ORTODONTIA CONTEMPORÂNEA: Fevereiro 2009

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Micromplante Ortodôntico para Distalização do arco inferior para a correção da classe III


















Neste artigo de 2005, publicado na Angle Orthodontics, pelos autores Kyurhim Chung; Seong-Hun Kim; Yoonah Kook; do departamento de Ortodontia da Catholic University Korea, Uijongbu, South Korea. Mostram um novo tipo de mini-implante com "cabeça" reduzida e aplicado em uma situação de correção de classe III associado a elásticos inter-maxilares.

Um Paciente de 16 anos de idade, sexo masculino com uma má oclusão Classe III e ausência dos dos incisivos centrais inferiores foram apresentadas para o tratamento. O plano de tratamento consistiu atraves de uma distalização inferior assimetricamente da dentição e reconquistar espaço para prótese inferior anterior trabalho. Mini implantes foram utilizados como ancoradouro para os elásticos classe III s intermaxilares, e dois microimplants (C-implantes) foram colocados no espaço interdentário entre o segundo premolares e primeiros molares superiores.

A especial concepção do design do C-implante minimiza a irritação gengival durante o tratamento ortodôntico. Sliding jig foram aplicadas na região vestibular dos dentes inferiores posteriores para distalização. O correto overbite e overjet foram obtidos por distalizição em todo arco inferior com a ancoragem C-implante, o que contribuiu para uma melhoria facial e equilíbrio.

Demorou 15 meses para tratar o caso. A aplicação desta novo tipo de microimplante, considerações sobre este caso, e a seqüência de tratamento são apresentadas neste artigo.

Link do artigo na integra via Angle Orthodontics:

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Intervenção ortocirúrgica em paciente adolescente com acentuada displasia esquelética de Classe III



Neste artigo de 2007, publicado pela revista Dental Press, pelos autores Andressa Otranto de Britto Teixeira, Paulo José Medeiros, Jonas Capelli Junior; da UERJ - Rio de Janeiro. Abordam os beneficios e limitações do tratamento Ort0-Cirurgico precoce em pacientes portadores da má-oclusão Classe III de Angle .

A má oclusão de Classe III de origem esquelética é caracterizada por discrepância ântero-posterior entre as bases ósseas, que pode ser devida à deficiência da maxila, ao excesso mandibular ou à combinação de ambos. Estas anomalias levam a alterações expressivas do perfil facial do paciente, muitas vezes com conseqüências psicossociais importantes.

As terapias para tratamento da displasia estão relacionadas com o potencial do crescimento do indivíduo. Quando o paciente encontra-se na fase de 8 a 10 anos, ou seja, na fase pré-surto de crescimento puberal, uma abordagem precoce é indicada com uso de tração reversa da maxila, normalmente acompanhada de disjunção palatina. Com esta abordagem procura-se obter um incremento do tamanho da maxila, junto a uma rotação horária da mandíbula, conseguindo-se uma melhor relação entre esses ossos e uma oclusão satisfatória. Quando o paciente é adulto e o crescimento já cessou, o tratamento vai ser decidido entre os procedimentos de camuflagem, caso a displasia não seja muito significativa, e os procedimentos ortocirúrgicos clássicos, podendo envolver avanço de maxila, recuo da mandíbula ou procedimentos combinados. O problema quanto à decisão terapêutica está na abordagem das Classes III com envolvimento esquelético significativo na fase onde certamente a abordagem preventiva não mais surtirá efeito, mas ainda há crescimento.

A indicação formal de tratamento seria aguardar o fim do crescimento para poder se estabelecer um tratamento ortocirúrgico convencional. Para tanto, é necessário que o paciente atravesse toda a fase da adolescência com uma deformidade facial que pode gerar uma condição estética seriamente comprometida, acarretando uma baixaaceitação social perante o seu meio.

A má oclusão de Classe III tem recebido especial atenção dos ortodontistas, desde as primeiras publicações que relataram este desvio da normalidade. A má oclusão de Classe III é caracterizada por uma discrepância esquelética ântero-posterior, podendo ou não estar acompanhada por alterações verticais, mas comumente com alterações transversais associadas. Estas discrepâncias esqueléticas provocam alterações no posicionamento dos dentes inter e intra-arcos. O aspecto facial fica comprometido nesses pacientes, sendo justamente esse fator que os motiva a procurar tratamento para esse tipo de má oclusão.

A cirurgia precoce para tratamento da Classe III pode ser indicada quando o paciente estiver com grande comprometimento psicossocial ou funcional.

Para que essa terapia possa ser indicada critérios ortodônticos, como pouca discrepância intra-arco e possibilidade de preparo pré-cirúrgico sem grandes recolocações dentárias, devem ser observados.

Um segundo tratamento ortocirúrgico provavelmente se fará necessário após o término do crescimento. Esse tratamento não deve ser considerado como tratamento de rotina, mas sim como uma possibilidade terapêutica para casos criteriosamente selecionados.

Link do Artigo na Integra via Scielo:

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Historia da Ortodontia - Tratamento com Mascara Facial

Alguns autores como Barich (1952), Sturman (1958), Graber (1966) e Ahlin (1984). São unânimes em preconizar o tratamento da classe III numa fase precoce, evitando desvios de crescimento e desenvolvimento da face, além de evitar problemas periodontais e na ATM.

Um achado interessante em estudo realizado por Ellis e Mcnamara em 1984 foi a grande prevalência de retrusão maxilar esquelética. Em 65% do total da amostra exibiram uma maxila retruída. Esta retrusão maxilar estava associada com a protrusão mandibular esquelética em 30,1% e em 19,5% dos casos essa retrusão maxilar estava associada com a posição mandibular normal.

A idade para se iniciar o tratamento com a mascara facial é variável, mas freqüentemente está relacionada com as fases de desenvolvimento dentário, podendo-se iniciar aos 4 anos de idade (Hickman – 1991); Turley (1988). Uma observação importante é iniciar o tratamento antes do surto de crescimento puberário, aproveitando ao máximo o seu potencial, já que o termino do crescimento da maxila é mais precoce do que o da mandíbula. (Ferrari – 1991).

A necessidade de expandir a maxila antes da protração não é inteiramente clara. A maioria dos estudos (Ngan-1977; Baik-1995; Nanda-1980; Silva Filho-1991; Natarllo-Turley-1998; Sung-1998) utilizam a expansão palatina para “desarticular” a maxila e iniciar a resposta celular nas suturas circu-maxilares, permitindo uma reação mais positiva às forças de protração.

Embora seu tratamento date desde o ano de 1800, muitos clínicos continuam evitando a intervenção precoce, pois acreditam que essa má-oclusão seja causada por um crescimento excessivo da mandibula e não acreditam seja possível controlar o crescimento mandibular. (Turley – 1988)


HISTORICO DA MASCARA FACIAL PARA PROTRAÇÃO MAXILAR:

A protração da maxila com intuito de corrigir a classe III não é uma opção recente, o primeiro relato sobre o tratamento com a mascara facial foi documentado por Potpeschnigg em 1875.




Nos anos 60 Dr. Jean Delaire e outros despertaram o interesse no uso da máscara facial para a protração maxilar.



Dr. Henri Petit modificou mais tarde o conceito básico de Delaire, aumentando a quantidade de força aplicada pelo aparelho e reduzindo assim o tempo total de tratamento.





Em 1987, Dr. Mcnamara introduziu o uso de um aparelho expansão colado com cobertura oclusal de acrílico para protração da maxila.


Dr. Turley em 1988 melhorou a cooperação do paciente no uso do aparelho confeccionando mascaras faciais personalizadas.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Pensamento da Semana



"Somos todos prisioneiros, mas alguns de nós estão em celas com janelas, e outros sem."


Khalil Gibran

1883 - 1931

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Diferenças biomecânicas entre a técnica lingual e a labial







Neste artigo de 2008, publicado na revista Dental Press, pelos autores André da Costa Monini, Luiz Gonzaga Gandini Jr, Marcia Regina Elisa Aparecida S. Gandini, José Fernando Barros de Figueiredo; UNESP - Araraquara - São Paulo. Fazem todo um apanhado sobre a biomecânica em aparelhos linguais, comarando-os aos da técnica convecional por vestibular. Um excelente artigo, princpalmente em relaçãoa este tema, escasso em artigos.

O aparelho lingual remonta de meados da década de 70 quando Fujita, no Japão, trabalhou no desenvolvimento de um braquete lingual. Na mesma época, Kurz, nos Estados Unidos, criou seu próprio aparelho lingual fazendo adaptações num aparelho convencional. Desde então, um aparelho próprio para a superfície lingual foi desenvolvido e modificado, por varias companhias, diversas vezes até se chegar nos modelos atuais.

Na década de 80 muitos pacientes em todo o mundo procuraram tratamento desta forma devido a óbvia vantagem do aparelho não ser prontamente visto. Entusiasmados com esta altíssima demanda de pacientes muitos ortodontistas se lançaram a tratar usando esta filosofia e os problemas começaram a surgir, levando a um descrédito da técnica.

Atualmente observa-se um novo interesse pela mesma, desta vez com mais cautela por parte dos profissionais.

A falta de treinamento e de conhecimento científico sobre o comportamento do aparelho lingual prejudicou o desenvolvimento da técnica fazendo com que, ainda hoje, pouca informação consistente seja encontrada na literatura. Para não incorrer nos mesmos erros do passado, o novo interesse pela técnica deve vir acompanhado de prudência e formação técnico-científica por parte do ortodontista. Como parte deste processo, o presente trabalho objetiva verificar, revisando a literatura, as características biomecânicas que diferenciam a técnica lingual da convencional.

Avaliando o padrão de resposta dos dentes às forças ortodônticas aplicadas no braquete lingual comparando ao convencional percebe-se que o padrão de movimento é diferente. Forças intrusivas num braquete lingual tendem a intruir os incisivos com menos inclinação comparando com o mesmo tipo de força por vestibular. O resultado conseguido pelo aparelho lingual pode ser explicado pela maior proximidade do braquete lingual com o centro de resistência do dente. Deste modo, momentos criados por forças aplicadas no braquete lingual comparados com braquete convencional são sempre menores, gerando menos efeito de inclinação.

A maior proximidade do braquete lingual com o centro de resistência do dente também provoca uma transmissão de força mais intensa ao ligamento periodontal em relação à técnica convencional e em associação com a menor distância interbraquete acabam por, praticamente, obrigar o ortodontista a utilizar fios mais finos e resilientes. Do ponto de vista clínico a chance de maior reabsorção radicular e maior área de hialinização ocorre com a técnica lingual, então o ortodontista deve ter cuidado de, em condições similares, fazer menor ativação no aparelho lingual que no convencional.

O simples fato de se colar braquete por lingual já traz imediatas diferenças com relação ao aparelho convencional como a menor distancia interbraquete, a forma do arco e a diferença anatômica da superfície lingual.

Em média, a distância interbraquete do aparelho convencional quando comparada com o lingual é de 1.47:120. Como a rigidez do fio é inversamente proporcional ao cubo do comprimento, a diminuição da distância interbraquete aumenta significantemente as forças aplicadas no dente provocando uma diferença de mais de 3 vezes para fios iguais colocados em arcos por lingual e por vestibular. Isto contribui para a transmissão mais intensa da força ao dente pela técnica lingual.

A necessidade de se utilizar fios mais resilientes dificulta o tratamento ortodôntico por lingual que envolva a utilização de elásticos intermaxilares ou extrações. Da mesma forma que o tratamento convencional, para o fechamento de espaços e para a utilização de elásticos intermaxilares são necessários arcos consolidados e com fios retangulares. Deste modo, problemas de vestibularização de pré-molares em áreas de extração e inclinação dos dentes anteriores com perda do controle do torque são mais freqüentes na técnica lingual.

Incorporação do segundo molar no arco, uso de barra palatina, colagem de braquetes por vestibular nos dentes posteriores (técnica mista) e colocar uma curvatura para lingual no arco de fechamento são soluções apresentadas e praticamente obrigatórias para tratamento com extrações na técnica lingual. Como as forças de retração estão por lingual do centro de resistência, os dentes tendem a mover no sentido inverso do que ocorre por vestibular, ou seja, os molares tendem a girar com a mesial para vestibular.

Retração em massa dos seis dentes anteriores normalmente é a escolhida para os tratamentos com aparelho lingual pois a retração parcial de caninos produziria um espaço antiestético distal aos laterais, normalmente não desejado pelo paciente, com aparelho lingual. Em termos de mecânica, a completa retração dos caninos diminui a distância interbraquete entre o canino e o pré-molar devido ao “inset” no arco distal ao canino, e desta forma, diminui-se a quantidade possível de ativação na mecânica de deslizamento ou por alças.

Outra característica oposta à técnica convencional é a tendência do arco sair do “slot” durante as ativações já que por vestibular o efeito é o inverso. Deste modo, é necessário que o arco esteja firmemente amarrado pelo método do “double over tie”.

A colagem direta dos braquetes na superfície lingual é praticamente inviável pois existem diferenças de espessuras entre os dentes e a superfície lingual é muito mais propensa a apresentar alterações de forma, tamanho e irregularidades superficiais, afetando sensivelmente, o correto posicionamento dos braquetes. Além disso, pequenas alterações neste posicionamento podem provocar grandes efeitos indesejáveis. Braquetes colados na mesma altura por vestibular e lingual podem variar o posicionamento do dente nos três planos do espaço. Alem disso, pequenas variações cérvico-oclusais na face lingual alteram consideravelmente o torque dos braquetes. Assim, conceito “straight-wire” é falho para o tratamento com aparelho lingual. Uma das soluções é a colocação de compensações de resina na base dos braquetes associada à colagem
indireta.

O aparelho lingual pode ser um armamento valioso e contemporâneo para o ortodontista que trata de um segmento da população que é exigente. O ortodontista precisa estar familiarizado com as características do aparelho para diminuir e eliminar problemas, selecionar casos específicos e instruir os pacientes sobre as limitações. Entender e aplicar princípios biomecânicos
no tratamento aumenta a eficácia do aparelho e simplifica o tratamento, pois obtém movimentos dentários mais previsíveis e com menos efeitos colaterais em qualquer técnica ortodôntica. Não incorrer nos erros do passado com a técnica lingual é imperioso para o sucesso com o tratamento lingual. Alem disso, é uma técnica que exige habilidade e que traz novas responsabilidades.


Link do Artigo na Integra via Scielo:

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Comparação do efeito de desconforto oral comparando duas técnicas de posicionamento de backets linguais



Neste artigo de 2004, publicado na Angle Orthodontics, pelo autores Ariane Hohoff; Thomas Stamm; Ulrike Ehmer; do Westphalian Wilhelms University, Muenster - Alemanha. Comparam através de um questionário, a forma de colagem que torna mais "confortável" o tratamento com Ortodontia Lingual.

Usando um questionário padronizado, 41 pacientes (12 homens, 29 mulheres, idade média de 31,5 +- 12,1 anos) foram entrevistadas sobre suas sensações subjetivas de conforto oral, manuenão das várias funções orais, e a atuação profissional antes da aplicação indireta dos braquetes linguais, no prazo de 24 h após aplicação (T1), e três meses depois (61 semanas) (T2).

Em 22 dos 41 pacientes, os braquetes foram posicionados com a técnica de colagem equalizada de espessura específica (BEST grupo) e em 19 pacientes foram feitas colagens pelo metódo de posicionamento por Transferência Optimizado (TOP grupo).

Apesar da adaptação positiva, os pacientes em ambos os grupos relataram ainda uma deficiência significativa no espaço para língua, bem como no grupo T2, ocorreram significativamente mais lesões freqüentes de língua. O grupo BEST foram significativamente mais frequentemente afetados por estes problemas do que o TOP grupo.

No grupo T2, a posição da língua também foi classificado como alterado significativamente, mais frequente no gurpo BEST que no grupo TOP. Apesar de ser a melhor técnica de posicionamento, leva a uma maior incapacidade de conforto oral, que a técnica TOP.

Em ambas as técnicas, tinha uma necessidade de se passar informações detalhadas aos pacientes, sobre a extensão e a duração do descomforto provocado pelos braquetes linguais.


Link do artigo na Integra via Angle Orthodontics:

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Ligadura elástica de baixo atrito, Slide™*


















Por sugestão do amigo Tbonatto, iremos falar sobre o Slide™*, uma ligadura elástica de baixo atrito, comercializado pela Leone.

O fabricante diz:

Sua composição é a base de poliuretano de uso médico, sua forma é diferente da tradicional. Ele fica sobre o braquete e não contornando, deixando o slot livre, permitindo assim um bom deslizamento, sem atrito. Esta forma também propicia maior comforto ao paciente. Está disponível em varias cores, inclusive a Aqua, para braquetes estéticos. O ideal e que utiliza esta ligadura com os braquetes Logic Line™ do mesmo fabricante, que tem um desenho que propicia uma boa adaptação desta ligadura. Tornando desta foma uma opção parecida com um sistema auto-ligável. Achei um artigo cientifico sobre esta ligadura, publicado em 2005, pelo Journal of Clinics Orthodontics, pelos autores ARTURO FORTINI, MASSIMO LUPOLI, VITTORIO CACCIAFESTA, Universidades de Pavia, Florença e Insubria - Italia. O artigo está na itegra no link abaixo.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Avaliação do atrito produzido por braquetes cerâmicos e de aço inoxidável, quando combinados com fios de aço inoxidável




Neste artigo de 2007, publicado pela revista Dental Press, pelos autores Paulo Eduardo Bággio; Carlos de Souza Telles; João Baptista Domiciano; Universidade Estadual de Londrina - Paraná e UFRJ - Rio de Janeiro. Fazem um estudo comparativo entre a eficência na mecânica de deslize com braquetes de aço inox e cerâmicos.

Os primeiros experimentos sobre atrito datam de aproximadamente 500 anos e foram realizados por Leonardo da Vinci, que registrou, em seu “Código Atlântico”, os desenhos de um bloco retangular deslizando sobre uma superfície plana, de diferentes maneiras.

Atrito, segundo Gamow (1976 apud BEDNAR, 1991), é definido como uma força que retarda ou resiste ao movimento relativo de dois objetos em contato, sendo sua direção tangente ao limite comum dessas superfícies.

Apesar de os estudos sobre atrito terem se iniciado há bastante tempo, na literatura ortodôntica, este foi abordado pela primeira vez por Stoner, em 1960, que comentou poder a força aplicada ser dissipada pelo atrito ou aplicação imprópria, sendo difícil controlar e determinar a magnitude que cada dente está recebendo individualmente.

Mais tarde, em 1970, Andreasen e Quevedo reforçaram o assunto ao comentarem que quando o movimento ortodôntico é realizado pela translação do braquete por um arco contínuo está embutido o atrito que diminui ou interrompe o movimento dentário ótimo e, freqüentemente, faz com que o ortodontista não tenha a correta noção da magnitude de força necessária para movimentar fisiologicamente um dente e ainda vencer o atrito.

Além desses, outros autores realçaram a importância do conhecimento do atrito produzido pelo deslizamento do braquete pelo fio (mecânica de deslize), pois a sua presença pode interferir na movimentação dentária, retardando-a ou até anulando-a. Dresher et al. mostraram-se surpresos ao constatarem tão poucos trabalhos científicos publicados sobre esse tema.

A maioria dos braquetes fabricados é de aço inoxidável, devido a suas excelentes propriedades mecânicas, boa resistência à corrosão e baixo custo. Entretanto, procurando-se melhorar o aspecto estético desses braquetes, desenvolveram-se os braquetes cerâmicos, confeccionados de alumina mono ou policristalina, começando-se a questionar a maior quantidade de atrito que parecia ocorrer, quando da sua utilização.

Vários autores constataram que os braquetes cerâmicos apresentam mais atrito que os de aço inoxidável, quando se utiliza mecânica de deslize. Kusy acrescentou que os braquetes cerâmicos, exceto pela sua estética, são muito inferiores aos de aço inoxidável e que muito pouco pode ser feito para aperfeiçoá-los. Tentando explicar o maior atrito dos braquetes cerâmicos, alguns autores atribuíram esse fato à sua maior rugosidade superficial, do que discorda Kusy, ao comentar que o maior atrito deve-se à sua estrutura química intrínseca.

Com o propósito de avaliar in vitro a resistência friccional de braquetes Edgewise standard geminados 0,022” x 0,030”, com largura de 3,8mm, de aço inoxidável (Dentaurum –700-006) e cerâmico policristalino (Dentaurum – 714-0225), combinados com fio de aço inoxidável 0,019” x
0,025” (Standard – Unitek – 251-925), desenvolveu-se um dispositivo que simula a distalização de um canino, quando da extração do primeiro prémolar. Um canino metálico foi incluído em cera no 7, aquecido em água a uma temperatura de 58ºC, controlada por um termostato e um termômetro. Os experimentos iniciaram somente quando a cera atingiu a temperatura de 48ºC, sendo o registro feito por um termopar de cobre-constantan. Um segmento de fio de aço inoxidável foi encaixado passivamente nos braquetes, amarrado com ligadura elástica (Power “O” – Ormco 640- 0121). O canino foi então distalizado, após a cera atingir a temperatura ideal, por meio de um fio dental conectado a um carrinho com rodas feitas com rolamentos, que serviu de suporte para o tensiômetro, cuja ponta ativa era unida a um recipiente através de um fio de nylon que passava por uma roldana. No recipiente, colocou-se a carga e, quando a cera atingia a temperatura ideal, o carrinho era destravado e o deslocamento do dente e o ângulo entre o braquete e o fio registrados visualmente, a cada 30 segundos, empregando-se uma régua milimetrada e um transferidor, ambos acoplados ao dispositivo.

A influência do material com que se fabrica o braquete, no atrito produzido entre ele e o fio, durante a utilização de mecânica de deslize, tem sido questionada por vários autores, que constataram em seus estudos que os braquetes cerâmicos apresentaram maior atrito que os de aço inoxidável. Os resultados da presente investigação, para os coeficientes de atrito das combinações aço/aço e cerâmico/aço são, respectivamente, 0,134 ± 0,001 e 0,225 ± 0,006, que são os valores médios para cada um dos conjuntos de cinco medidas, com seus respectivos desvios-padrão. Portanto, os resultados obtidos confirmam os dos autores anteriormente citados, pois os coeficientes de atrito encontrados na combinação cerâmico/aço foram nitidamente maiores do que os da combinação aço/aço, em todos os experimentos realizados. Em contrapartida, outros autores constataram mais atrito nos braquetes de aço inoxidável do que nos cerâmicos. Valores publicados na literatura para o coeficiente de atrito (μ) são da ordem de 0,5, para a combinação aço/aço. A diferença entre este e o valor medido pode ser explicada, pelo menos em parte, pelo fato de se ter usado no cálculo de μ o valor da força normal total que o elástico exerce sobre o fio, pois não existe maneira prática de se medir diretamente a parcela da força normal total que o fio transmite à ranhura do braquete. No entanto, na presente investigação, o valor relativo é mais importante que o absoluto, pois o objetivo principal era comparar os atritos deslizantes de duas combinações braquete/fio.

CONCLUSÕES do ARTIGO:

1) Os coeficientes de atrito verificados na combinação braquete cerâmico/fio de aço inoxidável foram superiores aos da combinação braquete de aço inoxidável/fio de aço inoxidável.

2) A execução de mecânica de deslize se torna mais eficiente quando utilizados braquetes de aço inoxidável combinados com fios de aço inoxidável.


Link do artigo na integra via Scielo:

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Pensamento da Semana


"Quanto mais conhecemos, mais amamos."



Leonardo da Vinci

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Historia da Ortodontia - Lawrence Andrews







Um trabalho pioneiro, que mudou a história da Ortodontia, indubitavelmente foi o de Lawrence F. Andrews(1970), que desenvolveu o primeiro aparelho ortodôntico totalmente pré-ajustado (Straight wire), incorporando aos braquetes informações referentes à angulação e à inclinação das coroas dentárias e colocando nesses, também, variações de espessuras, que eliminassem as dobras de primeira, segunda e terceira ordens, até então necessárias para o desenvolvimento dos tratamentos ortodônticos.

Ao meu ver Dr. Andrews, deu um grande presente para a ortodontia, uma nova fronteira, sem volta, apesar dos saudosistas, a técnica Straight wire veio para ficar e evoluiu com os fios de varias ligas, os braquetes auto-ligáveis, etc. Imaginem o ortodontista em 2009 fazendo dobras, e alças em todos os fios e todos os pacientes, com os braquetes angulados bem como os auto-ligáveis e fios termo ativados a nossa disposição. Particularmente acho positivo ainda nos dias de hoje o ensino da técnica mãe idealizada pelo pai da Ortodontia moderna Edward H. Angle a +-100 anos atrás, respeito muito a historia e os debravadores da bela arte que seguimos, a Ortodontia. Mas temos que evoluir com a ciência para desta forma aperfeiçoá-la e inová-la.

Trecho da entrevista dada pelo Dr. Andrews a resvista Dental Press:

O senhor recomenda que os pós-graduandos em ortodontia aprendam a tratar primeiro com o aparelho edgewise não-programado ou iniciem diretamente com o aparelho totalmente programado?

Dr. Andrews - A medida que nos aproximamos do ano 2000, não vejo vantagem em irmos à guerra com um avião de 1930. O conceito e o aparelho straight wire têm sido aceitos mundialmente. O tempo dispendido ensinando-se aparelhos obsoletos deveria ser melhor ocupado com o ensino da montagem de modelos e de tratamentos com objetivos gnatológicos.

Histórico:

Nos anos 50 o Dr. Lawrence Andrews era um ortodontista recém graduado procurando fazer seu trabalho direito. Naquele tempo, para se tornar um diplomado pelo Board Americano de Ortodontia (American Board of Orthodontics - ABO), era necessário escrever uma tese. O assunto que ele escolheu foi a oclusão. A amostra que ele escolheu para estudar foram os modelos de gesso de tratamentos concluídos usados por ortodontistas para obter suas credenciais no ABO. Mas ele observou que não haviam características comuns sobre o que os tratamentos ortodônticos deveriam atingir. Geralmente, eles alinhavam os dentes apinhados, reduziam os overjets, mas cada profissional tinha um resultado único para seus próprios tratamentos.

Naquele tempo o estudo da oclusão já estava bem avançado, mas os ortodontistas eram incapazes de utilizar estas informações.

O Dr. Andrews chegou então à seguinte conclusão: precisamos mostrar aos ortodontistas a importância de se atingir resultados comuns! A ortodontia não pode ser uma ciência se cada ortodontista tem um resultado diferente.

Ele começou a caminhada rumo a este objetivo procurando por indivíduos com dentições naturais perfeitas. Foram necessários vários anos para coletar cerca de 150 modelos de gesso de bocas de pessoas que nunca tiveram nenhum tratamento ortodôntico e que nenhum ortodontista consideraria necessário o uso de aparelhos. Com os modelos em mãos, ele levou ainda mais três anos para analisar e chegar a uma conclusão.

Os resultados que ele obteve são bem conhecidos pelos dentistas atualmente. Isto revolucionou o modo como olhamos para a boca de nossos pacientes. Ele encontrou seis características comuns. Estas características foram chamadas de as "Seis Chaves para uma Oclusão Ótima". Ele também mediu a posição de cada dente e encontrou muito mais uniformidade entre os modelos do que foram encontradas nos pacientes tratados por ortodontistas.

Mas como conseguir proporcionar estas características aos pacientes com as ferramentas disponíveis naquele tempo? Seriam necessárias muitas dobras nos fios para acertar a posição ideal de cada dente. Com seus conhecimentos, que não se limitam à odontologia, e muito trabalho, ele encontrou a solução, e então revolucionou a ortodontia com a criação do aparelho Straight-Wire Applience.

Neste momento, ele já estava bastante exausto e, com o sucesso de sua criação, financeiramente bem. Portanto, ele se permitiu um retiro de 5 anos.

Quando retornou a atividade, encontrou uma prática ortodôntica inteiramente diferente por toda parte. As pessoas estavam tentando usar o que ele provou ser o certo. Ele mostrou a linha de chegada (as Seis Chaves para uma Oclusão Ótima) e ele nos deu o meio de transporte (o aparelho Straight-Wire), mas ele não nos deu as direções. Por isso, as pessoas estavam fazendo todo tipo de coisa com sua invenção para tentar chegar ao que ele mostrou ser o objetivo correto.

Ele então não teve nenhuma dúvida. Ele precisava completar seu trabalho, ele precisava traçar as direções.

Retornou então para sua velha rotina, até que sua filosofia de tratamento fosse completamente provada correta e reproduzível. E então sua obra prima estava finalmente acabada. Ele a nomeou de "Os Seis Elementos para a Harmonia Orofacial". E isso é que é ortodontia.

Fontes desta postagem:

http://www.dentalpress.com.br/artigos/pdf/197.pdf

Andrews Foundation:

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Avaliação da superfície da porcelana após a descolagem de braquetes ortodônticos



Neste artigo de 2006, Publicado na revista Dental Press, os Autores André Moreira Mattos, Jonas Capelli Júnior; da UERJ - Rio de Janeiro. Fizeram um estudo da melhor forma de preparar uma unidade dentaria reabilitada proteticamente com porcelana para que seja feita uma colagem de baquetes de forma segura.

A Ortodontia atual vem dispensando atenção especial ao tratamento de adultos, visto que a demanda destes pacientes na clínica ortodôntica tem crescido consideravelmente. Como resultado, um dos problemas freqüentemente encontrados pelo profissional é a colagem de acessórios ortodônticos em dentes com restaurações estéticas, tais como laminados e coroas de porcelana.

Se por um lado, uma força de adesão máxima é desejada para minimizar as falhas na colagem durante o período de tratamento, por outro, a porcelana deve poder retornar ao seu estado de polimento inicial, sem qualquer dano na sua superfície após a remoção dos acessórios ortodônticos.

Com a finalidade de suprir as falhas deixadas pelo ácido fosfórico e pelos métodos de abrasão mecânica, o condicionamento feito através de ácido fluorídrico têm sido sugerido na literatura, porém com uma ampla variação com relação à sua concentração e tempo de aplicação. Revisando a literatura odontológica, nota-se que o ácido fluorídrico a 9,6% já foi aplicado por 4 minutos, por 2 minutos e até mesmo por somente 20 segundos. Chung et al. e Kao et al. aplicaram o ácido fluorídrico a 9% por três minutos, enquanto Harari et al. o utilizaram com a concentração de 8% durante 1 minuto. Valverde encontrou os melhores resultados com o ácido fluorídrico a 10%, aplicado tanto por quinze quanto por trinta segundos.

O uso de silano como agente de união durante a colagem de acessórios ortodônticos em superfícies de porcelana é considerado de grande importância no aumento da força de adesão da colagem. Além de promover uma ligação química entre a sílica da porcelana e os grupos orgânicos da resina, a porção orgânica da molécula do silano aumenta a capacidade de molhamento da superfície da porcelana, fazendo com que haja uma íntima adesão micromecânica quando o glaze é removido.

CONCLUSÕES

1) O condicionamento com ácido fluorídrico a 10% por 1 minuto, seguido da aplicação de silano, adesivo resinoso e compósito, foi considerado o melhor método para o preparo de superfícies cerâmicas previamente à colagem ortodôntica, por fornecer uma força de adesão adequada e, ao mesmo tempo, não causar nenhum dano à porcelana durante a descolagem dos braquetes. A aplicação de ácido fluorídrico a 10% por apenas 15 segundos não forneceu uma força de adesão suficiente para suportar as forças geradas durante o tratamento ortodôntico.

2) Após a remoção do braquetes, não foi observado nenhum dano às superfícies de porcelana condicionadas com ácido fluorídrico 10% (tanto por 15 segundos quanto por 1 minuto), visto que as falhas da colagem ocorreram dentro da camada de resina ou entre esta e o braquete.


Link do Artigo na Integra via Scielo:

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

OrthoGlop - Proteção para os incomodos causados pelos Braquetes




OrthoGlop é um produto comercializado aqui no Brasil pela OrthoSource, que promete mais comforto aos pacientes que estão se tratando com aparelhos ortodonticos. Achei interessante, pois me pareceu de fácil colocação, tem sabor e de fácil remoção. Não conheçi o produto pessoalmente e não encontrei nenhua pesquisa cientifica sobre ele.

O que o fabricante fala:

A evolução da cera protetora e do silicone!

OrthoGlop é um gel para alívio da irritação causada pelo aparelho ortodôntico no tecido mole.

Praticidade - Fácil de aplicar e remover.

Economia - Reduza o consumo de cera protetora. Uma única aplicação do OrthoGlop garante proteção por horas.

Durabilidade - Adere ao braquete e não cai ou se desfaz com o uso.

Estética garantida - Gel transparente.

Conforto - Molda-se facilmente à superfície de contato.

Mais Conforto - Agradável aroma de menta.

Fácil remoção - Remova com um palito antes da escovação

Segurança- Produto específico para uso oral.

Funcionalidade - Tubo plástico inquebrável.


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Aftas após instalação de aparelhos ortodônticos: porque isso ocorre e protocolo de orientações e condutas









Neste artigo de 2009, publicado na revista Dental Press pelos autores Alberto Consolaro e Maria Fernanda M-O Consolaro, da FOB-USP Bauru - São Paulo. Abordam de forma ampla uma das grandes dores de cabeça dos nossos pacientes, as aftas e a aparatologia Ortodontica.

A palavra afta literalmente significa “eu inflamo”, ou “eu ascendo” ou, ainda, “eu queimo”. Inicialmente, foi utilizada na Grécia por Hipócrates, o pai da Medicina, para identificar o “sapinho” ou candidose pseudomembranosa em crianças. Mais tarde, seu uso se estendeu para toda e qualquer ulceração nas mucosas.

A instalação de aparelhos ortodônticos pode estar relacionada com o aparecimento de uma ou mais aftas na mucosa bucal, que quase sempre são lesões do tipo aftas menores, mas incomodam muito os pacientes, principalmente quando habitualmente não eram afetados por este problema antes da instalação dos aparelhos ortodônticos.

Alguns pacientes apresentam as aftas no decorrer do tratamento e não necessariamente logo após a sua instalação. Esses casos podem estar relacionados a momentos de estresse físico ou psicológico, alterações de hábitos alimentares ou condições sistêmicas que possam modificar a reatividade do sistema imunológico.

As aftas bucais não ocorrem em mucosas queratinizadas, apenas em regiões com espessura epitelial menor e com superfícies sem camadas córneas ou, no máximo, discretamente paraqueratinizadas. O epitélio da mucosa bucal está separado e, ao mesmo tempo, isolado do tecido conjuntivo da submucosa pela membrana basal, pela qual ocorrem trocas metabólicas e se dá a integração estrutural e funcional.

Em pacientes fumantes, o aumento da espessura epitelial da mucosa bucal e de sua queratinização está presente em todas as regiões e esse tipo de paciente não apresenta aftas bucais em função dessa adaptação funcional induzida pelo tabaco. Quando pacientes fumantes deixam o vício, podem apresentar aftas, às vezes duradouras e múltiplas, e, em função dessa intercorrência, podem voltar a usar o tabaco.

A possibilidade de herdarmos a “capacidade” de ter aftas bucais é bem maior, ou quase absoluta,
se os pais foram portadores de aftas ao longo da vida. Essa capacidade está associada à constituição da membrana das células epiteliais da mucosa bucal que, nesses pacientes, tem semelhança bioquímica com componentes da membrana de algumas bactérias que fazem parte da microbiota bucal.

Os braquetes, os fios e as bandas ortodônticas, uma vez instalados nos dentes, promovem invariavelmente microtraumatismos nos lábios, bochechas e margens linguais laterais, locais com revestimento epitelial paraqueratinizado. Essa multiplicidade e continuidade de microtraumatismos sobre uma mucosa bucal delicada, em um organismo com propensão a ter aftas bucais por fatores hereditários, bacterianos e auto-imunes, explica porque isso ocorre, em alguns pacientes, algumas semanas após a instalação de aparelhos ortodônticos.

Em alguns pacientes ortodônticos, por maiores cuidados que sejam tomados – como a colocação de cera ou outro tipo de oclusão dos braquetes e fios para se evitar o contato e microtraumatismos na mucosa bucal, as aftas bucais aparecem inevitavelmente em número maior do que o paciente estava acostumado. Mas deve-se orientar o paciente sobre como evitar os microtraumatismos durante:

1) a alimentação, para evitar alimentos perfurantes, como abacaxi, cascas de pão, pipoca e outros. Alimentos muito ácidos ou adstringentes podem alargar os microtraumatismos na mucosa bucal; recomendar a ingestão em forma de sucos ou cremes;

2) a higiene bucal, evitando o contato das cerdas e movimentos bruscos com as escovas sobre a mucosa bucal;

3) orientar sobre o uso de protetor es sobre os braquetes, fios e bandas para evitar mordidas ao dormir, durante o apertamento bucal e o bruxismo;

4) afirmar ao paciente que, após algumas semanas de uso do aparelho, sua mucosa bucal se adaptará, aumentando a queratinização, e as aftas diminuirão ou provavelmente desaparecerão.

Um dos cuidados que se deve ter ao receber o paciente com aftas bucais mais freqüentes ou numerosas, após a colocação dos aparelhos ortodônticos, consiste em checar se o paciente tem mucosas coradas, se o mesmo se cansa facilmente ao menor esforço ou tem histórico de anemia carencial. Em caso de dúvida diagnóstica de anemia, recomendase uma avaliação por parte do médico da família ou a critério do paciente. Em geral, quando o quadro de aftas está associado ao de anemia, a correção do problema hematológico melhora considerável, ou totalmente, o quadro bucal.

No mercado ortodôntico, existem braquetes, fios e outros acessórios cujas margens, bordas, ângulos e extremidades são menos cortantes e perfurantes para que sejam indicados na instalação de aparelhos em pacientes com história pessoal e familiar de aftas bucais e/ou de outras situações mais delicadas da mucosa bucal. Existem produtos confeccionados com material
macio e flexível, tipo silicone, para os profissionais e pacientes aplicarem eficientemente como protetores em braquetes, cera, fios e acessórios para que possam “escondê-los” da mucosa bucal
protegendo-a dos microtraumatismos, prevenindo-se aftas bucais.


Link do Artigo na Integra via Scielo:

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Pensamento da Semana




" Reparta seu conhecimento. É uma forma de alcançar a imortalidade "

Dalai Lama




sábado, 7 de fevereiro de 2009

Expansão rápida da maxila – avaliação de dois métodos de reconstrução 3D por meio de um modelo laboratorial





Neste artigo publicado em 2009, pela revista Dental Press, pelos autores Pollyana Marques de Moura, Lílian Vieira Lima, Marcelo Daniel Brito Faria, Bianca Gutfilen; da Faculdade de Odontologia da UFRJ - Rio de Janeiro. Mostra mais uma das aplicabilidades da tomografia cone Bean (Já comentada aqui no BLOG) como por tomografia volumetrica, auxiliando com maior precisão na visualização da maxila que sofreu ua disjunção.

O conceito da reconstrução em três dimensões (3D), na área da Saúde, existe bem antes da descoberta do aparelho de raios X e pode ser demonstrado através de modelos em cera do século XVIII e XIX, que apresentam os aspectos anatômicos e patológicos dos órgãos do corpo humano. A reconstrução em 3D por imagens permite melhor visualização das estruturas anatômicas, que normalmente se sobrepõem nas radiografias convencionais.

O processo da reconstrução tridimensional inicia-se a partir da secção da região a ser analisada, por meio de um tomógrafo computadorizado, resultando na síntese destes cortes por intermédio de programas de computadores, permitindo uma visualização espacial do objeto estudado. No entanto, apesar da tomografia computadorizada (TC) oferecer um melhor delineamento das estruturas ósseas da face do que a radiografia convencional, o alto custo dos exames e as altas doses de radiação exigemque o ortodontista selecione as situações em que os benefícios são superiores aos riscos.

A técnica cone beam computed tomography (CBCT) vem sendo introduzida na literatura odontológica como uma inovação na maneira de adquirir imagens volumétricas, com posterior reconstrução multiplanar. As mais importantes características são a menor quantidade de radiação e a alta resolução das imagens das estruturas dentomaxilofaciais, quando comparadas às da técnica fan bean. De fato, o tomógrafo computadorizado multislice é um sistema grande e caro, designado primeiramente para exame de todo o corpo. O tomógrafo CBCT apresenta-se como um sistema menor, com menor custo, desenhado para aquisição de imagens do complexo maxilomandibular.

No estudo, um modelo laboratorial para análise do efeito transverso da ERM, por meio de diferentes recursos de reconstrução tridimensional, foi desenvolvido a partir de um crânio seco humano pertencente à disciplina de Radiologia da Faculdade de Odontologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (FO/UFRJ). A expansão maxilar foi realizada com um disjuntor tipo Haas, com anéis adaptados aos segundos molares e aos primeiros pré-molares, pois esses elementos apresentavam suas raízes com maior inserção no processo alveolar, oferecendo melhor ancoragem para realização do procedimento.

Os cortes foram realizados ao nível das raízes dos pré-molares para avaliação axial; nessa profundidade de corte, não se observavam artefatos produzidos pelo aparelho expansor. A aquisição das imagens produziu resultados semelhantes para avaliação da abertura da sutura palatina mediana por uma e outra técnica.

A utilização de reconstruções tridimensionais possibilita averiguar, ainda com o aparelho expansor em posição, qual a real abertura conseguida e fazer a sobrecorreção necessária para o procedimento, baseando-se em mensurações da base óssea. A imagem tridimensional do arco dentário pode ser usada como modelo de estudo, dispensando-se a moldagem tradicional, difícil de ser realizada com o aparelho em posição, principalmente após as expansões assistidas cirurgicamente.


Link do Artigo a Integra via Scielo:

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Um estudo das características de atrito de quatro sistemas disponiveis comercialmente de braquetes auto-ligáveis.





Neste artigo de 2008, publicado pelo Eurpoean Journal of Orthodontics, pelos autores Steven Budd, John Daskalogiannakis and Bryan D. Tompson, da Universidade de Ontario - Toronto - Canadá. Realizaram um estudo detalhado sobre a produção de atritos em diferentes marcas de braquetes auto-ligáveis. Mas pessoalmente acho que o propicia mais atrito não são os braquetes e sim os fios e suas ligas de composição.

O objetivo do estudo foi avaliar e comparar in vitro o comportamento de quatro sistemas de braquetes auto-ligáveis disponíveis comercialmente. As características de fricção dos sistemas Damon3 ™, Speed ™, In-Ovation R ™, e Time2 ™ foi estudada usando um Jig que imita os movimentos tridimensionais que ocorrem durante a mecanoterapia.

Cada sistema de braquetes foram testados com os seguintes arcos de fios de aço inoxidável: 0,016 × 0,022, 0,019 × 0,025, 0,020 redondo, e 0,021 × 0,021 polegadas Speed ™ D-fio. Uma máquina de ensaio Instron com célula de carga de 50 N foi utilizado para medir os atritos e a resistência para cada mntagem braquete / dente. A velocidade foi fixada em uma taxa constante de 1 mm / minuto, e cada dente do typodont foi movido, uma segmento de fio fixo numa distância de 8 mm.

Análise estatística descritiva para cada braquete / arco ortodontico foi uma combinação no que diz respeito à resistência friccional. O braquete Damon3 ™ demontrou consistentemente a menor resistência à fricção deslizante, enquanto o sistema Speed ™ produziu significativamente (P <0,001).

O desenho do braquete de auto-ligavel (ação passiva versus ativa) parece ser a principal variável responsável pela resistência aos atritos gerada durante o tratamento. Os braquetes passivamente ligado produzem menos resistência aos atritos, em comparação com os de ação ativa, por sofrer mais diminuição atrito em função de diminuição do controle.
Link do artigo na integra via European Journal of Orthodonics (Abre automático):