ORTODONTIA CONTEMPORÂNEA: Fevereiro 2010

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Braquetes auto-ligáveis em Ortodontia


Neste artigo de 2010, publicado pela Angle Orthodontist, pelos autores Padhraig S. Fleming; Ama Johal; do Fleming, Department of Orthodontics, Royal London Dental Institute, Whitechapel, Londres. Mostra uma pequisa realizada com os braquetes auto-ligáveis.

Este estudo foi realizado com o intuito de avaliar as diferenças clínicas em relação à utilização dos braquetes auto-ligáveis em ortodontia.

Bases de dados eletrônicos foram pesquisados, sem restrições relativas à Status de publicação ou idioma da publicação foram utilizadas. Ensaios clínicos randomizados (ECR) e ensaios clínicos controlados (CCTs) investigaram a influência do tipo de braquete de alinhamento e sua eficiência, a experiência subjetiva da dor, taxa de falha de ligação, alterações dimensionais do arco, a taxa de fechamento de espaço ortodôntico, os resultados periodontais e reabsorção radicular foram a avaliados. Ambos os autores ficaram envolvidos na seleção do estudo, a avaliação de validade e na extração de dados. Os desacordos eram resolvidos por discussão.

Seis ECA e 11 CCTs foram identificados. Meta-análises da influência do tipo de braquete na experiência subjetiva da dor não conseguiram demonstrar uma vantagem significativa para qualquer tipo de aparelho. A análise estatística dos resultados dos outros eram inviáveis por causa do insuficiente desenho metodológico e desenhos heterogêneos.

As evidências nesta fase não foram suficientemente altas para mostrar a qualidade em relação ao uso de aparelhos ortodonticos fixos com braquetes auto-ligáveis em relação aos aparelhos de sistemas convencionais ou vice-versa.


Link do artigo na integra via Angle Orthodontist:

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

TRATAMENTO CIRÚRGICO DE ASSIMETRIA MANDIBULAR RELATO DE CASO CLÍNICO



Neste artigo de 2004, publicado pela Revista de Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial; pelos autores Emanuel DIAS de Oliveira e Silva; José Rodrigues LAUREANO FILHO; Nelson Studart ROCHA; Patrícia Maria Rabelo ANNES; Patrícia Oliveira TAVARES; da disciplina de Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial da Faculdade de Odontologia de Pernambuco - FOP/UPE - Pernambuco. Relata um caso clínico de assimetria mandibular, expondo as possíveis causas para esta deformidade e o tipo de tratamento cirúrgico proposto com finalidade corretiva.

Pode-se definir beleza como um estado de harmonia e equilíbrio das proporções faciais, estabelecidas pelas estruturas esqueléticas, pelos dentes e pelos tecidos moles.

A simetria está diretamente relacionada a beleza. Observa-se um equilíbrio em tamanho, forma e organização das características anatômicas entre lados opostos em relação a um plano de referência mediano (PROCACI et al.,2002).

Graus suaves de assimetria facial são encontrados normalmente na população em geral e usualmente não são perceptíveis esteticamente ou funcionalmente. Desta forma, as assimetrias tornam-se importantes quando afetam a função e/ou estética do paciente.

As assimetrias faciais decorrentes de distúrbios de crescimento dos maxilares quase sempre requerem correção cirúrgica ortognática, seguida, em alguns casos, necessitar de correções teciduais leves.(KAHNBERG et al., 1997). Dentro das assimetrias faciais, a assimetria mandibular é geralmente caracterizada clinicamente, devido à presença dos seguintes fatores: desvio do mento para um lado, discrepância dento-esqueletal da linha média, mordida cruzada e discrepância no sentido vertical da mandíbula, sendo considerada como principal causa a variação do potencial de crescimento da mandíbula (SKOLNICK et al., 1994).

A correção destas alterações faciais envolve principalmente, o tratamento ortodôntico-cirúrgico podendo associar, em algumas situações, uma cirurgia combinada de mandíbula e maxila.

Vários fatores, isolados ou em conjunto, podem indicar a necessidade para a realização da cirurgia ortognática. Pode–se citar como fatores a mastigação debilitada, disfunção da articulação têmporomandibular e susceptibilidade à cárie e à doença periodontal, devido à higiene oral debilitada pela protrusão e irregularidades dentárias (ARNETT, 2002). Considera-se que uma das indicações mais importantes para a cirurgia ortognática baseia-se no efeito psicossocial causado pela deformidade dentofacial e pela assimetria facial.

Deformidades dento-faciais afetam aproximadamente 20% da população, podendo os pacientes com estas discrepâncias apresentar em vários graus de comprometimento funcional e estético. Assim, malformações podem surgir isoladamente em um maxilar ou podem se estender para diversas estruturas crânio-faciais. Elas podem ocorrer uni ou bilateralmente e podem ser expressas em graus variados nos planos faciais vertical, horizontal e transversal (FONSECA et al., 2000).

Os fatores causais das assimetrias são classificados como funcional, esquelético, dentário ou a junção de todos (PROCACI, 2002). O conjunto de fatores que podem, habitualmente, correlacionar-se com as alterações faciais podem ser classificados também em nutricionais, funcionais, hormonais, lesões nervosas, lesões vasculares e fatores ambientais. Todos estes fatores, durante a fase de crescimento do indivíduo, podem causar discrepâncias de tamanho, posição e forma das estruturas envolvidas, resultando em alterações anátomo-funcionais importantes (OLMOS ARANDA et al., 1999).

Diversas opções de tratamento são descritas na literatura. A indicação de uma técnica em detrimento à outra se faz pelo correto diagnóstico de cada caso (GAZIT-RAPPAPORT, 2003). apresenta uma abordagem conservadora ortodôntica-protética no qual uma oclusão estável e o ajuste da linha média dentária foram obtidos através de movimentação dentária e instalação de componente protético constituindo um terceiro pré-molar.

WOLFORD (2002), descreve um tratamento combinado da articulação temporomandibular associado ao orto-cirúrgico em pacientes com diagnóstico de assimetria facial, causado por hiperplasia condilar. O autor prega a cirurgia ortognática precoce e a abordagem da ATM para realizar uma condilectomia, na tentativa de diminuir o crescimento mandibular e aplicatura meniscal, a fim de possibilitar melhor função.

A utilização da cirurgia ortognática na correção de assimetrias faciais é uma das técnicas mais utilizada e estudada dentro da cirurgia bucomaxilo-facial (ARAUJO, 1999). Em pacientes cujo defeito tem como agente etiológico o componente esquelético não associado a qualquer patologia, a abordagem cirúrgica é o tratamento de escolha.

Podemos concluir que o uso da cirurgia ortognática no tratamento da assimetria facial é uma técnica bem estudada na literatura, de resultados previsíveis e estabilidade a longo prazo. O correto diagnóstico e planejamento do caso é fundamental para indicação do procedimento cirúrgico mais adequado. A análise do crescimento ósseo e patologia mandibular associada são parâmetros relevantes à escolha de uma abordagem mais conservadora ou mais invasiva.


Link do artigo na integra via revista cirurgia bucomaxilofacial:

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Pensamento da Semana


“O homem comum é exigente com os outros. O homem superior é exigente consigo mesmo.”


Marco Aurélio

Link com frases do autor:



sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Estrutura formada na interface entre o tecido periodontai e o mini implante de titânio





Neste artigo de 2010, publicado pela Angle Orthodontist, pelos autores Jaqueline Carvalho Rinaldi; Victor E. Arana-Chavez; da Divisião de biologia Oral, da escola de Odontologia, Universidade de Sao Paulo, São Paulo, Brasil. Mostra um estudo com microscopia eletrônica feito na região de interface mini-implante -Tecido Periodontal de ratos.

Este estudo buscou descrever a ultra-estrutura formada na interface entre os tecidos periodontais e os mini-implantes de titânio em mandíbulas de ratos.

Um mini-implante de titânio foi cinserido entreas raizes vestibular do primeiro molar inferior de 24 ratos adultos. Após 21, 30, 45, 60, 90 e 120 dias de implantação, a porção mandibular foi removida e fixada em solução tampão cacodilato de glutaraldeído a 2% + 2,5% formaldeído. O material foi descalcificado e processado para a microscopia de varredura e eletrônica de transmissão.

A análise Ultra estrutural revelou uma fina camada de cemento, quanto maior era o tempo depois da realização do implante nas áreas em que o ligamento periodontal estava em contato com o implante.

O osso alveolar e ligamento periodontal reorganizou os seus constituintes ao redor do implante, e uma fina camada de cemento foi formada às vezes já após a implantação nas áreas em que o ligamento periodontal estava em contato com o implante.


Link do artigo na integra via Angle Orthodontist:

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Crescimento facial espontâneo Padrão II: estudo cefalométrico longitudinal




Neste artigo de 2009, publicado pela Revista Dental Press, pelos autores Omar Gabriel da Silva Filho, Francisco Antônio Bertoz, Leopoldino Capelozza Filho, Eduardo César Almada; da disciplina de Ortodontia Preventiva e do programa de pós-graduação em Ortodontia da Faculdade de Odontologia de Araçatuba da Universidade Estadual Paulista (UNESP) e do Curso de Ortodontia Preventiva e Interceptiva da PROFIS (Sociedade de Promoção Social do Fissurado Lábio-Palatal) – Bauru - São Paulo. Mostra um estudo cefalométrico longitudinal que investigou as alterações espontâneas ocorridas em crianças com má oclusão Classe II, divisão 1, Padrão II. Foram selecionadas 40 crianças, 20 meninos e 20 meninas, distribuídas na faixa etária compreendida entre 6 e 14 anos de idade.

Estudos epidemiológicos realizados na cidade de Bauru/SP remetem à inferência de que a autocorreção da má oclusão é improvável. Essa amarga particularidade não exclui a má oclusão Classe II. Vale a pena mencionar o axioma repetido por Bishara et al. em tom de advertência: “Uma vez Classe II, sempre Classe II”, o que significa dizer que “o crescimento espontâneo da mandíbula para frente não corrigirá a Classe II”. Eles compartilham a mesma opinião de que a odisséia do crescimento não transforma a condição sagital entre os arcos dentários. De fato, tanto a prática quanto a literatura ratificam que o Padrão II está presente desde a dentadura decídua1, e o crescimento espontâneo da face não melhora a relação basal e tampouco a relação interarcos ao longo da dentadura decídua; a partir da dentadura decídua até a dentadura mista ou até a dentadura permanente; da dentadura mista até a permanente; da dentadura mista até a dentadura permanente na maturidade esquelética; ao longo da adolescência, durante a dentadura permanente; ou mesmo depois da adolescência, no crescimento facial pós-adolescência28. A característica transversal da Classe II – a atresia do arco dentário superior – também está presente nas dentaduras decídua e mista, comportando-se semelhantemente ao aspecto sagital, isto é, perpetuando-se. Isso leva à conclusão de que todas as características que acompanham a má oclusão Classe II não se autocorrigem em pacientes em crescimento. Embora a má oclusão Classe II não mude significativamente com o tempo, parece razoável admitir que alterações delicadas e individuais na condição oclusal são passíveis de ocorrer, tanto para melhor quanto para pior.

Os dados cefalométricos longitudinais referentes às más oclusões Classe II expostos na literatura
atestam que a maxila, via de regra bem posicionada na face quando avaliada pelo ângulo SNA, permanece na sua posição ântero-posterior ou pode mostrar uma pequena oscilação ao longo do crescimento, deslocando-se ligeiramente em direção anterior ou mesmo posterior. A estabilidade
espacial da maxila no sentido sagital manifesta-se também na inclinação do plano palatino em relação à base do crânio. O que se conclui é que, durante o crescimento, a maxila amplia suas dimensões nos três sentidos do espaço sem alterar sua posição relativa com a base do crânio. Especificamente no sentido sagital, os deslocamentos da base do crânio e da maxila são similares.

A mandíbula, com freqüência alvo de erro esquelético, tende a exibir comportamento semelhante ao da maxila. Ela aumenta de tamanho em todas as suas dimensões, com velocidade crescente na adolescência, mas não consegue melhorar significativamente sua participação na face ao longo do crescimento. Embora a magnitude de crescimento mandibular no Padrão II apresente considerável variação individual e dentro de cada indivíduo anualmente, o que não difere do crescimento padrão normal quando avaliada pelo ângulo SNB, a mandíbula preserva a sua posição sagital na face, ou mostra pequena redução ou aumento. Essa variabilidade no comportamento sagital da mandíbula justifica a variação dos ângulos de convexidade, como o ângulo ANB, que podem manter-se, reduzir-se ou aumentar-se.

O Padrão II não representa a condição esquelética mais comum na população, a julgar pela sua incidência de 30% entre crianças na dentadura decídua. Já a má oclusão Classe II, além de ter uma incidência parecida com a Classe I, quase 50%, constitui uma das más oclusões mais freqüentes em uma clínica ortodôntica. Nada mais elementar que concluir que a má oclusão Classe II ocorre independentemente do Padrão II. Pois bem, dito isso, a presente pesquisa interliga oclusão e face ao acompanhar o crescimento espontâneo das más oclusões Classe II presentes no Padrão II. Considerando que as más oclusões Classe II com Padrão II aludem à deficiência mandibular, o ortodontista tem uma grande responsabilidade, ou melhor, um grande desafio, na correção do problema: lapidar o produto bruto das intermitências do crescimento facial, buscando promover, no manejo das bases apicais, a perfeição idealizada para face e oclusão. Não se pode perder de vista que o clínico e o paciente estão interessados no impacto que o tratamento exerce sobre a estética do sorriso e da face e, definitivamente, não se pode perder de vista que, no tratamento da Classe II/Padrão II, o resultado do tratamento não está vinculado exclusivamente à habilidade do ortodontista em controlar a mecânica ortopédica/ortodôntica. Entram em ação variáveis importantes como a cooperação do paciente e variáveis complexas como a magnitude e a direção de crescimento da mandíbula ao longo do tratamento. A variável “crescimento” está completamente fora da possibilidade de controle do profissional. O crescimento desfavorável, quer em magnitude, quer em direção, compromete os resultados do tratamento instituído.

CONCLUSÃO DO ESTUDO

A partir da análise dos resultados obtidos, pode-se verificar que, em crianças com má oclusão Classe II, divisão 1, Padrão II, em crescimento:

1) Não existe dimorfismo sexual na morfologia da face. O comportamento das grandezas cefalométricas angulares independe da variável gênero.

2) As grandezas que representam o comportamento sagital e vertical da mandíbula mudam com significância estatística.

3) O comportamento das grandezas cefalométricas sugere avanço mandibular e rotação no sentido anti-horário durante o crescimento facial.

4) A convexidade facial diminui com a idade.

5) A despeito do maior crescimento da mandíbula em relação à maxila, não há melhora no padrão facial.

6) A morfologia facial está definida precocemente e é mantida durante o crescimento, configurando o determinismo genético na determinação do arcabouço esquelético.


Link do artigo na integra via Scielo:

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Carnaval !!!!!!!!!!


Como um bom Baiano, peço licença aos leitores do BLOG, para uma "parada técnica" após a Quarta - feira de cinzas retornaremos as postagens diarias. Um ótimo carnaval para todos e venham se divertir no Carnaval de Salvador !!!


Abraço a todos,

Marlos Loiola


"Carnaval é o instante em que as pessoas se libertam das cordas, que as prendem durante o resto do ano no compromisso com a sociedade."

Eliane de Oliveira
Link do evento:

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Noticias do BLOG



O Instituto de Ensino e Pesquisa – IEP da Rede São Camilo promoverá no dia 27 de fevereiro o I Simpósio de Cirurgia e Traumatologia Buco Maxilo Facial dos Hospitais São Camilo de São Paulo.

Trata-se de uma excelente oportunidade para troca de experiências, bem como para conhecer melhor as atividades realizadas por esta especialidade da Odontologia, que tem por objetivo prover o diagnóstico e tratamento de doenças, traumatismos, lesões e anomalias, congênitas e adquiridas, do aparelho mastigatório e anexos, assim como estruturas crânio-faciais associadas.

O simpósio contará com a participação de profissionais convidados de renome e abrirá espaço para o debate de temas importantes da área, tais como reconstruções ósseas (patologias na área de buco maxilo/reconstruções cirúrgicas), traumatologia (o que o cirurgião buco maxilo deve saber frente ao politraumatizado, e tratamento das fraturas complexas), e cirurgia ortognática (evolução cirúrgica do tratamento, planejamento e tratamento das deformidades dento-faciais).

O evento é dirigido a profissionais da área e estudantes. Participe! As inscrições já estão abertas!

Conheça a programação:

8h - Welcome Coffee / Credenciamento
8h15- Abertura Oficial - Dr. Clystenes Odyr Soares Silva
8h25 - Introdução ao serviço de buco maxilo em rede - Dr. Sérgio Eduardo Migliorini

Módulo I - Reconstruções Ósseas
8h35 - Cirurgia reconstrutiva buco maxilo facial - Dr. George Boraks
9h15 - Diagnóstico e tratamento das infecções odontogênicas - Dr. Igor A.Berenguel
9h55 - Debate - Dr. Sérgio Eduardo Migliorini
10h15 - Coffee Break

Módulo II - Traumatologia
10h30 - Atendimento básico ao politraumatizado - Dr. Francisco Rogério A. de Menezes
11h10 - Tratamento das fraturas panfaciais - Dr. Paulo de Tarso A. Cassis
12h - Debate - Dr. Sérgio Eduardo Migliorini
12h15 - Almoço

Módulo III - Cirurgia Ortognática
14h - Evolução da cirurgia ortognática - Dra. Angela Alves de Aguiar Goto
14h40 - Tratamento cirúrgico das deformidades dento-faciais - Dr. Fabio Augusto Cozzolino e Dra. Taisa Maria Mendes Matuiama15h15 - Possibilidades de reconstrução de maxila atrofica - Dr. Flavio de Avila Kfouri
15h50 - Tratamento ortodôntico cirúrgico da assimetria facial - Dr. Mário Francisco Real Gabrielli
16h30 - Debate - Dr. Sérgio Eduardo Migliorini
17h - Encerramento

I Simpósio de Cirurgia Buco Maxilo Facial. Participe!
Data: 27 de fevereiro de 2010
Público-alvo: Profissionais da área e estudantes
Local do evento: Novotel Jaraguá
Endereço: Rua Martins Fontes, 71 - Bela Vista - São Paulo
Informações e Inscrições: (11) 3677-4405
E-mail : iep@saocamilo.com]
Investimento: Profissionais - R$ 80,00 / Estudantes - R$ 40,00


Link do evento:

http://www.saocamilo.com/cliente/noticias_read.asp?id=400

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Comparação da utilização do Invisalign por Ortodontistas e Clinicos Gerais


Neste artigo de 2010, publicado pela Angle Orthodontist, pelos autores José Vicéns; Antonino Russo; do Department of Orthodontics and Pediatric Dentistry, School of Dental Medicine, State University of New York at Stony Brook, Stony Brook, Nova Iorque. Mostra uma pesquisa comparativa entre Ortodontitas e Clinicos Gerais com a utilização do Invisalign.

Este estudo foi realizado com o intuito de testar a hipótese de que não há diferença no uso de Invisalign entre ortodontistas e clínicos gerais.

Um questionário foi enviado a todos os prestadores credeciados pela Invisalign dentro de um raiode 35-milhas da Universidade Stony Brook. As respostas foram analisadas estatisticamente. O nível de significância foi fixada em P< .05.

Os Ortodontistas iniciaram mais casos com o Invisalign (P< .0001). Os clínicos gerais começaram mais casos Invisalign nos últimos 12 meses (P = .0012). Para ambos os grupos, a percentagem de casos iniciados nos últimos 12 meses foram inversamente relacionados ao número de anos por profssionaiscertificados pela Invisalign (P< .0001). Diferenças significativas na opinião (P< .001) foram observadas entre ortodontistas e clínicos gerais, em relação ao nível de experiência necessária para tratar uma má oclusão Classe I com um grande diastema, e um caso de Classe II, subdivisão a ser tratada com Invisalign.

A hipótese foi rejeitada. O uso de Invisalign por ortodontistas e profissionais clinicos gerais foram comparados e foram encontradas diferenças significativas.


Link do artigo na integra via Angle Orthodontist:
http://www.angle.org/doi/pdf/10.2319/052309-292.1

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Avaliação ortopantomográfica das angulações mesiodistais de caninos, pré-molares e molares inferiores com e sem a presença dos terceiros molares




Neste artigo de 2009, publicado pela Revista Dental Press, pelos autores Rodrigo Castellazzi Sella, Marcos Rogério de Mendonça, Osmar Aparecido Cuoghi; do departamento de Odontologia Infantil e Social, Disciplina de Ortodontia Preventiva, da Faculdade de Odontologia de Araçatuba – Unesp - São Paulo. Compara os valores médios normais das angulações mesiodistais dentárias, propostos por Ursi, em 1989, com as angulações mesiodistais de caninos, pré-molares e molares inferiores em indivíduos com e sem a presença dos terceiros molares inferiores e idades entre 18 e 25 anos.

Ao longo da história da Ortodontia, foram demonstradas diferentes formas de se obter a angulação correta dos dentes ao término do tratamento ortodôntico. Primeiro por meio de dobras artísticas nos fios, seguidas por braquetes soldados angulados nas bandas, de acordo com Holdaway, e culminando na mais recente evolução para obtenção desse objetivo da Ortodontia: os braquetes totalmente ajustados desenvolvidos por Andrews, que incorporam aos braquetes padrão os requisitos necessários para obtenção das “seis chaves para a oclusão normal”, dispensando, em grande parte dos casos, a maioria das dobras nos arcos.

A busca contínua pela angulação dentária adequada, no sentido mesiodistal, ocorreu em virtude do posicionamento dentário constituir um fator extremamente importante para que a estabilidade do sistema estomatognático possa ser mantida por meio da neutralização das forças oclusais em função normal.

Nesse sentido, a componente anterior de forças está intimamente relacionada com pontos de contatos dentários bem definidos, dependentes de uma inclinação axial correta e do relacionamento da oclusão de um dente contra dois dentes. Assim, a inclinação axial adequada deve estar incluída nos objetivos do tratamento ortodôntico, pois está diretamente relacionada com o alinhamento dentário, além de tratar-se de um fator determinante para a manutenção em longo prazo dos resultados atingidos com o tratamento.

A ortopantomografia, frequentemente denominada radiografia panorâmica, constitui um método auxiliar de diagnóstico que permite a visualização de uma série de estruturas anatômicas e fatores relevantes à Odontologia, de forma que o próprio nome sugere a visualização de um panorama geral do sistema estomatognático. A simplicidade de operação dos aparelhos e o grande número de informações obtidas, em conjunto com o conforto para o paciente e pequena quantidade de exposição à radiação, fazem da ortopantomografia um instrumento muito utilizado na Odontologia e em especial na Ortodontia, que desenvolveu métodos para utilizá-la na avaliação das angulações dentárias mesiodistais.

Existem duas linhas de raciocínio que concernem o desenvolvimento dos terceiros molares. A primeira, mais antiga, afirma que esses dentes são capazes de causar interferências, gerando certas irregularidades no posicionamento dos dentes adjacentes. Contudo, a segunda linha apregoa que os terceiros molares não apresentariam essa capacidade de proporcionar tantos efeitos deletérios.

Em 1989, Richardson inferiu que a pressão exercida na região posterior e a presença do terceiro molar podem constituir as causas do apinhamento tardio no arco inferior, mas explicou que existem outros fatores etiológicos envolvidos. Cinco anos depois, a mesma autora explicou que o crescimento mandibular tardio, a maturação dos tecidos moles, as forças periodontais e as estruturas dentárias e esqueléticas, bem como os fatores oclusais e o padrão de crescimento, são a essência multifatorial para a alteração do posicionamento dos dentes inferiores.

Os objetivos do tratamento ortodôntico dependem de alguns fatores e, dentre eles, encontra-se a
angulação dentária mesiodistal correta, destacada por Andrews em seu artigo clássico publicado em 1972. Os longos eixos dentários, quando posicionados corretamente, fornecem condições adequadas para que o equilíbrio oclusal seja atingido e estabelece-se como um importante requisito para a obtenção da estabilidade dos resultados gerados pelo tratamento.

Dessa forma, a busca pela angulação dentária mesiodistal semelhante à da oclusão normal deve-se ao fato dessa oclusão apresentar harmonia entre os componentes do sistema estomatognático.
Nesses casos, os longos eixos dentários apresentam-se, de acordo com sua localização no arco, angulados com as raízes para distal em níveis variados. O espaço para cada dente varia conforme
essas angulações, que geram contatos proximais justos, além de um relacionamento adequado no
sentido anteroposterior.

Quando as angulações mesiodistais encontram-se inadequadas, a possibilidade de ocorrência de reabertura de espaços fechados por meio do tratamento ortodôntico aumenta, em decorrência do
paralelismo radicular incorreto. O aumento dessas angulações pode, ainda, compensar certas discrepâncias de tamanho dentário interarcos e otimizar a estabilidade do alinhamento dentário na região anteroinferior.

Quanto à estabilidade do posicionamento dentário obtido por meio do tratamento ortodôntico e ocorrência de recidiva, Ferrario et al. explicaram que a alteração da angulação dentária relacionada com a idade pode ser o efeito de um deslocamento mesial progressivo.

A busca para obtenção clínica da angulação axial mesiodistal correta envolveu desde alterações no posicionamento dos braquetes até a sua incorporação nos acessórios. Pesquisas que compararam a efetividade de técnicas, investigações concernentes ao posicionamento mesiodistal
dos incisivos permanentes superiores na fase de dentadura mista e estudos que avaliaram a obtenção das angulações axiais corretas comparando-as ao início e ao término do tratamento reiteram a importância do assunto.

Para esse estudo prospectivo, a amostra constou de 40 radiografias ortopantomográficas de indivíduos adultos brasileiros de ambos os gêneros, entre 18 e 25 anos de idade, que não haviam recebido tratamento ortodôntico e apresentavam todos os dentes, com exceção dos terceiros molares, que estavam ausentes em metade da amostra devido à agenesia.

Dessa forma, as radiografias foram distribuídas em dois grupos, sendo o Grupo I constituído por 20 radiografias com ausência dos terceiros molares inferiores devido à agenesia, enquanto o Grupo II foi formado a partir de 20 radiografias com os terceiros molares inferiores presentes. As figuras 1 e 2 exibem radiografias panorâmicas de integrantes do Grupo I e do Grupo II, respectivamente, e permitem a visualização das duas condições analisadas.


Conclusão do estudo

Os Grupos I e II, com e sem a presença dos terceiros molares inferiores, compostos por indivíduos que nunca haviam recebido tratamento ortodôntico e apresentavam má oclusão, quando comparados com o Grupo Controle de oclusão normal, exibiram:

- Pré-molares e molares inferiores mais angulados mesiodistalmente.

- Caninos inferiores com angulações mesiodistais semelhantes.

Os dois grupos avaliados apresentaram valores das angulações mesiodistais de caninos, pré-molares e molares inferiores semelhantes, de modo que:

- A presença dos terceiros molares não exerceu influência sobre essas angulações dentárias.

- A maior angulação mesiodistal nos pré-molares e molares inferiores de ambos os grupos sugere
que essa é uma característica relacionada com os fatores inerentes à má oclusão e muito pouco envolvida com os terceiros molares.


Link do artigo na integra via Scielo:

http://www.scielo.br/pdf/dpress/v14n6/a12v14n6.pdf


domingo, 7 de fevereiro de 2010

Pensamento da Semana


"A amizade é o conforto indescritível de nos sentirmos seguros com uma pessoa, sem ser preciso pesar o que se pensa, nem medir o que se diz."



1819 - 1880


Link sobre a autora:

sábado, 6 de fevereiro de 2010

A influência da respiração oral na oclusão dentária: uma visão geral da literatura






Neste artigo de 2008, publicado pela ACTA ORL/Técnicas em Otorrinolaringologia, pela autora Edna Namiko Izuka, cirurgiã-dentista do Hospital da Cruz Vermelha - Filial do Paraná; Verifica os aspectos diagnósticos e preventivos da má oclusão dentária secundária à respiração oral na Literatura científica.

Os primeiros relatos sobre os efeitos nocivos da respiração oral datam de 1861, quando um artista americano, George Catlin, chamando a atenção para este problema, publica uma matéria intitulada “Má respiração ou respiração da vida”. Já no início do século XX, alguns autores acreditavam que a característica estrutural e funcional da dentadura humana era produto de um sistema complexo de inter-relações entre estruturas que incluíam os maxilares, os processos alveolares, arcos dentários, músculos, lábios, bochechas, língua, vias aéreas nasais, palato e garganta. Segundo Angle, a respiração oral poderia vir a ocasionar deformações estruturais, se estas alterações estivessem ocorrendo num período importante de crescimento. Até 1950, acreditava-se que o crescimento do esqueleto craniofacial era geneticamente pré-determinado. “Um padrão de crescimento imutável semelhante aos ossos longos governa o crescimento do crânio e da face”.

Os tecidos moles craniofaciais por sua vez, são então reconhecidos como um fator decisivo no estabelecimento da oclusão dentária; notando-se que indivíduos portadores de obstrução nasal, que apresentam uma posição inferiorizada da mandíbula, tendiam a apresentar uma respiração oral compensatória, impedindo a língua de ocupar sua posição normal na abóboda palatina, dando margem ao desenvolvimento de uma má oclusão.

Nesta mesma época, estudos em pacientes respiradores orais, mostram resultados controversos, indicando que a obstrução da função respiratória pode estar relacionada a vários tipos faciais, e que, nem todo paciente respirador oral apresenta o fácies denominado “adenoideano”, e vice versa.

Além da obstrução das vias aéreas superiores por diferentes motivos, o tipo físico, como por exemplo, a predisposição anatômica dos indivíduos longelíneos, começa a ser valorizada com fator determinante de respiração oral.

Estudo sobre o padrão facial em respiradores orais, portadores de hipertrofia da tonsila palatina, quando comparado com o grupo controle de indivíduos respiradores nasais demonstrou que, os respiradores orais apresentavam aumento da altura facial total e da altura antero-inferior, uma menor profundidade sagital da nasofaringe e posição inferiorizada da língua. Após a remoção cirúrgica da adenóide houve uma normalização da profundidade sagital da nasofaringe e da inclinação do plano mandibular em relação à maxila. Segundo os autores, a manutenção crônica da boca aberta teria tornado possível o crescimento da mandíbula para baixo e para trás. Esta teoria foi também compartilhada por outros estudiosos que acreditavam e postulavam que quando as narinas ficam totalmente bloqueadas, a cabeça giraria para trás cerca de 5°, aumentando a separação dos maxilares. Estes se separam muito mais pela elevação da maxila devido à inclinação para trás da cabeça, do que pela depressão da mandíbula. Quando a obstrução é removida, a postura da cabeça retorna à sua posição original.

Em estudo da oclusão versus respiração em crianças respiradoras orais e respiradoras nasais, observou-se um posicionamento inferior e anterior da língua, maior inclinação do plano mandibular e um aumento da altura facial antero-inferior. A posição da língua passa também ser considerada um fator importante no diagnóstico de certas condições clínicas como na mordida cruzada dentoalveolar anterior, na biprotrusão alvéolo dental e no prognatismo mandibular. Alguns autores observaram que estas condições clínicas poderiam estar associadas com a posição da língua para frente ou com tonsilas palatinas hipertróficas.

Segundo Silva Filho et. al., nos respiradores nasais a dimensão do espaço aéreo nasofaringeano não influencia na morfologia craniofacial, porém, a partir do momento em que a obstrução mecânica compromete a função respiratória, o espaço passa a guardar uma relação mais estreita com a mesma. Por meio de registros cefalométricos, Behlfelt et. al., analisaram as diferenças da postura de cabeça, do osso hióide e da língua, entre crianças com e sem tonsilas palatinas hipertrofiadas, levando-se em consideração a postura natural da cabeça. Comparados os resultados dos dois grupos, constataram que crianças portadoras de tonsilas palatinashipertrofiadas apresentavam postura estendida da cabeça, posição mais baixa do osso hióide e postura mais anterior e inferior da língua em relação ao grupo controle. Concluíram que o padrão postural das crianças com tonsilas palatinas hipertrofiadas provavelmente estaria associado à necessidade de manter a passagem aérea orofaringeana livre.

Em estudos com indivíduos com face normal e face longa, os resultados demonstraram que os indivíduos com face longa apresentavam incidência significantemente maior de respiração oral que os indivíduos com face normal. Por outro lado, há evidências de que o modo de respiração pode nem sempre estar relacionado à capacidade das vias aéreas, ou seja, vias aéreas nasais impedidas invariavelmente resultam em alguma respiração bucal, o inverso nem sempre se aplica. Outros estudos realizados com um grande número de crianças portadoras de obstrução grave das vias aéreas superiores têm demonstrado alta freqüência de mordida cruzada posterior tanto na dentição decídua como na permanente, particularmente naquelas com tonsilas palatinas
hipertrofiadas.

Com a finalidade de analisar a postura corporal em crianças respiradoras orais, pesquisadores concluíram que alterações posturais ocorrem igualmente em ambos os sexos, e que para crianças de até oito anos de idade, não se evidenciam diferenças estatísticas, mas, porém, a partir dos 8 anos de idade o numero de alterações é estatisticamente maior nos respiradores orais do que nos respiradores nasais. Crianças respiradoras nasais apresentam uma maior harmonia corporal do que crianças respiradoras orais.

Em relação a alterações comportamentais, embora alguns resultados sejam controversos, acredita-se que respiradores orais, particularmente entre aqueles em que distúrbios do sono estão associados, apresentam um índice elevado de comprometimento da atenção e memória.

Embora ainda controversa em muitos aspectos, particularmente no que se refere às características genéticas e ou adquiridas das más oclusões, a literatura é praticamente consensual ao considerar os fatores etiológicos mais importantes da respiração oral, incluem a obstrução mecânica do nariz, da faringe e os hábitos orais. E que quando a obstrução mecânica é resolvida, e o hábito persiste, a má oclusão e a propensão às alterações funcionais são observadas na maioria dos casos.

Os problemas ortodônticos mais freqüentemente observados no respirador oral são a mordida cruzada, palato ogival, protrusão da maxila, retrusão da mandíbula e altura facial anterior aumentada. O diagnóstico e a intervenção precoce das alterações respiratórias podem evitar transtornos futuros para o complexo craniofacial.

A abordagem do respirador oral deve ser multidisciplinar, necessitando de avaliação de vários profissionais da saúde, incluindo otorrinolaringologista, ortodontista, fonoaudióloga, fisioterapeuta, odontopedriatra e alergista entre outros.


Link do artigo na integra via ACTA orl:

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Osteonecrose dos Maxilares Associada ao Uso de Bisfosfonatos: Revisão da Literatura e Apresentação de um Caso Clínico.





Neste artigo de 2009, publicado pela Revista Portuguesa de Estomatologia, Medicina Dentária e Cirurgia Maxilofacial, pelos autores Leandro Napier de Souza, Ana Cristina Rodrigues Antunes de Souza, Vanessa Flávia Arruda Mari, Ana Paula Nogueira Borges, Rodrigo López Alvarenga; da Cirurgia Buco-Maxilo-Facial do Centro Universitário Newton Paiva, Belo Horizonte, Brasil; Este estudo teve como objetivo realizar uma revisao de literatura sobre o assunto, levando em consideração os fatores etiologicos, os mecanismos de ação destes medicamentos, seus efeitos adversos e possiveis tratamentos, alem de descrever um caso clinico.



A osteonecrose dos maxilares (ONM) e uma alteracao patologica ossea que pode ser ocasionada pelo uso crônico de medicamentos da classe dos bisfosfonatos. Trata-se de uma complicação bucal relativamente desconhecida e que tem chamado a atencao dos profissionais nos ultimos anos. Essa alteração tem sido associada a uma grande variedade de agentes causais em pacientes oncologicos, incluindo quimioterapia, radioterapia, uso de corticoides, alem do uso dos bisfosfonatos. Pamidronato e Zoledronato sao bisfosfonatos nitrogenados muito utilizados no tratamento oncologico, que se caracterizam pelo acumulo e permanencia na matriz ossea por longos periodos, sendo este fato crucial para o desenvolvimento da osteonecrose dos maxilares. Varios medicamentos da classe dos bisfosfonatos estao disponiveis no mercado, sendo classificados por suas gerações.


Essas drogas sao geralmente bem toleradas e associadas a poucos efeitos adversos quando administradas por um periodo curto de tempo. Nos casos de uso cronico, diversas complicações renais e hepaticas, alem de osteonecrose dos maxilares, tem sido observadas. A osteonecrose, quando instalada, e de dificil tratamento e frequentemente persiste por um longo periodo. Actualmente o tratamento e focado no controle da progressão do quadro e procura limitar os efeitos da infeccao secundaria, por meio de terapia antibiotica prolongada, limpeza da area com antissepticos topicos (Clorexidina 0,12%), e pequenas intervenções em regime de ambulatorio de debridamento local. Inumeros sao os tratamentos propostos na literatura, como por exemplo: uso de Plasma Rico em Plaquetas (PRP) autologo, oxigenoterapia hiperbarica, laser de baixa potência, antibioticoterapia e uso de cortióides. Esses tratamentos visam a uma melhora definitiva desta complicação, porem nao existem relatos na literatura que comprovem a sua eficacia absoluta.


Os bisfosfonatos sao farmacos inibidores da reabsorção ossea que sao utilizados no tratamento do mieloma multiplo, de metastase ossea e de hipercalcemia maligna, aumentando a sobrevida e a qualidade de vida destes pacientes. Esses medicamentos tambem sao utilizados na prevenção e tratamento de osteoporose e de algumas enfermidades osseas, como a doença de Paget.


Os bisfosfonatos afetam a atividade metabolica do ossonos niveis teciduais, celulares e moleculares. No nivel do tecido, os marcadores bioquimicos demonstraram uma redução no turnover osseo e na reabsorção. A alteracao na formacao do osso e ditada pelo grau em que o turnover osseo e inibido, ja que os dois processos sao ligados. Os bisfosfonatos agem no nivel celular, tendo como objetivo os osteoclastos e interrompendo sua fução de varias formas. Eles inibem o recrutamento de osteoclasto, reduzindo- o, alem de inibirem tambem sua atividade na superficie do osso, afetando a reabsorção ossea. Em termos moleculares, estudos sugerem que a funcao osteoclastica e alterada pela interação dos bisfosfonatos com um receptor da superficie da celula ou uma enzima intracelular. Essas drogas ligam-se avidamente as lacunas de absorção ossea e, por nao serem metabolizadas, altas concentrações sao mantidas nos ossos por longos periodos, sendo internalizadas pelos osteoclastos e inibindo a reabsorção ossea. O mecanismo exato de inibição dos osteoclastos ainda nao foi completamente elucidado, mas o bisfosfonato parece ter tambem um efeito antiangiogenico.



Durie et al., em 2005, realizaram uma pesquisa em 812 pacientes com mieloma multiplo, identificando 46 individuos (5,7%) com osteonecrose mandibular, e 46 com suspeita de osteonecrose, perfazendo um total de 92 pacientes (11,4%), determinando que o risco de desenvolver osteonecrose e tempo-dependente, sendo mais significativo a partir dos 12 meses (P= 0,03), aumentando depois dos 36 meses (P= 0,004) de uso. Este estudo observou tambem que a utilizacao de predinisona nestes pacientes representa um risco imediato e nao tempo-dependente.


Uma importante serie de casos encontrada na literatura foi publicada por Ruggiero et al., em 2004, que relataram 63 casos de osteonecrose maxilar associada ao uso de bisfosfonatos. A doenca de base mais frequente foi de mieloma multiplo (28 pacientes), seguido de cancer de mama (21 pacientes), cancer de prostata (03 pacientes) e outras doencas malignas (05 pacientes). Sete pacientes, tambem, faziam uso de bisfosfonatos para tratamento de osteoporose, sem terem tido diagnostico de doencas malignas ou terem passado por quimioterapia. Neste estudo, o autor relata que 39 pacientes tiveram osteonecrose na mandibula e 23 na maxila, sendo que um paciente apresentou osteonecrose tanto na maxila como na mandibula. Outro fato importante e que 54 pacientes relataram historia de extração dentaria recente no local da necrose, enquanto que 9 pacientes apresentaram exposição ossea espontanea.



Os bisfosfonatos vem sendo cada vez mais utilizados, devido ao numero crescente de indicacoes para tratamento de diversas condições, mostrando-se eficazes e eficientes.



Diversos sao os estudos realizados acerca do diagnostico e de possiveis tratamentos da osteonecrose. Estudos como o de Ruggiero et al., Marx e Bagan et al., mostram o uso comum de Pamidronato e Zoledronato, em pacientes com necrose ossea dos maxilares. O factor desencadeador de tal enfermidade e ainda discutido na literatura pelo fato de o mecanismo de ação destes medicamentos nas estruturas osseas nao estar bem explicado.



O menor suprimento sanguineo da mandibula, associado a diminuicao do aporte sanguineo provocada pela ação antiangiogenica dos bisfosfonatos, poderia explicar a predileção pela mandibula no desenvolvimento da osteonecrose.



Segundo as fontes consultadas seria prudente considerar todos os pacientes que utilizem bisfosfonatos como de risco para o desenvolvimento de osteonecrose, sendo que a magnitude do risco variaria com o consumo individual do medicamento, fatores do paciente e historico de tratamento odontologico. A casuistica actual sugere que pacientes usuarios de bisfosfonatos intravenosos tem risco maior de desenvolver a osteonecrose do que os que os utilizam pela via oral, mas os que fazem uso por via oral nao devem ser descartados como de risco ao desenvolvimento de osteonecrose.



De acordo com a literatura os autores concluiram que:


• O uso cronico de medicamentos da classe dos bisfosfonatos pode levar a osteonecrose dos maxilares, de causa ainda desconhecida;


• Qualquer intervencao odontologica ossea pode desencadear o processo;


• Não ha relatos de tratamentos eficazes para a osteonecrose;


• Não ha evidencias de prevalencia entre os sexos;


• Conforme regulamentação das agencias de saude, os fabricantes destes medicamentos disponibilizam, na bula, informações quanto a necessidade de acompanhamento odontologico previo ao tratamento com bisfosfonatos;


• Os profissionais devem estar cientes das complicacoes advindas do uso destes medicamentos, bem como orientar e acompanhar seus pacientes para que possiveis complicaçõs possam ser aceitas e administradas.





Link do artigo na integraa via SPEMD:



quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

A trajetória da Ortodontia no Brasil e os 50 anos da SPO Parte 03








Neste artigo de 2009, Publicado pela Revista Ortodontia SPO; pelo autor Adilson Fuzo; Mostra que o boom experimentado pela Ortodontia nos anos 60 continuou ecoando na década seguinte, com mais instituições de ensino criando cursos de pós-graduação, novas instituições sendo criadas e os ortodontistas paulistas consolidando sua posição no cenário nacional. A década de 70 foi muito importante também para a SPO que adquiriu sua sede na Rua do Livramento e lançou seu curso de especialização.



A década de 1960 proporcionou um vigoroso salto qualitativo para a Ortodontia brasileira. Uma contribuição significativa para esse desenvolvimento veio do Estado de São Paulo, onde existiam dois fortes núcleos de ensino da especialidade em cursos de pós-graduação, sendo um deles na capital, na Universidade São Paulo (USP), coordenado por Sebastião Interlandi a partir de 1966; e outro no interior do Estado, na Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP), sob o comando de Manuel Carlos Müller de Araújo, a partir de 1962.


Paralelamente, o núcleo de ortodontistas do Rio de Janeiro seguia com seu trabalho na formação de profissionais na área, num trabalho encabeçado – no campo científico – por José Édimo Soares Martins, na coordenação do curso de pós-graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e – no campo associativo – pela Sociedade Brasileira de Ortodontia (SBO).


Ao final desta década, no entanto, a mobilização que se mais destacava era em torno das atividades da Sociedade Paulista de Ortodontia (SPO). A dedicação e o empenho de alguns membros contribuíram decisivamente para o aperfeiçoamento de vários profissionais nesse período (tanto de São Paulo como de outros estados) ao promover a vinda de grandes nomes da Ortodontia internacional para o Brasil, como os norteamericanos Earl W. Renfroe, Ernest H. Hixon, Allan G. Brodie e Quentin M. Ringenberg, os argentinos Roman Santini e Hector A. Tarasido, o uruguaio Carlos Garcia Novaes, entre outros.


A presença desses expoentes no país acontecia não só por meio de cursos avulsos, mas também nos primeiros eventos de grande porte realizados pela SPO, como o I Congresso Paulista de Ortodontia, realizado em 1968. A edição inaugural do evento, que acontece até hoje foi um verdadeiro marco para a especialidade, contando com a participação de mais de 800 cirurgiões-dentistas de todos os cantos do país. Neste mesmo ano, a SPO lançou a primeira publicação científica da área no Brasil, a revista Ortodontia.

A área de Educação permaneceu em franca expansão durante esse período, com cada vez mais instituições se dedicando ao ensino da Ortodontia – fenômeno esse que se multiplicaria brutalmente, sobretudo a partir da década de 1990. Em 1973, um novo importante centro de ensino da especialidade se formou no interior paulista, na Faculdade de Odontologia de Bauru, com a coordenação de Décio Rodrigues Martins. Instituições particulares levaram a Ortodontia também para outros pontos da capital, como fez em 1976 a Organização Santamarense de Educação e Cultura (Osec) –, hoje Universidade Santo Amaro.


Para coordenar o curso, os donos da Osec convidaram Flávio Vellini Ferreira que, diferentemente da maioria dos ortodontistas, havia conduzido sua carreira acadêmica com foco maior nos aspectos biológicos ligados à Ortodontia.



Também no ano de 1976, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) criou seu curso de especialização, o que significou mais um importante passo para o desenvolvimento da Ortodontia, sendo a primeira instituição a romper os limites do eixo Rio-São Paulo no ensino da especialidade. Vale lembrar que, ao longo dessa década, as demais instituições pioneiras no ensino da Ortodontia conseguiram elevar seus cursos para o nível de strictu-sensu.


A alta frequência de alunos de outros estados em cursos no Rio de Janeiro e em São Paulo eram um claro indício de que a Ortodontia estava se esparramando pelo território nacional rapidamente. Mais do que isso, a criação da Sociedade Paranaense de Ortodontia, em 1972, e da Sociedade Gaúcha de Ortodontia, em 1975, demonstrava que esses ortodontistas estavam se organizando fortemente em seus estados de origem e consolidando a prática ortodôntica nessas regiões. O intercâmbio entre a SPO e os colegas de cidades distantes era mais intenso durante os eventos como o III Congresso Paulista de Ortodontia em 1975, já durante o início da gestão de Osny Corrêa.



A Ortodontia havia definitivamente deixado de ser uma atividade marginal na Odontologia, como acontecia nos anos 1950. Um reflexo desse novo momento foi o lançamento em 1977 da segunda obra da especialidade em língua portuguesa, "Ortodontia: bases para a iniciação", de autoria de Sebastião Interlandi. Até a chegada deste título, a única opção de literatura nacional que o ortodontista brasileiro dispunha era o "Ortodontia", de Carlos Alves da Costa, lançado em 1939.


Junto com a especialidade, cresceu também o mercado brasileiro de materiais ortodônticos. Nas primeiras décadas, quase tudo que era usado pelos ortodontistas vinha do exterior. A maior responsável pela importação dessa quantidade imensa de itens era uma argentina que vivia no Brasil chamada Pilar Ostivar. Além de se notabilizar como a criadora da Brasil Orthodontic, a única empresa autorizada a representar a marca Unitek no Brasil, Pilar também deu uma importantíssima contribuição para a Odontologia nacional ao ajudar na implantação da Escola de Aperfeiçoamento Profissional da APCD.


Para completar o cenário, Júlio Wilson Vigorito assumiu a presidência da SPO em 1979. Quais seriam os novos desafios que ele encontrará na próxima década? Como o curso de especialização da entidade vai reagir aos novos tempos? O que acontecerá com a indústria nacional diante de uma economia cada vez mais instável?





Link do artigo na integra via OrtodontiaSPO:
http://www.ortociencia.com.br/revista_ortodontiaspo/PDF_V42_03/ortoinformacao/v42_n3_ortoinformacao01.pdf



quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Influência do pré-estiramento nas forças geradas por elásticos ortodônticos em cadeia




Neste artigo de 2008, publicado pela Revista Ciência Odontologica Brasileira, pelas autoras Mariana Martins e MARTINS; Tatiana Araújo de LIMA; Cláudia Maria de Oliveira SOARES; da Disciplina de Ortodontia da Universidade Veiga de Almeida e da Ortodontia da FO-UERJ- niversidade Estadual do Rio de Janeiro– Rio de Janeiro – RJ - Brasil. Avalia a influência dos rocedimentos de estiramento de forma única e múltipla nas velocidades de 5,0 mm/minuto e 0,0 mm/minuto no grau de degradação da força gerada por elásticos em cadeia na cor cinza da marca comercial American Orthodontics.

Os elásticos em cadeia apresentam-se em três configurações básicas: cadeia curta, média e longa,
sendo utilizados com muita freqüência nos procedimentos clínicos ortodônticos referentes à correção de giro-versões, retração de caninos, correção do desvio da linha média e no fechamento de espaços em geral. (ANDREASEN e BISHARA, 1970; BATY et al, 1994; HUGET e PATRICK, 1990; ROCK et al, 198; SANTANA, 1977). Os elásticos além de serem práticos e eficientes, possuem baixo custo, menor tempo de cadeira para o paciente, podem ser facilmente e rapidamente colocados, estão disponíveis em uma grande variedade de cores e são confortáveis para o paciente (MATTA e CHEVITARESE, 1997; ROCK et al, 1985; TALOUMIS et al, 1997; YOUNG e SANDRIK, 1979).

Contudo, os elásticos em cadeia são elastômeros e portanto possuem também como característica a capacidade de retornar rapidamente às suas dimensões originais após sofrerem deformação substancial (BATY et al, 1994; JOSELL et al, 1997; MORTON, 1995), apresentando como principal desvantagem uma rápida degradação de força gerada devido à diminuição da tensão, resultando na perda gradual da sua efetividade e dificultando a transmissão de uma força constante à dentição.

A degradação da força gerada por esses materiais pode sofrer influência de diversos fatores como
a adição de corantes, a configuração das cadeias, a velocidade e quantidade de ativação, (BERTL et al, 1986; FERRITER et al, 1990; TALOUMIS et al, 1997), a exposição à luz, ao ar, à água, ao ozônio, às enzimas, aos diferentes tipos de alimentos, aos produtos químicos de higiene, à ação física da mastigação, às alterações no pH salivar e a possibilidade de pré-estiramento antes do seu uso (BATY et al, 1994; BISHARA et al, 1970; FERRITER et al, 1990; FRAUNHOFER et al, 1992; HUGET e PATRICK, 1990; JEFFERIES et al, 1991; JOSSEL et al, 1997; KUSTER et al, 1986; MATTA et al, 1997; SANTANA, 1977; STEVENSON e KUSY, 1994).

O procedimento de pré-estiramento dos elásticos em cadeia antes de sua aplicação clínica é um recurso mecânico utilizado para evitar uma queda brusca na força liberada pelo elástico após sua fixação nos elementos dentários a serem movimentados. Os elásticos podem ser estirados em diferentes velocidades (lenta ou rápida), com variação da distenção em relação ao seu comprimento inicial (50%, 75% ou 100% do seu comprimento inicial), havendo também inúmeros meios nos quais os elásticos estirados são mantidos antes da sua utilização (em saliva artificial, no ar e em água destilada), (BATY et al, 1994; STEVENSON e KUSY, 1994; YOUNG e SANDRICK, 1979; WONG, 1976).

O conhecimento sobre as alterações nas propriedades mecânicas dos elásticos em cadeia sob influência dos procedimentos de pré-estiramento, é de grande interesse para o emprego desses materiais, uma vez que são importantes auxiliares na execução do tratamento ortodôntico, além de ser um material amplamente utilizado na prática clínica, sendo extremamente desejável que, durante o seu uso, continuem exercendo uma força clinicamente adequada.


Conclusão do autores com a pesuisa foi:

• Não foram constatadas diferenças estatisticamente significativas entre as formas única (uma vez) e múltipla (cinco vezes), assim como entre as velocidades lenta (5,0 mm/minuto) e rápida (50,0 mm/minuto) de pré-estiramento dos elásticos em cadeia.

• Foram constatadas diferenças estatisticamente significativas entre os grupos controle (C) – elásticos estirados em máquina de ensaio de tração e experimental (E) – elásticos estirados com pinça de separação, com maior degradação de força para o grupo controle.

• Os procedimentos de estiramento dos elásticos em cadeia, realizados através do método manual com pinça de separação mostraram-se efetivos, visto que a força liberada após os procedimentos de pré-estiramento tornou-se constante e nos níveis aceitáveis clinicamente para a movimentação dentária. Em termos práticos, o procedimento de pré-estiramento poderá ser realizado de forma única (uma vez), manual e na velocidade rápida (50,0mm/minuto).


Link do artigo na integra via FOSJ UNESP:

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Análise morfológica do arco superior de portadores de fissura labiopalatal submetidos a diferentes protocolos de expansão rápida maxilar


Neste artigo de 2009, publicado pela Revista Dental Press, pelos autores Maíra Massuia de Souza, Luciane Macedo de Menezes, Susana Maria Deon Rizzatto, Gustavo da Luz Vieira, Ricardo Damo Meneguzzi; da disciplina de Ortodontia na Faculdade de Odontologia da PUCRS - Rio Grande do Sul. Analisam, por meio de modelos de gesso, as dimensões do arco superior de 15 portadores de fissura transforame incisivo unilateral, com deficiências transversal e anteroposterior da maxila, submetidos à expansão com dois diferentes protocolos de ativação.

O fissurado transforame incisivo unilateral apresenta um crescimento maxilar diferente do indivíduo não-fissurado, em todos os sentidos, sendo que, ao nascimento, as dimensões anteroposterior e transversal da maxila se encontram aumentadas. Por volta dos três anos, as relações anteroposteriores e vertical apresentam-se próximas do normal e, a partir dessa idade até os seis anos, passa a existir uma tendência à retrusão maxilar. Uma característica desses pacientes é o perfil côncavo, resultado do retrognatismo da maxila devido à falta de crescimento anteroposterior da mesma, levando ao prognatismo mandibular relativo ou à pseudo-Classe III. Dessa forma, há alta incidência de mordida cruzada anterior, evidente na transição entre as dentaduras decídua e mista. O desenvolvimento de mordida aberta também é comum, devido à deficiência no crescimento vertical da maxila.

Após a cirurgia do lábio, realizada nos primeiros meses de vida, esses pacientes frequentemente apresentam subdesenvolvimento maxilar, envolvendo as dimensões sagital, vertical e transversal, principalmente devido à presença de cintas musculares labiais firmes e tensas, bem como de tecidos cicatriciais no palato que influenciam negativamente o crescimento, além de acarretar grande prejuízo estético e funcional.

As alterações faciais mais frequentes em quase todos os tipos de fenda, provavelmente resultantes dos atos cirúrgicos, são: retrusão da face média, distorção das estruturas alveolares e alterações na postura da mandíbula. A Ortodontia é indispensável no tratamento das sequelas maxilares provocadas pelas cirurgias, cuja gravidade está diretamente relacionada ao grau de traumatismo provocado pelas mesmas.

A maioria dos pacientes submetidos à cirurgia sem assistência ortodôntica subsequente chega à vida adulta com uma situação alterada dos seguimentos maxilares, ocasionando o desenvolvimento de más oclusões de difícil tratamento e prognóstico ruim. As mordidas cruzadas posteriores são frequentes, apresentando vários graus de severidade, envolvendo desde um único dente até o arco todo, com tendência ao agravamento durante a dentadura permanente16. A retrusão da maxila associada à mordida cruzada anterior e lateral é um achado muito comum em pacientes portadores de fissura, apesar de todo o acompanhamento e cuidados despendidos durante o tratamento.

As intervenções ortodônticas interceptativas em pacientes sob programas de reabilitação devem ser executadas após os seis anos de idade, pois nessa fase os mesmos apresentam as distâncias transversais anteriores (intercaninos) quase sempre diminuídas, acarretando o estreitamento na região anterior da maxila – prejudicial ao posicionamento da língua e, consecutivamente, ao tratamento fonoaudiológico executado nessa época. Além disso, é nessa fase que o crescimento da maxila começa a se manifestar com mais intensidade e os pacientes se mostram mais conscientes, exigentes e colaboradores com o tratamento.

Apesar de promover melhora na relação transversal dos arcos, a expansão do arco superior não reflete nenhum resultado no perfil de pacientes com fissura transforame unilateral. Dessa forma, a protracão maxilar é recomendada no tratamento da retrusão da face média, sendo instituída precocemente para tirar proveito do fato das suturas circum-maxilares estarem em crescimento ativo.

A instalação de aparelho fixo com parafuso expansor promove a expansão segmentada nos portadores de fissuras completas por meio do alargamento da fissura, sendo o efeito ortopédico resultante do posicionamento lateral dos segmentos palatinos. No indivíduo fissurado, a expansão não é seguida de formação óssea ao nível da sutura palatina mediana, devendo-se manter uma contenção após a remoção do aparelho até que um enxerto ósseo seja realizado na região.

Liou e Tsai, em 2005, propuseram um novo protocolo de ativações para a ERM, utilizando um expansor com duas dobradiças para expandir e girar os processos maxilares com centro de rotação na região da tuberosidade. O protocolo consiste em expansões e contrações alternadas semanalmente, com ativações de uma volta completa por dia, durante sete a nove semanas. Segundo os autores, os procedimentos alternados promovem a desarticulação das suturas circum-maxilares sem expandir excessivamente a maxila, sendo indicados principalmente para pacientes que não necessitam de um grande ganho transversal. Em seu estudo, dez pacientes portadores de fissura labiopalatal foram submetidos a esse protocolo durante nove semanas, sendo comparados a um grupo de 16 pacientes, também fissurados, onde foi utilizado o protocolo convencional de Haas por uma semana. No grupo submetido ao novo protocolo, foi verificado maior deslocamento anterior da maxila.

No presente estudo, quando foram comparadas as medidas transversais iniciais e finais, todas apresentaram aumento significativo, o que demonstra a efetividade dos dois protocolos de expansão instituídos. Contudo, ao se efetuar a comparação intergrupos quanto ao ganho transversal, não se encontrou diferença estatisticamente significativa. Vieira também não encontrou diferenças significativas quanto ao avanço da maxila nessa mesma amostra.


Link do artigo na integra via Scielo: