ORTODONTIA CONTEMPORÂNEA: Pistas diretas Planas: terapia ortopédica para correção de mordida cruzada funcional

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Pistas diretas Planas: terapia ortopédica para correção de mordida cruzada funcional












Neste artigo de 2005, publicado pela Revista Dental Press, pelos autores Ana Cláudia Rodrigues Chibinski, Gislaine Denise Czlusniak, Marielle Daher de Melo; da Disciplina de Odontopediatria e da Clínica Multidisciplinar de Odontopediatria e Ortodontia do Curso de Odontologia do CESCAGE e do do Curso de Mestrado em Odontologia da UEPG; Ponta Grossa -Paraná. Mostra a aplicação desta manobra clinica que visa restabeleçer o equilibrio do crescimento de um paciente com 06 anos de idade.

A má oclusão é considerada pela Organização Mundial da Saúde o terceiro problema odontológico de saúde pública. Por isso cabe ao cirurgião-dentista diagnosticar e intervir o mais precocemente possível, prevenindo o estabelecimento de alterações mais graves no sistema estomatognático em desenvolvimento.

De acordo com Silva Filho et al., cerca de 73,26% das crianças em fase de dentadura decídua possuem algum tipo de má oclusão. Os autores avaliaram a oclusão de 2016 crianças, entre 3 e 6 anos, constatando, neste levantamento epidemiológico, que metade das crianças portadoras de má oclusão (35,24%) apresentavam algum tipo de mordida cruzada (uni ou bilateral, anterior, posterior ou total).

Valendo-se desta premissa, a Ortopedia Funcional dos Maxilares (OFM) propõe a utilização das pistas diretas Planas para correção das mordidas cruzadas. Esta terapia ortopédica funcional foi desenvolvida na década de 60 por Pedro Planas e baseia-se na reabilitação neuro-oclusal em pacientes muito jovens, ainda em dentadura decídua. Esta fase compreende um estágio relativamente curto do desenvolvimento da oclusão, que em média estende-se dos 3 aos 6 anos de idade. Apesar de muito jovem, no final deste período, a criança já apresenta cerca de 75 a 80% das dimensões sagitais do adulto e a presença de alterações nas estruturas ósseas, musculares e nervosas pode se perpetuar nas fases seguintes, avançando para os períodos de dentadura mista e permanente.

A opção pelo tratamento precoce utiliza variáveis biológicas inerentes a esta faixa etária, proporcionando resultados favoráveis rapidamente. Desta forma, é possível buscar uma terapêutica que visa a correção de todo conjunto dos elementos constituintes da oclusão e não apenas dos dentes.

A terapia com pistas diretas Planas está indicada para correção de mordida cruzada posterior ou anterior, desde que funcional. Através da confecção das pistas nas faces oclusais e/ou incisais dos dentes no lado cruzado, o cirurgião-dentista constrói uma barreira capaz de impedir o retorno da mandíbula à posição habitual de má oclusão. Portanto, este procedimento gera uma mudança de postura mandibular e modifica a dinâmica equivocada que a mordida cruzada funcional impunha ao sistema músculo-esqueletal, proporcionando, desta forma, o desenvolvimento da face e da dentição dentro dos padrões de normalidade.

Desde a década de 40, Planas preocupava-se com a etiologia e o diagnóstico dos distúrbios da oclusão durante a infância. A redução no número de crianças amamentadas ao seio, em conjunto com o que Planas denominou “alimentação civilizada” (alimentos industrializados, papinhas, iogurtes, fast-food) eliminam parte dos estímulos necessários ao crescimento e modificam o padrão de desenvolvimento do aparelho mastigatório, programado geneticamente. A conseqüência direta seria atrofia de músculos, ossos, reflexos nervosos e articulações, culminando com a falta de espaço para erupção dos dentes permanentes, desvios posturais de mandíbula, maxilas atrofiadas e deglutições atípicas.

A correção da mordida cruzada posterior funcional através das pistas diretas reúne inúmeras características que tornam atrativa sua utilização na Odontologia. Uma das principais vantagens é o fato de não necessitarem de colaboração por parte do paciente, já que são baseadas em “restaurações adesivas” e desgastes seletivos que permanecem atuantes no sistema estomatognático 24 horas por dia. Tal particularidade da técnica garante a manutenção da relação intermaxilar correta durante o desempenho de funções ativadoras do crescimento facial como a mastigação, o que é fundamental para o tratamento, porque é nesta fase que grande parte do desenvolvimento se estabelece. Também se deve salientar o baixo custo da técnica, que dispensa material ou equipamento especial para sua realização e que, acima de tudo, tem no conhecimento científico do profissional a base para um tratamento bem sucedido.

Observa-se, entretanto, que, na maioria das situações clínicas vistas no dia-a-dia dos consultórios odontológicos, a má oclusão mostra pluralidade de defeitos que precisam da interdisciplinaridade odontológica para alcançar a oclusão ideal. Iniciando na atenção odontológica ao bebê até o estabelecimento do padrão oclusal adulto no final da adolescência, o desenvolvimento do sistema estomatognático do paciente deve ser acompanhado, para que terapias preventivas e/ou interceptadoras possam ser implantadas no momento oportuno. Dentro deste contexto, as pistas diretas podem ser consideradas como uma etapa do tratamento, que previnem o estabelecimento de alterações de base óssea e criam condições mais favoráveis para o tratamento ortodôntico ou ortopédico futuro, se necessário.


Link do artigo na integra via site Dentalarte:

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