ORTODONTIA CONTEMPORÂNEA

segunda-feira, 20 de março de 2017

Mapeamento de sítios anatômicos para mini-implantes na área de primeiros molares superiores com auxílio do sistema NewTom3G






Neste artigo de 2010, publicado no l'Orthodontie Française, pelos autores Marius Dumitrache, Annabelle Grenard; Boulevard de la Reine, Versailles, France e Avenue Henri Barbusse, Gagny, France. Mostra um estudo com tomografia que avalia espaços nos sitios de inserção de Mini impliantes na regiao do Primeiro Molar Superior.

O objetivo deste estudo foi construir um mapa dos sítios de implante na região de gengiva inserida ao redor dos primeiros molares superiores que seriam locais apropriados para a colocação de microparafusos para servir como ancoragem ortodôntica.

Foram realizados 58 exames radiográficos com a técnica do feixe cônico com NewTom 3G. Em cada espaço interdental, entre os segundos pré-molares superiores e primeiros molares (5/6) e entre os primeiros e segundos molares superiores (6/7), foi estudado a largura mésio-distal e profundidade de buco-lingual do osso em dois níveis diferentes, L1 e L2, que correspondia aos limites inferior e superior de gengiva inserida na população em geral.

As larguras dos espaços interdentais variaram muito pouco entre L1 e L2 e estas variações foram comparáveis. Ao nível do espaço de 5/6, as larguras interdentais exibida uma distribuição de Gaussian, que tornou possível a determinação dos intervalos de confiança para as duas bordas da gengiva inserida como uma função da idade. As profundidades interdentais aumentou em direção apical e sua variação diminuiu. 

Os autores concluíram que as áreas mesiais dos primeiros molares constituem zonas confiáveis ​​para a implantação de microparafusos com um máximo de 2-2,3 mm para idades de 12 a 17 anos  ou 1,5-1,6 milímetros para 18 a 48 anos de largura e de um máximo de 9-10 mm de comprimento se o nível da inserção gengival for forte ou fraco. As áreas distais dos primeiros molares, devido à sua grande variabilidade, exigem um estudo radiográfico individualizado antes que qualquer miniparafuso possa ser colocados.



Link do artigo na integra via Orthodfr.org :

segunda-feira, 13 de março de 2017

Mudança de largura da arcada superior e o corredor bucal utilizando braquetes Damon e convencionais: Uma análise retrospectiva



Neste artigo de 2015, publicado pela Angle Orthodontist, pelos autores Corey Shook; Sohyon (Michelle) Kim; John Burnheimer. Do department of Orthodontics and Dentofacial Orthopedics, School of Dental Medicine, University of Pittsburgh, Pittsburgh, Pa. É apresentada uma análise do efeito do sistema auto-ligante Damon e dos braquetes convencionais sobre a área e largura do corredor bucal.

Este estudo apresenta a análise de uma amostra retrospectiva de pacientes tratados consecutivamente usando braquetes convencionais Roth 0,022” Roth (Victory Series, 3M Unitek, Monrovia, Calif), e aparelho do sistema Damon, slot 0,022” (Ormco / A Companhia, Orange, Calif). Os critérios de inclusão foram pacientes com dentição permanente (independentemente da classificação de Angle), com ausência congénita de agenesia, dentes supranumerários e comparáveis ​​antes e depois a largura do sorriso. Não foram utilizados aparelhos de expansão. Todos pacientes foram tratados sem extração, com oclusão ideal de acordo com os seis chaves e diretrizes de Roth.

A amostra total consistiu de 84 pacientes com idade média de 15,13 anos. O grupo convencional continha 23 pacientes do sexo feminino e 22 do sexo masculino, enquanto o grupo Damon eram 20 do sexo feminino e 19 do sexo masculino. As fotografias do pré e pós-tratamento foram tiradas num local padrão dentro do departamento de ortodontia com iluminação ambiente. Foi solicitado um sorriso descontraído do paciente com a cabeça em posição natural. As fotografias foram então avaliadas no Dolphin Imaging System 11.7 Premium (Dolphin, Chatsworth, Califórnia). As fotografias frontais de sorriso foram então transferidas para Photoshop CC, onde todas as medições fotográficas foram tomadas.

As medidas e propoções foram determinadas da seguinte forma: Distância intercanina à largura do sorriso (IC: LS); Distância visível do dente superior à largura do sorriso (IS: LS); o corredor bucal e canino com relação a área total do sorriso (CBC: ATS); a área do corredor bucal com o último dente superior visível e relação com a área total do sorriso (CBD: ATS). Os modelos digitais pré e pós tratamento (Orthocad Versão 3.5, San Jose, Calif) foram medidos utilizando a ferramenta de medição do arco, ao invés do método tradicional de pinças digitais e gesso, uma vez que as medições se mostraram igualmente precisas.

Não houve diferenças significativas nas relações intercaninas ou intermolares e largura do corredor bucal no pós tratamento, dentro ou entre os grupos convencionais e auto-ligantes. Houve fortes correlações entre a distância intercanina e o corredor bucal correspondente com as medições da largura do sorriso. E uma correlação inversa com a área do corredor bucal em relação ao o canino e a largura total do sorriso.

Os autores concluíram que é provável que seja observado aumento na largura do arco em pacientes tratados com braquetes convencionais ou com sistema Damon. E que é altamente improvável que haja qualquer diferença significativa na área ou largura do corredor bucal em pacientes tratados com braquetes convencionais ou com sistema auto-ligantes Damon. (Angle Orthod., 2016, 86: 655-660).

PALAVRAS-CHAVE: Damon; Corredor bucal; Largura do arco superior.

Tradução: Nathalia Torres

Link do artigo na Integra via Angle Orthodontist: 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Prof. Helder Jacob da universidade de Houston-TX-EUA. Será que tem polêmica?

Muito tem se falado sobre o uso de miniplacas para casos de Classe II em pacientes hiperdivergentes. A justificativa sempre é a necessidade de ancoragem esquelética para intrusão posterior e através do giro da mandíbula alcançar uma melhor relação sagital dos arcos e avanço do queixo.

Mas.... Isso já é feito há muito tempo com uso de minimplantes instalados pelo próprio ortodontista. E o melhor de tudo: Seus efeitos estudados por pessoas sérias em universidade séria. Um grande pesquisador sobre o assunto e atualente Professor na Universidade de Houston, Dr. Helder Jacob estará conosco na Academia explicando esse tema e outros mais. Acompanhe essa mini-entrevista e conheça mais sobre ele: 
     
     
  

Helder Baldi Jacob
  • ·      Ex-Professor, Departamento de Ortodontia, Texas A&M University Baylor College of Dentistry, Dallas-TX/ EUA
  • ·      Post-Doctoral Fellow, Departamento de Ortodontia, Texas A&M University Baylor College of Dentistry, Dallas-TX/ EUA
  • ·      Ex-professor,  Cursos de Especialização em Ortodontia pela GESTOS/Famosp e FAEPO/UNESP, Araraquara-SP, Brasil
  • ·      Mestre e Doutor, Universidade Estadual Paulista-UNESP, Faculdade de Odontologia de Araraquara, Araraquara-SP, Brasil
  • ·      Especialista em Ortodontia e Ortopedia Facial, EAP/APCD-Araraquara, Araraquara-SP, Brasil
  • ·      Graduação, Universidade Estadual Paulista-UNESP, Faculdade de Odontologia de Araraquara, Araraquara-SP, Brasil
  • ·      Revisor científico, Angle Orthodontist e European Journal of Orthodontics


      Gentilmente, atendendo nossa solicitação, o professor Helder Jacob respondeu algumas perguntas propostas e esperamos que gostem. Se tiverem mais alguma dúvida ou se quiserem sugerir algo deixe seu comentário aqui no Blog ou em qualquer rede social (Ortodontia Contemporanea).


(Wendel Shibasaki) - Muito se fala sobre a má-formação do ortodontista Brasileiro, mas como em todas generalizações, atribuimos rótulos injustamente àqueles que sempre buscam o melhor. Diante da solidez da sua formação ortodôntica no Brasil e como professor numa das mais expressivas universidades americanas, como você avalia sua formação comparativamente a dos americanos, hoje?

            (Prof. Helder Jacob) - Olá amigos da Ortodontia Contemporânea, é um prazer poder compartilhar um pouco da nossa especialidade. Obrigado aos amigos Wendel e Marlos pela oportunidade de falar um pouco de ortodontia aqui com vocês. Frequentemente me deparo com a questão da formação entre a ortodontia brasileira e a norte-americana e, de certa forma, como avalio a minha formação. Basicamente, os cursos de especialização no Brasil tem uma carga horária muito inferior aos norte-americanos (duas mil horas e tres mil e setecentas horas, respectivamente). Portanto, se eu tivesse apenas a especialização eu diria que, não importasse o meu esforco como aluno, eu estaria em desvantagem, situação a qual mudou para mim a alguns anos. Para o ortodontista clínico brasileiro eu gostaria de dizer que a baixa carga horária pode ser compensada com cursos de atualização, grupos de estudos com reuniões frequentes e leituras de artigos científicos. Deixe um tempo em sua agenda para estudos pois isso fará muita diferença na sua formação ao longo da carreira.

(Wendel Shibasaki) - A classe II de Angle aglutina uma grande variedade de problemas distintos e que devem ser tratados de formas igualmente distintas para se obter um bom resultado. Na sua opinião, quais os maiores desafios da classe II?
        
     (Prof. Helder Jacob) - Na minha opinião o maior desafio é o correto diagnóstico e saber as limitações das abordagens. Saber diagnosticar as diferentes causas da Classe II e, então, fazer o correto plano de tratamento torna a correção mais fácil e eficiente. Dependendo da abordagem, o ortodontista precissa entender que há limitações estéticas e funcionais além de possíveis efeitos indesejáveis de algumas mecânicas ortodônticas/ortopédicas. Por exemplo, acredito que os aparelhos funcionais são apropriados para pacientes Classe II hipodivergentes mas em pacientes hiperdivergentes o ortodontista deve considerar as vantagens da ancoragem esquelética para promover a rotação anterior da mandíbula. O paciente Classe II vertical com retrusão mandibular, sem dúvida, é o que apresenta um dos maiores desafios para o ortodontista.

(Wendel Shibasaki) - O crescimento craniofacial tem sido estudado há muitos anos. Vários autores descreveram o crescimento de forma que toda a face ocupa uma posição mais anteriorizada e inferiorizada de acordo com uma proporção que varia segundo o tipo facial. Qual a visão do crescimento facial nos dias atuais e qual a importância da rotação da mandíbula nesse contexto?
            
         (Prof. Helder Jacob) - Por muitos anos os ortodontistas foram ensinados que a face inferior desloca-se para baixo e para frente, em especial a mandíbula. Erroneamente os profissionais mantiveram seu foco no crescimento condilar por considerá-lo o principal fator determinante na projeção do queixo. Nos últimos anos, trabalhando com o Dr. Buschang, tenho tentado mostrar aos ortodontistas a importância de promover a rotação mandibular verdadeira em casos de retrusão mandibular. Compreendendo a rotação mandibular e saber como controlá-la significa uma possibilidade de potencializar o tratamento ortodôntico;  uma das melhores maneiras de se otimizar o resultado é ter a habilidade para controlar os efeitos advindos do crescimento. Entender como, quando e porque certas alterações ocorrem, devido ao crescimento, possibilita a elaboração de um melhor plano de tratamento e o processo de crescimento e as compensações dentárias a ele relacionadas pode aumentar a eficiência do tratamento.

(Wendel Shibasaki) - Aguardamos ansiosamente sua aula na Academia da Ortodontia contemporânea em março de 2016. Pode nos adiantar o que pretende trazer para os Ortodontistas Brasileiros?

            O que quero mostrar aos ortodontistas brasileiros que estarão presentes na Ortodontia Contemporânea é como promover ortopedia através da ortodontia. Falarei da importância de conhecer o crescimento e desenvolvimento craniofacial e como é possivel tratar pacientes hiperdivergentes (com ou sem mordida aberta) de forma eficaz e eficiente com o uso de miniparafusos, através da rotação anterior da mandíbula. O especialista que comparecer vai, também, poder entender como os miniparafusos podem ser úteis no tratamento das diferentes formas de Classe II. Sem dúvida a tecnologia de novos materiais associada a novas técnicas ajuda muito o ortodontista atual mas não podemos esquecer do básico: crescimento e desenvolvimento craniofacial e biomecânica.

(Wendel Shibasaki) - Suas considerações finais

           (Prof. Helder Jacob) - Estou ansioso para poder encontrá-los em Salvador, mais uma vez,  e podermos conversar sobre ortodontia. Ao longo dos últimos anos tenho desenvolvido alguns projetos na área de crescimento craniofacial e tratamentos relacionados a má-oclusão de Classe II com especial atenção a pacientes com excessivo crescimento vertical. Será uma oportunidade incrível de compartilhar um pouco do meu trabalho e mostrar uma abordagem diferente que pode resolver grande parte dos problemas de pacientes hiperdivergentes Classe II. Estarei mostrando uma variedade de casos casos clínicos, muita evidência científica e resultados consistentes. Espero encontrá-los em breve. Um abraço.

   Ficamos muito felizes em poder receber o Prof. Dr. Helder Jacob por 8 horas na Academia da Ortodontia Contemporânea Turma 2017. Seria muito legal se você, ortodontista leitor desse Blog, pudesse estar conosco nesta turma (inscreva-se aqui).

Agradecemos a gentileza do Prof. Dr. Helder por aceitar ocupar-se para escrever essas linhas para os Ortodontistas Brasileiros. Grande abraço e até março/2017!

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Efeitos da intrusão dos incisivos inferiores obtidos usando um arco utilidade convencional versus ancoragem óssea



Neste artigo de 2011, publicado pela Angle Orthodontist, pelos autores Esen Aydogdu; Omur Polat Ozsoy; do DepartmentofOrthodontics,Facultyof Dentistry, Baskent University, Ankara, Turkey; Mostra um estudo comparativo entra os recursos biomecanicos de intrusão conseguidos com o arco base e comparação com a ancoragem realizada com mini implantes ortodonticos.



Este estudo foi realizado com o intuito de comparar os efeitos dento-faciais na intrusão dos incisivos inferiores utilizando mini-implantes com o recurso um mecânico convencional de intrusão dos incisivos, com o arco utilidade. 

Vinte e seis pacientes com mordida profunda mordida foram selecionados para um dos dois grupos. No grupo 1 os incisivos inferiores foram intruidos usando um fio 0,16 x 0,22 polegadas de aço inoxidável segmentar ligado a dois mini-implantes. No grupo 2 a intrusão dos incisivos inferiores foi realizada utilizando um arco utilitário convencional. Radiografias cefalométricas laterais convencionais foram tomadas no pré-tratamento e no final da intrusão. Trinta marcos foram identificados com 23 medidas lineares e 20 medições angulares. Comparações intra-grupos foram feitas usando um teste t pareado ou teste de Wilcoxon. Comparações intergrupos foram feitas usando um teste t de Student ou de Mann-Whitney U-teste. 

A duração da intrusão foi de 5 meses para o grupo 1 e 4 meses para o grupo 2. No grupo do mini implante, a quantidade média de variação foi de 0,4 milímetros / mês para a ponta dos incisivos e 0,3 mm / mo para o centro de resistência, e no grupo utilitário arco, a quantidade média de variação foi de 0,25 mm / mês para o incisivo ponta e 0,2 mm / mês para o centro de resistência. Os incisivos inferiores mostraram uma média de protrusão 7º no grupo de implante e 8º no grupo do arco utilidade.

A intrusão dos incisivos que foi conseguida usando os mini implantes apoiados no arco segmentado não foi diferente do que o movimento conseguido com um arco utilidade de intrusão convencional. A única diferença entre os dois métodos foi na resultante de movimento no molar.

Link do artigo na integra via Angle Orthodontist:



quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

A Expansão Rápida da Maxila tem efeito na voz?





Assistindo o filme "Sing - Quem canta seus males espanta", em cartaz, vi esse super ratinho cantor. No filme, ele se chama Mike e é um dos destaques de uma competição de canto que centraliza todos os atos desta animação.

Quando ele começou a cantar me surpreendi com o timbre grave da sua voz (ao contrário de outros tantos ratos da televisão e cinema que são dublados com voz aguda) e pensei: Será que ratos com a anatomia tão estreita deveria mesmo ter a voz mais aguda? E mais: Se expandirmos o palato dele com um disjuntor teríamos influência na sua voz?

Esse mês, a Angle Orthodontist apresenta um artigo dos autores, Gizem Yurttadur, Faruk Ayhan Bascıftcı e Kayhan Ozturk, da Turquia, que testaram exatamente o efeito da expansão rápida da maxila na voz.
A hipótese testada nesse estudo foi que a expansão rápida da maxila (ERM) afeta a qualidade da voz pois posiciona a língua mais anteriormente.



20 pacientes com dentição permanente, classe I, com deficiência transversal foram avaliados quando pronunciavam o fonema /a/ antes e após a ERM. Utilizando o teste t pariado para os tempos T1 (antes) e T2 (depois), bem como o teste t independente para os grupos tratado e controle, não foi detectado diferenças na qualidade ou ressonância da voz nos pacientes tratados.

Os autores concluíram que 

é seguro indicar a Expansão Rápida da Maxila para pacientes que temem alterações na voz.

Ufa! Se o Mike do filme aparecer no consultório, não precisa ter receio de indicar a ERM.

Para ver o artigo na íntegra, clique aqui.