ORTODONTIA CONTEMPORÂNEA: Crescimento facial espontâneo Padrão II: estudo cefalométrico longitudinal

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Crescimento facial espontâneo Padrão II: estudo cefalométrico longitudinal




Neste artigo de 2009, publicado pela Revista Dental Press, pelos autores Omar Gabriel da Silva Filho, Francisco Antônio Bertoz, Leopoldino Capelozza Filho, Eduardo César Almada; da disciplina de Ortodontia Preventiva e do programa de pós-graduação em Ortodontia da Faculdade de Odontologia de Araçatuba da Universidade Estadual Paulista (UNESP) e do Curso de Ortodontia Preventiva e Interceptiva da PROFIS (Sociedade de Promoção Social do Fissurado Lábio-Palatal) – Bauru - São Paulo. Mostra um estudo cefalométrico longitudinal que investigou as alterações espontâneas ocorridas em crianças com má oclusão Classe II, divisão 1, Padrão II. Foram selecionadas 40 crianças, 20 meninos e 20 meninas, distribuídas na faixa etária compreendida entre 6 e 14 anos de idade.

Estudos epidemiológicos realizados na cidade de Bauru/SP remetem à inferência de que a autocorreção da má oclusão é improvável. Essa amarga particularidade não exclui a má oclusão Classe II. Vale a pena mencionar o axioma repetido por Bishara et al. em tom de advertência: “Uma vez Classe II, sempre Classe II”, o que significa dizer que “o crescimento espontâneo da mandíbula para frente não corrigirá a Classe II”. Eles compartilham a mesma opinião de que a odisséia do crescimento não transforma a condição sagital entre os arcos dentários. De fato, tanto a prática quanto a literatura ratificam que o Padrão II está presente desde a dentadura decídua1, e o crescimento espontâneo da face não melhora a relação basal e tampouco a relação interarcos ao longo da dentadura decídua; a partir da dentadura decídua até a dentadura mista ou até a dentadura permanente; da dentadura mista até a permanente; da dentadura mista até a dentadura permanente na maturidade esquelética; ao longo da adolescência, durante a dentadura permanente; ou mesmo depois da adolescência, no crescimento facial pós-adolescência28. A característica transversal da Classe II – a atresia do arco dentário superior – também está presente nas dentaduras decídua e mista, comportando-se semelhantemente ao aspecto sagital, isto é, perpetuando-se. Isso leva à conclusão de que todas as características que acompanham a má oclusão Classe II não se autocorrigem em pacientes em crescimento. Embora a má oclusão Classe II não mude significativamente com o tempo, parece razoável admitir que alterações delicadas e individuais na condição oclusal são passíveis de ocorrer, tanto para melhor quanto para pior.

Os dados cefalométricos longitudinais referentes às más oclusões Classe II expostos na literatura
atestam que a maxila, via de regra bem posicionada na face quando avaliada pelo ângulo SNA, permanece na sua posição ântero-posterior ou pode mostrar uma pequena oscilação ao longo do crescimento, deslocando-se ligeiramente em direção anterior ou mesmo posterior. A estabilidade
espacial da maxila no sentido sagital manifesta-se também na inclinação do plano palatino em relação à base do crânio. O que se conclui é que, durante o crescimento, a maxila amplia suas dimensões nos três sentidos do espaço sem alterar sua posição relativa com a base do crânio. Especificamente no sentido sagital, os deslocamentos da base do crânio e da maxila são similares.

A mandíbula, com freqüência alvo de erro esquelético, tende a exibir comportamento semelhante ao da maxila. Ela aumenta de tamanho em todas as suas dimensões, com velocidade crescente na adolescência, mas não consegue melhorar significativamente sua participação na face ao longo do crescimento. Embora a magnitude de crescimento mandibular no Padrão II apresente considerável variação individual e dentro de cada indivíduo anualmente, o que não difere do crescimento padrão normal quando avaliada pelo ângulo SNB, a mandíbula preserva a sua posição sagital na face, ou mostra pequena redução ou aumento. Essa variabilidade no comportamento sagital da mandíbula justifica a variação dos ângulos de convexidade, como o ângulo ANB, que podem manter-se, reduzir-se ou aumentar-se.

O Padrão II não representa a condição esquelética mais comum na população, a julgar pela sua incidência de 30% entre crianças na dentadura decídua. Já a má oclusão Classe II, além de ter uma incidência parecida com a Classe I, quase 50%, constitui uma das más oclusões mais freqüentes em uma clínica ortodôntica. Nada mais elementar que concluir que a má oclusão Classe II ocorre independentemente do Padrão II. Pois bem, dito isso, a presente pesquisa interliga oclusão e face ao acompanhar o crescimento espontâneo das más oclusões Classe II presentes no Padrão II. Considerando que as más oclusões Classe II com Padrão II aludem à deficiência mandibular, o ortodontista tem uma grande responsabilidade, ou melhor, um grande desafio, na correção do problema: lapidar o produto bruto das intermitências do crescimento facial, buscando promover, no manejo das bases apicais, a perfeição idealizada para face e oclusão. Não se pode perder de vista que o clínico e o paciente estão interessados no impacto que o tratamento exerce sobre a estética do sorriso e da face e, definitivamente, não se pode perder de vista que, no tratamento da Classe II/Padrão II, o resultado do tratamento não está vinculado exclusivamente à habilidade do ortodontista em controlar a mecânica ortopédica/ortodôntica. Entram em ação variáveis importantes como a cooperação do paciente e variáveis complexas como a magnitude e a direção de crescimento da mandíbula ao longo do tratamento. A variável “crescimento” está completamente fora da possibilidade de controle do profissional. O crescimento desfavorável, quer em magnitude, quer em direção, compromete os resultados do tratamento instituído.

CONCLUSÃO DO ESTUDO

A partir da análise dos resultados obtidos, pode-se verificar que, em crianças com má oclusão Classe II, divisão 1, Padrão II, em crescimento:

1) Não existe dimorfismo sexual na morfologia da face. O comportamento das grandezas cefalométricas angulares independe da variável gênero.

2) As grandezas que representam o comportamento sagital e vertical da mandíbula mudam com significância estatística.

3) O comportamento das grandezas cefalométricas sugere avanço mandibular e rotação no sentido anti-horário durante o crescimento facial.

4) A convexidade facial diminui com a idade.

5) A despeito do maior crescimento da mandíbula em relação à maxila, não há melhora no padrão facial.

6) A morfologia facial está definida precocemente e é mantida durante o crescimento, configurando o determinismo genético na determinação do arcabouço esquelético.


Link do artigo na integra via Scielo:

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