ORTODONTIA CONTEMPORÂNEA

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

A relação entre o crescimento mandibular e a maturação esquelética em jovens brasileiras melanodermas




Neste artigo de 2010, publicado pelo Dental Press Journal Ortodontics, pelos autores Irene Moreira Serafim, Gisele Naback Lemes Vilani, Vânia Célia Vieira de Siqueira; Do Mestrado em Ortodontia pela PUC/Minas e da disciplina de Ortodontia da Faculdade de Odontologia de Piracicaba - Unicamp; Avalia o grau de correlação existente entre o crescimento mandibular e a maturação esquelética em jovens brasileiras melanodermas.


O conhecimento dos eventos relacionados ao crescimento e ao desenvolvimento craniofacial, mostra-se de suma importância na Ortodontia, pois a eleição de uma meta terapêutica que atue durante o crescimento maxilomandibular deve apoiar-se na avaliação da maturação esquelética do paciente. Constitui uma importante informação para o ortodontista, como um meio auxiliar na prevenção, no diagnóstico, no planejamento e no tratamento precoce das anomalias, uma vez que o sucesso ou fracasso do tratamento ortodôntico relaciona-se diretamente ao crescimento e desenvolvimento craniofacial.

Os métodos frequentemente utilizados para identificação da maturação esquelética englobam a idade cronológica, a dentária, a estatura, o peso, as manifestações das características sexuais secundárias e a avaliação do desenvolvimento de centros de ossificação. Contudo, os quatro primeiros métodos mostraram-se pouco eficazes, enquanto a avaliação da idade óssea, utilizando,
principalmente, radiografias de mão e punho, representa o registro mais fiel da idade esquelética.
Encontra-se bem estabelecida na literatura a estreita relação existente entre a idade em que ocorre a maior taxa de crescimento corporal e o período de mineralização de centros de ossificação presentes na mão e no punho.

Algumas investigações comprovaram a existência de um surto de crescimento facial e consideraram a época de sua ocorrência, de um modo geral, coincidente à do surto de crescimento em estatura. Outras pesquisas concordaram com essa correlação, mas, durante uma avaliação em meninos, o surto de crescimento em estatura ocorreu discretamente antes do facial, e o surto de crescimento estatural nas meninas ocorreu anteriormente ao incremento máximo da mandíbula. As pesquisas indicaram que os aumentos e diminuições na velocidade de maturação esquelética são acompanhados por aumentos e diminuições semelhantes, em alguns aspectos do crescimento da face, particularmente da mandíbula.


A maioria dos autores mostrou-se unânime em afirmar que a avaliação da radiografia da mão e punho representa o método mais utilizado para observação da idade óssea, bem como da maturação esquelética. Outros estudos, no entanto, utilizaram o grau de pneumatização do seio frontal como método para avaliação esquelética, observando que essa estrutura anatômica apresentou correlação com a maturidade esquelética avaliada por meio das radiografias de mão e punho.


No presente estudo, buscou-se correlacionar as modificações na falange proximal do 3º dedo e na epífise distal do rádio, avaliadas nas radiografias de mão e punho, com a pneumatização do seio frontal, avaliada nas telerradiografias obtidas em norma lateral e com o incremento anteroposterior da mandíbula.


Para avaliação do crescimento puberal, utilizou-se as radiografias de mão e punho devido ao grau de fidelidade que essa área proporciona. Escolheu-se a metodologia de Eklöf e Ringertz, pois esse método mostrou-se adequado para a avaliação de pacientes brasileiros, confiável e facilmente reproduzível por diferentes examinadores, por utilizar parâmetros bem definidos.


O presente estudo indicou que o início do surto de crescimento puberal iniciou entre 9 e 10 anos, com o pico aos 12 anos, sugerindo uma possível precocidade das jovens melanodermas em sua maturidade esquelética, estando de acordo com os resultados obtidos em estudos prévios. Pesquisas avaliando jovens leucodermas mostraram que o início do surto de crescimento puberal ocorreu na idade média de 10,5 anos e o pico de velocidade de crescimento puberal aconteceu em média 2 anos após o início do surto ou mais tardio, entre 13 e 14 anos de idade.




Conclusões


De acordo com as características da amostra avaliada, com a metodologia empregada e com os resultados e as informações obtidas, concluiu-se que ocorreu uma correlação altamente significativa entre os centros de ossificação observados na radiografia de mão e punho e as medidas cefalométricas representativas do crescimento mandibular (r = 0,777). Apesar de estatisticamente significativa, ocorreu uma baixa correlação entre a pneumatização do seio frontal e os eventos da maturidade esquelética (r = 0,306), assim como a relação entre a pneumatização do seio frontal e as medidas cefalométricas representativas do crescimento mandibular (r = 0,218).




Link do artigo na Integra via Scielo:


terça-feira, 14 de novembro de 2017

Fios e braquetes: o movimento em evolução












Artigo Publicado na edição comemorativa de 50 anos da Revista da Sociedade Paulista de Ortodontia OrtoSPO.
Como os novos materiais e a compreensão dos conceitos biomecânicos contribuíram para a evolução dos dispositivos ortodônticos.

Colaboração: Marlos Loiola e Hugo Trevisi


Por Adilson Fuzo e João de Andrade Neto


Protagonistas da movimentação dentária na Ortodontia atual, fios ortodônticos e braquetes acompanham a evolução secular da especialidade. Desde 1728, quando o francês Pierre Fauchard relatou o primeiro método de movimentação dentária através de uma tira de metal perfurada, as mudanças alcançaram a concepção dos dispositivos e os materiais utilizados. O entendimento correto da biomecânica, aliado às novas descobertas tecnológicas, revolucionou os tratamentos realizados com aparelhos ortodônticos.
Fauchard inventou um aparelho que chamou de “bandeou”, que utilizava uma tira em forma de ferradura, onde os dentes mal posicionados eram presos por meio de fibras e, assim, se deslocavam. Depois, ao longo do século 18, diversos autores desenvolveram técnicas de formas isoladas através de experiências clínicas, com a utilização de aparelhos de borracha, de prata e de metais, como bronze, e até madeira. “Até aquele momento, cada um enxergava as más-oclusões e tratava de acordo com suas perspectivas, conhecimentos e experiências clínicas. Era como se fossem formações e pontos de vistas diferentes, mas com soluções”, conta o mestre em Ortodontia Marlos Loiola.
A errática linha evolutiva da Ortodontia só passou a contar com um eixo consistente a partir de 1899, quando Edward H. Angle apresentou sua famosa classificação das más-oclusões. Angle ficou marcado na história da especialidade por contribuir em diversos aspectos da compreensão da biomecânica, assim como pelos aparelhos que desenvolveu.

O primeiro dispositivo importante foi o arco em E, descrito em 1890. O aparelho era simples e proporcionava bom alinhamento dos dentes pelo uso de bandas nos molares, com tubos vestibulares rosqueados e arco de expansão, também rosqueado, para conexão com os tubos. Isso aumentava o perímetro do arco e, assim, era possível obter espaço e posicionar os dentes.

Angle imaginava que este era o primeiro mecanismo que controlava e distribuía as forças de maneira fisiológica, realizando movimentos dentários que respeitassem os tecidos envolvidos. Mas, ainda não era possível obter o controle das rotações. Desta forma, em 1916, Angle desenvolveu o aparelho de arco de cinta, que tinha um delicado bloco de metal soldado às bandas. O dispositivo foi denominado “braquete” pelo autor. Também conhecido como “ribbon arch”, o aparelho conseguiu individualizar acessório por acessório, além de apresentar encaixes verticais no sentido oclusogengival. Nele, arcos retangulares eram colocados passivamente e por meio de dobras. Desta forma, os arcos com retificação assumiam a forma ideal e alinhavam os dentes. A partir daí, as forças passaram a ser transmitidas aos dentes por intermédio dos braquetes.

Ao longo desse período de desenvolvimento, os metais utilizados também passaram por uma evolução. Ele utilizava ligas de níquel-prata para confeccionar acessórios ortodônticos, o que dava um volume maior aos dispositivos. Depois, fez a substituição por ligas de cobre, níquel e zinco sem prata. Até que, posteriormente, passou a escolher as ligas de ouro.
No final de sua carreira, em 1928, Angle apresentou o aparelho Edgewise (arco de canto), certamente uma de suas mais importantes contribuições para a Ortodontia. O aparelho também fazia uso de arcos retangulares presos às canaletas por meio de ligaduras metálicas, de modo que permitia a movimentação do elemento dentário em todas as direções. Os primeiros braquetes já eram confeccionados em ouro maleável, com fácil deformação. O Edgewise permitia a execução da movimentação dos dentes em todas as direções.
O domínio do Edgewise só voltou a ser impactado com a chegada do aparelho Straight-Wire, desenvolvido por Lawrence F. Andrews em 1970. Analisando possíveis melhorias em relação ao conceito do Edgewise, Andrews incorporou as “dobras” necessárias para movimentar os dentes nas direções desejadas no desenho dos braquetes, de forma mais previsível e em menos tempo. Na tentativa de aperfeiçoar ainda mais o aparelho, foram desenvolvidas séries de braquetes Straight-Wire para casos com extração, seguindo os conceitos de angulação, torque e antirrotação, que buscavam anular os efeitos colaterais dos movimentos de translação. Andrews preconizou, ainda, três especificações de torque diferentes para os incisivos superiores e inferiores. O aparelho passou, então, a conter várias prescrições.

Desde então, as novidades mais notáveis são de materiais, em especial para os braquetes. A Ortodontia estética ganha destaque e, com ela, os braquetes de porcelana e os cerâmicos, também conhecidos como safira. Eles têm forte apelo junto aos pacientes adultos, que passaram a representar uma parcela relevante nos atendimentos, por conta da estética.

À primeira vista, a evolução dos fios e braquetes se confunde com a trajetória da própria Ortodontia. No entanto, as últimas décadas ofereceram outros dispositivos que potencializaram o arsenal do ortodontista, como os alinhadores estéticos, os mini-implantes, as miniplacas etc., ampliando as possibilidades de tratamento. Somam-se a esse quadro as técnicas cirúrgicas de aceleração do tratamento e as tecnologias digitais, cada vez mais presentes. Diante disso, a evolução da Ortodontia abre perspectivas ainda mais animadoras para o futuro. Qual será o próximo advento a nos surpreender?


Link do artigo na integra via Ortociencia:

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Homenagem in memorian ao Prof. Arno Locks

Prof. Dr. Arno Locks
1947 - 2017
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Assim como em outras tristes oportunidades, este blog registra a perda de um dos grandes nomes da ortodontia mundial.
Catarinense, da cidade de Braço do Norte, mudou-se para Florianópolis ainda criança e se formou em Odontologia pela UFSC, em 1973. Iniciou seus estudos em ortodontia no Rio de Janeiro e retornou à Santa Catarina como Mestre para assumir o cargo de professor da UFSC. Mesmo já sendo um prestigiado professor, foi a Araraquara para cursar o programa de Doutorado na UNESP quando foi apresentado à técnica do Arco Segmentado e à mecânica ortodôntica com sistemas de forças predeterminados. Seguindo nesta linha, cursou Pós doutorado na Dinamarca (Aarhus University) sob orientação da Dra. Birte Melsen. Autor de diversos artigos com grande influência no meio científico e clínico ortodôntico.


Toda a comunidade ortodôntica lamenta profundamente sua partida e há muitos relatos de sua personalidade risonha. Neste momento sentimos muito em não termos tido muitas oportunidades de convivência com ele.

A todos os familiares e amigos, nossas condolências. A todos os ortodontistas e futuros ortodontistas, deixo aqui o registro deste grande professor, clínico e entusiasta da nossa especialidade. 

Informações extraídas do seu perfil no Facebook e intrevista publicada pela DentalPress e disponível nesse LINK

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Análise tridimensional do movimento ortodontico dentário baseado em sistemas XYZ e no eixo helicoidal finito




Neste artigo de 2007, publicado no European Journal of Orthodontics; pelos autores Kazuo Hayashi, Jun Uechi, Seung-Pyo Lee e Itaru Mizoguchi; do Department of Orthodontics, School of Dentistry, Health Sciences University of Hokkaido, Japão e do Department of Oral Anatomy, College of Dentistry, Seoul National University, Corea. Mostra uma aplicação de um software na analise da movimentação Ortodontica em caninos superiores com niveis de força diferentes.

O objetivo deste estudo foi demonstrar a vantagem do sistema do eixo helicoidal finito (FHA)para análise biomecânica do movimento dentário ortodôntico, comparando-a com as coordenadas retangulares (XYZ) do sistema.

Dez pacientes (6 mulheres e 4 homens, com a idade média de 23 anos e 7 meses) foram selecionados. Com tração de caninos superiores utilisando forças contínuas de diferentes magnitudes (0,5 e 1 N), foi usada para retrair os canisnos direito e esquerdo em indivíduos que necessitaram de ancoragem posterior máxima. Os resultados foram comparados com base em implantes palatinos médios que proporcionou uma referência fixa para a medição. A significância da diferença entre os resultados obtidos com as duas magnitudes de forças diferentes foi determinada pelo teste-rank de Wilcoxon.


Em ambos, as coordenadas XYZ e o sistema FHA, não ocorreram diferenças significativas na quantidade de movimento distal desses caninos em mais de dois meses, as diferenças encontradas entre as duas magnitudes de força. No entanto, os resultados mostraram que os caninos eram susceptíveis de inclinação distal durante a retração com uma força de 1 N em comparação com a força de 0,5 N.


Neste estudo, a combinação dessas duas abordagens diferentes para descrever o movimento do dente claramente mostrou uma diferença entre as forças contínuas de 0,5 e 1 de N.




Link do artigo na integra:



terça-feira, 31 de outubro de 2017

Consenso brasileiro de ronco e apneia do sono – aspectos de interesse aos ortodontistas



Neste artigo de 2011, publicado pelo Dental Press Journal Orthodontics, pelos autores Cauby Maia Chaves Junior, Cibele Dal-Fabbro, Veralice Meireles Sales de Bruin, Sergio Tufik, Lia Rita Azeredo Bittencourt; da Disciplina de Ortodontia – Depto. Clínica Odontológica - Universidade Federal do Ceará (UFC) e do Depto. Psicobiologia - Medicina e Biologia do Sono – Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP-EPM). Explicita o posicionamento das sociedades médicas que, reu- nidas, estabeleceram consenso sobre os parâmetros clínico-laboratoriais que envolvem os distúrbios respiratórios do sono, em especial o ronco e a síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS).

Os distúrbios do sono podem ser agrupados e classificados de diversas formas. Já foram realizadas três classificações e, atualmente, segue-se o manual da classificação internacional dos distúrbios do sono da Academia Americana de Medicina do Sono publicado em 2005 (ICSD-2, 2005). Duas outras classificações precederam essa, a de 1979 e a de 1990, sendo essa última revisada em 1997. Os distúrbios do sono são classificados em oito grupos, sendo a síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS) classificada dentro do grupo II, como um distúrbio respiratório relacionado ao sono, ao lado da síndrome da apneia central do sono, e das síndromes de hipoventilação/hipóxia relacionadas ao sono.

Os distúrbios respiratórios relacionados ao sono são prevalentes, mas nem sempre diagnosticados ou tratados adequadamente. A SAOS é uma das entidades clínicas mais encontradas na população e suas consequências envolvem sonolência excessiva e risco de acidentes de trabalho e de trânsito, além de déficits cognitivos e doenças cardiovasculares.


No ano de 2007, por iniciativa da Associação Brasileira do Sono, juntamente com a Academia Brasileira de Neurologia, a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial, a Sociedade Brasileira de Pediatria, a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia e a Sociedade Brasileira de Neurofisiologia Clínica, buscou-se uniformizar no Brasil o diagnóstico e tratamento da SAOS em adultos, crianças e adolescentes. A Odontologia foi representada por três cirurgiões-dentistas pesquisadores da área de sono convidados pela Associação Brasileira de Sono.


Várias reuniões entre os membros das referidas sociedades e investigações em estudos da literatura médica nortearam as recomendações deste consenso.

Os distúrbios respiratórios relacionados ao sono são classificados em: Síndrome da Apneia Central do Sono (SACS), Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS), Síndromes de Hipoventilação/Hipóxia relacionadas ao sono, Síndromes de Hipoventilação/Hipóxia relacionadas ao sono devido a condições médicas, e outros Distúrbios Respiratórios do Sono. Alguns desses distúrbios, como a SACS e as Síndromes de Hipoventilação, possuem subtipos que não são o foco desse texto, além disso, são entidades clínicas em que o ortodontista não tem atuação. Sendo assim, a ênfase maior será dada à SAOS e aos distúrbios respiratórios nos quais o ortodontista tem atuação efetiva.

O ronco primário é definido, segundo a Classificação Internacional dos Distúrbios do Sono (ICSD-2), como a presença de ruído característico de ronco durante o sono, na ausência de alterações na saturação da oxihemoglobina, nas variáveis das medidas ventilatórias e no eletroencefalograma. O ronco, assim como a presença de apneias, pode ser exacerbado após a ingestão de álcool ou do aumento de peso.

Na SAOS, a obstrução na via aérea ocorre concomitantemente ao esforço respiratório contínuo com inadequada ventilação. As formas do adulto e da criança são identificadas separadamente por possuírem diferentes formas de diagnóstico e tratamento. A abordagem do presente texto será direcionada para a SAOS em adultos, onde a síndrome é mais prevalente.

SAOS no Adulto

É caracterizada por episódios repetidos de obstrução completa ou parcial da via aérea durante o sono. Esses eventos, frequentemente, resultam em reduções na saturação sanguínea de oxigênio e despertares associados ao seu término. Por definição, esses eventos devem durar pelo menos 10 segundos e podem ocorrer em qualquer estágio do sono, porém são mais comuns nos estágios N1 (estágio 1 do sono não REM), N2 (estágio 2 do sono não REM), R (sono REM) do que no N3 (estágio 3 do sono não REM, ou sono de ondas lentas). Quando ocorrem no sono REM, em geral são mais longos e associados à dessaturação mais grave. A saturação de oxihemoglobina geralmente volta aos valores de normalidade após o retorno da respiração normal.

Os sintomas mais comuns são o cansaço ao acordar e a sensação de sono não reparador (independentemente da duração do sono), sonolência excessiva durante o dia e piora na qualidade de vida. O companheiro de quarto relata ronco, episódios de engasgo ou parada respiratória, além de movimentos frequentes que interrompem o sono.

Diagnóstico

O estudo polissonográfico (PSG) de noite inteira, realizado no laboratório sob supervisão de um técnico habilitado em polissonografia, constitui o método diagnóstico padrão para a avaliação dos distúrbios respiratórios do sono (nível de evidência I). Recomenda-se um registro de pelo menos 6 horas, com a monitorização mínima dos seguintes parâmetros:

• eletroencefalograma: eletrodos F3, C3, O1 e com referência na mastoide contralateral;
eletro-oculograma esquerdo e direito;
eletromiograma da região mentoniana;
eletromiograma de membros inferiores (músculo tibial anterior bilateralmente);
fluxo aéreo nasal e oral registrado por sensores do tipo termístor ou termopar;
registro de pressão nasal obtido por transdutor de pressão;
registro do movimento torácico e abdominal por meio de cintas de indutância e piezo-elétricas;
eletrocardiograma;
oximetria digital;
registro de ronco com microfone traqueal;
registro de posição corporal.

Tratamento com aparelhos Intra-Orais

Os aparelhos intra-orais (AIO) se constituem em uma opção, com altos níveis de evidência, para tratamento dos distúrbios respiratórios do sono. Os tratamentos com aparelhos de pressão positiva na via aérea (como o CPAP), tratamentos cirúrgicos de tecidos moles faríngeos e/ou esqueléticos faciais também fazem parte do arsenal terapêuticopara os distúrbios respiratórios que acontecem durante o sono. Essas modalidades de tratamento não serão abordadas aqui, pois os ortodontistas utilizam como ferramenta terapêutica principalmente os aparelhos intra-orais.

Dessa forma, fica bem definido o papel do cirurgião-dentista para:

Reconhecer um possível distúrbio do sono e/ou fatores de risco associados, orientar e recomendar apropriadamente o paciente e encaminhar ao médico.

Solicitar exame polissonográfico quando julgar necessário.

Iniciar e monitorar o tratamento com AIO como parte da conduta conjunta com o médico.

Monitorar e tratar potenciais efeitos colaterais dos AIOs.

Realizar o acompanhamento em longo prazo do paciente em tratamento com AIO.

Estar envolvido em equipes multidisciplinares no manejo cirúrgico dos pacientes com distúrbios respiratórios do sono, em especial quando houver necessidade de cirurgia ortognática.

Trabalhar em crianças ou adolescentes de forma preventiva ou interceptora, promovendo crescimento ósseo adequado para minimizar os componentes anatômicos de um quadro futuro de ronco e SAOS; ou em crianças já diagnosticadas com ronco ou SAOS, realizando tratamento ortodôntico-ortopédico facial indicado.

Conclusões

O ortodontista que atua ou pretende atuar na área de sono precisa, fundamentalmente, conhecer em profundidade os parâmetros de diagnóstico clínico-laboratoriais adotados, as definições estabelecidas e os limites de sua área de atuação junto às equipes multidisciplinares que acompanham e tratam distúrbios respiratórios do sono.

O ortodontista pode solicitar avaliação polissonográfica quando julgá-la necessária, sendo o diagnóstico definitivo dos distúrbios do sono, de sua gravidade e a avaliação das comorbidades atribuições do médico, com base nos achados polissonográficos. O ortodontista é muito importante na identificação de sítios obstrutivos faríngeos, na avaliação e tratamento ortopédico e/ou cirúrgico das desarmonias maxilomandibulares, bem como na terapia da SAOS com aparelhos intra-orais.


Link do artigo na Integra via Scielo:

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Análise tridimensional de protração maxilar com elásticos intermaxilares e miniplacas





Neste artigo de 2010, publicado pelo American Journal Orthodontics Dentofacial and Orthopedics, pelos autores Gavin C. Heymann, Lucia Cevidanes, Marie Cornelis, Hugo J. De Clerck, e J. F. Camilla Tulloch; do Department of Orthodontics, University of North Carolina, Chapel Hill e Department of Orthodontics, University of Geneva; Formerly consultant, Experimental Morphology Unit and Department of Orthodontics, Université catholique de Louvain, Brussels, Belgium; Mostra um belo estudo de sobreposição com Tomografias Computadorizadas Cone-Beam, demonstrando a eficiencia e resultados promissores do protocolo de protração maxilar associando Mini Placas e Elasticos Intermaxilares.


O tratamento da Classe III, com mascara de tração reversa geralmente resulta em protração maxilar esquelética, mas também é freqüentemente acompanhado por efeitos desfavoráveis dentoalveolar.


Um tratamento alternativo com elásticos intermaxilares associados a um dispositivo de ancoragem temporária, poderia permitir alterações esqueléticas favoráveis sem os efeitos dentoalveolares indesejados.

Seis pacientes (três meninos, três meninas, com idades, 10-13 anos 3 meses), com oclusão Classe III associada a deficiência maxilar, foram tratados usando elásticos intermaxilares e miniplacas de titânio.

Tomografias Computadorizadas Cone-beam foram tomadas antes e após o tratamento e posteriormente usados para criar modelos tridimensionais volumétricos, que foram sobrepostos a estruturas da base anterior do crânio para determinar alterações anatômicas durante o tratamento.

O efeito das forças intermaxilares com elástico agiu em todas as estruturas nasomaxilares. Todos os 6 pacientes mostraram melhorias no relacionamento esquelético, principalmente através de avanço maxilar, com pouco efeito sobre as unidades dentoalveolares ou mudança de posição mandibular.

CONCLUSÃO

O uso de forças intermaxilares aplicadas a dispositivos temporários de ancoragem parece ser um método de tratamento promissor.


Link do artigo na integra via NCBI:

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Deiscência e fenestração nas má oclusões esquelética de Classe I, II, III avaliadas com tomografia computadorizada cone-beam


Neste artigo de 2012, publicado pela Angle Orthodontist, pelos autores Ahmet Yagci; Ilknur Veli; Tancan Uysal; Faruk Izzet Ucar; Torun Ozer; Sukru Enhos; Department of Orthodontics, Faculty of Dentistry, Erciyes University, Kayseri; Department of Orthodontics, Faculty of Dentistry, Dicle University; Department of Orthodontics, Faculty of Dentistry, Dicle University - Turkey; Department of Pediatric Dentistry and Orthodontics, College of Dentistry, King Saud University, Riyadh, Saudi Arabia; Mostra um estudo avaliando caracteristicas do periodonto de sustentação nas má oclusões através de imagens obtidas com tomografias de feixe cônico. 

Este estudo foi realizado com o intuito de testar a hipótese nula de que a presença de deiscência e fenestração não seria diferente entre os pacientes com padrão esquelético e má oclusões de Classe I, II, III.

Neste estudo retrospectivoum total de 123 imagens deTomografias Computadorizada de Feixe Cônico(CBCT) foram obtidas com um tomografo iCAT(Imaging Sciences International, Hatfield, Pa). Os pacientes com padrões verticais normais foram classificados de acordo com a má oclusão dentária e ângulo ANBClasse I composta por 41 pacientes - 21 meninas e 20 meninos (idade média de 22,4 +- 4,5 anos), Classe II foi composta por 42 pacientes - 22 meninas e 20 meninos (idade média de 21,5 +- 4,2 anos) e Classe III constituída de 40 indivíduos - 22 meninas e 18 meninos (idade média, 22,1 +- 4,5 anos). Um total de 3444 dentes foram avaliados. A análise de variância e teste de Tukey foram usados ​​para comparações estatísticas no nível P< 0,05.

A análise estatística indicou que o grupo de Classe II teve uma maior prevalência de fenestração que os outros grupos (P < .001). Não foi encontrada diferença na prevalência de deiscência entre os três gruposEmbora fenestração tenha ocorrido com maior prevalência na maxila, foi encontrada mais deiscências na mandíbula em todos os gruposNa Classe I, os defeitos alveolares (deiscênciafenestraçãoforam pareados relativamente em ambos as bases osseas (maxila e mandibula). Além disso, nos indivíduos Classe II e de Classe III tinham mais defeitos alveolares (41,11% e 45,02%, respectivamente) na mandíbula. Deiscências foram observados com maior freqüência nos incisivos inferiores de todos os grupos.

A hipótese nula foi rejeitadaDiferenças significativas na presença de fenestração foram encontrados entre os indivíduos com padrão esquelético de Classe I, Classe II, e Classe III. Fenestrações teve maior prevalência na maxila, mas deiscências foram mais encontradas na mandíbula.


Link do artigo na integra via Angle Orthodontist:



sábado, 14 de outubro de 2017

Estimulação de materiais biomiméticos com polidopamina e células-tronco mesenquimais derivadas da medula óssea para promover os efeitos osteogênicos






Neste artigo 2017, publicado na Nature pelos autores Dong Joon Lee, Yan-Ting Lee, Rui Zou, Renie Daniel e Ching-Chang Ko. Do Oral and Craniofacial Health Sciences Research, e do Department of Oral and Maxillofacial Surgery, School of Dentistry, University of North Carolina , Chapel Hill, USA
 
 
Um material composto por hidroxiapatita-colágeno (HC) pode imitar a composição e as ultra-estruturas do osso natural e proporcionar interações bioativas de material e tecido. A incorporação de dopamina (DA) é uma das chaves para aumentar a resistência mecânica do material HC para se aproximar da do osso cortical. 

Neste estudo, os efeitos osteogénicos in vitro do silicato de cálcio e colágeno de hidroxiapatita com ligação à polidopamina (HCCS-PDA) foram examinados através da cultura de células-tronco mesenquimais de ratos (rMSCs) em placas revestidas de HCCS-PDA e HCCS. O grupo HCCS-PDA demonstrou menos citotóxicos do teste citotóxico Vivo/Morto e apresentou maior ligação celular, proliferação e mineralização do que o grupo HCCS in vitro. 

Para a regeneração óssea in vivo, as partículas de HCCS-PDA ou HCCS com ou sem agregados de rMSC foram implantadas em defeitos de calvária de tamanho crítico de rato (CSD). Após 12 semanas, a regeneração do osso calvário foi avaliada radiograficamente, histologicamente e histomorfométricamente. Enquanto a maioria da nova formação óssea ocorreu em torno das partículas de HCCS-PDA com agregados de rMSC, as partículas de HCCS-PDA sem agregados de rMSC mostraram osteoconductividade limitada. HCCS com ou sem agregados de rMSC resultou em menor formação óssea, indicando um papel proeminente de DA na regeneração óssea etiva. 

Portanto, o biomaterial HCCS-PDA com o auxílio de rMSCs pode ser usado para desenvolver estratégias terapêuticas na engenharia de tecido ósseo com aplicações clínicas numeráveis.

Os autores concluir que  o novo biomaterial HCCS-PDA foi testado para o efeito osteogênico nas rMSCs. Verificou-se que as partículas de HCCS-PDA semeadas com agregados de rMSC poderiam aumentar a ligação celular, a proliferação e a mineralização in vitro com uma citotoxicidade mínima. Além disso, a implantação dessas partículas em um defeito de tamanho crítico calválico de rato produziu um efeito sinérgico para aumentar a formação óssea local in vivo. A DA gratuita da HCCS-PDA teve um efeito sobre mineralização por receptores DA expressados em rMSCs. No geral, os resultados indicam que o biomaterial HCCS-PDA pode servir como um material osteocondutor, com potencial de desenvolvimento em estratégias  terapêuticas e aplicações clínicas na engenharia de tecido ósseo.

Link do artigo na integra via Nature: