ORTODONTIA CONTEMPORÂNEA: Borda WALA e sua determinação como ponto de referência no tratamento ortodôntico

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Borda WALA e sua determinação como ponto de referência no tratamento ortodôntico




Neste artigo de 2008, publicado pela Revista Dental Press, pelos autores Alberto Consolaro, Gastão Moura Neto, Milton Santamaria Jr.; da FOB-USP e pós-graduação da FORP-USP, SPO-Botucatu; Mostra a impotância desta referência na determinação do arco dental ideal.


A Borda Wala foi identificada, inicialmente por Andrews e Andrews, em 1995, como uma estrutura anatômica constituída pela proeminência espacial mais externa da face vestibular da mandíbula. Clinicamente, quando analisada sem o estiramento das bochechas e do lábio inferior, corresponde a uma linha rosa-brancacenta cujo limite inferior geralmente corresponde à linha ou
junção mucogengival inferior, ou seja, o limite entre a gengiva e a mucosa alveolar.


Quando durante a sua observação há o estiramento das bochechas e do lábio inferior esta linha acentua-se mais ainda, especialmente por ressaltar sua coloração branca. Provavelmente a cor rosa-brancacenta da Borda Wala decorre da transparência da fina mucosa gengival que recobre a proeminência óssea subjacente. Quando ocorre o estiramento das partes moles a ela relacionadas, provavelmente, ocorre uma isquemia que acentua mais ainda a coloração branca e seu delineamento visual.


Em seus escritos, Andrews e Andrews pontificam o conceito da Borda Wala ora incluindo os tecidos moles em sua constituicão, ora considerando apenas as estruturas ósseas, ora referindo-se a ela como uma linha espacial de delimitação mais externa da mandíbula em sua face vestibular.


A identificação da Borda Wala por parte de Andrews e Andrews procurou atender à necessidade de se encontrar uma estrutura anatômica estável que determinasse o contorno ideal do arco mandibular sem se deixar influenciar por fatores externos e internos. Esta estrutura estável no tempo e no espaço serve como ponto de referência para se calcular angulações do longo eixo dentário, orientar prescrições de braquetes e outros parâmetros importantes para o diagnóstico, tecnologia e terapêutica ortodôntica e ortopédica.


A determinação da Borda Wala, em geral, se faz em modelos de gesso cujas moldagens incluíram as inserções dos tecidos moles abaixo da linha mucogengival, moldagens essas chamadas ortodônticas e realizadas com moldeiras extendidas apropriadas para se atingir esses objetivos. Além disso, o ortodontista precisa ter treinamento apropriado para conseguir esses resultados nos procedimentos de moldagem, apesar de aparentemente serem considerados procedimentos de pequena complexidade.


Em planejamentos de casos e de pesquisas em que relevam-se a Borda Wala, as inserções musculares e os freios como referências anatômicas, o tipo de modelo de gesso e a técnica de sua confecção devem ser considerados um fator muito importante.

A Borda Wala chamou inicialmente a atenção do professor Doutor Lawrence F. Andrews quando uma de suas profissionais protéticas o questionou se deveria ou não remover dos seus modelos, via recorte manual, aquela estrutura mais proeminente. A partir deste acontecimento, Andrews percebeu a constante presença da estrutura e sua estabilidade estrutural, estabelecendo, a partir de então, este conceito em seu Syllabus of Andrews philosophy and techniques, em 1995. O nome Borda Wala advém da conjunção das iniciais dos pesquisadores que a revelaram como estrutura anatômica a ser considerada: Willians Andrews e Lawrence Andrews.


A movimentação ortodôntica de dentes em contato e/ou através das corticais tende a intensificar as forças no ligamento periodontal, pois falta elasticidade a estas estruturas.


A falta de uma deflexão óssea nas corticais, em decorrência de sua rigidez, faz com que toda força aplicada sobre o dente se restrinja ao ligamento periodontal.


Nesta situação, aumenta-se a chance de lesar a camada de cementoblastos na superfície radicular, por excesso de compressão do ligamento periodontal. Nas áreas radiculares sem cementoblastos iniciam-se as reabsorções dentárias.


Apenas quando a força aplicada se dissipar e os cementoblastos vizinhos recomporem a camada cementoblástica, teremos o reparo da superfície radicular, às custas da deposição de novo cemento e a volta à normalidade na região.


A cada reativação do aparelho todo este processo se reinicia. Ao final da movimentação dos dentes em contato e/ou através das corticais, a perda de estrutura radicular pode ser significante.


As abordagens sobre a Borda Wala cada vez mais induzem os autores a pesquisar, pois vários aspectos ainda estão para ser definidos, com metodologias adequadas e aplicação de rigor científico.


Para avaliarmos a influência das terapêuticas ortodônticas e ortopédicas sobre a Borda Wala os autores acreditamo ser necessário estabelecer critérios e métodos mais precisos para o seu delineamento. Além disso, se a região da Borda Wala for modificada durante a confeção dos modelos de gesso, especialmente os zocalados, os resultados destas avaliações realizadas devem ser questionados.




Link do artigo na integra via Dental Press:


3 comentários:

  1. Marlos , muito interessante . Conheço a borda walla atraves do dr. Moura e digo que é uma otima e facil tecnica para diagramação de arcos .

    Abraços e parabens pelo blog

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  2. Obrigado Alexandre! Eu tamé me baseio pela borda walla! Espero semre suas participações !!!!

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  3. Marlos, sera q vc pode me arranjar uns artigos sobre borda walla, ja tentei encontrar ,sem resultados. Precisava muito pra um trabalho. Agradeço desde ja. Um beijo

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