ORTODONTIA CONTEMPORÂNEA: Março 2014

quinta-feira, 27 de março de 2014

O uso do ultra-som na movimentação dentária induzida




Neste artigo de 2005, publicado pela Revista Dental Press, pelos autores Marcos Gabriel do Lago Prieto, Eduardo Alvares Dainesi, Márcia Yuri Kawauchi; da do Curso de Especialização em Ortodontia da ABO-Mato Grosso do Sul; e da Universidade do Sagrado Coração (USC) - Bauru. Avaliaram histologicamente o mecanismo de remodelação do periodonto de sustentação dos dentes caninos de cães adultos jovens, sob aplicação de forças ortodônticas com e sem a utilização do ultra-som.


O mecanismo da reabsorção óssea durante o movimento ortodôntico envolve uma série de etapas direcionadas para a remoção dos constituintes minerais e orgânicos da matriz óssea pelos osteoclastos, auxiliados pelos osteoblastos.


Neste processo participam uma série de mediadores bioquímicos, regulações sistêmicas por hormônios e fatores locais como os de crescimento para o fibroblasto (FGF), de crescimento insulina-like (IGF), citocinas como interleucina, que exercem efeitos sobre a replicação de células indiferenciadas.

A distorção das células, provenientes do movimento dentário está associada a uma alteração no potencial celular elétrico, reduzindo a migração de elétrons. Este fenômeno é denominado piezeletricidade.


Considera-se que o efeito piezelétrico é de fundamental importância no desencadeamento da seqüência de alterações teciduais no movimento ortodôntico e que a energia mecânica do ultra-som pode estimular este efeito piezelétrico no osso.


O movimento dentário fisiológico designa-se primariamente como sendo o leve movimento de inclinação experimentado pelo dente durante a função mastigatória e, secundariamente, o movimento do dente de jovens durante e após a erupção. Durante a movimentação dentária induzida, as mudanças ósseas passam pela mesma seqüência, no entanto, a recuperação dos tecidos se faz de maneira mais demorada, situando-se aí a maior diferença entre movimento fisiológico e movimento ortodôntico.

As interações inter/intra e extracelulares são definitivamente responsáveis pelo movimento físico dentário. Estas interações incluem os fenômenos da reabsorção e formação óssea com seus fatores locais associados, controle sistêmico hormonal da atividade ósseo-celular, assim como as respostas aos sinais endoteliais, nervosos, inflamatórios e imunológicos. O osso alveolar têm sido estudado pelo emprego de correntes iônicas (elétricas), geradas pelo estresse ou administradas ativamente, para afetar o movimento dentário. Somando isto, o metabolismo ósseo tem sido investigado em relação à influência direta do movimento dentário dependente da força alveolar.


Ao submeter fêmures humanos e bovinos ao aquecimento prévio, secagem e aplicação de pressão, Fukada e Yassuda registraram a leitura de efeitos piezelétricos, direto e reverso, existente no osso. Epker e Frost relataram a geração de voltagens e correntes elétricas na superfície do osso deformada pela curvatura. A polaridade elétrica oposta e o fluxo de corrente foram vistos nas superfícies convexa e côncava de ossos inclinados.

Proffit relatou em seu livro que existem dois elementos de controle do movimento dentário ortodôntico: a eletricidade biológica ou piezeletricidade e a pressão-tensão sobre o ligamento periodontal, afetando o fluxo sanguíneo. A Teoria da Bioeletricidade relaciona o movimento dentário controlado por sinais elétricos produzidos quando o osso flexiona e se dobra.


Buscando aplicar um procedimento na Ortodontia para reduzir o tempo e o custo total do tratamento, Tweedle e Bundy investigaram em coelhos os efeitos da aplicação de uma hipertermia local associada com a movimentação lateral de incisivos superiores. O calor localmente aplicado resultou em um aumento na taxa de movimentação dentária, como observado na separação dos incisivos superiores dos coelhos. Mais adiante, Gianelly e Schnur comprovaram que os incisivos de ratos tratados com hormônio da paratireóide, moveram-se significantemente mais longe da linha média do que os incisivos do grupo controle.


Lavine e Shamos descreveram o primeiro caso de pseudo-artrose humana congênita tratada com sucesso com corrente elétrica. Uma fratura na tíbia, tratada com gesso por 6 meses, não tendo sinal de melhora, foi submetida a enxertos ósseos que, no entanto, foram reabsorvidos e a desunião persistiu. Um ano depois, foi operada para uma reversão da diáfise e inserção de uma haste intramedular. O defeito não foi sanado apesar da rígida imobilização por 12 meses. Tendo como último recurso a amputação do membro, uma corrente direta foi passada através do defeito da pseudo-artrose e o início da união óssea foi obtida em 4 meses.


Duarte relatou a aplicação de ondas ultra-sônicas na reparação óssea em osteotomia, que consistiu de 3 orifícios lineares perfurados no córtex do fêmur de coelhos adultos. O orifício central foi o controle e o mais distante recebeu o estímulo das ondas de ultra-som. Resultados já puderam ser observados com apenas 4 dias após o tratamento. Trabéculas ósseas poderiam ser vistas no orifício estimulado, crescendo de maneira radial. No mesmo animal o orifício controle não exibia nenhuma trabécula. Os exames histológicos também mostraram uma grande atividade celular nos orifícios estimulados, como: osteoblastos, osteócitos e osteoclastos, enquanto o controle mostrou apenas um coágulo e ausência de organização. Após 15 dias os orifícios estimulados estavam completamente reparados, enquanto os de controle mostraram apenas uma tentativa de organização do coágulo de sangue.


A comparação entre os tecidos animais e humanos revelou que existem certas variações anatômicas, com relação ao tipo de osso e seus caracteres e também, de alguma forma, na reação
e transformação do tecido fibroso. Com exceção das variações anatômicas mencionadas, têm-se demonstrado repetidas vezes que a transformação das estruturas ósseas nos animais é basicamente a mesma para os humanos. A comparação de radiografias de estruturas animais e humanas com cortes histológicos têm demonstrado seu valor na correlação entre ambas espécies. As experiências de curta duração com animais são totalmente comparáveis com as feitas em seres humanos.


Em decorrência do método experimental empregado neste trabalho, combinando a aplicação do ultra-som com a mecânica ortodôntica de uma força controlada para o tracionamento de dentes caninos no hemiarco superior direito do cão, e ainda, considerando os resultados obtidos, concluiu-se que:


1) O periodonto de sustentação dos cães que receberam estimulação ultra-sônica associada à mecânica ortodôntica demonstrou resposta tecidual diferente daquela encontrada nos cães que apenas receberam a mecânica ortodôntica.


2) A exposição ao ultra-som acelera o processo de reparação tecidual, possibilitando uma resposta mais rápida.


3) O ultra-som aumenta a vascularização e a neoformação celular e contribui para uma disposição mais organizada das fibras colágenas.


4) Ocorre uma predominância de atividade osteoblástica nos animais submetidos ao uso do ultra-som.



Link do artigo na integra via Scielo:


www.scielo.br/pdf/dpress/v10n5/a09v10n5.pdf













segunda-feira, 24 de março de 2014

Ação do Torque com fios de aço inoxidavel em braquetes ortodonticos



Neste artigo publicado em 2010, pela Angle Orthodontist, pelos Autores Amy Archambault; Ryan Lacoursiere; Hisham Badawi; Paul W. Major; Jason Carey; Carlos Flores-Mir; da Orthodontic Graduate Program, Faculty of Medicine and Dentistry, University of Alberta, Edmonton, AB, Canadá. Faz um revisão na literatura sobre a ação de torque que os fios de aço inox promovem com Braquetes Ortodonticos.


Este artigo busca avaliar os efeitos quantitativos sobre a ação do torque variando o tamanho do slot brackets ortodônticos de aço inoxidável e a dimensão de fio de aço inoxidável, e analisar a limitações dos métodos experimentais utilizados.


Os estudos de medição in vitro, de ação do torque nos braquetes convencionais e auto-ligáveis de aço inoxidável com um dispositivo de medição de torque, com a utilização de fios de aço inoxidável ortodôntico sem dobras de segunda ordem para mecânica e sem alças, loops, fios ou auxiliares, foram procurados por um processo de revisão sistemática da literatura.


Onze artigos foram selecionados. A comparação direta dos diferentes estudos foi limitado pela diferenças nos instrumentos de medição utilizados e nos parâmetros medidos. Na base da estudos selecionados, com slot de bracket 0,018 polegadas em aço inoxidável, o engajamento faixas de de 31 graus com o arco de fio 0,016X0,016 polegadas de aço inoxidável de 4,6 graus com o arco de 0,018X0,025 polegadas de aço inoxidável. Em com slot do braquete 0,022 polegadas em aço inoxidável, o engajamento faixas de ângulo de 18 graus com o arco de 0,018X 0,025 polegadas de aço inoxidável e de 6 graus com o arco de 0,021X0,025 polegadas de aço inoxidável. Os braquetes Auto-ligágeis ativo de aço inoxidável demonstraram um ângulo de envolvimento de cerca de 7,5 graus, enquanto que os braquetes auto-ligáveis de ação passiva de aço inoxidável mostraram um ângulo de envolvimento de aproximadamente 14 graus com arco de 0,019X0,025 polegada fio de aço inoxidável em um slot de 0,022 polegadas.


O ângulo expresso depende da dimensão e forma de arco Ortodontico, bem como como na dimensão slot. Clinicamente o torque efetivo pode ser alcançado em um slot de bracket 0,022 polegadas com torque pela ação do arco de 15 a 31 graus para braquetes auto-ligágeis ativos e de 23 a 35 graus para os auto-ligáveis passivos com fios de 0,019X0,025 polegadas de aço inoxidável.




Link do artigo na integra via Angle Orthodontist:


domingo, 23 de março de 2014

Pensamento da Semana




"A inteligência é feita por um terço de instinto - um terço de memória e o último terço de vontade."


Carlo Dossi
1849 - 1910

sexta-feira, 21 de março de 2014

Dr. Pierre Fauchard - Autor do Primeiro Livro da Historia da Odontologia


Iremos dividir com vocês algumas imagens Históricas, relacionadas a nossa profissão e especificamente relevantes na nossa especialidade. O Dr. Pierre Fauchard considerado o Pai da Odontologia Moderna, publicou em 1728 o primeiro livro de Odontologia da historia o "Le Chirurgien Dentiste".









Neste livro que tive o prazer e a oportunidade de conheçer cada pagina e cada figura, o autor expõe e demonstra algumas técnicas da prática clinica, muitas delas cirurgicas e voltadas a exodontias, tudo bem descrito. Nos capítulos podem ser observadas  ilustrações de diversos instrumentais clínicos. Inclusive o livro conta com um capitulo que descreve e ilustra a anatomia coronaria e radicular dos diversos elementos dentarios. 





O que mais chamou a minha atenção foi o capitulo onde o autor descreve a indicação e o desenho de uma aparatologia idealizada por ele para alinhar dentes mau posicionados. O Famoso bandelette (Um dos primeiros recursos ortodonticos de que se tem noticia), Feito de uma lamina de chumbo perfurada e amarrilhos. Que ao ser "Amarrados" em dentes mau posicionados apoiados em outros elementos bem a alinhados fazia com que todo conjunto se alinhasse com a conseqüente expansão do arco, bem interessante para época. 








Na parte final do livro o autor descreve minuciosamente diversas técnicas voltadas a correções protéticas, tudo ao meu ver muito bem elaborado para época. Realmente o Dr. Pierre Fauchard foi o grande pai da Odontologia, pois  com esta obra, a Odontologia ganhou o status de uma profissão da saúde e voltada a reabilitação oral do indivíduo.




Aproveitem as imagens !!!

quinta-feira, 20 de março de 2014

Tracionamento dentário com finalidade periodontal: caso clínico







Neste artigo de 2007, publicado pela Revista Gaúcha de Odontologia, pelos autores Ronaldo de Oliveira TEIXEIRA, Márcio Eduardo Vieira FALABELLA, José Márcios FALABELLA, Henrique Guilherme de Castro TEIXEIRA, Marco Antonio Ferreira CALVÁRIO; da Faculdade de Odontologia. Juiz de Fora, Minas Gerais e da UNIGRANRIO. Programa de Pós-Graduação em Odontologia. Duque de Caxias, Rio de Janeiro. Mostra o tracionamento radicular ou também chamado de erupção forçada que pode ser utilizado para recuperar as distâncias biológicas em dentes com fraturas transversais abaixo do nível ósseo, perfurações laterais de raiz, cáries subgengivais, reabsorções radiculares cervicais entre outros transtornos.


Dentes com cárie, fratura ou perfuração, em nível subgengival comprometem a integridade do periodonto com invasão das distâncias biológicas, cuja existência é fundamental para a aderência do epitélio juncional e inserção de fibras conjuntivas da gengiva à estrutura dentária. O periodonto saudável apresenta dimensões médias de 1,07mm de inserção conjuntiva, 0,97mm de epitélio juncional e 0,69mm de sulco gengival.


O tratamento destes dentes é um desafio para a odontologia, principalmente quando estão localizados na região anterior do arco superior. Os dentes normalmente indicados para a extrusão são os incisivos, caninos e prémolares. Os molares apresentam maior suporte ósseo e menos necessidade estética que os dentes anteriores, além de trazer as furcas para um nível próximo à junção cemento/esmalte dos dentes adjacentes com possível exposição. Nos casos onde é necessário o tratamento endodôntico, a falta de estrutura coronária adequada para colocação de grampos e dique de borracha bem adaptados pode permitir a entrada de saliva para dentro da cavidade pulpar quebrando a cadeia asséptica e comprometendo o resultado do tratamento; já para a prótese, a dificuldade será a visualização, preparo adequado e a moldagem do remanescente o que pode prejudicar a adaptação da restauração2. Diante destes problemas pode-se fazer a extração do dente, o aumento cirúrgico da coroa clínica ou o tracionamento dentário, que é a movimentação ortodôntica de um dente no sentido oclusal e que leva à exposição de tecido dentário sadio coronal à crista óssea, permitindo a restauração do dente sem comprometimento estético ou periodontal.


Pontorieiro et al. afirmaram que o dente que é tracionado com auxílio da fibrotomia (que consiste na ressecção de fibras supra alveolares) oferece menor resistência às forças ortodônticas, e que este procedimento deve ser feito a cada sete dias.


Kajyiama et al. através de estudos em macacos concluíram que a junção mucogengival permaneceu estável, houve aumento da gengiva inserida correspondente a 80% da distância da extrusão, o sulco gengival diminuiu de profundidade e a coroa clínica do dente aumentou apenas 20% da distância da extrusão.


Salama et al. demonstraram a utilização da extrusão ortodôntica de dentes condenados periodontalmente, com finalidade de ganho vertical de tecido ósseo e gengival para preparo do local do implante.


Os dentes mais indicados para tracionamento são incisivos, caninos e pré-molares. A erupção forçada de molares pode trazer as furcas para um nível próximo da junção cemento-esmalte dos dentes adjacentes, com possível exposição. Além disso, a dificuldade técnica em se conseguir força para a tração desses dentes que podem possuir raízes divergentes contra-indica o tracionamento e torna o aumento de coroa clínica a técnica de eleição para tais elementos.


A técnica de tracionamento utilizada no caso por nós relatado foi a movimentação rápida, pois, o dente em tratamento tinha o periodonto íntegro, com nível gengival e da crista óssea adequados em relação aos dentes adjacentes e havia necessidade de expor remanescente radicular acima da
crista óssea para a preservação das distâncias biológicas.


O tracionamento radicular é uma técnica de fácil execução que permite a preservação das distâncias biológicas e manutenção da condição estética em dentes anteriores. O tracionamento feito muito rapidamente pode levar a necessidade de uma maior correção periodontal póstracionamento.




Link do artigo na integra via RGO:


quarta-feira, 19 de março de 2014

Tratamento ortodôntico em pacientes com periodonto de inserção reduzido



Neste artigo de 2009, Publicado pela Revista Gaúcha de Odontologia, pelos autores Fernanda Labayle Couhat CARRARO; Cristina JIMENEZ-PELLEGRIN; do Centro de Pesquisas Odontológicas São Leopoldo Mandic - Campinas - São Paulo. Teve por objetivo realizar uma revisão de literatura sobre o tratamento ortodôntico para pacientes com periodonto de inserção reduzido.

As doenças periodontais estão entre as doenças crônicas mais comuns nos seres humanos, afetando de 5 a 30% da população adulta de 25 a 75 anos de idade, sendo a causa mais frequente de perdas dentárias em adultos. Sabe-se também que na presença da doença periodontal a saúde geral pode ficar comprometida. Existem evidências de que as periodontites aumentam o risco de certas afecções sistêmicas, entre elas, algumas doenças cardíacas, parto prematuro e baixo peso ao nascer. Dessa forma, a prevenção e o tratamento da doença periodontal devem ser necessários e fundamentais não apenas para a manutenção da saúde do periodonto, mas também para evitar problemas de ordem geral.

Os primeiros sinais da doença periodontal se manifestam na forma de uma gengivite, decorrentes do acú-mulo de placa bacteriana sobre a superfície dos dentes, levando a uma resposta inflamatória nos tecidos gengivais. A persis-tência da gengivite fará com que a placa bacteriana subgengival ganhe uma composição mais complexa, com a colonização secundária por bactérias Gram-negativas anaeróbias, o que contribuirá para aumentar sua patogenicidade. Assim, e também conforme as respostas imunológicas do hospedeiro, podem se iniciar as variadas formas de periodontite, como a prevalente periodontite no adulto ou, mais raras, as periodontites de acometimento precoce, como a periodontite pré-puberal, a periodontite juvenil localizada e a periodontite de acometimento precoce generalizada. Todas se caracterizam pela destruição do periodonto de sustentação, ou seja, ligamento periodontal, cemento e osso alveolar.

A destruição do periodonto de sustentação pela atividade da placa bacteriana gera perda de equilíbrio entre o suporte periodontal disponível e as forças que agem sobre os dentes, resultando em alterações de posição que podem comprometer tanto a oclusão quanto a estética. A busca da normalização, sem a possibilidade de agravar ainda mais o periodonto de sustentação, deve ser, portanto, o objetivo do tratamento ortodôntico para tais pacientes, buscando sempre a obtenção de uma oclusão estável e de uma estética favorável, em condições periodontais saudáveis.

O tratamento ortodôntico é baseado na aplicação de uma força em um dente, que irá produzir o movimento dentário, à medida que ocorre remodelação das estruturas adja-centes. Dessa forma, nota-se que uma estrutura periodontal sadia é extremamente importante para a movimentação dentária, para que se obtenham resultados satisfatórios. Portanto, torna-se importante a integração multidisciplinar entre a ortodontia e a periodontia, com a associação do tratamento ortodôntico e periodontal nos pacientes acometidos pela doença periodontal.

Devem-se estabelecer as metas e os objetivos do tratamento ortodôntico. No tratamento de crianças e adolescentes o objetivo é a finalização, atingindo as seis chaves de oclusão de Andrews, porém, para os pacientes com periodonto reduzido, procura-se levar os dentes para posições isentas de interferências oclusais, possibilitando sua estabilidade e condições periodontais que facilitem a higienização. Os objetivos, assim como as limitações, devem ser explicados ao paciente desde o início do tratamento ortodôntico, pois as expectativas podem superar as possibilidades de resultados.

O tratamento ortodôntico deve ser iniciado na ausência total de inflamação e com um nível adequado de higiene bucal. O cuidado constante durante o tratamento é a base de um resultado favorável, sendo assim, a terapia periodontal deve ser realizada antes da movimentação ortodôntica. Contudo, quando foram comparados os procedimentos periodontais cirúrgicos e conservadores, não foram verificados resultados com diferenças significativas.

Existem controvérsias quanto ao tempo de espera entre o tratamento periodontal e o início da movimentação ortodôntica. Harfin e Zachrisson indicam que se deva aguardar de 2 a 6 meses, avaliando-se a motivação do paciente quanto à higiene bucal e, também, para que ocorra a reparação óssea, contudo, para Re et al. a movimentação ortodôntica deve ser iniciada logo após a realização da terapia periodontal, para que sejam rapidamente estimuladas as células progenitoras do tecido conjuntivo, necessárias para a regeneração tecidual.

Quanto à aparatologia para o tratamento ortodôntico de pacientes com periodonto reduzido, por obter melhor controle do movimento, indica-se o aparelho fixo. Nos molares, é preferível utilizar acessórios colados, no lugar de bandas, pois estas apresentaram maior tendência à retenção de placa bacteriana, provocando reações adversas nos tecidos periodontais. No entanto, essas alterações serão temporárias e reversíveis, desde que sejam respeitados os princípios biológicos durante o movimento ortodôntico. Indica-se, quando possível, o tratamento ortodôntico parcial, restrito à área onde a estética e/ou função necessitam ser melhoradas. Posições mais favoráveis de coroa e raiz são obtidas utilizando o nível ósseo como referência para o posicionamento dos acessórios. O uso de forças leves e mais próximas ao centro de resistência são fatores importantes no controle da movimentação ortodôntica.

Indica-se a realização do tratamento ortodôntico em pacientes com periodonto reduzido, portadores de maloclusões que agravem a condição periodontal e/ou que sofreram migração dentária patológica. A realização do tratamento está contraindicada na presença da doença periodontal ativa.

Os principais cuidados antes, durante e após o tratamento ortodôntico, em pacientes com periodonto reduzido são: diagnóstico periodontal minucioso; manutenção constante no controle da higiene bucal que deve ser realizada pelo paciente e supervisionada pelo profissional; evitar o posicionamento dos acessórios próximo à margem gengival; uso de forças leves; evitar movimentos extensos, restringindo-se à área onde a estética e/ou função devam ser melhoradas; individualização da contenção.


Link do artigo na integra via Revista RGO:

terça-feira, 18 de março de 2014

Avaliação do atrito em braquetes autoligáveis submetidos à mecânica de deslizamento: um estudo in vitro




Neste artigo de 2011, publicado pelo Dental Press Journal Orthodontics, pelos autores Mariana Ribeiro Pacheco, Dauro Douglas Oliveira, Perrin Smith Neto, Wellington Correa Jansen; do Mestrado em Ortodontia, PUC Minas, Belo Horizonte/MG. Comparou a força de atrito gerada por quatro tipos de braquetes autoligáveis (Time®, Damon 2®, In-Ovation R® e Smart Clip®) com um grupo de braquetes ortodônticos convencionais (Dynalock®) associados a ligaduras elásticas tradicionais (Dispens-A-Stix®), que serviu como grupo controle. A força de atrito estático foi mensurada através da máquina universal de ensaios EMIC® DL 500 com dois fios de aço inoxidável com secção transversal 0,018” e 0,017” x 0,025”.


O atrito existente na mecânica ortodôntica de deslizamento consiste em uma dificuldade clínica para o ortodontista, uma vez que altos níveis de atrito diminuem a efetividade da mecânica, reduzindo a velocidade de movimentação dentária e dificultando o controle da ancoragem. Nessas condições, o tratamento ortodôntico se tornaria mais complexo.


Na busca por condições ideais para a condução da terapia ortodôntica, tem-se como um dos objetivos a redução da força de atrito criada na interface braquete/fio/ligadura. Isso implicaria na utilização de forças mais leves, porém ainda suficientes para a promoção da movimentação dentária. Dessa forma, haveria maior compatibilidade biológica e menor desconforto do paciente.

Dentre as inúmeras tentativas para redução do atrito, quanto ao desenho do braquete, a ideia dos chamados braquetes autoligáveis, ou seja, que não necessitam de ligaduras para amarração do fio ortodôntico, surgiu em 1935 com o aparelho de Russel Lock. Desde então, outros acessórios com tal conceito vêm sendo desenvolvidos.

Esses acessórios consistem em braquetes que não necessitam de ligaduras para prender o fio à canaleta, pois eles apresentam um dispositivo mecânico, construído em sua face vestibular, que é capaz de fechar a canaleta do braquete, impedindo que o fio se solte. Alguns sistemas de braquetes autoligáveis não pressionam o fio ortodôntico contra a parede interna de sua canaleta, sendo considerados braquetes autoligáveis passivos. Nesses acessórios, a tampa funciona apenas como uma barreira que mantém o arco dentro da canaleta. Com a introdução dos sistemas de braquetes autoligáveis ativos, a tampa da canaleta poderia ou não aplicar pressão sobre o fio dependendo do diâmetro do fio utilizado.

Foram avaliados quatro tipos de braquetes autoligáveis, sendo dois ativos — Time 2® (American Orthodontics, Sheboygan, WI, EUA) e In-Ovation R® (GAC Internacional, Bohemia, NY, EUA) — e dois passivos — Damon 2® (Ormco Corporation, Glendora, CA, EUA) e Smart Clip® (3M Unitek, Monrovia, CA, EUA).

No grupo controle foram utilizados braquetes ortodônticos convencionais de aço inoxidável (Dynalock®, 3M/Unitek, Monrovia, CA, EUA), associados a ligaduras elásticas convencionais Dispens-A-Stix® (TP Orthodontics, La Porte, IN, EUA), de cor cinza.

Para a avaliação da força de atrito nos sistemas estudados, utilizou-se uma máquina universal de ensaios EMIC DL 500 (EMIC Equipamentos e Sistemas de Ensaio Ltda, São José dos Pinhais, PR, Brasil), pertencente ao Laboratório de Análise Estrutural do Departamento de Engenharia Mecânica da PUC Minas. Utilizou-se célula de carga de 5N, com velocidade de 1mm/min. Os resultados obtidos, correspondentes à força de atrito estático, foram transmitidos para o computador ligado à máquina de ensaio.

Na Ortodontia, quando um dente é submetido à mecânica de deslizamento ao longo do arco, ocorrem movimentos cíclicos de inclinação e verticalização, e o deslocamento se desenvolve em pequenos incrementos. Como o atrito cinético ocorre entre dois objetos sob um movimento uniforme com velocidade constante, foi considerado que a movimentação ortodôntica depende mais do atrito estático que do cinético, sendo o segundo aspecto de pouca relevância na prática clínica. Portanto, este trabalho optou por registrar apenas a força de atrito estático.

O clínico deve ser cauteloso ao interpretar os resultados de estudos laboratoriais sobre atrito. Estudos in vitro da resistência ao deslizamento utilizando-se tração estática em linha reta aplicada na interface braquete/fio não representam com total exatidão a complexidade da movimentação dentária. Todavia, ainda é um método de avaliação muito usado, podendo ser aplicado para validar questionamentos dos ortodontistas em relação à redução do atrito. Jost-Brinkmann e Miethke, após compararem testes in vivo e in vitro, concluíram que forças de atrito em braquetes imóveis em dispositivos laboratoriais foram similares às forças exercidas no dispositivo clínico. Essa conclusão confirma que os resultados laboratoriais contribuem para uma melhor compreensão do comportamento dos novos materiais ortodônticos, principalmente quando as- sociados a estudos clínicos posteriores.

CONCLUSÃO

1. Todos os braquetes autoligáveis testados apresentaram significativa redução no atrito com o fio 0,018”, podendo ser considerados uma alternativa clínica para minimizar os efeitos indesejáveis do atrito observados com os braquetes convencionais, quando a mecânica de deslizamento é empregada.

2. Quando testados com fios retangulares, os braquetes autoligáveis ativos apresentaram atrito significativamente maior do que aqueles considerados passivos, com resultados estatisticamente semelhantes aos dos braquetes convencionais com fios de mesmo calibre.

Link do Artigo na Integra via Scielo:

http://www.scielo.br/pdf/dpjo/v16n1/16.pdf

segunda-feira, 17 de março de 2014

Confecção do contensor removível Osamu












Neste artigo de 2005, publicado pela Revista Dental Press, pelos autores José Antônio Pereira Caricati, Acácio Fuziy, Paulo Tukasan, Omar Gabriel da Silva Filho, Maria Helena Ocké Menezes; da Faculdade de Ciências Odontológicas da Universidade de Marília - UNIMAR e do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo (HRAC-USP). Mostra o passo a passo da confecção deste interessante aparelho de contenção em Ortodontia.

A instabilidade pós-tratamento ortodôntico costuma acompanhar todas as más oclusões corrigidas, tanto no que se refere à relação intra-arcos (rotações, apinhamentos, espaços) como inter-arcos (sobremordida, mordida aberta, mordida cruzada), contrariando os objetivos cultuados pelos ortodontistas e almejados pelos leigos. Considerando a relação intra-arcos, ganha enfoque especial a irregularidade dos incisivos, sobretudo os inferiores, pela freqüência com que ressurge. Logo, o empenho do ortodontista não se resume em tratar a má oclusão, mas também garantir alguma estabilidade para a oclusão tratada. E, realmente, isso é tão ou mais complicado do que tratar. É desse comportamento que brotou e se consolidou a prática da contenção constituindo parte do tratamento ortodôntico, sendo seu último estágio.

O vocábulo “recidiva” denota reincidência do problema. Literalmente, o termo se aplica ao reaparecimento de qualquer irregularidade já tratada, em qualquer época após a suspensão do aparelho ortodôntico. No caso particular do apinhamento anterior, a literatura pertinente denuncia que a estabilidade do alinhamento, especialmente inferior, é muito pobre nos casos tratados ortodonticamente. Isso significa que toda movimentação dentária induzida na região anterior está sujeita à recidiva, o que justifica o número surpreendente de publicações pertinentes. No entanto, há que se fazer uma ressalva teórica. Para o apinhamento anterior torna difícil diferenciar entre recidiva, se o que ocorreu foi uma volta à má oclusão inicial, e ajuste maturacional, comportamento independente do tratamento prévio e que ocorre rotineiramente nos casos não tratados. De fato, mais importante que fazer o diagnóstico diferencial, muitas vezes impossível, entre recidiva e ajuste maturacional diante da irregularidade pós-tratamento, é identificar o impacto que tal acontecimento acarreta para a oclusão e para o paciente e planejar a sua correção, se esta for a conduta mais coerente.

Nenhuma recidiva é tão esperada pelo profissional quanto a recidiva do apinhamento anterior, especialmente no arco dentário inferior. Ela se concentra na região ântero-inferior, podendo incluir os caninos na irregularidade, independentemente de como o caso foi tratado, se com extração de pré-molares, extração de incisivo inferior, desgaste interproximal anterior ou com expansão. Para contornar esse problema os ortodontistas têm lançado mão de aparelhos passivos, denominados “aparelhos de contenção”, com a finalidade de garantir estabilidade na posição dentária deixada pela mecânica ortodôntica.

Os protocolos de contenção pós-tratamento ortodôntico mais convencionais incluem a placa de Hawley superior e a contenção fixa inferior 3x3, com tempos variáveis de uso. Via de regra, a placa de Hawley é usada por um período de 1 ano enquanto a contenção fixa inferior estende-se de 3 a 5 anos. Mas, não está descartada a possibilidade de uso eterno, se a estabilidade perene é almejada.

Recentemente, a literatura divulgou um aparelho contensor removível de material termoplástico em substituição aos contensores fixos ou para ser usado em concomitância com a contenção fixa 3x3, chamado Osamu, nome do seu criador, Osamu Yoshii. O contensor Osamu está indicado principalmente para contenção intra-arcos, tanto superior como inferior, embora também seja usado para corrigir posições dentárias individuais durante a fase de contenção. Capelozza Filho disponibiliza ainda, em seu livro, a aplicação da placa Osamu para contenção da compensação dento alveolar inferior nos padrões III.

Conclusões

O presente artigo de divulgação demonstra a confecção laboratorial do contensor removível Osamu. Dentre as suas vantagens destaca-se a facilidade de construção laboratorial, a aplicação simplificada por ser um aparelho removível, custo reduzido, ausência de interferência na fala, boa aceitação pelos pacientes por ser estético, higienização simples e dispensa ajustes na instalação. O paciente tem a liberdade de usar a contenção por períodos predeterminados, como por exemplo, para dormir.


Link do artigo na integra via Dental Press:

domingo, 16 de março de 2014

Pensamento da semana







Um Belo Conselho:


"Sou com freqüência, chamado a fazer palestras para turmas de formandos. Orgulha-me poder orientar jovens em seus primeiros passos profissionais. Sempre digo que a atitude quente é muito mais importante do que o conhecimento frio.



Acumular conhecimento é nobre e necessário, mas sem atitude, sem personalidade, você, no fundo, não será muito diferente daquele personagem de Charles Chaplin apertando parafusos numa planta industrial do século passado. É preciso, antes de tudo, se envolver com o trabalho, amar o seu ofício com todo o coração. Não paute sua vida nem sua carreira pelo dinheiro. Seja fascinado pelo realizar, que o dinheiro virá como consequência. Quem pensa só em dinheiro não consegue sequer ser um grande bandido ou um grande canalha. Napoleão não conquistou a Europa por dinheiro. Michelangelo não passou 16 anos pintando a Capela Sistina por dinheiro. E, geralmente, os que só pensam nele não o ganham. Porque são incapazes de sonhar. Tudo o que fica pronto na vida foi antes construído na alma.

A propósito, lembro-me de um diálogo extraordinário entre uma freira americana cuidando de leprosos no Pacífico e um milionário texano. O milionário, vendo-a tratar dos leprosos, diz: "Freira, eu não faria isso por dinheiro nenhum no mundo". E ela responde: "Eu também não, meu filho".


Não estou fazendo com isso nenhuma apologia à pobreza, muito pelo contrário. Digo apenas que pensar e realizar têm trazido mais fortuna do que pensar em fortuna.

É preferível o erro à omissão; o fracasso ao tédio; o escândalo ao vazio. Porque já li livros e vi filmes sobre a tristeza, a tragédia, o fracasso. Mas ninguém narra o ócio, a acomodação, o não fazer (ou narra e fica muito chato!).


Colabore com seu biógrafo: faça, erre, tente, falhe, lute. Mas, por favor, não jogue fora, se acomodando, a extraordinária oportunidade de ter vivido. Tenho consciência de que cada homem foi feito para fazer história.


Que todo homem é um milagre e traz em si uma evolução. Que é mais do que sexo ou dinheiro. Você foi criado para construir pirâmides e versos, descobrir continentes e mundos, caminhando sempre com um saco de interrogações numa mão e uma caixa de possibilidades na outra. Não dê férias para os seus pés.


Não se sente e passe a ser analista da vida alheia, espectador do mundo, comentarista do cotidiano, dessas pessoas que vivem a dizer: "Eu não disse? Eu sabia!".

Chega dos poetas não publicados, de empresários de mesa de bar, de pessoas que fazem coisas fantásticas toda sexta à noite, todo sábado e todo domingo, mas que na segunda-feira não sabem concretizar o que falam. Porque não sabem ansiar, não sabem perder a pose, não sabem recomeçar. Porque não sabem trabalhar.


Só o trabalho lhe leva a conhecer pessoas e mundos que os acomodados não conhecerão. E isso se chama "sucesso". Seja sempre você mesmo, mas não seja sempre o mesmo. Tão importante quanto inventar-se é reinventar-se. Eu era gordo, fiquei magro. Era criativo, virei empreendedor. Era baiano, virei também carioca, paulista, nova-iorquino, global. Mas o mundo só vai querer ouvir você se você falar alguma coisa para ele. O que você tem a dizer para o mundo ? "


NIZAN GUANAES - PUBLICITARIO

sábado, 15 de março de 2014

Turma 2014 da Academia da Ortodontia Contemporânea - Curso Avançado para Especialistas, Coquetel de boas vindas para turma 2014 e Certificação da 2013




Aconteceu no Restaurante Pobre Juan em Salvador - Bahia, o Coquetel de boas vindas para turma 2014 e Certificação da 2013 do curso Avançado para especialistas em Ortodontia. Um momento de confraternização e celebração entre os colegas de especialidade, que tem como objetivo comum a busca pela Excelência profissional.

 Turma 2014 

Turma 2013

Contando também com a presença do Presidente do Conselho Regional de Odontologia da Bahia (CROBA), Dr. Francisco Simões, representando os todas colegas cirurgiões dentistas. Tivemos o momento muito especial, a homenagem ao Professor Dr. Carlos Alberto Cabrera. Patrono da turma 2013. 

Professor Dr. Carlos Cabrera, Prof. Wendel Shibasaki, Dr. Francisco Simões (CROBA) e Prof, Marlos Loiola



Uma grande alegria para todos nos do Grupo Ortodontia Contemporânea. Saber que a cada ano nossa Família vem Aumentando. Colegas Ortodontistas preocupados em adquirir novos conhecimentos e estar buscando oferecer uma Ortodontia diferenciada e ao mesmo tempo ter o prazer de contar com a presença e o conhecimento de Professores de Prestigio Nacional.


Dras. Tônia Oliveira, Celi Moreti, Cristane Marucci e Sirleila Canário


Professores Drs. Marlos Loiola, Joaquim Dultra e Wendel Shibasaki


Maiores informações sobre o curso avançado para Especialista em Ortodontia:

quinta-feira, 13 de março de 2014

Turma 2014 da Academia da Ortodontia Contemporânea - Primeiro dia do Curso Avançado para Especialistas


Iniciou ontem no Hotel Vila Gallé em Salvador, a turma 2014 do Curso Avançado para Especialistas da Academia da Ortodontia Contemporânea. Será o ciclo de 12 meses um com 06 módulos bimensais. A grande satisfação de todos nos organizadores foi poder contar mais uma vez com colegas e Professores de varias regiões do Brasil. Todos possuindo um único objetivo, distribuir e adquirir conhecimento de qualidade isentos de que qualquer interesse. 

A lotação da sala de aula foi a prova concreta de que são muitos os profissionais abnegados e que buscam a sua diferenciação profissional através do aperfeiçoamento constante. Ganham com isso, a Especialidade e principalmente, os nosso pacientes.






quarta-feira, 12 de março de 2014

Tratamento cirúrgico da macroglossia: relato de 2 casos





Neste artigo de 2009, publicado pela Revista de Cirurgia Traumatologia Buco-Maxilo-facial, pelos autores Karina Magalhães Lopes, Marcelo Rodrigues dos Santos, Fernando Simões Morando, Basílio de Almeida MilaniI, Gabriel H.Franchim, Waldyr Antônio Jorge; do serviço de CTBMF do Hospital Municipal do Campo Limpo-São Paulo. Descreve dois casos de deformidade dentofacial e má oclusão classe III de Angle associada à macroglossia relativa, submetidos à cirurgia ortognática e glossectomia parcial.

A língua é um órgão de grande importância na deglutição e na fonação, encontrando-se diretamente relacionada à oclusão, ao desenvolvimento do esqueleto facial e ao crescimento ântero-posterior do processo alveolar. Macroglossia é uma doença de etiologia múltipla, classificada como verdadeira, quando há o alargamento ou crescimento excessivo da língua, e como relativa, quando há um desequilíbrio entre o tamanho da língua e da cavidade oral, resultando em espaço insuficiente para a estrutura em questão. A macroglossia pode ser congênita ou adquirida.

A inexistência de um método eficaz e prático para dimensionar a língua dificulta o diagnóstico da macroglossia e sua interferência na oclusão. Por essa razão, a observação de sinais e sintomas é fundamental para o correto diagnóstico para a indicação da redução cirúrgica da língua, para o planejamento do tratamento ortodôntico-cirúrgico e para o prognóstico da estabilidade pós-operatória nos casos de correção cirúrgica das deformidades dentofacias. Diversos autores descreveram diferentes incisões para a correção cirúrgica da macroglossia por meio da glossectomia parcial. Tais técnicas cirúrgicas podem ser divididas em dois grupos: glossectomia ao longo da linha mediana e glossectomia na região periférica da língua.

A indicação da glossectomia parcial é motivo de controvérsias devido à dificuldade para diagnosticar a macroglossia relativa. Vários são os critérios utilizados para este diagnóstico: observação clínica da discrepância entre o tamanho da língua e da cavidade oral; mensuração lingual de forma direta ou indireta; interposição crônica da língua entre as arcadas dentais; presença de aspectos clínicos e cefalométricos, como: mordida aberta, prognatismo mandibular, má oclusão classe III, aumento transversal do arco dental e instabilidade do tratamento ortodôntico eortodôntico-cirúrgico.

A indicação do tratamento cirúrgico baseia-se na presença de 3 consequências da macroglossia: dificuldade
de deglutição, fonação e respiração; alterações dentoesqueléticas pela ação excessiva da língua nas estruturas adjacentes e problemas psicológicos associados à estética. Alguns autores recomendam o tratamento ortodôntico e ortodôntico-cirúrgico inicialmente e indicam a glossectomia parcial, se houver recidiva causada pela ação da língua. O tratamento ortodôntico-cirúrgico altera as estruturas esqueléticas e os tecidos moles orofaciais, por isso observamos que a cirurgia ortognática com recuo de mandíbula provoca, em sua maioria, diminuição do tamanho da cavidade oral, o que pode gerar falta de espaço para a língua, mesmo esta tendo dimensões normais. Quando antecipamos no pré-operatório ou observamos no transoperatório incompatibilidade de tamanho entre a cavidade oral e a língua, podemos prever uma adaptação fisiológica deficiente desta, necessitando da glossectomia parcial.

A glossectomia parcial é uma técnica cirúrgica pouco frequente e com indicação restrita nos casos de macroglossia relativa. Quando bem indicada, apresenta ótimos resultados no que se refere à estabilidade do tratamento ortodôntico e ortodôntico-cirúrgico, ao restabelecimento das funções de fonação, deglutição e respiração e à obtenção da harmonia facial, além de causar pouca ou nenhuma alteração na gustação, mobilidade e sensibilidade lingual.


Link do artigo na integra via Revista de Cirurgia BMF:

terça-feira, 11 de março de 2014

TRATAMENTO ORTODÔNTICO DA MORDIDA CRUZADA ANTERIOR NO PACIENTE ADULTO





Neste artigo de 2008, publicado pela Revista OrtodontiaSPO, pelos autores ALEXANDRE DE ALBUQUERQUE FRANCO, CARLOS EDUARDO CÉSAR D’ABREU, FLÁVIA FARIAS DE SANTANA, LUCIA HELENA SOARES CEVIDANES; do curso de Especialização em Ortodontia-Ortopedia Facial da ABO-SE e do Department of Orthodontics, School of Dentistry, University of North Carolina, Chapel Hill. Discute e estabelece critérios sobre a etiologia, diagnóstico e tratamento ortodôntico da mordida cruzada anterior em adultos, bem como apresenta e discute um caso clínico de uma paciente com 33 anos de idade, tratada ortodonticamente por meio de aparelho corretivo.

O tratamento odontológico em pacientes adultos tem alcançado grande repercussão nas publicações da última década. Isso reflete por um lado o trabalho de conscientização da classe odontológica em busca de soluções bem planejadas e estáveis ou pelo menos mais duradouras, e por outro uma cultura mais difundida e valorizada pela população, que busca incessantemente qualidade de vida.

A procura de correção de más-oclusões tem sido quantificada em pacientes adultos como parte integrante de uma reabilitação bucal decorrente de uma exigência estética e funcional, dentre elas a mordida cruzada anterior que ocasionalmenteé observada na dentadura adulta.

A mordida cruzada anterior é caracterizada pela alteraçãona relação vestíbulo lingual no posicionamento dos incisivos superiores e inferiores, podendo envolver um ou mais elementos em cada arco dentário, além de geralmente interferir nos processos normais de crescimento e desenvolvimento facial e dos arcos dentários, devendo ser tratada precocemente. Um diagnóstico acurado da mordida cruzada anterior em adultos não deve ficar dissociado dos registros da anamnese, em virtude de fatores etiológicos, como os hábitos bucais deletérios e histórico de trauma em idade precoce, apresentarem íntima relação com as posições finais que os incisivos permanentes ocupam nos arcos dentários.

O tratamento ortodôntico da mordida cruzada anterior em pacientes adultos geralmente é mais desafiador, requerendo uma maior habilidade profissional, já que são esperadas respostas reparadoras mais lentas, frente à aplicação de forças leves e contínuas. Ademais, desde que os objetivos da terapêutica seja o alcance de um perfil facial harmônico, além de uma oclusão morfológica e funcional balanceadas, as alterações no perfil alcançam um importante papel na avaliação dos efeitos do tratamento. Poderia-se dizer que devido à fácil identificação de um perfil côncavo em casos de mordida cruzada anterior, os pacientes “agonizam” com problemas psicossociais desde a infância, o que torna a melhora da estética facial uma das principais razões para a procura do tratamento.

A mordida cruzada anterior é classificada pela estrutura em que se encontra a discrepância. Dento alveolar, cujas alterações estão relacionadas aos dentes e ao osso alveolar, estando as bases ósseas bem relacionadas; esquelética, que é caracterizada por discrepâncias entre as bases ósseas, envolvendo também assimetria ou crescimento anormal de qualquer osso do crânio ou da face; e a funcional, onde a causa principal são anomalias que levam ao desvio da função normal da musculatura. Considerara mordida cruzada anterior como indicador único damá-oclusão de Classe III de Angle é errôneo, uma vez que podeestar presente na Classe I e Classe II de Angle.

De modo geral, a abordagem da mordida cruzada anterior é favorecida quando diagnosticada pelo cirurgião-dentista precocemente, obtendo-se melhores mudanças dento esqueléticas comparadas a um tratamento tardio. Estudos relatam que a mordida cruzada anterior na dentadura decídua pode se autocorrigir durante o estágio de transição para adentadura mista precoce, por meio da supressão do hábito parafuncional, do posicionamento da mandíbula mais posteriormente, ausência de dentes supranumerários, dentre outros. Entretanto, para alguns pesquisadores, a mordida cruzada anterior na fase da dentadura decídua raramente se autocorrige, podendo se estabelecer de forma mais severa na dentadura permanente.

Nenhuma fórmula única de tratamento é adequada paratodos os pacientes adultos; pois muitas vezes eles apresentam problemas que envolvem outras áreas da Odontologia, além da Ortodontia. Autores realizaram um tratamento combinado ortodôntico-reabilitador em uma paciente com mordida cruzada anterior dos incisivos centrais e agenesiados incisivos laterais. A terapêutica consistiu na distalização dos caninos e descruzamento dos incisivos centrais obtendo conseqüentemente a abertura dos espaços para a reabilitação protética. Outros autores descreveram um caso clínico com tratamento combinado endodôntico-cirúrgico-ortodôntico deum incisivo lateral superior fusionado ao supranumerário em mordida cruzada e um canino impactado. Neste caso, a terapia endodôntica foi realizada no incisivo lateral e no supranumerário fusionado e, posteriormente, a anatomia do lateral foi restabelecida por meio da hemisecção com o supranumerário. Em seguida foi realizado o tratamento cirúrgico-ortodôntico para o tracionamento do canino impactado e a correção damordida cruzada anterior entre os remanescentes. Os autores afirmaram que o tratamento combinado endodôntico-cirúrgico-ortodôntico é ideal quando necessário.


CONCLUSÃO

A partir da opinião dos diferentes autores consultados, pôde-se observar que a mordida cruzada anterior apresenta etiologia multifatorial como o comprimento inadequado do arco, dentes supranumerários, retenção de dentes ou de raiz decídua, desvio do germe permanente por meio de trauma nos dentes decíduos anteriores, trauma ósseo impedindo o crescimento, deslocamento mandibular funcional prolongado.

O diagnóstico da mordida cruzada anterior se dentária, funcional ou esquelética deve ser obtido a partir dos dados da anamnese, exame clínico, telerradiografia lateral e manipulação do paciente em relação cêntrica.

O tratamento da mordida cruzada anterior no paciente adulto, requer uma movimentação dentária minuciosa, com forças leves e contínuas, por meio de compensações dentoalveolares(camuflagem ortodôntica) ou integrado à Cirurgia Ortognática.


Link do artigo na integra via RevistaSPO: