ORTODONTIA CONTEMPORÂNEA

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Avaliação dinâmica do sorriso em diferentes padrões esqueléticos



O presente artigo de 2016, publicado pela Angle Orthodontist, pelos autores Noshi Siddiqui; Pradeep Tandon; Alka Singh; Jitesh Haryani; do Department of Orthodontics and Dentofacial Orthopedics, Faculty of Dental Sciences, King George’s Medical University, Lucknow, Uttar Pradesh, India. Apresenta uma avaliação dinâmica do sorriso em diferentes padrões esqueléticos e sua correlação com a altura do sorriso e seus fatores causais subjacentes.

O presente artigo descreveu uma análise de sorriso da qual foram selecionados um total de 150 participantes com idade entre 16 e 25 anos, e dividido em um de três grupos - padrão esquelético horizontal, médio e vertical - seguindo três parâmetros cefalométricos: relação SN-MP, FMA e Jarabak. Foram realizados registros videográficos do sorriso com a câmara de vídeo digital (Nikon D7100 Câmera DSLR com lente de 18-105mm; Nikon, Tóquio, Japão) e importados para um Software de edição de vídeo (Adobe Premiere Pro CC versão 7.0.0; Adobe Systems Inc., San Jose, Califórnia), que fornece quadros (30 imagens por segundo) que podem ser visualizados individualmente. Os registros foram medidos e analisados em repouso, incluindo o comprimento do lábio superior, e durante o sorriso, incluindo a exposição do incisivo superior, espaço interlabial, largura intercomissural, mudança no comprimento do lábio superior, e arco do sorriso.

As medidas encontradas do comprimento do lábio superior (P< 0,01), exposição do incisivo superior (P< 0,001), espaço interlabial (P< 0,001), e alteração no comprimento do lábio superior (P< 0,001), foram significativamente maiores no padrão vertical quando comparados com o padrão horizontal, enquanto largura intercomissural foi significativamente diminuída no padrão vertical quando comparado com o padrão horizontal (P< 0,001). O plano do arco do sorriso foi visto com mais frequência no padrão horizontal.

Os autores concluíram que diferentes padrões esqueléticos exibem características do sorriso específicas. O comprimento do lábio superior não é responsável pelo aumento da exibição incisal durante o sorriso. Aumento da exibição incisal durante o sorriso está mais associada à elevação do lábio superior do que ao padrão esquelético vertical e fatores dentários, no entanto observou-se maior elevação do lábio em pacientes dolicocefálicos. Constataram também que o plano do arco o sorriso é melhor distribuído no padrão esquelético horizontal, enquanto o arco do sorriso paralelo é mais comum no paciente com padrão esquelético vertical.  (Angle Orthod. 2016; 86: 1019-1025)

PALAVRAS-CHAVE: Sorriso dinâmico; Padrão esquelético; Dimensão vertical

Tradução e colaboração: Dra Nathalia Torres


Link do artigo na integra via Angle Orthodontist:


segunda-feira, 15 de maio de 2017

15 de maio de 2017 primeira celebração do Dia Mundial da Saúde em Ortodontia

15 de maio de 2017 é o primeiro Dia Mundial da Saúde Ortodôntica, ea WFO criou um logotipo especial e cartazes que irão estabelecer a identidade da marca desta celebração anual para a frente. O logotipo, disponível em uma variedade de formatos, está disponível para download (veja abaixo). Os membros da WFO devem usar este logotipo em todos os materiais promocionais para esta celebração. Clique nos cartazes ou veja a página do site em cartazes para obter mais informações.


O Comitê de Promoções da WFO composto pelo Dr. Nikhilesh Vaid, presidente; Dr. Ricardo Machado Cruz do Brasil e Dr. Yanheng Zhou da China avaliaram mais de 25 projetos voltados para criar um logotipo que simbolicamente representa o Dia Mundial da Saúde Ortodôntica.

O artista, Ananth Shankar,  renomado designer e cartunista, escreve sobre o logotipo escolhido:

"O Dia Mundial da Saúde Ortodôntica é comemorado por um logotipo que visa tornar-se um ícone facilmente reconhecido de cuidados ortodônticos em todo o mundo."




O Comitê Executivo da WFO escolheu o dia 15 de maio para o Dia Mundial de Saúde em Ortodontia, uma vez que marca a assinatura do estatuto da WFO em 1995 durante o IV Congresso Internacional de Ortodontia, em São Francisco. Dia Mundial da Saúde em Ortodontia é projetado para amarrar o passado e futuro da WFO juntos.



As organizações afiliadas foram encorajadas a planejar atividades neste dia com sua associação. Essas atividades podem ser de natureza promocional ou científica. Outras celebrações serão realizadas em todo o mundo. O Nepal acolhe o 2º Congresso Regional Ortodôntico da SAARC em Katmandu, Nepal, no dia 15 de maio, que atrairá muitos membros da Sociedade Ortodôntica da Ásia-Pacífico. Dr. Vaid e organizadores da conferência estão planejando uma corrida de saúde em  ortodôntia em Katmandu. Este evento será seguido por uma coletiva de imprensa. 


Maiores informações no site da World Federation of Orthodontists:

http://www.wfo.org/about-wfo/world-orthodontic-health-day/



segunda-feira, 8 de maio de 2017

Validade da superposição palatina tridimensional de modelos digitais, em casos tratados com expansão rápida da maxila e mascaras de protração maxilar



Neste artigo de 2012, publicado pelo The Korean Journal of Orthodontics, pelos autores Jin-Il Choi, Bong-Kuen Cha, Paul-Georg Jost-Brinkmann, Dong-Soon Choi, In-San Jang; do Departament of Orthodontics, College of Dentistry, Gangneung-Wonju National University, Gangneung, Korea;  Departament of Orthodontics, Dentofacial Orthopedics and Pedodontics, Center for Dental and Craniofacial Sciences, Charité- Universitätsmedizin, Berlin, Germany; Mostra um estudo que compara os modelos digitais tridimensionais através de um superposição com o objetivo de avaliar os resultados da disjunção maxilar associada a protração.

O propósito deste estudo foi avaliar a validade do método de sobreposição tridimensional (3D) de modelos digitais em pacientes que receberam o tratamento com expansão rápida da maxila (ERM) associada a protração maxilar.

O material consistiu de modelos dentários digitais superiores pré e pós-tratamento além de cefalogramas laterais de 30 pacientes, que foram submetidos a RME e tratamento protração maxilar. Os modelos digitais foram sobrepostas utilizando o palato como uma área de referência. O movimento do incisivo central superior e primeiro molar foi medido nos cefalogramas sobrepostos e nos modelos 3D digitais. Para determinar se existia alguma diferença entre as duas técnicas de medição, as  correlação intra-classe (ICC) e Bland-Altman foram analisados.

As medições de sobreposição dos modelos 3D digitais e cefalogramas mostrou uma correlação muito alta em relação a direção ântero-posterior (ICC, 0,956 para 0,941 incisivo central e para primeiro molar) e uma correlação moderada na direção vertical (ICC, 0,748 para incisivo central e 0,717 para primeiro molar). 

Os autores concluíram que o método de sobreposição de modelos 3D utilizando o palato como um a área de referência é clinicamente confiável para avaliar a movimentação dentária antero-posterior assim como a sobreposição cefalométrica, mesmo nos casos tratados com aparelhos ortopédicos, tais como RME e mascaras de protração maxilar.

Link do artigo na integra via e-kjo:

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Variante do gene receptor hormonal do crescimento e da morfologia tridimensional mandibular



Neste artigo publicado em 2017, na Angle Orthodontist, pelos autores Takatoshi Nakawaki; Tetsutaro Yamaguchi; Mutsumi Isa; Akira Kawaguchi;Daisuke Tomita; Yu Hikita; Yoko Suzuki-Tomoyasu; Mohamed Adel; Hajime Ishida; Koutaro Maki; Ryosuke Kimura; do Department of Orthodontics, School of Dentistry, Showa University, Tokyo, Japan, Department of Human Biology and Anatomy, Graduate School of Medicine, University of the Ryukyus, Okinawa, Japan; Department of Human Biology and Anatomy, Graduate School of Medicine, University of the Ryukyus, Okinawa, Japan; Mostra um estudo de marcadores genticos que norteiam o crescimento tridimensional da mandíbula.
 
 Foi realizado um estudo com intuito de examinar a relação entre a morfologia tridimensional mandibular e as variantes do gene do receptor da hormonal do crescimento (GHR) numa população japonesa saudável.

Os sujeitos eram pacientes ortodônticos japoneses não relacionados, consistiam em 64 homens e 114 mulheres. Utilizando o ensaio de genotipagem de Taqman, as variantes do gene GHR rs6184 e rs6180 foram detectadas no DNA genómico extraído da saliva. O volume e o comprimento mandibular foram medidos a partir de imagens de tomografia computadorizada cone-beam e foram analisadas usando o software de processamento de imagem Analyze. A relação entre as variantes do gene GHR e a morfologia mandibular tridimensional foi analisada estatisticamente.

Foi observada significância estatística para a relação entre a distância entre os processos coronoide esquerdo e direito e rs6180 (P, 0,05).

Os autores concluíram que os resultados indicaram que a variante do GHR rs6180 está associada à distância entre o processo coronoide esquerdo e direito nos pacientes japoneses.

Link do artigo na integra via Angle Orthodontist:

 
 

segunda-feira, 1 de maio de 2017

O que será que os pacientes falam, de forma espontânea, sobre braquetes e alinhadores?

Saber se comunicar bem com o paciente pode ser um grande diferencial na vida clínica. Para isso, entender as demandas, expectativas e o que sente os pacientes antes, durante e após o tratamento é muito importante.

Ao serem perguntados sobre sua experiência com os parelhos, os pacientes podem se sentir acanhados para responder abertamente o que sentem. Daí um grupo de pesquisadores Americanos da Virginia Commonwealth University em Richmond, Va, pesquisaram os comentários espontâneos dos usuários do twitter (rede social) para saber o que pensam eles sobre os aparelhos ortodônticos e se eles expressam mais pontos positivos na rede sobre aparelhos tradicionais ou sobre Invisalign. Legal, não!?
Os autores (Daniel Noll ; Brendan Mahon ; Bhavna Shroff ; Caroline Carrico ; Steven J. Lindauer) objetivaram, neste estudo, examinar as experiencias ortodônticas dos paciente com aparelhos tradicionais de braquetes em comparação com as dos que usam Invisalign, por meio de uma análise em grande escala do Twitter. A hipótese nula foi a de que não há diferença entre os sentimentos expressados nos tweets sobre braquetes e Invisalign.

Foi criado um programa personalizado de coleta de dados que coletou tweets contendo as palavras '' braquetes '' ou '' Invisalign '' por um período de 5 meses. Uma análise de classificação de sentimento foi desenvolvida para classificar os tweets em cinco categorias: positivo, negativo, neutro, propagandas, ou não aplicável. Cada categoria então teve seu conteúdo específico analisado.
Resultados: Foram coletados um total de 419.363 tweets aplicáveis à ortodontia. Usuários postaram
Tweets significativamente mais positivos (61%) do que tweets negativos (39%; P .0001). Não houve diferença significativa na distribuição do sentimento positivo e negativo entre braquetes e tweets Invisalign (P .4189). Tweets positivos relacionados à Ortodontia muitas vezes destacou gratidão por um grande sorriso acompanhado com selfies. Tweets ortodônticos negativos freqüentemente focava na dor.


Conclusões: 

  • Os usuários do Twitter compartilharam sentimentos mais positivos do que negativos sobre suas experiências ortodônticas.
  • Não houve diferença significativa na distribuição do sentimento positivo e negativo entre tweets sobre braquetes e tweets sobre Invisalign.
  • Tweets ortodônticos negativos freqüentemente focados na dor.
  • Tweets ortodônticos positivos muitas vezes ressaltou a gratidão por um grande sorriso acompanhado por selfies.
Link para o artigo original aqui.




domingo, 30 de abril de 2017

Pensamento da semana



Não interessa o quanto bom você é, mas o quanto você quer ser.

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terça-feira, 25 de abril de 2017

Tensões, fatores que afetam o osso cortical ao redor do miniparafuso. Um estudo tridimensional com elementos finitos




Neste artigo de 2012, publicado pela Angle Orthodontist, pelos autores Ramzi Duaibis; Budi Kusnoto; Raghu Natarajan; Linping Zhao; Carla Evans; do Department of Orthodontics, University of Illinois at Chicago; Department of Orthopedic Surgery, Rush University Medical Center e do Craniofacial Center, University of Illinois at Chicago, and Biomedical Engineering, Shriners Hospitals for Children-Chicago, Chicago. Mostra uma pesquisa realizada pelo metodo de elementos finitos das tensões geradas no osso cortical após a inserção de mini parafusos.

O artigo descreve um estudo realizado com o objetivo de Avaliar os vários tipos de estresse no osso cortical ao redor de mini parafusos, usando análise de elementos finitos.

Vinte e seis conjuntos tridimensionais de modelos de mini parafusos foram colocados em blocos ósseos alveolares, que foram construídos usando Abaqus (Dassault Systemes Simulia Corp, Providence, RI), um pacote comercial de software para análise de elementos finitos. As variáveis ​​do modelo, incluindo fatores como o design do implante  e do osso foram relacionados. Todos os mini parafusos foram instalados por mesial com uma força linear igual a 2 N. O "pico de von Mises" e os valores das principais tensões no osso cortical foram comparados entre os diferentes modelos para cada fator.

Os resultados demonstraram que alguns fatores afetam as tensões no osso (diâmetro do implante, comprimento da cabeça do implante, tamanho de rosca e o módulo de elasticidade de osso esponjoso), enquanto que outros fatores não o fizeram diferença (forma rosca, "passo" de rosca e espessura do osso cortical).

Os autores concluíram o diâmetro do mini parafuso, comprimento da cabeça e o tamanho da rosca, bem como os módulos de elasticidade do osso esponjoso afetam as tensões na camada cortical do osso circundante ao mini parafuso e podem, por conseguinte, afetar a sua estabilidade.

Link do artigo na integra via Angle Orthodontist:

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Tratamento ortodôntico acelerado com corticotomia assistida e com exposição dos caninos impactados palatinamente




Neste artigo de 2007, publicado pela Angle Orthodontist, pelo autor Tom J. Fischer; Instructor, Graduate Orthodontics, Harvard University, Boston; Mostra uma importante manobra para facilitar o deslocamento de caninos impactados.

O objetivo deste artigo foi avaliar a eficácia de uma nova técnica cirúrgica para o tratamento da caninos impactados palatinamente.

Seis pacientes consecutivos com caninos impactados bilateralmente foram comparados. Um dos caninos foi cirurgicamente exposto usando uma técnica cirúrgica convencional, enquanto o canino contralateral foi exposto usando uma corticotomia através de uma técnica assistida.

Apósa movimentação dentária concluída, comparações estatísticas entre os dois métodos revelou uma redução do tempo de tratamento de 28-33% para o corticotomia assistida dos caninos. Não foram observadas diferenças significativas na condição periodontal final entre os caninos expostos por estes dois métodos.

Este estudo preliminar apoia o conceito de que uma técnica de corticotomia-cirúrgica assistida ajuda a reduzir o tempo de tratamento ortodôntico dos caninos impactados palatinamente.


Link do artigo na integra via Angle Orthodontist:

terça-feira, 11 de abril de 2017

Fios ortodônticos: conhecer para otimizar a aplicação clínica


Neste artigo de 2009, publicado pela Revista Dental Press, pelas autoras Cátia Cardoso Abdo Quintão, Ione Helena Vieira Portella Brunharo; da disciplina de Ortodontia da Faculdade de Odontologia da UERJ - Rio de Janeiro. Resume as principais características dos fios utilizados em Ortodontia, em relação ao histórico, propriedades mecânicas e aplicação clínica, de acordo com fases específicas de tratamento.


O bom ortodontista deveria possuir a habilidade manual de um artesão e o conhecimento profundo da ciência ortodôntica. Porém, o profissional poderia se questionar: “Estudar fios ortodônticos melhoraria a habilidade manual do ortodontista, ou aumentaria a sua clientela?”. Se apenas a habilidade manual bastasse, grandes artesãos seriam excelentes ortodontistas. Portanto, o conhecimento a respeito de fios ortodônticos permite ao profissional realizar movimentos maiseficientes e evitar danos aos dentes e tecidos de suporte.


A mecânica ortodôntica é baseada no princípio da acumulação de energia elástica e transformação dessa energia em trabalho mecânico, por meio da movimentação dos dentes. Cada ajuste do aparelho armazena e controla o mecanismo de transferência e distribuição das forças. Um ótimo controle do movimento dentário requer a aplicação de um sistema de forças específico, que é devidamente guiado por meio de acessórios, tais como os fios ortodônticos.


Desde quando os primeiros profissionais vislumbraram a possibilidade de promover a movimentação dentária, essa era obtida pelo apoio dos dentes nos fios. Edward Angle foi, indubitavelmente, o patrono da Ortodontia mundial. A especialidade foi a primeira reconhecida pela Odontologia e comemorou 100 anos no congresso da American Association of Orthodontists (AAO), em Chicago/EUA, no ano de 2000. Inicialmente, em 1887, Edward Angle utilizava ligas de níquel-prata para acessórios ortodônticos. Posteriormente, as substituiu pelas ligas de cobre, níquel e zinco, sem prata. Finalmente, as ligas de ouro passaram a ser as de sua escolha.


Até o início da década de 1930, a liga de ouro (tipo IV) foi a mais empregada na fabricação de acessórios ortodônticos. O ouro de 14 a 18 quilates foi rotineiramente utilizado, naquela época, para fios, bandas, ganchos e ligaduras, assim como as bandas e os arcos de irídio-platina. A vantagem das ligas de ouro residia no fato de serem tratadas termicamente, de forma a variar sua rigidez em cerca de 30%, e possuírem excelente resistência à corrosão. No Brasil, as ligas de ouro foram utilizadas pelos pioneiros da Ortodontia brasileira, professores da Universidade Federal do Rio de Janeiro, até o início da década de 1950.


Os aços inoxidáveis foram introduzidos na Ortodontia em 1929, quando a empresa americana Renfert Company começou a vender fios dessa liga, produzida pela empresa alemã Krupp. No Congresso da AAO de 1931, Norris Taylor e George Paffenbarger introduziram o aço como substituto ao ouro, alegando possuir maior resiliência e menor possibilidade de rompimento sob tensão. Em 1933, o fundador da empresa Rocky Mountain, Archie Brusse, sugeriu o primeiro sistema de aplicação clínica do aço inoxidável em Ortodontia, durante o encontro da Sociedade Americana, na cidade de Oklahoma. A partir de então, a rivalidade entre o ouro e o aço se iniciou formalmente. Fatores econômicos, indubitavelmente, influenciaram, em todo o mundo, esta vasta aceitação do aço em relação ao ouro.


Foi a Elgin Watch Company que, na década de 40, desenvolveu a liga de cobalto-cromo composta por cobalto (40%), cromo (20%), prata (16%) e níquel (15%), primeiramente utilizada na fabricação de molas para relógios. Na década de 60, as ligas de cobalto-cromo foram introduzidas na Ortodontia e patenteadas como Elgiloy®, pela Rocky Mountain Orthodontics.


A liga de beta-titânio tem sido utilizada como material estrutural desde 1952. Porém, até 1979, a tecnologia de trefilação não permitia a fabricação de fios com secções transversais compatíveis com as aplicadas em Ortodontia. Em 1977, a fase beta do titânio foi estabilizada à temperatura ambiente. As primeiras aplicações clínicas dessa liga para a Ortodontia ocorreram na década de 80, quando uma forma diferente de titânio, chamado “de alta temperatura”, foi sugerida. A partir de então, ganharam vasta aceitação clínica e popularidade, sendo comercialmente disponibilizados como “TMA” (titanium molybdenum alloy) e, durante muitos anos, apenas uma empresa possuía o direito de fabricação. Atualmente, o mercado oferece um maior número de marcas comerciais.


Em 1963, as ligas de níquel-titânio foram desenvolvidas no Laboratório Naval Americano, em Silver Springs – Maryland, pelo pesquisador Willian Buehler. Ele observou pela primeira vez o chamado “efeito memória de forma” desse material. Não havia ainda aplicação dessa liga na Ortodontia. Em 1972, a Unitek Corporation produziu essa liga para uso clínico, sob o nome comercial de Nitinol®, composta por 55% de níquel e 45% de titânio, numa estrutura equiatômica. Entretanto, naquela época, a liga não possuía efeito memória de forma ou superelasticidade. Mesmo assim, foi considerada como um avanço para a obtenção de forças leves sob grandes ativações. Em 1976, váriasmarcas de fios de níquel-titânio foram colocadas no mercado ortodôntico e os mesmos foram caracterizados como materiais de alta recuperação elástica e baixa rigidez, ganhando vasta aceitação clínica por essas propriedades. Não apresentavam, entretanto, efeitos de termoativação nem superelasticidade.


As ligas termodinâmicas de níquel-titânio surgiram, para fins comerciais, na década de 90. Além das propriedades de recuperação elástica e resiliência dos fios superelásticos, os fios de níqueltitânio termodinâmicos possuem a característica adicional da ativação pela temperatura bucal.


Como o tratamento ortodôntico estende-se por vários meses, a aparência da aparelhagem é avaliada pelos pacientes como um fator significativo a ser considerado. A demanda pela estética fez com que diversas empresas começassem a produzir, no final da década de 70, braquetes não-metálicos, de policarbonato ou cerâmicos. Atualmente, os braquetes estéticos representam uma realidade na clínica ortodôntica, oferecendo uma alternativa aos metálicos. Entretanto, o mesmo não ocorreu em relação aos fios estéticos, que foram pouco relatados na literatura ortodôntica até meados da primeira década do século XXI.


Muitos ortodontistas escolhem determinados fios ortodônticos com base em impressões clínicas. O ideal, entretanto, seria que a utilização deles estivesse diretamente relacionada ao conhecimento de suas propriedades mecânicas. Na época em que a grande maioria dos ortodontistas utilizava apenas arcos de aço inoxidável com módulos de elasticidade praticamente idênticos para o mesmo diâmetro, a ferramenta mais comumente utilizada para dosar a quantidade de força aplicada era a variação da secção transversal do fio. Com a introdução de novas ligas no mercado que apresentam diferentes propriedades mecânicas, assim como ligas de níquel-titânio e betatitânio, o ortodontista passou a dispor de variáveis adicionais para obter o controle sobre a magnitude da força aplicada.


A utilização de arcos cujas dimensões podem permanecer constantes enquanto suas propriedades mecânicas são alteradas, a fim de atingir aquelas desejadas em determinada fase do tratamento, em teoria, poderia levar a uma menor quantidade de trocas de arco. Porém, para desempenhar esse papel de forma satisfatória, é preciso saber se o arco em questão apresenta a durabilidade necessária para permanecer na cavidade bucal por um período igual ou maior do que a média de permanência dos arcos utilizados até então.


Conhecer cientificamente os fios ortodônticos é tarefa árdua e longa. O tema, entretanto, se torna fascinante na medida em que possibilita ao profissional escolher o melhor protocolo de tratamento para o paciente, realizando tratamentos mais eficazes, mais rápidos, de menor custo e com menor possibilidade de causar danos aos dentes e tecidos de suporte. O mais importante advento do conhecimento de fios, entretanto, reside no fato de permitir ao ortodontista optar por materiais com segurança na escolha, sem se deixar influenciar apenas por recursos de propagandas.




Link do artigo na integra via Scielo:


quarta-feira, 5 de abril de 2017

O tratamento ortodôntico realizado em dentes tratados endodonticamente




Saiu na ultima edição da Revista Cientifica Ortodontia SPO mais uma coluna OrtoTecnologia. Que mostra os cuidados do manejo ortodontico em dentes tratados endodonticamente.  


Resumo:  

O tratamento ortodôntico de dentes não vitais ainda é um assunto controverso que gera discussões e dúvidas, sendo necessários mais estudos que permitam uma melhor compreensão do assunto. É comum que, na maioria das vezes, este tipo de tratamento seja baseado em opiniões que se fundamentam em observações do dia a dia clínico. Por esse motivo, busca-se compreender melhor a relação entre a Endodontia e a Ortodontia, explorando situações como: possibilidade de reação pulpar devido à movimentação, entender se há diferença ao movimentar dentes não vitais e os tempos de espera para início ou continuação dos mesmos, esclarecer as particularidades do movimento no caso de dentes traumatizados e compreender se os dentes que passaram por endodontia têm maior chance de reabsorção do que dentes vitais durante a movimentação ortodôntica. A partir das dúvidas levantadas e da revisão realizada, pôde-se concluir que: a movimentação ortodôntica gera reações pulpares, no entanto, estas são leves e transitórias na maioria dos casos; tratamento endodôntico prévio não contraindica a movimentação induzida, desde que a obturação do conduto tenha sido realmente bem realizada e haja saúde do ligamento periodontal; existem tempos específicos para iniciar ou retomar a movimentação após a endodontia, considerando as particularidades de cada caso; não há diferença estatística capaz de afirmar que dentes não vitais sofrem mais reabsorção do que dentes vitais durante a Ortodontia. O que se pode considerar como fator predisponente para reabsorção seriam os dentes traumatizados, com raízes curtas e de forma irregular.  

Link do Ortociencia: 

http://www.ortociencia.com.br/Artigo/Index/22282


terça-feira, 4 de abril de 2017

Intrusão do primeiro molar superior extruido usando dois miniparafusos ortodonticos
























Neste artigo de 2007, publicado na Angle Orthodontist, pelos autores Neal D. Kravitza; Budi Kusnotob; Peter T. Tsayc; William F. Hohltd; do departamento de Ortodontia da Universidade de Illinois em Chicago. Mostram mais uma das aplicabilidades e soluções dos mini implates ortodonticos.


A perda do primeiro molar inferior conduz frequentemente à extrusão do oponente, o primeiro molar superior, resultando em interferências oclusais, perda do suporte ósseo periodontal, e local inadequado para reabilitar o espaço desdentado inferior.


Sem intrusão ortodontica do molar extruido ou de uma cirurgia segmentada de impacção cirúrgica, o restabelecimento da oclusão posterior implica muitas vezes a necessidade de redução significativa da coroa do molar superior, com a eventual necessidade de dispendioso tratamento do canal radicular e colocação de coroa protética.


A literatura tem mostrado uma redução da rebilitação protética do molar, em função da intrusão utilizando miniparafusos ortodônticos palatinos e vestibulares e miniplacas fixadas na região do zigomático.


Neste artigo, os autores apresentam com êxito a intrusão ortodôntica de um molar superior com dois miniparafusos, em um paciente com extrema ansiedade e significativa erosão dental devido ao refluxo gástrico. Usando dois miniparafusos ortodônticos para fixação esquelética para intruir o molar superior, simplificando desta forma, o tratamento ortodôntico, eliminando a necessidade de uma extensa cirurgia, aparelho e extrabucal, e ancoragens intraorais, preservando todo esmalte dentário da unidade dentaria extruida.


Os resultados clínicos mostraram significativa intrusão através da cortical do assoalho do seio maxilar, mantendo saúde periodontal, vitalidade dental e sem o comprimento radicular.




Link do Artigo na Integra via Angle Orthodontics:


segunda-feira, 20 de março de 2017

Mapeamento de sítios anatômicos para mini-implantes na área de primeiros molares superiores com auxílio do sistema NewTom3G






Neste artigo de 2010, publicado no l'Orthodontie Française, pelos autores Marius Dumitrache, Annabelle Grenard; Boulevard de la Reine, Versailles, France e Avenue Henri Barbusse, Gagny, France. Mostra um estudo com tomografia que avalia espaços nos sitios de inserção de Mini impliantes na regiao do Primeiro Molar Superior.

O objetivo deste estudo foi construir um mapa dos sítios de implante na região de gengiva inserida ao redor dos primeiros molares superiores que seriam locais apropriados para a colocação de microparafusos para servir como ancoragem ortodôntica.

Foram realizados 58 exames radiográficos com a técnica do feixe cônico com NewTom 3G. Em cada espaço interdental, entre os segundos pré-molares superiores e primeiros molares (5/6) e entre os primeiros e segundos molares superiores (6/7), foi estudado a largura mésio-distal e profundidade de buco-lingual do osso em dois níveis diferentes, L1 e L2, que correspondia aos limites inferior e superior de gengiva inserida na população em geral.

As larguras dos espaços interdentais variaram muito pouco entre L1 e L2 e estas variações foram comparáveis. Ao nível do espaço de 5/6, as larguras interdentais exibida uma distribuição de Gaussian, que tornou possível a determinação dos intervalos de confiança para as duas bordas da gengiva inserida como uma função da idade. As profundidades interdentais aumentou em direção apical e sua variação diminuiu. 

Os autores concluíram que as áreas mesiais dos primeiros molares constituem zonas confiáveis ​​para a implantação de microparafusos com um máximo de 2-2,3 mm para idades de 12 a 17 anos  ou 1,5-1,6 milímetros para 18 a 48 anos de largura e de um máximo de 9-10 mm de comprimento se o nível da inserção gengival for forte ou fraco. As áreas distais dos primeiros molares, devido à sua grande variabilidade, exigem um estudo radiográfico individualizado antes que qualquer miniparafuso possa ser colocados.



Link do artigo na integra via Orthodfr.org :

segunda-feira, 13 de março de 2017

Mudança de largura da arcada superior e o corredor bucal utilizando braquetes Damon e convencionais: Uma análise retrospectiva



Neste artigo de 2015, publicado pela Angle Orthodontist, pelos autores Corey Shook; Sohyon (Michelle) Kim; John Burnheimer. Do department of Orthodontics and Dentofacial Orthopedics, School of Dental Medicine, University of Pittsburgh, Pittsburgh, Pa. É apresentada uma análise do efeito do sistema auto-ligante Damon e dos braquetes convencionais sobre a área e largura do corredor bucal.

Este estudo apresenta a análise de uma amostra retrospectiva de pacientes tratados consecutivamente usando braquetes convencionais Roth 0,022” Roth (Victory Series, 3M Unitek, Monrovia, Calif), e aparelho do sistema Damon, slot 0,022” (Ormco / A Companhia, Orange, Calif). Os critérios de inclusão foram pacientes com dentição permanente (independentemente da classificação de Angle), com ausência congénita de agenesia, dentes supranumerários e comparáveis ​​antes e depois a largura do sorriso. Não foram utilizados aparelhos de expansão. Todos pacientes foram tratados sem extração, com oclusão ideal de acordo com os seis chaves e diretrizes de Roth.

A amostra total consistiu de 84 pacientes com idade média de 15,13 anos. O grupo convencional continha 23 pacientes do sexo feminino e 22 do sexo masculino, enquanto o grupo Damon eram 20 do sexo feminino e 19 do sexo masculino. As fotografias do pré e pós-tratamento foram tiradas num local padrão dentro do departamento de ortodontia com iluminação ambiente. Foi solicitado um sorriso descontraído do paciente com a cabeça em posição natural. As fotografias foram então avaliadas no Dolphin Imaging System 11.7 Premium (Dolphin, Chatsworth, Califórnia). As fotografias frontais de sorriso foram então transferidas para Photoshop CC, onde todas as medições fotográficas foram tomadas.

As medidas e propoções foram determinadas da seguinte forma: Distância intercanina à largura do sorriso (IC: LS); Distância visível do dente superior à largura do sorriso (IS: LS); o corredor bucal e canino com relação a área total do sorriso (CBC: ATS); a área do corredor bucal com o último dente superior visível e relação com a área total do sorriso (CBD: ATS). Os modelos digitais pré e pós tratamento (Orthocad Versão 3.5, San Jose, Calif) foram medidos utilizando a ferramenta de medição do arco, ao invés do método tradicional de pinças digitais e gesso, uma vez que as medições se mostraram igualmente precisas.

Não houve diferenças significativas nas relações intercaninas ou intermolares e largura do corredor bucal no pós tratamento, dentro ou entre os grupos convencionais e auto-ligantes. Houve fortes correlações entre a distância intercanina e o corredor bucal correspondente com as medições da largura do sorriso. E uma correlação inversa com a área do corredor bucal em relação ao o canino e a largura total do sorriso.

Os autores concluíram que é provável que seja observado aumento na largura do arco em pacientes tratados com braquetes convencionais ou com sistema Damon. E que é altamente improvável que haja qualquer diferença significativa na área ou largura do corredor bucal em pacientes tratados com braquetes convencionais ou com sistema auto-ligantes Damon. (Angle Orthod., 2016, 86: 655-660).

PALAVRAS-CHAVE: Damon; Corredor bucal; Largura do arco superior.

Tradução: Nathalia Torres

Link do artigo na Integra via Angle Orthodontist: