ORTODONTIA CONTEMPORÂNEA

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Movimento dentário na região externa da parede óssea utilizando corticotomia ampliada com material de enxerto não autógeno para regeneração óssea





Neste artigo de 2015, publicado no BioMed Research International, pelos autores Kye-Bok Lee, Dong-Yeol Lee,  Hyo-Won Ahn, Seong-Hun Kim,  Eun-Cheol Kim,  and Igor Roitman. Do Department of Orthodontics, Department of Oral and Maxillofacial Pathology and Research Center for Tooth & Periodontal Regeneration,  School of Dentistry, Kyung Hee University,  Republic of Korea e do Division of Periodontology, Department of Orofacial Science, University of California, San Francisco. Demonstra através de um estudo histológico em cães, a eficiência da regeneração tecidual guiada com materiais biosinteticos associados a corticotomia e movimentos ortodonticos expansivos. Um revolução da ciência em uma das "fronteiras" da movimentação ortodontica mais criticas.

Este estudo prospectivo e randomizado de boca dividida foi realizado para comparar os efeitos de corticotomias ampliadas, com diferentes materiais de enxerto ósseo não autógeno combinadas com movimentações ortodônticas em cães.

A decorticação foi realizada na superfície óssea vestibular de 6 cães beagles machos que foram selecionados aleatoriamente para receber enxertos minerais de osso bovino desproteinizado, osso cortical irradiado ou osso sintético. Uma força ortodôntica vestibular imediata foi aplicada nos segundos e terceiros pré-molares inclinados durante 6 semanas. A profundidade da bolsa e a largura de tecido queratinizado foram medidos. Foram realizadas análise histológica e histomorfométrica.

A profundidade de sondagem e a razão entre a área de osso novo à do total do osso no lado vestibular não foram significativamente diferentes entre os grupos. Todos os grupos tiveram considerável formação de osso novo no lado de pressão. Neoformação óssea no lado vestibular e a formação da placa vestibular no sentido coronal ao longo das superfícies radiculares foram induzidas pela matriz mesenquimal derivada do osso e PDL-derivada, respectivamente.


A mudança de posicicionamento entre os grupos foi significativamente diferente. A corticomia ampliada utilizando materiais de enxerto não autógeno facilitou a movimentação dentária sem fenestrações e acelerou a neoformação óssea no lado de pressão.


Link do Artigo na integra via  Hindawi:

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Simulação 3D de Cirurgia Ortognática Usando fusão de imagens






Neste artigo de 2009, publicado no Seminars in Orthodontics; pelos autores Stephen A. Schendel and Chris Lane; da Division of Plastic Surgery, Stan- ford University Medical Center, Palo Alto, CA and Professor of Radiology & Imaging Science, University of Louisville School of Dentistry, Louisville, KY. Mostra o metodo contemporaneo de previsibilidade de resultados em cirurgias Ortognáticas baseadas em fusão de imagens digitais, tomografias computadorizadas e VTOs computadorizados.

A adoção de protocolos de imagem 3D e do poder da Internet estão se movendo para o diagnóstico, planejamento, tratamento e ensino, como paradigma para próxima geração no que tange os cuidados voltados para saúde. A Fusão de imagens combinando tomografia computadorizada (TC) de feixe cônico, tomografia computadorizada (CBCT), ressonância magnética (MRI) e imagem de superfície, permite a geração de um paciente eletrônicos no mundo real, o que amplia o potencial para o cuidado do paciente de verdade. O paciente virtual pode então ser estudado e nele ser desenvolvidos protocolos de tratamento, que é especialmente importante em cirurgia ortognática.

A Fusão de imagens envolve a combinação de imagens de diferentes modalidades para criar um registro virtual de um indivíduo chamado de reconstrução anatômica do paciente específico (Psar). Este pode então ser usada para realizar a cirurgia virtual e estabelecer um plano de tratamento definitivo e objetivo para a correção da deformidade facial. O resultado final é melhorar o atendimento ao paciente e diminuição de despesas.

Em relação à construção de superfície 3D, uma imagem de superfície tem dois componentes, a geometria do rosto e as informações de cor, ou mapa de textura que é matematicamente aplicados às informações de forma.

Conclusão


Avanços em imagem de computador têm revolucionado o tratamento das deformidades dentofaciais e cirurgia ortognática. O uso da tecnologia de fusão de imagens permite agora a criação de PSARs em uma base rotineira. Um plano de diagnóstico e tratamento mais abrangente e desta forma, ser obtido um planejamento virtual em ortodontia e cirurgia. No final, os resultados do tratamento são melhorados.


Link do artigo na integra via biomigviz:

http://biomigviz.files.wordpress.com/2009/06/3d_orthognathic_surgery_simulation_using.pdf

domingo, 19 de abril de 2015

Pensamento da Semana




“A Verdadeira coragem é ir atrás dos Seus Sonhos, mesmo quando todos dizem que ele é Impossível...”
Cora Coralina

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Um estudo com elementos finitos sobre os efeitos da distração osteogenica na região da sínfise mandibular no disco articular





Neste artigo de 2012, publicado na Angle Orthodontist, pelos autores Ki-Nam Kim; Bong-Kuen Cha; Dong-Soon Choi; Insan Jang; Yang-Jin Yi; Paul-Georg Jost-Brinkmann; do Department of Orthodontics, College of Dentistry, Gangneung-Wonju National University, Gangneung; Department of Prosthodontics, Section of Dentistry, Seoul National University Bundang Hospital, Seongnam; South Korea; Department of Orthodontics, Dentofacial Ortho- pedics and Pedodontics, Center for Dental and Craniofacial Sciences, Charite ́—Universitatsmedizin Berlin - Germany. Mostra um estudo realizado baseado em elementos finitos, o qual mostra o impacto da distração osteogênica na região da sinfise mandibular na região da Articulação Temporo Mandibular.

Este estudo foi realizado com o objetivo de avaliar o efeito biomecânico da distração osteogenica na região media da sínfise mandibular, com três tipos de distrações no disco articular, usando uma análise tridimensional em modelo de elementos finitos.

Um modelo virtual da mandíbula foi produzido a partir de imagens de tomografia computadorizada de um homem saudável de 27 anos. Um modelo de elementos finitos da expansão, mandíbula do osso-dente e os distratores do tipo híbridos foram simulados com os músculos de fechamento da mandíbula. A distribuição de deslocamento e estresse do disco articular e da mandíbula foram analisados​​.

Com o aparelho ósseo-"borne" na área de processo alveolar foi deslocado mais do que a área do osso basal. O aparelho dentos suportado deslocou o corpo de mandíbula de um modo paralelo e mostrou elevado nível da tensão von Mises no processo alveolar e na região "ramal", bem como na área do pescoço condilar. O do tipo híbrido mostrou valor médio da distribuição de deslocamento e estresse em comparação com o tipo de osso e dente-"borne"-"borne". No disco articular a tensão de compressão foi concentrada na área ântero-medial e póstero-lateral, e foi maior no distrator dente-"borne", seguido do aparelho híbrido e osso-"borne".

Os autores concluíram que o aparelho distrator dento suportado produziu uma expansão mais paralela com alargamento ósseo na área média da sinfise e maior expansão na região molar, no entanto, é induzida maior concentração de tensões no disco articular do que o aparelho híbrido e do osso-"borne". Para quaisquer efeitos secundários a longo prazo na articulação temporomandibular, especialmente em relação ao distrator dentossuportado, deverá ser realizado.

Link do artigo na integra via Angle Orthodontist:





domingo, 12 de abril de 2015

Pensamento da Semana


"Educação não transforma o mundo. Educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo."

Paulo Freire

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Uma revisão sobre a utilização de Robôs na Prótese Dentária e Ortodontia






Neste artigo de 2015, publicado pela Advances in Mechanical Engineering, pelos autores Jin-gang Jiang, Yong-de Zhang, Chun-ge Wei, Tian-hua He e Yi Liu; da Harbin University of Science and Technology, Harbin, China e da Peking University School of Stomatology, Beijing, China. Demonstra que paulatinamente a robótica vem se inserindo na odontologia, principalmente nas áreas de prótese dentaria e Ortodontia.

A aplicação da robotica para prótese dentária e ortodontia é um novo capitulo na novela das aplicações da tecnologia na área médica. Estes tipos de robôs podem realizar a fabricação de próteses totais ou parciais, implantodontia dentária, e no contorneamento dos arcos ortodonticos. Foi efetuada uma revisão crítica sobre o desenvolvimento da aplicação do robôs na prótese e ortodontia para identificar as limitações dos estudos existentes e esclarecer algumas direções de pesquisa promissoras neste campo. Este artigo é apresentado para resumir os achados e compreensão dos mesmos. São analisados os principais problemas no seu desenvolvimento, a tendência de desenvolvimento está previsto, e a pesquisa futura é discutida.
Devido à vantagem de padronização, industrialização e inteligência do robô na prótese e ortodontia, os autores concluíram que eles podem realizar a grande revolução  qualitativa e quantitativa nas duas áreas da odontologia, e tem sido um importante a introdução e desenvolvimento de robôs nesta área médica. O estado da arte na aplicação e pesquisa com robôs na prótese e ortodontia já foram  introduzidas, e os requisitos básicos e as dificuldades da utilização do robô nessas áreas  são apontada em pesquisas; finalmente no futuro é esperado avanços em três aspectos como:  novas estruturas, sensores e técnicas de controle, e  facilitando a interação humano-computador.

Link do artigo na integra via ade.sagepub:

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Avaliação das alterações morfológicas faciais e dentárias em indivíduos adultos com incompetência labial



Neste artigo de 2008, publicado pela Revista Gaúcha de Odontologia, Pelos autores Dario Teixeira MACRI, Paulo Afonso Dimas CIRUFFO, Heloisa Cristina VALDRIGHI, Sílvia Amélia Scudeler VEDOVELLO, do Centro de Pesquisas Odontológicas São Leopoldo Mandic, Departamento de Ortodontia. Campinas, SP, Brasil. Avalia determinadas características faciais e dentárias comparando indivíduos com incompetência labial e indivíduos com selamento labial passivo.

O estudo analisou cinquenta telerradiografias em norma lateral as quais 25 portadores de incompetência labial, com abertura mínima de 4 mm e 25 com selamento labial, sendo que nenhum havia passado por tratamento ortodôntico, todos entre 15 e trinta anos de idade, independentemente do gênero e maloclusão, com leve tendência de crescimento vertical. 

Utilizou - se as seguintes grandezas cefalométricas: Nfp – Nfa com o objetivo de determinar a largura da via aérea superior, Sn – St para medir o comprimento do lábio superior, Sn – IIs para o comprimento vertical da maxila e 1.NA para determinar a inclinação do incisivo superior. 

As médias obtidas nos grupos com selamento labial passivo (G1) e incompetência labial (G2) foram respectivamente: 14,12 mm (G1) e 12,76 mm (G2) para largura da via aérea superior; 24,24 mm (G1) e 23,80 mm (G2) para comprimentos dos lábios superiores; 26,92 mm (G1) e 28,64 mm (G2) para o comprimento vertical da maxila e 26,76º (G1) e 30,76º (G2) para a inclinação dos incisivos superiores.






Os resultados permitiram os autores concluir que o indivíduo com incompetência labial apresentou a largura das vias aéreas superiores semelhante a do indivíduo com selamento labial passivo. Os indivíduos com incompetência labial apresentaram comprimento verticalmaxilar aumentado e não o encurtamento do lábio superior. A presença dos incisivos superiores vestibularizados é condição inerente ao portador de incompetência labial que conseqüentemente apresentará hipotonicidade do lábio superior.




quarta-feira, 1 de abril de 2015

Coluna OrtoTecnologia - Distalização em massa dos setores laterais com o arco seccional “Z”


A má-oclusão de classe II é frequente na população que procura tratamento ortodôntico. É caracterizada por alterações no sentido anteroposterior, podendo ser esquelética e/ou dentoalveolar. A distalização do molar superior pode ser um complemento de uma ação ortopédica prévia ou solução efetiva para a correção da classe II. O objetivo deste trabalho foi apresentar o mecanismo de ação do arco seccional “Z”, relatando alguns casos clínicos tratados com este dispositivo, confeccionado com fio Elgiloy azul associado a elásticos intermaxilares, promovendo a distalização dos segmentos posteriores e tornando o tratamento desse tipo de dismorfose uma tarefa menos árdua para o ortodontista.




Nossos agradecimentos ao Prof. Paulo Tomé por nos apresentar mais uma excelente solução para o tratamento da Classe II ... Uma grande satisfação.

Mais informações sobre a coluna OrtoTecnologia:

http://www.ortociencia.com.br/Artigo/Index/21784

segunda-feira, 30 de março de 2015

Mini-implantes vs aparelhos funcionais fixos para o tratamento de pacientes adultos jovens do sexo feminino com má oclusão de Classe II: Um ensaio clínico prospectivo






Neste artigo de 2012, publicado no Angle Orthodontist, pelos autores Madhur Upadhyay; Sumit Yadav; K. Nagaraj; Flavio Uribe; Ravindra Nanda; do Departmentof Craniofacial Sciences, University of Connecticut, Health Center, Farmington; Department of Orthodontics, KLE University, Belgaum, India; Mostra um estudo comparativo dos efeitos estéticos e biomecanicos no protocolo de tratamento da classe II 1ª divisão tratados com mini-implantes associados a extrações de primeiros prés e a terapia com propulsor mandibular. Um excelente estudo !!!

Este estudo foi realizado com o intuito de  comparar os efeitos do tratamento de retração dos dentes anteriores superiors com mini-implantes de ancoragem em adultos jovens com Classe II divisão 1 de Angle, submetidos a extração dos primeiros pré-molares superiores com pacientes similares tratados por um aparelho funcional fixo.

Trinta e quatro adultos jovens do sexo feminino com (idade média de 16,5 + - 3,2 anos, overjet mm> = 6) com má oclusão de Classe II divisão 1, foram divididos em dois grupos: grupo 1 (G1), em que a correção do overjet foi obtida com um aparelho funcional fixo (FFA) e o grupo 2 (G2), na qual os primeiros pré-molares superiores foram extraídos, seguido por fechamento do espaço com mini-implnates como unidades de ancoragem. Alterações do tecido dento esqueléticos e tegumentares foram analisadas em telerradiografias tomadas antes (T1) e após (T2) a correção do overjet.

Ambos os métodos foram úteis na melhora da sobressaliência e relações interincisal. Movimentos de extrusão e mesialisação do molar inferior, juntamente com menor proclinação incisivo, foram observados em G1. G2 mostraram distalização e intrusão do molar superior. O ângulo de Nasio-labial tornou-se mais obtuso no G2, enquanto protrusão do lábio inferior foi observado para G1.

Os autores concluiram que: Os dois protocolos de tratamento, são adequados para a compensação dentária da má oclusão de Classe II, mas não para corrigir a discrepância esquelética. Houve diferenças significativas nos efeitos do tratamento dentário  e dos tecidos moles entre os dois protocolos de tratamento.

Link do artigo na integra via Angle Orthodontist:

quarta-feira, 18 de março de 2015

Medidas cefalométricas de imagens 3D reconstruídas em comparação com imagens 2D convencionais







Neste artigo de 2011, publicado pela Angle Orthodontist, pelos autores Natalia Zamora; Jose M. Llamas; Rosa Cibrian; Jose L. Gandia; Vanessa Paredes; do Department of Orthodontics, Faculty of Medicine and Dentistry, University of Valencia, Valencia, Spain; Department of Physiology, Faculty of Medicine and Dentistry, University of Seville, Seville, Spain. Mostra um estudo comparativo entre as mensurações cefalometricas em imagens 3D e 2D no diagnostico em Ortodontia.  

Este estudo foi realizado com intuito de avaliar se os valores das diferentes medidas tomadas em reconstruções com três dimensões(3D) de tomografia computadorizada cone-beam (CBCT) são comparáveis ​​com as imagens tomadas em duas dimensões (2Dde telerradiografias laterais convencionais (LCR) e para examinar se existem diferenças entre os diferentes tipos de softwares para CBCT ao tomar essas medidas.

Oito pacientes foram selecionados, que ambos tinham uma LRC e um CBCTAs reconstruções 3D de cada paciente na CBCT foram avaliadas através de dois diferentes pacotes de softwareNemoCeph 3D e InVivo5Um observador fez 10 medidas angulares e 3  lineares em cada um dos três tipos de registros em duas ocasiões diferentes.

A confiabilidade intra observadores foi alta, exceto para o plano mandibular e cone facial (do LCR), a distância Na-Ans (usando NemoCeph 3D), e cone facial e a distância Ans-Me (usando InVivo5). Diferenças estatisticamente significativas foram encontradas para as medições angulares e lineares entre o LCR ea CBCTs para qualquer medição, e os níveis de correlação foram elevados para todas as medições.

Não houve diferença estatisticamente significativa encontrada entre as medidas angulares e lineares tomadas com a LCR, e as realizadas com a CBCTNem houve qualquer diferença estatisticamente significativa entre as medidas angulares e lineares usando os dois pacotes de software CBCT.


Link do artigo na integra via Angle Orthodontist:

segunda-feira, 16 de março de 2015

Fios ortodônticos: conhecer para otimizar a aplicação clínica


Neste artigo de 2009, publicado pela Revista Dental Press, pelas autoras Cátia Cardoso Abdo Quintão, Ione Helena Vieira Portella Brunharo; da disciplina de Ortodontia da Faculdade de Odontologia da UERJ - Rio de Janeiro. Resume as principais características dos fios utilizados em Ortodontia, em relação ao histórico, propriedades mecânicas e aplicação clínica, de acordo com fases específicas de tratamento.


O bom ortodontista deveria possuir a habilidade manual de um artesão e o conhecimento profundo da ciência ortodôntica. Porém, o profissional poderia se questionar: “Estudar fios ortodônticos melhoraria a habilidade manual do ortodontista, ou aumentaria a sua clientela?”. Se apenas a habilidade manual bastasse, grandes artesãos seriam excelentes ortodontistas. Portanto, o conhecimento a respeito de fios ortodônticos permite ao profissional realizar movimentos maiseficientes e evitar danos aos dentes e tecidos de suporte.


A mecânica ortodôntica é baseada no princípio da acumulação de energia elástica e transformação dessa energia em trabalho mecânico, por meio da movimentação dos dentes. Cada ajuste do aparelho armazena e controla o mecanismo de transferência e distribuição das forças. Um ótimo controle do movimento dentário requer a aplicação de um sistema de forças específico, que é devidamente guiado por meio de acessórios, tais como os fios ortodônticos.


Desde quando os primeiros profissionais vislumbraram a possibilidade de promover a movimentação dentária, essa era obtida pelo apoio dos dentes nos fios. Edward Angle foi, indubitavelmente, o patrono da Ortodontia mundial. A especialidade foi a primeira reconhecida pela Odontologia e comemorou 100 anos no congresso da American Association of Orthodontists (AAO), em Chicago/EUA, no ano de 2000. Inicialmente, em 1887, Edward Angle utilizava ligas de níquel-prata para acessórios ortodônticos. Posteriormente, as substituiu pelas ligas de cobre, níquel e zinco, sem prata. Finalmente, as ligas de ouro passaram a ser as de sua escolha.


Até o início da década de 1930, a liga de ouro (tipo IV) foi a mais empregada na fabricação de acessórios ortodônticos. O ouro de 14 a 18 quilates foi rotineiramente utilizado, naquela época, para fios, bandas, ganchos e ligaduras, assim como as bandas e os arcos de irídio-platina. A vantagem das ligas de ouro residia no fato de serem tratadas termicamente, de forma a variar sua rigidez em cerca de 30%, e possuírem excelente resistência à corrosão. No Brasil, as ligas de ouro foram utilizadas pelos pioneiros da Ortodontia brasileira, professores da Universidade Federal do Rio de Janeiro, até o início da década de 1950.


Os aços inoxidáveis foram introduzidos na Ortodontia em 1929, quando a empresa americana Renfert Company começou a vender fios dessa liga, produzida pela empresa alemã Krupp. No Congresso da AAO de 1931, Norris Taylor e George Paffenbarger introduziram o aço como substituto ao ouro, alegando possuir maior resiliência e menor possibilidade de rompimento sob tensão. Em 1933, o fundador da empresa Rocky Mountain, Archie Brusse, sugeriu o primeiro sistema de aplicação clínica do aço inoxidável em Ortodontia, durante o encontro da Sociedade Americana, na cidade de Oklahoma. A partir de então, a rivalidade entre o ouro e o aço se iniciou formalmente. Fatores econômicos, indubitavelmente, influenciaram, em todo o mundo, esta vasta aceitação do aço em relação ao ouro.


Foi a Elgin Watch Company que, na década de 40, desenvolveu a liga de cobalto-cromo composta por cobalto (40%), cromo (20%), prata (16%) e níquel (15%), primeiramente utilizada na fabricação de molas para relógios. Na década de 60, as ligas de cobalto-cromo foram introduzidas na Ortodontia e patenteadas como Elgiloy®, pela Rocky Mountain Orthodontics.


A liga de beta-titânio tem sido utilizada como material estrutural desde 1952. Porém, até 1979, a tecnologia de trefilação não permitia a fabricação de fios com secções transversais compatíveis com as aplicadas em Ortodontia. Em 1977, a fase beta do titânio foi estabilizada à temperatura ambiente. As primeiras aplicações clínicas dessa liga para a Ortodontia ocorreram na década de 80, quando uma forma diferente de titânio, chamado “de alta temperatura”, foi sugerida. A partir de então, ganharam vasta aceitação clínica e popularidade, sendo comercialmente disponibilizados como “TMA” (titanium molybdenum alloy) e, durante muitos anos, apenas uma empresa possuía o direito de fabricação. Atualmente, o mercado oferece um maior número de marcas comerciais.


Em 1963, as ligas de níquel-titânio foram desenvolvidas no Laboratório Naval Americano, em Silver Springs – Maryland, pelo pesquisador Willian Buehler. Ele observou pela primeira vez o chamado “efeito memória de forma” desse material. Não havia ainda aplicação dessa liga na Ortodontia. Em 1972, a Unitek Corporation produziu essa liga para uso clínico, sob o nome comercial de Nitinol®, composta por 55% de níquel e 45% de titânio, numa estrutura equiatômica. Entretanto, naquela época, a liga não possuía efeito memória de forma ou superelasticidade. Mesmo assim, foi considerada como um avanço para a obtenção de forças leves sob grandes ativações. Em 1976, váriasmarcas de fios de níquel-titânio foram colocadas no mercado ortodôntico e os mesmos foram caracterizados como materiais de alta recuperação elástica e baixa rigidez, ganhando vasta aceitação clínica por essas propriedades. Não apresentavam, entretanto, efeitos de termoativação nem superelasticidade.


As ligas termodinâmicas de níquel-titânio surgiram, para fins comerciais, na década de 90. Além das propriedades de recuperação elástica e resiliência dos fios superelásticos, os fios de níqueltitânio termodinâmicos possuem a característica adicional da ativação pela temperatura bucal.


Como o tratamento ortodôntico estende-se por vários meses, a aparência da aparelhagem é avaliada pelos pacientes como um fator significativo a ser considerado. A demanda pela estética fez com que diversas empresas começassem a produzir, no final da década de 70, braquetes não-metálicos, de policarbonato ou cerâmicos. Atualmente, os braquetes estéticos representam uma realidade na clínica ortodôntica, oferecendo uma alternativa aos metálicos. Entretanto, o mesmo não ocorreu em relação aos fios estéticos, que foram pouco relatados na literatura ortodôntica até meados da primeira década do século XXI.


Muitos ortodontistas escolhem determinados fios ortodônticos com base em impressões clínicas. O ideal, entretanto, seria que a utilização deles estivesse diretamente relacionada ao conhecimento de suas propriedades mecânicas. Na época em que a grande maioria dos ortodontistas utilizava apenas arcos de aço inoxidável com módulos de elasticidade praticamente idênticos para o mesmo diâmetro, a ferramenta mais comumente utilizada para dosar a quantidade de força aplicada era a variação da secção transversal do fio. Com a introdução de novas ligas no mercado que apresentam diferentes propriedades mecânicas, assim como ligas de níquel-titânio e betatitânio, o ortodontista passou a dispor de variáveis adicionais para obter o controle sobre a magnitude da força aplicada.


A utilização de arcos cujas dimensões podem permanecer constantes enquanto suas propriedades mecânicas são alteradas, a fim de atingir aquelas desejadas em determinada fase do tratamento, em teoria, poderia levar a uma menor quantidade de trocas de arco. Porém, para desempenhar esse papel de forma satisfatória, é preciso saber se o arco em questão apresenta a durabilidade necessária para permanecer na cavidade bucal por um período igual ou maior do que a média de permanência dos arcos utilizados até então.


Conhecer cientificamente os fios ortodônticos é tarefa árdua e longa. O tema, entretanto, se torna fascinante na medida em que possibilita ao profissional escolher o melhor protocolo de tratamento para o paciente, realizando tratamentos mais eficazes, mais rápidos, de menor custo e com menor possibilidade de causar danos aos dentes e tecidos de suporte. O mais importante advento do conhecimento de fios, entretanto, reside no fato de permitir ao ortodontista optar por materiais com segurança na escolha, sem se deixar influenciar apenas por recursos de propagandas.




Link do artigo na integra via Scielo: