ORTODONTIA CONTEMPORÂNEA: Entrevista com o Professor Doutor Weber Ursi - Parte 2

sexta-feira, 2 de março de 2012

Entrevista com o Professor Doutor Weber Ursi - Parte 2




Dando continuidade, o Blog Ortodontia Contemporânea tem a honra de dividir com os nossos amigos leitores, uma entrevista com um grande nome da Ortodontia Brasileira o Professor Dr. Weber Ursi, Ortodontista Clinico em São José dos Campos - SP; Mestre e Doutor em Ortodontia pela FOB-USP, Professor Livre Docente da UNESP - São José dos Campos - SP e Coordenador da Especialização em Ortodontia da APCD - São José dos Campos. Estamos também muito felizes em poder contar com a sua presença no Curso Avançado da Academia da Ortodontia Contemporânea, que abordará tratamento com Braquetes Auto-ligáveis. Aproveitem a entrevista e mais uma grande oportunidade de conhecer e aprender com um profissional de grande gabarito.


Marlos Loiola - Parte do seu Doutorado foi realizado em Michigan nos Estados Unidos. Você teve alguma influência nos seus protocolos clinicos de tratamento, por alguns dos instituidos pelo Professor Dr.James McNamara, principalmente naqueles realizados em pacientes passando pelo surto de crescimento? Se sim, quais seriam e em até que fase você os preconizariam? O que você achou da separação da Ortodontia e da Ortopedia dos Maxilares ocorrida aqui no Brasil?


Dr. Weber Ursi - Ainda hoje acompanho e sigo as recomendações básicas dos protocolos instituídos pelo professor McNamara, com pequenas alterações. Vou responder esta pergunta da mesma maneira que fiz na estrevista da Revista Dental Press, publicada anos atrás, mas que ainda norteia minha conduta. 

Na dentição mista, a  maioria dos pacientes (casos com pequena discrepância),  é tratada somente visando a correção do componente transversa (Disjunção). Os casos mais severos são tratados ou com Ortopedia Funcional dos Maxilares (Twin-block) ou Splint de Thurow.  A utilização do  Extra-bucal ou Extra-oral,  é ainda imperativa quando na composição da maloclusão exista um componente esquelético vertical significante, o que praticamente eliminaria qualquer efeito positivo de um avanço mandibular, mesmo que cirúrgico, se feito isolado.
Com relação à época de sua utilização, entretando, deve-se ter em mente que o crescimento maxilar não acompanha a mesma curva de crescimento que a mandíbula. O crescimento mandibular acompanha a curva de crescimento geral, ou estatural, cuja aceleração maior se dá na adolescência. Em função de sua posição biomecânica e funcional, a maxila, entretanto, é influenciada pelas curvas de crescimento neural e estatural, apresentando um comportamento menos acentuado na adolescência. Em vista disto, a oportunidade para o uso das forças extra-bucais, neste conceito, estaria antes do surto de crescimento, a partir dos 8-9 anos de idade, utilizada por 10-12 horas por dia até a correção da maloclusão e, após, por 8 horas por dia, como contenção, até a irrupção dos segundos molares permanentes. Por inúmeros motivos  o modelo ideal seria o Splint de Thurow, que permite, ao mesmo tempo, o controle vertical e sagital do crescimento da maxila, ajuste de suas dimensões transversais à mandíbula, e libera a expressão do crescimento mandibular, com rotação antihorária, melhorando sua projeção anterior.
Casos excepcionais com discrepâncias esqueléticas acentuadas, com risco de fraturas de incisivos e com pouca colaboração, são tratados com mecânica Tip-edge e elásticos de Classe II, mesmo na dentição mista. Na dentição permanente em pacientes em crescimento utilizo  o aparelho de Herbst para diminuir a discrepância esquelética,  ou mesmo em final de crescimento, como método para aumentar as compensações pré-existentes.
Com relação à sua segunda pergunta, creio que ela fez sentido alguns anos atrás, quando a porcentagem de número de Ortopedistas/ Ortodontistas estava mais pareada. Hoje, com a quantidade de Ortodontistas que o inúmeros cursos formam, ela perdeu relevância, pela disproporção numérica dos especialistas em Ortodontia. Infelizmente em nosso país, cada vez que se faz uma legislação procurando normatizar algo, os espertos de plantão acham uma maneira de adaptar a lei às suas necessidades. Com toda certeza, hoje os Ortodontistas estão em situação difícil não em função desta separação, mas em função de sua própria especialidade. Ortodontistas brasileiros são como porcos-espinhos, se estão muito longe uns dos outros, passam frio, e quando se aproximam, se espetam....


Marlos Loiola - Com relação a utilização de braquetes auto-ligados, nos casos de preparo Ortodontico voltado a cirurgia ortognática. Existe alguma diferença em relação ao protocolo de tratamento instituido com os braquetes convencionais? Quais seriam as vantagens? Quais seriam as limitações?
Dr. Weber Ursi - Não creio que haja grandes diferenças, casos específicos de preparo com fins de resolução cirúrgica, entre brackets convencionais e auto-ligados. Por definição, os casos indicados para Cirurgia Ortognática vão ter maiores correções no momento da cirurgia que durante o tratamento Ortodôntico.
Somente em casos de grandes descompensações, com exodontias de pre-molares, talvez os brackets auto-ligados tenham alguma vantagem pela diminuição do atrito em uma mecânica de deslizamento. 
Uma outra possibilidade de vantagem dos auto-ligados frente aos convencionais seria o possível ganho transversal obtido, que poderia, em casos selecionados, evitar uma segmentalização da maxila ou a necessidade de uma Expansão assistida cirurgicamente.

Marlos Loiola - Professor Weber, este ano você está organizando mais uma vez em conjunto com o departamento de Ortodontia da Universidade de Michigan um curso voltado exclusivamente para Brasileiros nos Estados Unidos. Nos conte mais sobre este projeto excepcional que será realizado este ano.
Dr. Weber Ursi - Como você Marlos, pode atestar, o último curso, em 2010, foi excepcional em termos acadêmicos, de interrelação pessoal e congraçamento entre nós, os brasileiros, e os professores do Departmento de Ortodontia. 
Tivemos a oportunidade de conviver uma semana com todos os professores, visitamos o laboratório do Dr. Sunil Kapila (Chefe do Departamento), a clínica do Prof. McNamara, tivemos um cock-tail de boas vindas e um jantar de encerramento, quando todos os participantes receberam um certificado da Universidade de Michigan. 
Este ano vamos repetir a dose, de 10-14 de Setembro, e praticamente 1/3 do conteúdo do curso será renovado em relação a 2010, inclusive com a participação da mais nova aquisição do Departamento de Ortodontia, a Dra. Júlia Cevidanes, uma brasileira com uma enorme produção científica, que muito nos honra e eleva. Portanto, fica aqui o convite, para todos que quiserem uma experiência única e rica, de irem conosco a Ann Arbor por uma semana.



 









Marlos Loiola - Para mim esta Mini Residência foi um sonho realizado ! Um curso de ponta, numa renomada Universidade Americana, organização impecável, aulas com professores pesquisadores do departamento de Ortodontia, como o Ilustre Doutor James McNamara, que inclusive apresentou a todo o grupo de alunos sua clinica particular. Realmente foi EXCEPCIONAL !!!


Mais Informações: Clique aqui

Link da Clinica do Dr. Weber Ursi:



Ultima Mini Residência em Ortodontia na Universidade de Michigan 2010:


http://www.ortodontiacontemporanea.com/search/label/Universidade%20de%20Michigan

Link do local do Curso de Especialização que o Dr. Weber Coordena:



4 comentários:

  1. Elisabete Marques4 de março de 2012 05:49

    Bela entrevista, elucidativa, simples e humanista.
    Confirmo minha opniao de que este trabalho eh uma oportunidade de aproximacao, esclarecimento e abertura para os ortodontstas. Parabens

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  2. Apesar de estar entrando no seu Blog pela primeira vez, posso afirmar que estou adorando, parabéns mesmo!

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