ORTODONTIA CONTEMPORÂNEA: Simulação computadorizada do perfil facial em cirurgia ortognática: precisão cefalométrica e avaliação por ortodontistas

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Simulação computadorizada do perfil facial em cirurgia ortognática: precisão cefalométrica e avaliação por ortodontistas


Neste artigo de 2007, publicado pela Revista Dental Press, pelos autores Alexandre Trindade Simões da Motta, Ione Helena Portela Brunharo, José Augusto Mendes Miguel, Jonas Capelli Jr., Paulo José D’Albuquerque Medeiros, Marco Antonio de Oliveira Almeida; da Faculdade de Odontologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ. Verifica a precisão de um programa de simulação computadorizada na predição de alterações no perfil facial em diferentes tipos de cirurgia ortognática.

O tratamento ortodôntico associado à cirurgia ortognática constitui-se em um dos procedimentos
com maiores chances de melhoria estética na Odontologia. Apesar da importância da correção de problemas funcionais, é marcante a preocupação de ortodontistas, cirurgiões e pacientes em relação às modificações faciais pós-cirúrgicas. Isto fez com que se buscassem métodos capazes de prever e visualizar a forma e o posicionamento das estruturas moles da face, principalmente nariz, lábios e mento, após procedimentos cirúrgicos.

Basicamente, a predição do resultado estético em cirurgia ortognática vem sendo realizada de três formas. A primeira, mais antiga e ainda utilizada, baseia-se na realização do traçado cefalométrico predictivo de forma manual em papel acetato. A segunda alternativa permite que
os movimentos cirúrgicos sejam realizados em computador, proporcionando traçados cefalométricos com diferentes opções de tratamento.

Na terceira opção, simulações computadorizadas são obtidas unindo-se o traçado cefalométrico à imagem fotográfica de perfil, que sofre alterações de acordo com as mudanças nos tecidos duros.
Este último método, conhecido também como video imaging, apresenta algumas vantagens descritas na literatura, como melhorias na visualização e no entendimento dos objetivos do tratamento pelo paciente. O apelo visual da simulação computadorizada pode suprir as deficiências do profissional na apresentação do caso ao paciente, que antes era realizada com o auxílio de traçados cefalométricos, modelos de estudo e fotografias de outros pacientes tratados, de difícil entendimento para um leigo. Além disso, a possibilidade de se realizar planejamentos ortocirúrgicos com maior facilidade e precisão tornou este método mais utilizado e estudado nos últimos dez anos.

Apesar de algumas diferenças descritas na literatura acerca dos diversos programas já testados, semelhanças básicas podem ser notadas. Deficiências na predição do lábio inferior, variabilidade no posicionamento de alguns pontos do perfil mole predictivo e produção de imagens com algumas falhas visuais foram relatadas em praticamente todos os experimentos com o Dentofacial Planner (DFP), Dolphin Imaging (DI), Orthognathic Treatment Planner (OTP), Prescription Planner Portrait (PPP), Quick Ceph Image (QCI) e Vistadent. Cinco programas (DFP, DI, Orthoplan, QCI e Vistadent) foram comparados na predição de 10 casos considerados difíceis, utilizando seus recursos de retoque das imagens, com o DFP mostrando um melhor desempenho, seguido pelo DI e QCI. Contudo, fatores como facilidade de uso, custo, compatibilidade com sistemas operacionais e suporte técnico devem ser considerados na escolha de um software.

Neste estudo observou-se variabilidade no posicionamento de vários pontos cefalométricos na comparação entre os traçados predictivos e finais, tanto para a amostra total quanto por grupos, onde mais de 60% dos erros foram menores que 2mm, e em 17% as diferenças excederam o limite de 3mm. Maior precisão foi encontrada em outros trabalhos, como uma diferença menor que 1mm para 50% e menor que 2mm para 78% das medidas e uma discrepância maior que 2mm em apenas 20% dos casos.


CONCLUSÕES

1) Os pontos predictivos do perfil mole apresentaram variabilidade em relação ao perfil final, sendo que mais de 60% dos erros foram menores que 2mm e 17% excederam 3mm. As diferenças estatisticamente significantes entre os pontos foram mais freqüentes no sentido vertical. Os ângulos nasolabial e mentolabial predictivos apresentaram-se mais agudos que nos traçados finais.

2) A avaliação da semelhança entre as imagens predictivas computadorizadas e finais pelos ortodontistas exibiu notas médias superiores à literatura, variando de 56,00 para o lábio inferior
a 75,42 para o nariz. A qualidade das imagens predictivas não apresentou diferenças significantes
em relação às alterações verticais.

3) A baixa correlação entre as análises cefalométrica e subjetiva indicou que uma não influenciou
diretamente a outra, sugerindo que outros fatores, como falhas inerentes aos procedimentos digitais do programa, características individuais dos pacientes e problemas de padronização fotográfica estiveram envolvidos no processo de predição computadorizada.

4) Em comparação com a performance de outros sistemas de simulação computadorizada, o programa testado pode ser considerado útil na prática clínica ortodôntica e cirúrgica. Entretanto, baseando-se em algumas limitações observadas, recomenda-se cautela no planejamento e apresentação do caso, sendo que algumas predições podem exigir melhorias com as ferramentas de ajuste disponíveis no programa.


Link do artigo na integra via Scielo:

http://www.scielo.br/pdf/dpress/v12n5/a10v12n5.pdf

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