ORTODONTIA CONTEMPORÂNEA

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Anomalias dentárias associadas: o ortodontista decodificando a genética que rege os distúrbios de desenvolvimento dentário


Neste artigo de 2010, publicado pelo Dental Press Journal of Orthodontics, pelos autores Daniela Gamba Garib, Bárbara Maria Alencar, Flávio Vellini Ferreira, Terumi Okada Ozawa; do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais e Faculdade de Odontologia de Bauru – Universidade de São Paulo, Bauru/SP; do curso de mestrado em Ortodontia da Unicid - São Paulo. Versa sobre o diagnóstico e a abordagem ortodôntica das anomalias dentárias, enfatizando os aspectos etiológicos que definem tais irregularidades de desenvolvimento.

Caracterizada por complexos e precisos processos biológicos de substituição de dentes decíduos por dentes permanentes, a dentadura mista representa uma das manifestações de perfeição da natureza. Mas, como todo curso natural, o desenvolvimento da dentição pode mostrar algumas imperfeições e, no transcorrer da dentadura mista – com certa frequência –, o profissional depara-se com irregularidades odontogênicas: as anomalias dentárias. As anomalias expressam-se com distintos graus de severidade. Da manifestação mais branda para a mais severa – representadas, respectivamente, desde o atraso cronológico na odontogênese até a ausência completa do germe dentário ou agenesia –, existe uma miríade de expressões, compreendendo as microdontias, os desvios na morfologia dentária e as ectopias.

A influência de fatores genéticos e ambientais na etiologia das más oclusões representa tema de grande importância na Ortodontia. Quanto maior a contribuição genética na origem de uma irregularidade dentofacial, menor a possibilidade de preveni-la e, como regra, pior o prognóstico de tratamento ortodôntico/ortopédico. E os novos rumos da pesquisa em Odontologia caminham para o conhecimento do genótipo humano. Diversos estudos sugeriram uma tendência genética e hereditária na etiologia das anomalias dentárias de número, tamanho, posição, assim como nos distúrbios de erupção.Tais evidências provêm de investigações em famílias, em gêmeos monozigóticos, e da observação de associações na ocorrência de determinadas anomalias.

Quando uma determinada irregularidade mostra uma prevalência aumentada em famílias de pacientes afetados, comparado às prevalências esperadas para a população em geral, credita-se à genética uma influência predominante na etiologia do problema. O prognatismo mandibular da família imperial austro-húngara Hapsburg representa o mais clássico exemplo de característica genética de interesse ortodôntico, em humanos, transmitida por sucessivas gerações. Muitas das anomalias dentárias discutidas durante esse estudo mostraram prevalências aumentadas em famílias de pacientes afetados. Atualmente, a leitura do código genético pode isolar genes mutantes em famílias, desde que diversos membros expressem a mesma irregularidade.

Certas anomalias dentárias aparecem frequentemente associadas em um mesmo paciente, mais do que se esperaria ao acaso. Isso se explica porque um mesmo defeito genético pode originar diferentes manifestações ou fenótipos, incluindo agenesias, microdontias, ectopias e atraso no desenvolvimento. De uma maneira simplista, poderíamos dizer que um gene “defeituoso”ou mutante pode se expressar diversamente em diferentes dentes permanentes. A associação entre a agenesia unilateral do incisivo lateral superior e a microdontia do incisivo contra lateral, frequentemente observada na rotina clínica, ilustra bem essa condição. Nesse caso, o mesmo defeito genético que determinou a agenesia se expressou de forma incompleta do lado oposto da arcada, ocasionando a microdontia. No entanto, as associações entre as anomalias dentárias não se restringem a esse clássico exemplo. As implicações clínicas são importantes, pois o diagnóstico precoce de uma determinada anomalia dentária pode alertar o profissional para o possível desenvolvimento de outras anomalias associadas, no mesmo paciente ou em familiares, possibilitando o diagnóstico e interceptação ortodôntica oportunos.

Agenesias dentárias

A agenesia dentária constitui a anomalia de desenvolvimento mais comum da dentição humana, ocorrendo em aproximadamente 25% da população. O terceiro molar representa o dente mais afetado por essa anomalia, exibindo uma prevalência de 20,7%. Excluindo-se os terceiros molares, a prevalência de agenesia é de aproximadamente 4,3 a 7,8%.

Microdontia

As agenesias, frequentemente, associam-se a microdontias. A redução no tamanho dentário representa uma expressão parcial do mesmo defeito genético que define a agenesia. Isso explica a clássica associação entre a agenesia unilateral do incisivo lateral superior e a microdontia do dente contralateral. Aproximadamente 20% dos pacientes com agenesia de segundos pré-molares também apresentam microdontia dos incisivos laterais superiores.

Erupção ectópica dos primeirosmolares superiores

Durante o início da dentadura mista, os primeiros molares permanentes irrompem na arcada dentária, guiando-se pela face distal dos segundos molares decíduos. A erupção dos primeiros molares superiores desenha uma trajetória direcionada para oclusal e mesial. Dessa forma, a natureza corrige a disto angulação dos germes no interior do tuber da maxila, e os primeiros molares superiores irrompem com seu longo eixo mais verticalizado em relação ao plano oclusal. Porém, em 4% das crianças, o primeiro molar superior “erra” a sua trajetória eruptiva, desvia-se demasiadamente para mesial e acaba por estimular a reabsorção parcial da raiz dos segundos molares decíduos. Esse distúrbio foi batizado de erupção ectópica dos primeiros molares permanentes. Aproximadamente metade dos casos apresenta um caráter reversível, e o primeiro molar superior acaba por irromper espontaneamente na arcada dentária. Nos casos irreversíveis, os primeiros molares, inaptos a reabsorver o esmalte dentário, permanecem retidos por cervical da coroa dos segundos molares decíduos.

Transposição entre incisivo lateral e canino permanentes inferiores

Conceitua-se como transposição dentária, a ectopia de dentes permanentes que redunda nainversão de suas posições naturais na arcada dentária,no mesmo quadrante. Dois tipos de transposições dentárias são apontados na literatura como apresentando etiologia essencialmente genética e, portanto, comumente associadas a outras anomalias dentárias: a transposição entre canino e primeiro pré-molar na arcada superior, e a transposição entre canino e incisivo lateral permanentes na arcada inferior.

Erupção ectópica dos caninos permanentes superiores

Os caninos superiores representam os dentes que se formam mais distantes da arcada dentária, ladeando a cavidade piriforme e, portanto, desenham o trajeto mais longo de erupção dentre todos os dentes permanentes. Por isso também apresentam a raiz mais longa, comparativamente a toda a dentição permanente. Enquanto se movimentam em direção à cavidade bucal, sua coroa volumosa atravessando o estreito rebordo alveolar superior pode ser palpada sob a mucosa vestibular, acima dos caninos decíduos. Quando essa palpação é positiva, significa que esses dentes apresentam um excelente prognóstico de erupção espontânea. No entanto, em aproximadamente 1,5% da população, os caninos assumem uma trajetória ectópica de erupção, desviando-se para palatino em relação aos incisivos laterais. Ao encontrar uma cortical óssea densa, recoberta por uma mucosa palatina espessa e fibrosa, acabam ficando retidos.

Transposição entre canino e primeiro pré-molar superiores

Excluindo os terceiros molares, os caninos superiores constituem os dentes permanentes que mais frequentemente demonstram distúrbios eruptivos. Além da erupção ectópica por palatino, outra importante, porém bem menos frequente, ectopia que envolve os caninos superiores consiste na transposição entre esse dente e o primeiro prémolar superior. O quadro clínico típico mostra o canino superior permanente irrompido por vestibular entre os dois pré-molares superiores. Frequentemente, o canino apresenta-se girado para distal e o primeiro pré-molar apresenta-se girado para mesial e com uma angulação da coroa para distal. Esse é o tipo de transposição mais comum na espécie humana e acomete aproximadamente de 0,03 a 0,25% da população. Aproximadamente em ¼ dos casos expressa-se bilateralmente, com uma ocorrência predominante no gênero feminino (proporção entre os gêneros = 1,5:1).

Disto angulação do segundo pré-molar inferior

A ectopia mais comumente observada nos segundos pré-molares inferiores refere-se à disto angulação do germe. Tal ectopia relaciona-se coma agenesia do segundo pré-molar inferior homólogo. Shalish et al., numa amostra depacientes com agenesia unilateral dos segundos pré-molares inferiores, observaram que o germe do dente contralateral apresentava-se em média 10º mais angulado para distal, em comparação aum grupo controle sem agenesias. Concluíram, assim, que a disto angulação dos segundos pré-molares inferiores representa um diferente fenótipo ou uma expressão mais branda do mesmo defeito genético que ocasionou a agenesia. Esse tipo de associação assemelha-se muito ao clássico quadro clínico composto pela observação da microdontia do incisivo lateral superior em pacientes com agenesia unilateral do referido dente.

Infra oclusão dos molares decíduos

A infraoclusão dos molares decíduos acomete aproximadamente 8,9% das crianças e caracterizase pela localização da face oclusal dos molares em questão aquém do plano oclusal. Sugere-se que a infra oclusão dos molares represente uma consequência da anquilose dentária. Em algum ponto da raiz, uma ponte de tecido mineralizado substitui o espaço do ligamento periodontal, unindo osso alveolar e cemento. A partir desse momento, o dente inapto a desenvolver-se no sentido vertical vai ficando progressivamente em infraoclusão, à medida que a face cresce.

Atraso no desenvolvimento dentário

Pacientes com agenesia tendem a apresentar um desenvolvimento odontogênico mais lento e a idade dentária atrasada em relação à idade cronológica. Explicada pela inter-relação genética na causalidade dessas anomalias, essa informação merece atenção do clínico. Os jovens com agenesias dentárias geralmente alcançam a maturidade oclusal mais tardiamente. A dentadura permanente pode se completar alguns anos mais tarde do que a idade usual. Porisso, o ortodontista não deve se apressar em iniciara fase 2 do tratamento ortodôntico em tais pacientes. O diagnóstico precoce aliado ao tratamento ortodôntico corretivo tardio representaria a combinação perfeita nos casos com padrão de anomalias dentárias associadas.

Hipoplasia de esmalte

Apesar de ainda constituir um tema não muito explorado pela literatura, existem algumas evidências de que a hipoplasia generalizada do esmalte integra a lista de anomalias dentárias associadas, reguladas geneticamente. Isso porque a hipoplasia de esmalte é diagnosticada, nos casos com anomalias dentárias, mais comumente do que se esperaria ao acaso.


Conclusão

A implicação clínica do padrão de anomalias dentárias associadas é muito relevante, uma vez que o diagnóstico precoce de uma determinada anomalia dentária (como a agenesia de um segundo pré-molar ou a presença de um incisivo lateral superior cônico) pode alertar o clínico da possibilidade de desenvolvimento de outras anomalias associadas no mesmo paciente ou em outros membros da família, permitindo o diagnóstico precocee a intervenção ortodôntica em tempo oportuno.


Link do artigo na Integra via Scielo:

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Historia da Ortodontia - Edward Hartley Angle








Neste artigo publicado em 2005, na Revista de Clinica e Pesquisa Odontologica, pelo Dr. Orlando Tanaka da PUC-PR. Conta a Historia do Dr. Angle, considerado o Pai da Ortodontia Moderna. O autor fez uma bela pesquisa de toda a vida e feitos deste grande icone da Ortodontia.

Edward Hartley Angle nasceu há 150 anos, em Herrrick, Pensilvânia, em 1 de junho de 1855 e veio a faleçer em 11 de agosto de 1930. Não se sabe muito sobre o início de sua vida, exceto o que aprendemos com a autodescrição de suas características de infância. Ele não gostava da escola, nem se interessava pelo trabalho na fazenda. Seu maior prazer era perambular pelas colinas e bosques perto de sua casa, fascinado pelas máquinas grosseiras que eram usadas na comunidade agrícola daquele tempo. Mostrando um grande talento para a inventividade, ele projetou e construiu o rastelo de feno puxado a cavalo, que foi usado em fazendas americanas por muitos anos. Em todo seu trabalho, desenvolveu uma paixão pela simplicidade nos projetos e eficiência em operação, que veio a caracterizar seus mecanismos ortodônticos anos mais tarde.

Visando a evitar o que era para ele o trabalho desagradável de fazendeiro, tornou-se aprendiz de Odontologia (como era costume na época). Depois de alguns meses, matriculou-se, em 1876, na Faculdade de Cirurgia Dentária da Pensilvânia, onde se formou em 1878. Depois de praticar Odontologia por alguns anos em Minneapolis, interessou-se pelo alinhamento dos dentes mal colocados e na correção de deformidades dos maxilares. Atraindo atenção considerável com seu trabalho neste campo inusitado (para aquela época), foi convidado em 1886 para participar da escola dentária da Universidade de Minnesota. Em 1887, apresentou um artigo intitulado "Irregularidades dos Dentes" ante o 9º Congresso Médico Internacional. Este artigo sempre foi considerado a primeira edição de seu livro didático, que passou por sete edições, com tradução para muitas línguas estrangeiras.

Aposentando-se da Universidade de Minnesota, mudou-se para Chicago, onde aceitou o cargo de professor de Ortodontia na Faculdade de Odontologia Northwestern. Em 1895, mudou-se para St. Louis, onde se juntou à equipe de Odontologia da Faculdade de Medicina Marion Sims (agora Universidade de St.Louis). Como membro de um Departamento protético, ao qual a Odontologia estava ligada, imaginou que os alunos, sendo pressionados com as demandas de outros departamentos, não eram encorajados a prestar atenção alguma ao seu trabalho. A partir dessa época até a sua morte, ele lutou pelo estabelecimento de instalações educacionais separadas para a Ortodontia.

Em 1899, publicou na Dental Cosmos um artigo intitulado The Classification of Malocclusion, o qual continha sua definição de maloclusão. Como todas as suas definições, esta era breve, descritiva e direta: "Ortodontia é aquela ciência que tem como objetivo a correção de maloclusão dos dentes". Sua classificação, baseada primeiramente na relação mesiodistal da mandíbula com as arcadas dentárias e com o crânio, tornou-se reconhecida de modo geral e proporcionou um meio de comunicação inteligente e de fácil compreensão entre os membros da profissão dentária.

Em 1900, Angle foi procurado por quatro jovens que pediram a ele que os instruísse nos princípios que ele ensinava. Eles eram Thomas B. Mercer, Henry A, Lindas, Milton T. Watson e Herbert A. Pullen. Estes homens passaram três semanas em seu consultório e foram considerados como sendo a primeira classe treinada em uma escola de Ortodontia ou em qualquer especialidade dentária.

Muitos se referiram a Angle como um gênio da Mecânica. Se ele o era, foi por causa de sua habilidade em aplicar os princípios simples da Mecânica aos procedimentos requeridos no movimento dos dentes. Seus aparelhos eram projetados para satisfazer os princípios de fisiologia,
mecânica e arte, nessa ordem. Simplicidade e eficiência eram os requisitos essenciais de qualquer mecanismo ortodôntico que viesse de encontro com sua aprovação.

Em 1907, Angle mudou sua escola para New York e, em 1908, para New London, Connecticut, onde foram ministradas aulas regulares até 1911. Foi aqui que ele deixou a prática clínica de Ortodontia para dedicar sua vida ao estudo e ao desenvolvimento de melhores e mais refinados aparelhos ortodônticos.

Em 1922, alunos das classes anteriores na escola em Pasadena, junto com alguns dos formados da antiga escola, doaram fundos suficientes para construir e equipar um prédio que permitiria o
treinamento de um número maior de alunos e proporcionaria instalações clínicas para o tratamento de pacientes. Este prédio, em um lote adjacente à casa do Dr. Angle, foi o primeiro prédio a ser dedicado exclusivamente ao ensino de Ortodontia, bem como o primeiro a ser habilitado para esse propósito por qualquer estado ou governo nacional. A habilitação foi concedida pelo Estado da Califórnia, em 1924, sob o nome oficial de Faculdade de Ortodontia Edward H. Angle. O curso de treinamento era fundamentalmente estendido a um calendário anual completo. Aulas regulares foram ministradas na escola até 1927, quando Angle anunciou que não poderia mais assumir as responsabilidades pertinentes ao ensino. Por causa de sua fraca
saúde, a escola foi fechada.

É interessante notar que onde quer que Angle tenha conduzido uma Escola, os que completaram o curso com sucesso logo se organizavam no que hoje seria conhecido como grupos de estudo de continuação. Os formandos de 1900 da escola em St. Louis organizaram a primeira sociedade ortodôntica do mundo, com o nome oficial de Society of Orthodontists. Em 1901, a palavra American foi acrescentada, tornando-se a Associação Americana de Ortodontistas agora uma organização representativa com aproximadamente 4.000 membros. Esta primeira sociedade estabeleceu uma revista quadrimestral chamada The American Orthodontist, aprimeira publicação dedicada exclusivamente à disseminação de material ortodôntico, publicada de 1907 a 1912.


Link do Artigo na Integra via PUCPR:



Link do Artigo classico do Dr. Angle na Dental Cosmos, Classificação das má oclusões:



Link do Site do autor do artigo:

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Resistência rotacional de mini implantes com superfície tratada















Neste artigo de 2009, publicado pela Angle Orthodontist, pelos autores Seong-Hun Kim; Shin-Jae Lee; Il-Sik Cho; Seong-Kyun Kim; Tae-Woo Kim; do Departmento de Ortodontia, Escola de dontologia e Dental Research Institute, Seoul National University, Corea. Mostra a resistencia de um novo tipo de mini implante com sua superficie tratada.

Para testar a hipótese de que não há nenhuma diferença na estabilidade e resistência à rotação dos primeiros momentos de mini implantes tratados com jato de areia e com ácido (SLA) e os mini-implantes com superfície sem tratamento com o mesmo tamanho e forma.

Foi realizado o delineamento em blocos completos casualizados , utilizando o osso de cães macho beagle maduros. Noventa e seis mini-implantes ortodônticos foram testados. Dois tipos de implantes foram utilizados: alguns tinham tratamento de superfície co SLA e alguns tinham superfícies usinadas sem revestimento. Depois 3 semanas de cicatrização, movimentos de rotação de 150 g foram aplicadas. As taxas de sucesso, máximo valores do binário, momento angular, e o total de energia absorvida pelo osso foram comparados. Todos valores foram submetidos à análise de modelo misto para avaliar a influência do tratamento de superfície, rotacional e o vigor de direção, e do local de implantação.

A inserção dos implantes com binário máximo e angulares dinâmica da SLA foram significativamente inferiores aos dos implantes usinado. Os implantes com SLA tiveram um valor significativamente maior para a remoção total de energia que os implantes usinados. Contudo, não houve diferenças significativas no total inserção da energia, torque máximo de remoção e afastamento angular dinâmico entre os 2 grupos. Não houve diferença significativa entre rotação no sentido horário e sentido anti-horário em todas as medições.

Os mini-implantes com SLA mostrou-se relativamente com menor valor de inserção e momento de torque angular e durante a remoção total da energia se mostrou também mai elevado do que os implantes usinados, sugerindo que houve osseointegração dos mini-implantes SLA após a sua inserção.


Link do artigo na integra via Angle Orthodontist:

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Tratamento com camuflagem da má oclusão de Classe III esquelética, com o arcof multiloop modificado com elásticos Classe III em mini-implantes de ancoragem na região maxilar



Neste artigo de 2013, na Angle Orthodontist, pelos autores Shushu He; Jinhui Gao; Peter Wamalwa; Yunji Wang; Shujuan Zou; Song Chen; do Department of Orthodontics, West China School of Stomatology, Sichuan University, Chengdu, China, Department of Stomatology, Shunyi Hospital, Beijing, China, Primary Health Department, Latrobe Community Health Service, Victoria, Australia, DepartmentofOrthodontics,Chongq- ing Stomatology Hospital, Chongqing Medical University, Chongqing, China, State Key Laboratory of Oral Disease, Depart- ment of Orthodontics, West China School of Stomatology, Sichuan University, Chengdu, China. Mostra um estudo clinico com uma mudança de protocolo no tratamento com o arco MEAW associados a mini-implantes ortodonticos.

O estudo foi realizado com o intuito de avaliar o efeito da técnica de fio multiloop edgewise arch (MEAW) com mini-implantes maxilares no tratamento de camuflagem da Classe III esquelética.

Vinte pacientes foram tratados com a técnica MEAW e modificada com elásticos de Classe III fixados em mini-implantes maxilares. Vinte e quatro pacientes foram tratados com MEAW e elásticos longos Classe III fixados nos segundos molares superiores como controle. Telerradiografias laterais foram realizadas e analisadas antes e após o tratamento, e após 1 ano de contenção.

Uma oclusão satisfatória foi conseguida em ambos os grupos. Através da análise dos componentes principais, poderam concluir que a posição ântero-posterior dental, posição sagital e vertical esquelética e posição vertical do molar superior mudou dentro dos grupos e entre os grupos, a posição vertical dos dentes inferiores e a distância Wits  mudou no grupo experimental e entre os grupos. No grupo experimental, os incisivos inferiores inclinaram para lingual 2,7 milímetros e 2,4 milímetros extruidos. A inclinação lingual dos incisivos inferiores aumentou 3.5 graus. Os primeiros molares inferiores inclinaram para distal 9.1graus e intruiram 0,4 milímetros. Os caninos moveram 3,4 milímetros distalmente. No grupo controle, os incisivos superiores vestibularizaram 3 graus, e os primeiros molares superiores extruiram  2 mm. SN-MP aumentaram 1.6 graus e S-Go/N- ME diminuiu 1.

Os autores concluiram que a técnica MEAW modificada combinada com  elásticos Classe III fixados em mini-implantes maxilares pode efetivamente provocar o movimento distal dos molares inferiores, sem qualquer extrusão e os movimentos dos incisivos inferiores para lingual com extrusão para camuflar as má oclusões esqueléticas de Classe III. Rotação no sentido horário da protrusão da mandíbula e ainda dos incisivos superiores podem ser evitados. A técnica MEAW modificado com elásticos Classe III,  pode ser uma estratégia de tratamento adequado, especialmente para pacientes com  ângulo alto (Vertical) e tendência a mordida aberta.


Link do artigo na integra via Angle Orthodontist:

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Efeito da Cirurgia Ortognática no espaço aéreo posterior (PAS)


Neste artigo de 2008, publicado pelo Annals Academy of Medicine; pelo autor Kok Weng Lye; do Department of Oral & Maxillofacial Surgery, National Dental Centre, Singapura; Mostra a estreita relação entre a cirurgia Otognática e a melhora do quadro da apneia obstrutiva do sono.

A Cirurgia ortognática tem sido utilizada regularmente para o tratamento de deformidades dentofaciais. Os procedimentos cirurgicos afetam tanto a aparência facial, bem como o espaço aéreo posterior (PAS). A literatura atual indica que estes procedimentos  produzem um revés e reposicionamento inferior do osso hióide e o deslocamento posterior da língua e do palato mole. Estes movimentos causam estreitamento posterior e lateral do PAS. A maioria dos autores concorda que estes efeitos são  permanentes.

As mudanças no PAS, por sua vez produz uma postura adaptativa, com um aumento no ângulo craniocervical e a abertura do PAS. Mesmo que a maioria dos pacientes não apresentam ronco e apneia obstrutiva do sono (OSA) pós-cirurgia, há certamente uma maior possibilidade de que os pacientes esteja com as vias aéreas já comprometida pré-cirurgicamente. Portanto, os pacientes que são submetidos a cirurgia ortognática deve ser examinado, para ver se sofre:  sonolência excessiva diurna, ronco,  massa corporal aumentada (IMC) e condições médicas relacionadas com a OSA deverá se encaminhado para uma polissonografia  (PSG), se OSA é suspeita.

Em seguida, o plano de tratamento proposto pode ser modificado de acordo com o risco de comprometimento das vias aéreas em potencial ou mesmo melhorá-lo. Inversamente ao avanço da maxila e mandíbula faz com que ocorra o alargamento da via aérea, tanto no posterior como nas dimensões laterais. Este efeito se traduziria em melhor fluxo de ar e diminuição da resistência das vias aéreas. Este resultado  mostra altas taxas de sucesso quando a cirurgia ortognática, especialmente avanço maxilomandibular (MMA), é utilizada para o tratamento de OSA.


Link do artigo na integra via Annals:

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Medidas lineares dos estágios de desenvolvimento da dentição permanente humana usando Tomografia Computadorizada de Feixe Cônico: um estudo preliminar











Neste artigo de 2010, publicado no Dental Press Journal Orthodontics, pelos autores Carlos Estrela, José Valladares Neto, Mike Reis Bueno, Orlando Aguirre Guedes, Olavo Cesar Lyra Porto, Jesus Djalma Pécora; da Universidade Federal de Goiás; Universidade de Cuiabá e da Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto - São Paulo. Determina as medidas lineares dos estágios de desenvolvimento da dentição permanente humana, usando tomografia computadorizada de feixe cônico (TCFC).


O conhecimento dos estágios de desenvolvimento da dentição permanente é essencial para um excelente manejo clínico em diversas especialidades odontológicas, uma vez que influencia no diagnóstico, planejamento e resultado do tratamento.


Vários estudos avaliaram a mineralização e o desenvolvimento de dentes permanentes a partir de diferentes metodologias. Imagens radiográficas, apesar de corresponderem a um aspecto bidimensional de uma estrutura tridimensional, constituem o recurso mais utilizado para se determinar a mineralização e o estágio de desenvolvimento da dentição humana. Um estudo clássico de Nolla avaliou, empregando radiografias bucais, os estágios de desenvolvimento dos dentes permanentes humanos. De acordo com o desenvolvimento, os diferentes estágios foram graduados numa escala de 0 a 10.


Os avanços tecnológicos oferecem modalidades de imagem que têm contribuído expressivamente com a radiologia odontológica, a partir de ferramentas auxiliares de diagnóstico, como: radiografia digital, métodos densitométricos, tomografia computadorizada de feixe cônico (TCFC), ressonância magnética, ultrassonografia e técnicas nucleares. Essas imagens detalhadas apresentam alta resolução das estruturas bucais e permitem a detecção precoce de alterações nas estruturas maxilofaciais.


Desde a introdução da tomografia computadorizada, tem sido observado que a sua aplicação clínica permitiu significativa revolução na área da saúde. Recentemente, várias áreas de pesquisa e clínica da Odontologia têm se beneficiado com o uso da TCFC, que possibilitou a visualização de imagens tridimensionais, além do possível manejo adicional por estratégias de navegação. Seu potencial para aplicação clínica e a sua acurácia, comparados com os da radiografia periapical, contribuem no planejamento do tratamento, diagnóstico, terapêutica e prognóstico de diferentes doenças.


Este estudo foi desenvolvido, entre maio de 2007 e maio de 2010, a partir de bancos de dados de clínicas radiológicas odontológicas privadas (CIRO, Goiânia/GO, Brasil; RIO, Brasília/ DF, Brasil; CROIF, Cuiabá/MT, Brasil), envolvendo 18 pacientes (n = 238 dentes), sendo 13 do sexo masculino e 5 do sexo feminino, com idades entre 3 e 20 anos. Os pacientes foram encaminhados para o serviço de radiologia por diferentes razões de diagnóstico. A amostra envolvida não apresentava dentes com história de cárie dentária, tratamento ortodôntico ou distúrbio de desenvolvimento dentário.


O método para estudar o desenvolvimento de dentes permanentes com TCFC baseou-se na delimitação e mensuração das distâncias entre pontos anatômicos correspondentes ao desenvolvimento das coroas e raízes dentárias. Todas as medidas nas imagens foram realizadas por dois especialistas em radiologia odontológica, utilizando a ferramenta de medição do próprio programa do tomógrafo. Foi utilizada uma função específica do programa do i-CAT, que oferece valores em milímetros para delimitar as medidas das imagens dos dentes. As mensurações foram efetuadas nos planos sagital e coronal (o referencial utilizado foi a maior extensão de medida, valendo-se da estratégia de navegação do sistema).

A possibilidade de se obter informações das estruturas anatômicas in vivo, com o manejo de navegação na imagem, sinalizou o grande potencial e a conquista do diagnóstico em todos os campos da Odontologia. Liu et al. determinaram a precisão da análise volumétrica dos dentes in vivo utilizando a TCFC. O volume de 24 dentes pré-molares extraídos foi determinado. As medições dos volumes desviaram ligeiramente entre -4% e 7%. Operações de suavização reduzem as medições de volume. Atualmente, nenhuma exigência quanto à precisão das determinações do volume de dente foi estabelecida. Baumgaertel et al. investigaram a confiabilidade e a precisão das mensurações realizadas em reconstruções dentárias com TCFC. Trinta crânios humanos foram escaneados e reconstruções tridimensionais das dentições foram obtidas. Dez mensurações (overbite, overjet, largura intermolares e intercaninos superiores e inferiores, comprimento dos arcos disponíveis, e comprimento do arco requerido) foram realizadas diretamente sobre os crânios por um paquímetro com precisão digital e sobre as reconstruções digitais. As medições dentárias dos volumes por meio da TCFC podem ser utilizadas para análise quantitativa. Um pequeno erro sistemático foi encontrado, o qual tornou-se estatisticamente significativo apenas quando se combinou várias medições. Um ajuste para esse erro permitiu melhorar a precisão.


CONCLUSÕES


Dentro das limitações desse estudo preliminar, conclui-se que as imagens de TCFC dos diferentes estágios de desenvolvimento podem contribuir com diagnóstico, planejamento e resultados dos tratamentos. As dimensões das coroas e raízes dentárias podem ter uma importante aplicabilidade clínica e de pesquisa. Entretanto, novos estudos são recomendados a fim de minimizar as variáveis metodológicas.



Link do artigo na integra via Scielo:


quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Cirurgia PIEZELÉTRICA ou PIEZOCIRURGIA em Odontologia: o sonho de todo cirurgião...








Neste artigo de 2007, publicado pela Revista Dental Press, pelos autores Maria Fernanda M-O Consolaro, Eduardo Sant’Ana, Gastão Moura Neto, de São Paulo. Abordam um tema até então desconhecido por muitos profissionais que é a Cirurgia PIEZELÉTRICA, técnica que usa um aparelho que corta o osso seletivamente, com suavidade, precisão micrométrica e com qualidade comprovadamente superior à das serras oscilatórias convencionais.


Trata-se de um sistema chamado Piezosurgery®, desenvolvido pelo Dr. Tomaso Vercellotti em conjunto com os engenheiros da Mectron Medical Technology, Carasco, Genova, Itália, em 2007. Desde então, diversos estudos vêm testando e comprovando os benefícios desta nova tecnologia. Dois tipos de aparelhos estão disponíveis, um médico e outro menor, odontológico.


O sistema adota um conceito já amplamente conhecido, o de piezeletricidade. Ao receber estímulos de pressão ou tensão, os cristais como o quartzo, por exemplo, são capazes de produzir campos eletromagnéticos de intensidade exatamente iguais aos que receberam, muitas vezes de forma tão perfeita que são utilizados em relógios e em computadores, inclusive para marcar o tempo. Os cristais de hidroxiapatita apresentam a mesma propriedade piezelétrica, deformando-se em um campo elétrico. Esta tecnologia já é empregada na Odontologia, utilizando ondas de ultra-som para a remoção de cálculos dentários, por exemplo. Assim esta nova “serra” utiliza acapacidade de piezeletricidade óssea para desagregar os cristais de hidroxiapatita em um determinado plano, “cortando” o osso por meio de vibrações de ultra-som.


A principal vantagem da cirurgia piezelétrica é que, uma vez em contato com tecidos moles, o dispositivo ativo de corte cessa sua atividade, preservando totalmente a integridade de vasos e nervos, freqüentemente e/ou acidentalmente comprometidos ao usar serras cirúrgicas convencionais ou brocas.


Ao utilizar serras comuns ou brocas em osteotomias, há necessidade de se aplicar pressão, mesmo que discreta, para que se obtenha o corte, implicando em certo grau de aquecimento, tanto do osso quanto dos tecidos moles adjacentes. O corte piezelétrico não deve utilizar pressão, pois o excesso de força sobre o instrumento interrompe a sua atividade sobre o osso. Deve-se realizar apenas a apreensão firme da microserra durante o corte, o que resulta em um mínimo aquecimento, diminuindo o risco de osteonecrose, garantindo a vitalidade dos osteócitos. Quanto mais suave a pressão da serra piezelétrica sobre o osso, mais linear a vibração do instrumento e melhor o corte.


Os primeiros trabalhos odontológicos a respeito descreveram a utilização da serra piezelétrica em cirurgias pré-protéticas e enxertos sinusais, depois as técnicas foram se diversificando para procedimentos como: osteotomias, osteoplastias, levantamentos de seio, expansão de rebordo alveolar, extração de raízes com anquilose alveolodentária, corticotomias de precisão para movimentação dentária, osteotomias de segmentação de maxila e para expansão rápida cirurgicamente assistida, distração osteogênica, obtenção de osso autógeno para enxertos, entre outros.


As perspectivas de utilização deste instrumento prometem revolucionar importantes paradigmas nas diversas áreas da Cirurgia. É o fruto de uma idéia ousada de um cirurgião que se aventurou em imaginar a serra dos seus sonhos; encontrando em um conceito conhecido, uma aplicação totalmente inovadora. Trata-se de um clínico, formado em Medicina e Cirurgia, especialista em Odonto-Estomatologia, dedicado ao consultório privado, atuando como periodontista e a implantodontista. Como professor, atua na qualidade de visitante em algumas universidades, nem por isso deixa de ser um exemplo para pesquisadores e cientistas de todo o mundo!


Link do Artigo na integra pela Scielo:



Link de um Artigo publicado pelo Dr. Tomaso Vercellotti:

terça-feira, 11 de novembro de 2014

RECUPERADORES DE ESPAÇO E SUA APLICAÇÃO CLÍNICA


















Neste artigo de 2002, publicado pela Revista da Faculdade de Odontologia de Lins, pelos autores RENATO RODRIGUES DE ALMEIDA, RENATA RODRIGUES DE ALMEIDA-PEDRIN, MARCIO RODRIGUES DE ALMEIDA, FERNANDO PEDRIN CARVALHO FERREIRA, PATRÍCIA CIOCCHI MARQUES RODRIGUES DE ALMEIDA; do curso de especialização em Ortodontia da Faculdade de Odontologia de Lins/UNIMEP; Mostra uma revisão da literatura tecendo considerações sobre a etiologia da perda de espaço e a aplicação clínica dos aparelhos recuperadores de espaço.


O cirurgião dentista clínico geral e, principalmente, o odontopediatra são os profissionais que têm o primeiro contato com as crianças numa fase ainda precoce e cabe a eles diagnosticar, intervir nos casos mais simples e, nos mais complexos de más oclusões, discutir ou encaminhar o paciente para uma avaliação com um profissional especializado, o ortodontista.

O desequilíbrio da oclusão começa na passagem da dentadura decídua para a mista, e uma quantidade alarmante de desvios de normalidade acontece na fase inicial do primeiro período transitório, na época de irrupção dos primeiros molares permanentes.

A etiologia dessas alterações geralmente é de causas multifatoriais, como cáries, abscessos, supranumerários, anquiloses e irrupção ectópica dos primeiros molares permanentes.

As cáries dentárias, principalmente as interproximais, são responsáveis pela redução do comprimento do arco dentário, além de provocarem, muitas vezes, a extração prematura de dentes decíduos, com a conseqüente perda de espaço devido à quebra de equilíbrio dentário e com a inclinação dos dentes adjacentes para o espaço da extração.

A presença de dentes supranumerários na região ântero-superior está diretamente relacionada à retenção prolongada dos incisivos permanentes, impedindo sua irrupção normal e favorecendo, assim, a inclinação axial dos dentes adjacentes, com acentuada perda de espaço.

Ao contrário do que possa parecer, os dentes decíduos anquilosados geralmente apresentam uma reabsorção radicular fisiológica semelhante aos decíduos não afetados. O sinal mais marcante e evidente de anquilose é o posicionamento de um ou mais dentes aquém do plano oclusal. Outro indicativo é a perda de espaço por inclinação de dentes contíguos.

A incidência da ectopia dos primeiros molares atinge de 2 a 4% da população infantil, ocorrendo com maior freqüência na maxila e em portadores de fissura palatina do tipo pós-forame incisivo. Dependendo do grau de impacção, pode ser reversível ou irreversível. No tipo reversível, o primeiro molar permanente quase sempre apresenta autocorreção e irrompe normalmente, mas deixa como seqüela uma reabsorção atípica na face distal do segundo molar decíduo, que pode permanecer na cavidade bucal até a época da sua esfoliação normal. Nesse tipo de ectopia, não é necessária intervenção precoce, já que o dente faz sua irrupção normalmente na cavidade bucal. Na irrupção ectópica irreversível, o primeiro molar permanente mantém contato íntimo com a superfície distal do segundo molar decíduo na região cervical, provocando reabsorção e exfoliação precoce desse dente, com perda total de espaço para o sucessor permanente (segundo pré-molar).

Nos casos de reabsorção extensa com perda do dente decíduo, cáries nas faces proximais, abscessos ou outros fatores que implicam na perda de espaço, os aparelhos recomendados são os recuperadores de espaço – que podem ser removíveis ou fixos – para as regiões ânterosuperior, posterior e inferior.

APARELHO REMOVÍVEL

Mola simples: placa de resina acrílica com grampos de retenção Adams, auxiliares e arco vestibular de Hawley como elementos estabilizadores, e como componente ativo, mola simples ou digital confeccionada com fio de aço inoxidável de 0,6 mm de diâmetro.

Indicação: indicado para recuperar espaço nas regiões anterior, posterior, superior e inferior.
Ativação: a ativação é realizada no helicóide e deve ser de, aproximadamente, metade da face incisal do dente correspondente, a cada 15 ou 21 dias, até se obter o espaço desejado.
Mola de Benac: placa de resina acrílica com grampos de retenção Adams, auxiliares e arco vestibular de Hawley como elementos estabilizadores, e como componente ativo, a mola de Benac construída com fio de aço inoxidável de 0,8 ou 0,9 mm de diâmetro.

Indicação: a indicação do aparelho está restrita às regiões posterior superior ou inferior, devido ao diâmetro do fio.

Ativação: a ativação não deve ultrapassar a metade do diâmetro mesiodistal do dente em questão, com controle de 15 a 21 dias até se obter o espaço desejado.


APARELHO FIXO

Indicado nos casos que necessitam de um movimento maior do dente e para pacientes não colaboradores com o aparelho removível.
Mola de secção aberta
Componentes: braquetes colados nos dentes adjacentes à perda de espaço, fio ortodôntico de aço inoxidável de 0,5 mm de diâmetro e mola de secção aberta.
Indicação: para as regiões anterior e posterior, pois é um tipo de ancoragem intrabucal, intramaxilar e recíproca.

Ativação: deve ser cortado um pedaço de mola correspondente ao espaço de mesial a mesial dos braquetes mais 4 ou 5 mm aproximadamente.

Exemplo: se o espaço entre os braquetes for de 15 mm, cortamos um segmento de mola com 19 ou 20 mm, para que fique comprimida quando corretamente instalada. A força liberada pelo aparelho será sempre recíproca e contínua, e o controle deve ser mensal, quando o segmento de mola será substituído por outro, e assim sucessivamente, até haver a recuperação do espaço desejado.

Com este trabalho, os autores enfocaram a etiologia e os diversos tipos de recuperadores de espaço à disposição para que os profissionais os usem em seus pacientes. Há, evidentemente, outros tipos de aparelhos distalizadores de dentes, principalmente dos primeiros molares permanentes, que são ferramentas mais complexas e de uso rotineiro na clínica ortodôntica. Entre eles citamos o Jones Jig e o Pêndulo, que são aparelhos fixos e que não dependem da Cooperação do paciente, mas requerem o controle do ortodontista.

Link do artigo na integra via UNIMEP:

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Dois Milhões de Vizualizações


Muito obrigado a todos os colegas ortodontistas das 5.092 Cidades de 156 Países que visitam diaramente o Blog Ortodontia Contemporânea em busca do conhecimento !

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Efeito inicial do arco de multiloop edgewise no arco mandibular em indivíduos com maloclusão Classe III. Um estudo de elemento finito tridimensional




Neste artigo de 2008, publicado no European Journal of Orthodontics; pelos autores Seung-Hak Baek , Soo-Jung Shin , Sug-Joon Ahn and Young-Il Chang; do Department of Orthodontics, School of Dentistry, Dental Research Institute, Seoul National University, South Korea; Mostra um estudo biomecânico realizado com o metodo dos elementos finitos em simulação com o uso de elásticos classe III.
O objetivo deste estudo foi comparar o efeito de um arco de múltiloop edgewise(MEAW) com um simples arco ideal (IA) sobre o movimento distal em massa do arco dentario mandibular.

Um modelo tridimensional em elemento finito (3D FEM) da dentição mandibular, sem os terceiros molares permanentes, foi construído incluindo a membrana periodontal (PDM), o osso alveolar, com braquete edgewise standard (0.018 × 0,025 polegadas) com fio de aço inoxidável IA (0,016 polegadas x 0,022), e MEAW (0,016 x 0,022 polegadas). A distribuição do stress e deslocamento da dentição mandibular foram analisadas com o uso de elásticos intermaxilares Classe III (300 g / lateral) e 5 tip-backs em volta do primeiro pré-molar ao segundo molar foram aplicados para o IA e os MEAW para um movimento distal em massa da dentição mandibular.

Comparado com o IA, a discrepância na quantidade de movimentação dos dentes. O movimento com o MEAW foi mais uniforme e equilibrado. Houve deslocamento vertical mínimo ou rotação dos dentes com a MEAW quando comparado com o IA.

O MEAW parece ter vantagens para movimento distal em massa do arco dentario mandibular.


Link do artigo na Integra via EJO Oxfordjournals:

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Utilização do aparelho tipo Expander para correção das atresias maxilares











Neste artigo de 2007, publicado pela Revista Dental Press, pelos autores Pedro Andrade Júnior, José Eduardo Prado de Souza; Especialista em Ortodontia e em Cirurgia Buco-Maxilo-Facial pela Unicastelo e Mestre e Doutor em Ortodontia pela FOB-USP - São Paulo. Mostra uma opção para a expanção maxilar.


A correção das más oclusões da dentadura mista tem sido uma das grandes preocupações dos ortodontistas. A presença de uma má oclusão no primeiro período transitório e período intertransitório foi observada em 89% das oclusões, segundo Martins et al. A abordagem terapêutica dividida em duas fases (interceptativa/corretiva) proporciona ao profissional um melhor resultado de correção destas más oclusões, principalmente das atresias maxilares, onde os efeitos da correção são incorporados ao crescimento craniofacial na dentadura mista, tendo ainda um longo período até ser completado na dentadura permanente. A permanência destas atresias por um longo período promove uma adaptação dentária, esquelética e neuromuscular, provocando uma constrição dos arcos dentários e a mordida cruzada.


Os aparelhos, descritos na literatura, que apresentam as propriedades necessárias para promover uma mudança transversal na forma dos arcos alveolares podem ser divididos, basicamente, em dois grupos: aparelhos removíveis e aparelhos fixos.


Os aparelhos removíveis de expansão são confeccionados com base no aparelho de Hawley, com tornos de Schwarz dispostos no sentido transversal e fixados ao arco por meio de grampos de retenção. A ativação deste aparelho, segundo Storey, promoverá uma ação remodeladora sobre os tecidos alveolares, induzindo a proliferação de células osteoblásticas, osteoclásticas e fibroblásticas, favorecendo a expansão dentoalveolar. As forças produzidas por estas ativações deverão ser de baixa intensidade (200g de tensão) e os resultados podem ser observados em um
período médio de 8 a 10 meses de uso. Após o período ativo de expansão, o aparelho deverá ser mantido como contenção com uso noturno, por um período não inferior a 1 ano ou até o início do segundo período transitório. Entretanto, o sucesso da terapêutica estaria na dependência direta da colaboração do paciente.


Os dispositivos fixos de expansão dentoalveolar, como o arco em W, Quadri-helix e a barra transpalatina, demonstraram ser eficientes para promover a expansão lenta dos processos alveolares com um mínimo de trauma às estruturas de suporte. Bell e Compte têm atribuído ao Quadri-helix a função de romper a sutura palatina mediana, aumentando a magnitude de força do aparelho. Estes autores relataram evidências radiográficas sugestivas de fratura da sutura, principalmente quando utilizado em crianças. Estas evidências não justificam o seu uso como aparelho disjuntor, mas reforçam suas indicações como um dispositivo eficaz de expansão. Chaconas e Caputo, em estudo comparativo com aparelhos disjuntores, concluíram que os dispositivos que utilizam fios elásticos de aço inox ou molas helicoidais promovem pouca efetividade ortopédica e seus efeitos de separação das suturas são mínimos, mas aumentam sua ação primária de expansão dos dentes posteriores, principalmente nos dentes de ancoragem.


Por serem dispositivos fixos aos molares por meio de bandas, é notada uma resultante de força mais acentuada sobre estes molares, onde a direção de força não é aplicada sobre o centro de resistência (CR), gerando momentos de força ou movimentos pendulares sobre as coroas. Um destes efeitos no sentido transversal seria a vestibuloversão excessiva dos molares. Esta resultante poderia ser minimizada com uma inclinação compensatória, para palatino, da banda ou na secção do fio que encaixa no tubo lingual (aparelho pré-fabricado).


Corbett, em 1997, desenvolveu um aparelho expansor de níquel titânio termoativado, com temperatura de transição de 94ºF. Em temperaturas inferiores, o metal se torna ! exível, facilitando o manuseio e o ajuste do aparelho, porém, em temperaturas superiores, as forças entre os átomos se tornam mais firmes e o metal retorna à sua forma original, gerando forças de 350g em 3mm de incremento por área de tensão, isto significa, que após a expansão ultrapassar os 3mm, a sua força de pressão retorna à inicial, o aparelho, portanto, apresenta uma característica programada e auto limitante de expansão. Estas medidas são tomadas da face palatina entre os primeiros molares superiores. A quantidade que se pretende expandir os molares deve respeitar a capacidade elástica do aparelho, em razão da força ótima fisiológica sobre os tecidos de suporte. Para isto as larguras intermolares foram confeccionadas em tamanhos pré-definidos que variam de 26mm a 44mm, não devendo ultrapassar 4mm de expansão por aparelho. Quando uma expansão maior for pretendida, esta deverá ser realizada em duas fases; uma liga de Alloy (0,036” de diâmetro) compõe o restante do aparelho (alça dos molares e braço de apoio anterior), que permitiriam ajustes e individualização do caso, respeitando os posicionamentos dentários existentes.


A justificativa da utilização do Expander se caracteriza por promover: expansão dentoalveolar, com correção das mordidas cruzadas uni ou bilaterais, e correção da rotação dos primeiros molares superiores. O ajuste para correção da mesiorotação dos molares pode ser realizado afastando-se o braço de apoio anterior do contato dentário do lado da rotação, isto promove uma ação de força rotacional do dente de apoio, associada a uma resultante de expansão transversal. A quantidade do efeito rotacional poderá ser ampliada mantendo-se o braço de apoio distante dos dentes contíguos ao molar rotacionado. O efeito anti-rotacional promove, simultaneamente, a resultante de distalização dos molares girados, favorecendo o reposicionamento dos molares em chave de Classe I, ampliando o perímetro do arco. Este procedimento poderá ser realizado bilateralmente, quando necessário. A expansão de todo o arco é realizada pelo ajuste no braço de apoio, que deve contornar todos os dentes de cada lado do arco, devendo se estender até no máximo aos caninos, quando necessário. A expansão é conseguida entre 2 e 4 meses.


A sobrecorreção da mordida cruzada (1mm a 2mm) deve ser conseguida10 e a estabilização do resultado deve ser mantida, utilizando-se o aparelho de forma passiva ou placa de Hawley por um período não inferior a 8 meses.


Suas propriedades, embora se assemelhem aos demais aparelhos de expansão lenta, dispensam a fase laboratorial, porém requerem do profissional habilidade para os ajustes de individualização.


A dentadura mista parece ser o período mais indicado para sua utilização, em face do reposicionamento do molar e da remodelação do rebordo, promovidos pelo aparelho, entretanto, seu uso tem sido descrito em pacientes com dentadura permanente jovem e em adultos; nos quais as inclinações dentárias excessivas podem ser controladas por meio de aparelhos fixos, durante o uso do Expander ou durante o período de contenção.




Link do artigo na integra via Dental Press:

www.dentalpress.com.br/cms/wp-content/uploads/2009/05/v06n0507a03.pdf

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Localização do centro de resistência dos dentes anteriores superiores submetidos a retração pelo retrator duplo J ancorado em microparafusos palatinos















Neste artigo de 2010, publicado pela Angle Orthodontist, pelos autores Hyoung-Jun Jang; Won-Jong Roh; Bo-Hoon Joo; Ki-Ho Park; Su-Jung Kim; Young-Guk Park; School of Dentistry and Department of Orthodontics, Kyung Hee University, Seoul, Coreia do Sul; Mostra um belo estudo realizado com o método dos elementos finitos, para determinar o posicionamento ideal dos micro parafusos ortodonticos para viabilisar a mecanoterapia de retração ortodontica.


Este estudo foi realizado com o objetivo de localizar o centro de resistência dos seis dentes anteriores superiores retraidos pelo Retrator Duplo J (DJR) e desta forma, encontrar a posição ideal para os microparafusos palatinos.


Modelos de elementos finitos tridimensionais (3D) com 12 dentes e com os dois primeiros pré-molares extraídos. A DJR foi modelada como um elemento em 3D beam. Os mini-implantes foram inseridos sagitalmente entre o segundo pré-molar e primeiro molar, e a posição vertical dos miniparafusos foram estabelecidos em cinco condições: 6, 7, 8, 9 e 10 milímetros apicalmente a partir da linha cervical do primeiro molar. O comprimento do braço de alavanca para retração foi determinada de acordo com a posição do microparafuso, para que a direção da força de retração seja paralela ao plano oclusal maxilar. O método dos elementos finitos 3D foi utilizado para determinar a localização do centro de resistência dos dentes anteriores, visualizando o deslocamento dos dentes e distribuição das tensões.


Os miniparafusos ficaram localizados apicalmente, o estresse se dissipou na região do ápice da raiz e ao osso alveolar adjacente. Os microparafusos localizados apartir dos 8 mm, determinaram a retração do corpo - pois já possibilitava o paralelismo com o DJR.


Neste estudo, o centro de resistência dos seis dentes anteriores superiores retraidos pelo DJR com microparafusos palatal foi estimado em 12,2 milímetros apicalmente a partir da borda incisal do incisivo central.


Link do artigo na integra via Angle Orthodontist:


segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Influência in vivo da posição do braquete lingual nos parâmetros microbianos e periodontal



Neste artigo de 2012, publicado pelo Journal Appl Oral Science, pelos autores Maria Francesca SFONDRINI, Maurizia DEBIAGGI, Francesca ZARA, Roberto BRERRA, Mario COMELLI, Marco BIANCHI, Sara Ramella POLLONE, Andrea SCRIBANTE; do Department of Orthodontics and Department of Microbiology, University of Pavia, Pavia, Italy. Mostra um estudo em vivo que avalia o impacto microbiologico dos braquetes linguais no periodonto cincurvizinho.

A Ortodontia lingual está se tornando cada vez mais popular na prática ortodontica. O objetivo deste presente estudo foi comparar a formação de placa bacteriana nos dentes colados com o mesmo braquetes na superfície vestibular ou lingual, com dentes controle não-colados, através de um experimento de crescimento in vivo durante um período de 30 dias. 

Os Estudo foi randomizado controlado com as bocas divididas e  projeto foi realizado com a inscrição de 20 estudantes de odontologia. Dentro de todos os sítios dos pacientes com braquetes vestibular e lingual e sítios de controle, que foram seguidos. Parâmetros clínicos periodontais (profundidade da bolsa periodontal: PPD, sangramento à sondagem: BOP) foram registrados no início e nos dias 1, 7 e 30. 

As amostras microbiológicas foram retirados dos braquetes e dos dentes, nos dias 1, 7 e 30 para detectar a unidades formadoras de colónias (UFC). Total do UFC, estreptococos UFC e anaeróbios UFC foram medidos. 

Não houve diferença estatistica entre os braquetes vestibular e lingual, em termos de parâmetros clínicos periodontais e valores microbiológicos. 

Os autores concluiram que a localização do braquete não tem impacto significativo sobre a carga bacteriana e nos parâmetros periodontais.

Link do artigo na integra via Scielo:

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Alterações dos tecidos moles após recuo mandibular e cirurgia bimaxilar em pacientes Classe III



Neste artigo de 2013, publicado pela Angle Orthodontist, pelos autores Davor Jokic; Drazen Jokic; Vedran Uglesic; Darko Macan; Predrag Knezevic; do Department of Oral and Maxillofacial Surgery, University Hospital Dubrava, Zagreb, Croatia, Department of Oral and Maxillofacial Surgery, University Hospital Dubrava, Zagreb, Croatia, School of Dental Medicine, University Zagreb, Department of Oral and Maxillofacial Surgery, University Hospital Dubrava, Zagreb, Croatia. Mostra um trabalho realizado em telerradiografias laterais que avalia a mudanças tegumentares em pacientes portadores de má oclusão de classe III, submetidos a tratamentos orto cirurgicos.

O estudo foi realizado com o objetivo de avaliar a relação entre tecidos moles e estruturas ósseas em pacientes Classe III antes e após osteotomia sagital bilateral (BSSO) e cirurgia ortognática bimaxilar, determinando o impacto de outros fatores sobre a mudança dos tecidos moles, e avaliar a correlação entre a espessura do tecido antes cirurgia, nos ângulos SNA, SNB, ANB, e as mudanças dos tecidos moles.

O estudo incluiu 78 pacientes portadores de Classe III, tratados apenas com BSSO ou com BSSO e osteotomia Le Fort I. Telerradiografias laterais foram tomadas antes, 3 meses e 1 ano após a cirurgia. Depois os pontos da Zagreb e Legan, e análise de perfil Burstone foram traçados, a proporção de cinco pontos de tecido mole, antes e depois de cirurgia, foram avaliadas.

Os tecidos moles entre os pontos Sn e A e do lábio superior, mostraram alterações estatisticamente significativas para os pacientes tratados com cirurgia bimaxilar e BSSO. Apenas gênero teve influência na mudança dos tecidos moles. A correlação entre a espessura dos tecidos moles e alterações após a cirurgia foi significativa. Uma alteração no ângulo SNB correlacionado com a espessura do lábio superior foi observado em pacientes tratados com BSSO mas não para os pacientes tratados com BSSO e Le Fort I. Mudanças de ângulo SNA correlacionados com alterações do tecido mole entre pontos Sn e A.

Os resultados deste estudo mostraram alterações dos tecidos moles após BSSO e BSSO e Le Fort I , a eliminação das deficiências que foram observadas na meta-análise das alterações dos tecidos moles em um estudo anterior.

Link do artigo na integra via Angle Orthodontist: