a retração dos caninos estivesse completa. A amostra foi composta por 38 telerradiografias em norma lateral de 19 jovens, sendo 13 do gênero feminino e 7 do gênero masculino com idade média inicial de 12 e 37 anos e idade. 

Os resultados demonstraram que os molares não se movimentaram significativamente para mesial (perda de ancoragem), durante a retração dos caninos. A perda de ancoragem durante a retração dos caninos variou de 0,5 a 1,5mm. Assim, pode-se verificar que o protocolo de retração dos caninos concomitantemente ao uso do arco de intrusão propiciou um bom controle da ancoragem.

Amanhã a ultima parte desta imperdível entrevista, importante para o Ortodontista Contemporâneo !!!





Curso avançado presencial com o Dr. Marcio Almeida:



Venda do livro do Dr. Marcio Almeida:


Link da Clinica do Dr. Marcio Almeida:

Entrevista com Prof. Dr. Marcio Rodrigues Almeida - Parte 4







Blog Ortodontia Contemporânea  divide com os nossos leitores, a ultima parte da entrevista com o Prof. Dr. Marcio Rodrigues Almeida, Ortodontista Clinico, Professor de Ortodontia, Autor de vários artigos de relevância na Ortodontia, Autor do Livro Ortodontia Clinica e Biomecânica, publicado pela Editora Dental Press. Que conta com 16 capítulos que abordam mecânicas ortodônticas contemporâneas, ilustrados com mais de 3.000 fotografias e grande casuística clinica.  Leitura necessária para o  especialista clinico e alunos em processo de formação na área. Também teremos o imenso prazer de contar com sua presença  no curso Avançado em Ortodontia, da Academia da Ortodontia Contemporânea, em Salvador - Bahia.


Marlos Loiola - Os Ortodontistas vem paulatinamente  incorporando a utilização braquetes autoligáveis e consequentemente criando uma maior dependência da mecânica de arco reto no dia a dia clinico. Ao seu ver, os mini implantes e Mini placas Ortodônticas, surgem como alternativas, principalmente no controle Vertical? E a biomecânica segmentada nestes casos? Como e quando você aconselha?


Dr. Marcio Almeida - Como mencionei anteriormente, não acho que os mini-implantes sejam imprescindíveis para a execução de uma ortodontia de excelência. Penso que eles nos ajudam em casos de intrusão molar, fechamento de mordida aberta esquelética, mesialização molar e outros, mas também vejo com cautela pois o índice de insucesso como perdas deve ser levado em conta. Os braquetes autoligáveis sem sombra de dúvida são alternativas interessantes principalmente para pacientes que moram fora da sua cidade de origem e para aqueles que você quer oferecer um produto diferenciado. Já sabemos que estes braquetes não são mais eficientes na correção do apinhamento, nem na velocidade do fechamento de espaço de extrações em comparação aos convencionais. 



Acho que para o controle vertical em casos com sobremordida profunda já abordamos a resposta anteriormente. Por outro lado para casos com mordida aberta esquelética o uso das mini-placas tem funcionado bem durante a intrusão molar. Apesar de não termos muitos trabalhos que avaliaram a longo-prazo a estabilidade do fechamento da mordida, parece ser um recurso útil para os pacientes que não querem executar a cirurgia ortognática. Obviamente a biomecânica segmentada pode seu útil em alguns poucos casos com problemas verticais, como mordida profunda e casos com mordida aberta dentoalveolar.




Marlos Loiola - Professor, quais são seus próximos projetos na Ortodontia? Cursos, artigos, Livros,.... O que teremos de novidade para os próximos anos?


Dr. Marcio Almeida - Na ortodontia somos como os cardumes de peixes que migram na mesma direção em busca de alimento. O ortodontista é igual e procura usar os mais diversos recursos tecnológicos a sua disposição. Obviamente existe a fase de empolgação com o novo material, a fase de aprendizado e por fim a desilusão com alguns produtos.

Assim, penso que estaremos sempre aprendendo na Ortodontia, não importando quantos anos de experiência você tenha. Penso ainda que este não será meu único livro, pois tudo é mutável. Neste momento estou vivenciando o conteúdo do livro. Quem sabe daqui a alguns anos vivenciarei outro momento e assim outras ideias surgirão. O projeto do livro só foi possível pela colaboração dos meus amigos que contribuíram exaustivamente com o material que lhes foram requerido. Agradeço a todos eles que fizeram um trabalho maravilhoso. Agora vamos partir para a segunda edição, pois a primeira já se esgotou. Aproveito o momento para agradecer a Dental Press, em nome do Laurindo e Da Teresa Furquim pela confiança em mim depositada.









Amigos leitores do Ortodontia Contemporânea, espero que tenham gostado destas excelentes informações compartilhadas pelo Prof. Dr. Marcio Rodrigues de Almeida, a quem só temos que agradecer pela riqueza de detalhes com que respondeu cada uma das perguntas !!!



Curso avançado presencial com o Dr. Marcio Almeida:



Venda do livro do Dr. Marcio Almeida:


Link da Clinica do Dr. Marcio Almeida:

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Entrevista com Prof. Dr. Marcio Rodrigues Almeida - Parte 1






Nos do Blog Ortodontia Contemporânea, com muita honra dividiremos com você nosso leitor, esta entrevista com o Prof. Dr. Marcio Rodrigues Almeida, Ortodontista Clinico, Professor de Ortodontia, Autor de vários artigos de relevância na Ortodontia, Autor do Livro Ortodontia Clinica e Biomecânica, publicado pela Editora Dental Press. Que conta com 16 capítulos que abordam mecânicas ortodônticas contemporâneas, ilustrados com mais de 3.000 fotografias e grande casuística clinica.  Leitura necessária para o  especialista clinico e alunos em processo de formação na área. Também teremos o imenso prazer de contar com sua presença  no curso Avançado em Ortodontia, da Academia da Ortodontia Contemporânea, em Salvador - Bahia.

Marlos Loiola - Dr. Márcio nos fale da sua formação acadêmica, trabalhos publicados, e da sua atuação na área acadêmica e profissional.

Dr. Marcio Almeida - Caro Marlos, primeiramente gostaria de te agradecer pelo convite para esta entrevista e também parabeniza-lo pela iniciativa de criar este excelente Blog que permite a troca de ideias e opiniões entre os que militam nesta maravilhosa área dentro da Odontologia que é a Ortodontia. 

Bem, desde muito cedo já sabia que iria fazer a Faculdade de Odontologia, pois meu pai (Dr Renato Almeida) serviria de espelho para seguir nesta profissão. E especialmente a escolha da Ortodontia não foi tão difícil assim, já que quando criança andava prá lá e prá cá dentro da clínica do meu pai, tropeçando em modelos de gesso, fios, typodonts e outros dispositivos e com certeza atrapalhava muito o trabalho dele e dos outros profissionais que militavam na época. A espiadinha num ou noutro paciente era inevitável, assim como o espanto com os aparelhos extrabucais (freio de burro) vigentes para  a época. No entanto, meu pai nunca fez questão de que eu o ajudasse na clínica quer seja recortando modelos ou dobrando arcos, coisa que alguns até sugerem que na minha infância isto seria inevitável de acontecer. Assim, não nasci com um alicate ortodôntico na mão e muito menos cheguei a dobrar os “arames” ortodônticos daquela época. Eu gostava mesmo do cheiro que o consultório tinha e até hoje me recordo da fragrância que o alginato saborizado deixava no ar. Bom, a partir daí, me recordo muito do meu pai trabalhando nos seus cursos de Ortodontia preventiva aos finais de semana, especialmente aos sábados e das festas na nossa casa que eram frequentes com seus alunos. 

A minha graduação em Odontologia ocorreu em 1993 na Faculdade de Odontologia de Lins-SP. Como toda a família dos meus pais eram de Lins-SP e região e o meu pai também fez a sua graduação por lá, se houve uma influência dele sobre mim foi quanto a escolha da Faculdade. Lembro-me de ter estudado especificamente para passar no vestibular de Lins no ano de 1989 que na época era bastante concorrido e graças a Deus meu sonho se concretizou.  Já durante o último ano de graduação iniciei a minha formação ortodôntica com meu pai no curso de typodont e de preventiva ao mesmo tempo. Não perdi tempo não. E aí se alguma coisa ajuda quando temos um pai dentista e professor é que podemos ter mais facilidade que aqueles que não tem nenhum familiar na área. Optei que iria estudar Ortodontia a clinicar como clínico geral com meu pai na retaguarda financeira. Assim em 1994 já havia concluído a formação ortodôntica básica, como cefalometria, typodont, preventiva e interceptora que fora realizada em Bauru e em São Paulo. Neste mesmo ano fui contratado como auxiliar de ensino na área de Ortodontia pela Faculdade de Odontologia de Lins, onde comecei a lecionar em laboratório na disciplina de Ortodontia sobre os aparelhos removíveis do curso de graduação.

A docência era uma meta a ser atingida, muito embora ainda me considerava neófito no campo. Surgiu então, deste modo, a oportunidade de ingressar num curso de pós-graduação em Ortodontia em Bauru. No final de 1994, prestei o exame para adentrar no Curso de Mestrado em Ortodontia na Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB). Nesta época, me afastei da docência de Lins para poder frequentar o Mestrado na FOB que exigia daqueles que pretendiam ingressar no curso a contratação prévia por uma universidade, ou seja, o aluno para ingressar no mestrado deveria ser contratado como auxiliar de ensino ou já ser professor de uma Faculdade. Neste sentido, meu pai foi um grande incentivador para iniciar o mais breve possível a formação docente. Apesar da facilidade de já ser docente numa faculdade, sabia também dos obstáculos que estariam por vir no meu caminho sendo filho de um professor militando tanto de Lins como em Bauru na FOB. A cobrança pelo desempenho certamente é muito maior, o que por um lado até pode ajudar como estímulo a estudar cada vez mais, mas por outro pode atrapalhar pelo receio do fracasso. Fiz muitos amigos durante o Curso de Mestrado em Bauru, alguns deles foram, são e serão pessoas que ficarão para sempre marcados em minha memória. Num ambiente sadio com muita discussão sobre ortodontia e muito crítico iniciamos a primeira etapa docente.

Aprendi que a carreira acadêmica é interessante para despertar a análise e o senso  crítico sobre um determinado assunto e assim se passaram 8 anos na minha vida. Em 2003 conclui o Programa de Pós-Doutorado em Ortodontia na FOB. Durante todos estes anos, pude estar também ajudando nos Cursos do meu pai em Bauru e também na Faculdade de Lins a qual retornei como professor durante o Curso de Doutorado. Iniciei a minha prática privada também muito cedo com meu pai e minha tia Celina que já trabalha com Ortodontia desde os primórdios dos anos 80. O assunto de maior interesse da minha parte na época era o tratamento da má oclusão de Classe II. Trabalhei extensivamente em algumas amostras de aparelhos corretores de Classe II, como Ativadores, Aparelhos extrabucais, Fränkel, Bionator, Herbst, Jone jig, Pendulum, Jasper Jumper. A discussão era acirrada sobre o desempenho destes aparelhos sobre o comportamento do crescimento craniofacial maxilomandibular. A dicotomia de opiniões a respeito de conseguir ou não um maior aumento no crescimento mandibular levou a calorosas discussões sobre o tópico Ortodontia e Ortopedia facial. Acho que no final valeu a pena o esforço. 

Atualmente mais da metade dos casos que tratamos no consultório são de pacientes portadores de Classe II. Aprendi com estes trabalhos que de uma forma ou de outra acabamos corrigindo a má oclusão de Classe II, quer seja com distalização molar superior, avanço dentoalveolar mandibular, restrição do crescimento maxilar, extração de 2 pré-molares ou cirurgia ortognática. Obviamente que os efeitos sobre o complexo craniofacial diferem em magnitude e em extensão. A experiência profissional, a evidência cientifica assim como o julgamento clínico são fatores primordiais para a indicação de um ou outro aparelho. Com o aumento de evidencias científicas sobre o tema Classe II, muitas abordagens terapêuticas parecem ter efeitos similares sobre a face. A vasta possibilidade terapêutica de aparelhos protratores mandibulares fixos, a exemplo do Herbst, APM, Twin-Force, Forsus parece ser um dos caminhos de eleição para o Ortodontista (compensação dentoalveolar).

A mecânica ortodôntica também sempre me intrigou, haja vista que não obstante escolhi pela carreira docente, trabalho em consultório particular a 15 anos. E assim, uma das coisas de comecei a me preocupar foi com a mecânica ortodôntica em si. Portanto, nestes últimos anos tenho apregoado que trabalhar com bons braquetes torna-se crucial para executar uma boa ortodontia, desde que se conheça os princípios básicos de biomecânica da movimentação dentária. Há 8 anos atrás pude adentrar no campo da Biomecânica estudando com os grandes nomes da mesma, o Dr Nanda e O Dr Burstone em Connecticut. Este contato foi o pontapé inicial para exercer uma ortodontia mais consciente e mais refinada. Mencionaremos mais a respeito deste contato mais a frente na entrevista. No presente momento, atuo lecionando em Bauru e Londrina-PR na Universidade Norte do Paraná (UNOPAR) no curso de Mestrado em Ortodontia.

Marlos Loiola - O seu livro oferece uma abordagem ampla no que se diz respeito a biomecânica ortodontica e suas aplicações clinicas, você e os co-autores se preocuparam não só em oferecer a visão clinica do tratamento mas também em se alicerçar em conceitos evidenciados cientificamente.  Dr. Marcio, qual a importância do profissional que trabalha com ortodontia em conhecer as aplicações e limitações de cada uma das filosofias e técnicas ortodônticas?

Dr. Marcio Almeida - Penso que o bom Ortodontista deve vislumbrar a especialidade sob a óptica que transcende técnicas, filosofias ou prescrições específicas de braquetes que recheiam os dias atuais inundando o vasto mercado ortodôntico em função do excessivo marketing profissional e empresarial das firmas. É sabido que conforme se angariam conhecimento e experiência clínica, percebe-se que uma Ortodontia de excelência pode ser executada com qualquer tipo ou sistema de braquetes disponíveis no arsenal ortodôntico. Para tanto, basta se alicerçar em princípios sólidos fundamentados em evidências científicas, num diagnóstico preciso, plano de tratamento adequado e na utilização de sistemas de forças que minimizem efeitos colaterais, possibilitando maior controle dos movimentos dentários durante a correção das más-oclusões.

Neste contexto, os aspirantes a uma Ortodontia eficiente devem direcionar o foco especialmente para os parâmetros estéticos e funcionais durante a elaboração dos objetivos ortodônticos, assim como entender o funcionamento dos diversos aparelhos e dispositivos biomecânicos empregados e elaborados para serem incorporados em qualquer técnica ou filosofia ortodôntica. Muito provavelmente não viveremos o suficiente para experimentar todas as técnicas e filosofias ortodônticas.

Amanhã outra parte desta imperdível entrevista, muito útil ao Ortodontista Contemporâneo !!!







Curso avançado presencial com o Dr. Marcio Almeida:



Venda do livro do Dr. Marcio Almeida:



Link da Clinica do Dr. Marcio Almeida: