ORTODONTIA CONTEMPORÂNEA

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Coluna OrtoTecnologia - Slot 0,018" ou 0,022": por que existem duas opções? Um guia para a escolha




Foi publicada mais uma coluna OrtoTecnologia na Revista OrtodontiaSpo da Sociedade Paulista de Ortodontia. Que abordou a questão da variação da dimensão dos Slots de Braquetes disponíveis comercialmente para aplicação clinica. Qual melhor opção o 0.018"ou 0.022"?  


Os primeiros braquetes Edgewise eram utilizados com fios de ouro e concebidos com o slot de 0,022" de altura, para que apresentassem rigidez suficiente. Com a substituição do ouro pelo aço inoxidável, mais barato e mais rígido, foi proposta a redução do slot para 0,018". As duas diferentes dimensões de braquetes são utilizadas na Ortodontia contemporânea e muitos ortodontistas clínicos desconhecem suas vantagens. O objetivo deste artigo foi apresentar, baseando-se na literatura ortodôntica, as principais características influenciadas pelo tamanho do slot dos braquetes e compilar os dados para direcionar o ortodontista na escolha do braquete que melhor atenda às suas necessidades clínicas.



Link da Revista OrtodontiaSPO:

http://www.ortociencia.com.br/Artigo/Index/22239

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Avaliação da assimetria mandibular em pacientes portadores de mordida cruzada posterior unilateral e bilateral utilizando tomografia computadorizada cone-beam






Neste artigo de 2011, publicado na Angle Orthodontist, pelos autores Ilknur Veli; Tancan Uysal; Torun Ozer; Faruk Izzet Ucar; Murat Eruz do Department of Orthodontics, Faculty of Dentistry, Dicle University, Diyarbakir, Turkey; DepartmentofOrthodontics,Facultyof Dentistry, Izmir Katip Celebi University, Izmir, Turkey; Department of Pediatric Dentistry and Orthodontics, College of Dentistry, King Saud University, Riyadh, Saudi Arabia ; Mostra um estudo realizado com reconstrução anatomica 3d para avaliação da assimetria mandibular.

Este estudo foi realizado com intuito de testar as hipóteses: (1) De que não há diferença na assimetria mandibular entre o lado da mordida cruzada e com o lado norma em um grupo de mordida cruzada unilateral (UCG) e entre os lados direito e esquerdo em um grupo de mordida cruzada bilateral (BCG) e um grupo controle (CG ) e (2) Que não há diferença significativa na assimetria mandibular entre os grupos de mordida cruzada e o grupo controle.

As tomografias computadorizadas cone-beam  de três grupos foram estudadas: (1) 15 pacientes (6 do sexo masculino, 9 do sexo feminino, com idade média: 13,51 +- 2,03 anos) com mordida cruzada posterior unilateral; (2) 15 pacientes (8 do sexo masculino , 7 do sexo feminino, com idade média: 13,36 +- 2,12 anos) com mordida cruzada posterior bilateral, e (3) 15 pacientes (8 do sexo masculino, 7 feminino, com idade média: 13,46+- 1,53 anos) como grupo controle. Quatorze parâmetros (oito lineares, três de superfície, e três volumétricos) foram medidos. Comparações dos lados foram analisados nas amostras com teste t pareado, e para a comparação entre os grupos, a análise de variância (ANOVA) e teste de Tukey foram usados ​​no nível P< 0,05.

De acordo com as comparações dos lados, não houve diferença estatisticamente significativa  encontrada na UCG. Houve diferenças estatisticamente significativas na hemi mandibula (P = 0,008) e ramo (P = 004) volumes para a BCG e em altura do ramo (P = 0,024) e comprimento do corpo (P = 0,021) para o CG. Comparações intergrupos revelou diferenças significativas na  hemi mandibula (P= 0,002) e volume corporal (P< 0,001) para o lado normal em relação aos lados UCG  e deixou os outros grupos, e em unidade de comprimento angular (P = .025) e largura condilar  (P = .007) para o lado da mordida cruzada UCG e os lados direito dos outros grupos.

Conclusões dos Autores: 

Ao contrário da UCG, nos grupos CG e BCG foram encontrados para assimetria lateral-especifica. Componentes esqueléticos da mandíbula tiveram uma assimetria significativa entre os grupos mordida cruzada e o CG.


Link do artigo na Integra via Angle Orthodontist:

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

''Zonas de segurança" de colocação de mini parafusos implantados em diferentes padrões dento esqueléticos



Neste artigo de 2011, publicado pela NegritoAngle Orthodontist, pelos autores Pajongjit Chaimanee; Boonsiva Suzuki; Eduardo Yugo Suzuki; do Department of Orthodontics and Pediatric Dentistry, Faculty of Dentistry, Chiang Mai University, Chiang Mai, Thailand; Mostra um estudo realizado com o intuito de mensurar espaços inter radiculares como sitios de inserção de mini implantes, em radiografias de pacientes dos tres padrões esqueléticos classe I, II e III.


Este estudo foi realizado com o intuito de avaliar a influência de diferentes padrões dento esqueléticos e suas disponibilidades de espaços inter radiculares e determinar as zonas seguras para a colocação de mini implantes.

Radiografias periapicais de 60 indivíduos com padrões Classe I II ou III esqueléticos foram examinados. Para cada sitio interradicular, as áreas e as distâncias de 3, 5, 7, 9 e 11 mm da crista alveolar foram medidos.

Na maxila, o maior espaço inter radicular foi entre o segundo pré-molar e primeiro molar. Na mandíbula, o maior espaço inter radicular estava entre os primeiros e segundos molares, seguidos pelo primeiro e segundo pré-molares. Diferenças significativas nos espaços inter radiculares entre os padrões esqueléticos foram observados. Espaços inter radicular maxilar, particularmente entre os primeiros e segundos molares, nos indivíduos com padrões esqueléticos Classe II, foram maiores do que nos indivíduos com padrões esqueléticos Classe III. Em contraste, na mandíbula, os espaços inter radiculares nos indivíduos com padrões esqueléticos Classe III foram superiores aos dos indivíduos com padrões de Classe II esquelético.

Para todos os padrões esqueléticos, as zonas mais seguras eram os espaços entre o segundo pré-molar e primeiro molar na maxila, e entre o primeiro e segundo pré-molares entre os primeiros e segundos molares na mandíbula.


Link do artigo na integra via Angle Orthodontist:

http://www.angle.org/doi/pdf/10.2319/061710-111.1

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Influência da posição do lábio inferior na atratividade percebida da proeminência do queixo



Neste artigo de 2013, publicado pela Angle Orthodontist, pelos autores Faranak Modarai; Jane Catalina Donaldson; Farhad B. Naini; do Department of Orthodontics, Kingston Hospital and King’s College London Dental Institute, London, Biostatistics & Research Methods Centre, King’s College London Dental Institute, London, Department of Ortho- dontics, Kingston and St George’s Hospitals & St George’s Medical School, London. Mostra um estudo realizado com imagens manipuladas a nível do mento para avaliar a percepção estética em leigos e Ortodontistas.

O artigo descreve um estudo com o objetivo de avaliar a influência da proeminência lábio inferior em diferentes graus de proeminências de queixo no plano sagital e determinar se destaque lábio inferior afeta o desejo percebido para cirurgia. Avalia as diferenças de preferência entre ortodontistas e leigos, bem como o efeito da idade, gênero e etnia dos observadores sobre a percepção da atratividade e desejo para a cirurgia.

Uma silhueta de uma imagem idealizada de perfil foi criada. A imagem foi manipulada para criar seis imagens demonstrando diferentes graus de retrogenia e progenia alterada em incrementos de 4 milímetros de -12 milímetros a +12 milímetros e seis imagens que demonstravam queixo e lábio inferior destaque em incrementos de 4 milímetros de -12 milímetros a +12 milímetros. Uma centena de leigos e 30 ortodontistas classificaram as imagens desde os mais para o menos atraente. Uma duplicata de uma das imagens foi utilizada de modo a avaliar a confiabilidade intra-examinadores.

A quantidade e a direção do queixo na posição sagital e a proeminência do lábio inferior revelaram ter um efeito significativo no nível de imagem. A protrusão do queixo foi menos atraente do que a retrusão e a cirurgia foi desejada com mais freqüência para essas imagens. O sentido geral do parecer foi o mesmo para leigos e ortodontistas.

Os autores concluíram que a proeminência do queixo observada em um paciente prognata era considerado menos atraente do que o a proeminência do lábio inferior combinada com a proeminência do queixo observada em um paciente com prognatismo mandibular. Em perfis com um queixo mais proeminentes era o preferido uma posição mais protrusiva lábio inferior. Quando o queixo era retrusivo, uma posição normal lábio inferior era o preferido que o lábio retrusivo.

Link do artigo na Integra via Angle Orthodontist:

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Efeitos transversais da expansão rápida da maxila em pacientes com má oclusão de Classe II: avaliação por Tomografia Computadorizada Cone-Beam





Neste artigo de 2010, publicado pelo Dental Press Journal of Orthodontics, pelos autores Carolina Baratieri, Lincoln Issamu Nojima, Matheus Alves Jr., Margareth Maria Gomes de Souza, Matilde Gonçalves Nojima; do Programa de Pós-Graduação do Departamento de Ortodontia da UFRJ - Rio de Janeiro. Avalia por meio de Tomografia Computadorizada Cone-Beam (TCCB) os efeitos transversais, imediatos e após o período de contenção, da expansão rápida da maxila (ERM) em pacientes com má oclusão de Classe II.

As má oclusões de Classe II, divisão 1, estão fortemente associadas a problemas transversais, apresentando largura maxilar significativamente reduzida quando comparada à de indivíduos com oclusão normal. No entanto, seu diagnóstico muitas vezes passa despercebido ao exame clínico, pois a deficiência transversal é camuflada pelo próprio padrão esquelético da Classe II. Assim, os dentes superiores ocluem em região mais anterior da mandíbula, mais estreita, mostrando a maxila com desenvolvimento aparentemente normal no sentido transversal, mesmo na presença de deficiência transversal.

Para compensar essa deficiência esquelética e da base alveolar, os molares superiores encontram-se inclinados para vestibular. Por essa razão, deve ser considerada a realização da expansão rápida da maxila (ERM) no tratamento de pacientes com má oclusão de Classe II, divisão 1.

A ERM tem sido o tratamento de escolha por muitos ortodontistas para a correção de atresia maxilar esquelética em pacientes em crescimento. A característica fundamental da ERM refere-se ao fato de a força aplicada aos dentes e aos processos alveolares, através da ativação do parafuso expansor, promover a abertura da sutura palatina mediana. A estabilidade da expansão esquelética também é parte fundamental do tratamento, o que faz a fase de contenção tão importante quanto a fase ativa15, devendo o aparelho disjuntor permanecer no local por pelo menos três meses. O aparelho disjuntor de Haas é um dos aparelhos mais utilizados na prática ortodôntica, no qual o parafuso é envolvido por um bloco de acrílico sobre as paredes laterais do palato, aumentando a ancoragem, potencializando o efeito ortopédico e diminuindo o efeito ortodôntico.

Apesar de haver inúmeros artigos sobre os efeitos da expansão rápida da maxila com o aparelho expansor de Haas, a literatura ainda é escassa em estudos que avaliem os efeitos transversos em pacientes com má oclusão de Classe II. O objetivo deste estudo foi avaliar, por meio da Tomografia Computadorizada Cone-Beam, os efeitos transversais dentários e esqueléticos provocados, imediatamente e após seis meses de contenção, pela expansão rápida da maxila com o expansor de Haas em pacientes com má oclusão de Classe II.

Este estudo clínico prospectivo foi realizado na clínica do Departamento de Ortodontia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foram selecionadas 17 crianças (8 meninos e 9 meninas, médias de idade de 10,67 anos e 10,05 anos, respectivamente) com má oclusão de Classe II, divisão 1, e deficiência transversal esquelética da maxila. Os critérios de inclusão foram: idade de 7 a 12 anos; relação molar de Classe II (uni ou bilateral) e esquelética (ANB ≥ 4º)21; deficiência transversal esquelética da maxila (distância do ponto J à linha facial frontal > 12mm)20; e ainda não ter atingido o pico da curva do surto de crescimento puberal.

Até recentemente, o método de avaliação mais preciso dos efeitos transversais provocados após a ERM eram as radiografias cefalométricas posteroanteriores. As dificuldades inerentes à técnica não permitem, muitas vezes, a localização e identificação correta das estruturas craniofaciais. Já as Tomografias Computadorizadas Cone-Beam (TCCB), além de permitirem a visualização tridimensional de todo o complexo craniofacial, possibilitam medições precisas e fiéis das alterações provocadas pela ERM, devido à ausência de sobreposições de imagens e distorções de tamanho.

A abertura da sutura palatina mediana foi clinicamente confirmada em todos os pacientes com a abertura do diastema interincisivos do terceiro ao quinto dia após o início da ativação do aparelho expansor, e visualizada na imagem tomográfica realizada em T2. A média de abertura do parafuso foi de 7mm (mínimo de 5,6mm e máximo de 9mm). Durante o período de contenção, um paciente voltou sem o aparelho, sendo substituído por placa de contenção removível, porém os dados de T3 não foram computados.

Conclusão

Os pacientes com má oclusão de Classe II avaliados obtiveram aumento significativo da dimensão transversa, tanto esquelético quanto dentário, sem causar alterações nos molares de ancoragem. O período de seis meses de contenção com aparelho expansor de Haas permitiu manter o ganho transversal esquelético e o retorno da inclinação dentoalveolar inicial.


Link do artigo na integra via Scielo:

http://www.scielo.br/pdf/dpjo/v15n5/11.pdf

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

A versatilidade clínica do arco utilidade













Prof. Dr. Márcio Figueiredo 

Neste artigo de 2008, publicado pela revista Dental Press, pelos autores Márcio Antonio de Figueiredo, Claudia Tebet Peyres de Figueiredo, Masato Nobuyasu, Gervásio Yoshio Gondo, Danilo Furquim Siqueira; da UMESP - São Paulos, UNOESTE - Presidente Prudente e APCD de Ourinhos - São Paulo. Que mostra todas as aplicações do arco utilidade de Ricketts, vai desde sua construção, modificações e aplicações em diferentes situações clinicas.


O arco utilidade é parte integrante da mecânica ortodôntica utilizada na “Ciência Bioprogressiva” de Ricketts. A palavra “Bioprogressiva” surgiu da união do prefixo “Bio” - abreviação de Biologia e se refere ao cuidado que a mecânica ortodôntica empregada tem com os processos biológicos envolvidos em um tratamento ortodôntico - e “Progressiva”, por refletir a seqüência lógica e progressiva utilizada na montagem dos aparelhos e conseqüente movimentação dos dentes.


Dentro desta ciência, o arco utilidade é, provavelmente, o dispositivo mais conhecido e utilizado, sendo confeccionado com o fio quadrado 0,016” x 0,016” Elgiloy azul. Segundo Miksic, Slaj e Mestrovic, este fio é composto por uma liga de cromo-cobalto, o que facilita a confecção de dobras. Este arco, em conjunto com braquetes de canaleta 0,018” x 0,030”, começou a ser utilizado por Ricketts no tratamento ortodôntico/ortopédico facial em 1960.


De acordo com McNamara Jr., o arco utilidade é eficiente para intruir e, especialmente, efetivo para retruir ou avançar os incisivos superiores e inferiores. O mesmo autor salientou que uma das dificuldades para o tratamento das discrepâncias ântero-posteriores (particularmente a má oclusão do tipo Classe II de Angle) é a interferência vertical anterior. Nestes casos, o arco utilidade pode ser utilizado para intruir os incisivos, favorecendo a correção ortopédica, ou mesmo cirúrgica, da má oclusão. Segundo Sellke a correção do trespasse vertical antes do horizontal é um importante princípio do tratamento bioprogressivo.


Este conceito está baseado na convicção de que uma mordida profunda pode “travar” e impedir o relacionamento normal entre a maxila e a mandíbula, durante o crescimento. Baseando-se nesta idéia, o arco utiliutilidade, juntamente com o quadrihélice de Ricketts, pode ser utilizado no início do tratamento para “destravar” a oclusão, fornecendo condições morfológicas adequadas para que a mandíbula possa se desenvolver normalmente. Entretanto, algumas vezes, pode ser utilizado também nos estágios tardios do tratamento.


A técnica Bioprogressiva está baseada no fato de que o arco dentário é constituído por setores distintos, cada um dos quais possui características próprias com relação aos aspectos anatômicos, funcionais e estéticos. O setor dos incisivos constitui-se de dentes com raízes unirradiculares e de pequeno diâmetro, cujas bordas incisais tornam estes dentes aptos para realizar a função de corte dos alimentos, além de cumprirem um importante papel estético e fonético. Já os molares são multirradiculares, com a face oclusal destinada à trituração dos alimentos e com o diâmetro das raízes maior que o dos incisivos.


Segundo Ricketts, a força de erupção dos dentes é estimada em, aproximadamente, 0,2g a 0,3g por mm2, ou seja, 1/5 da quantidade de força comumente empregada para movimentar um dente. Teoricamente, o dobro desta força (0,4g a 0,6g/mm2) impede a erupção dos dentes e o triplo desta força (0,6g a 0,9 g/mm2) intrui os dentes.


Otto, Anholm e Engel demonstraram ser possível, tanto em crianças como em adultos, o movimento de intrusão dos incisivos com a técnica Bioprogressiva, utilizando-se o arco utilidade. Os pesquisadores não encontraram nenhuma correlação entre idade, maturação esquelética, padrão facial e intrusão, sendo que, neste estudo, a maior intrusão obtida foi de 5,5mm em uma paciente do gênero feminino com 32 anos de idade.


O arco utilidade promove a intrusão dos incisivos por meio de um sistema de alavanca que produz uma pressão leve e contínua, em torno de 60 a 80 gramas para os quatro incisivos inferiores. Visto que força por unidade de área é definida como pressão, a terapia Bioprogressiva advoga a utilização de 100 gramas de força por centímetro quadrado de raiz exposta ao movimento, sendo que esta força pode ser multiplicada por dois quando a ancoragem cortical for o objetivo da mecânica, ou dividida por 2 quando os dentes serão movimentados pela cortical óssea. Isto significa que a força aplicada varia, dependendo do tamanho da raiz envolvida no movimento e da direção do movimento planejado.


A análise da superfície radicular determina os valores utilizados para o movimento dos dentes no sentido ântero-posterior. Quando um dente do setor anterior é movimentado neste sentido, a superfície radicular que enfrentará o movimento é a vestibular ou a palatina. Entretanto, quando o mesmo movimento se realiza no segmento posterior, as superfícies radiculares envolvidas são a mesial e a distal.


O arco utilidade é confeccionado com fio Elgiloy azul 0,016” x 0,016” fornecido pelos fabricantes em formato de varetas. Esta liga foi desenvolvida pela Elgin Watch Company e contém 40% de cobalto, 20% de cromo, 15% de níquel, 15,8% de ferro, 7% de molibdênio, 2% de manganês, 0,16% de carbono e 0,04% de berílio. Introduzida no mercado pela Rocky Mountain Orthodontics (Denver, Colorado, EUA), esta liga é fabricada em quatro têmperas, diferenciadas uma das outras pelas cores azul, amarelo, verde e vermelho em suas extremidades. Para confecção do arco utilidade, o fio indicado é o de ponta azul 0,016” x 0,016” sem tratamento térmico. Este fio tem a capacidade de gerar 2.000 gramas de força por milímetro quadrado, suficiente para movimentar um molar. Esta força pode ser diminuída, aumentando-se a distância do fio por meio de braços de alavanca. O limite elástico proporcional do fio Elgiloy azul 0,016” x 0,016” a uma distância de 25mm é de 80 gramas, e a 30mm uma dobra permanente não ocorre até ultrapassar 70 gramas.


Os tipos mais comuns de arco utilidade são: arco utilidade básico, arco utilidade de retração e arco utilidade de avanço. O arco utilidade básico pode ser utilizado para manter espaço, ganhar espaço (verticalização de molares e expansão dentoalveolar), ancorar os molares e intruir os incisivos.


O arco utilidade é um aparelho extremamente versátil, com inúmeras possibilidades clínicas, sendo capaz de intruir, extruir, avançar ou retrair os incisivos superiores e inferiores; manter, diminuir ou aumentar o espaço no arco inferior; além de ancorar os molares inferiores. Entretanto, uma das maiores vantagens de seu uso consiste na correção de más oclusões do tipo Classe II, com mordida profunda e em fase de crescimento. Esta vantagem não está relacionada com o efeito mecânico de intrusão, mas com a resposta biológica que esta mecânica pode acarretar no crescimento facial.




Link do Artigo na Integra via Scielo:



Link da Clinica do Dr. Márcio Antonio Figueiredo:

terça-feira, 25 de outubro de 2016

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Desgaste interproximal e suas implicações clínicas






Neste artigo de 2007, publicado pela Revista Dental Press, pelos autores Osmar Aparecido Cuoghi, Rodrigo Castellazzi Sella, Fernanda Azambuja Macedo, Marcos Rogério de Mendonça;  do Departamento de Odontologia Infantil e Social, Disciplina de Ortodontia Preventiva, da Faculdade de Odontologia de Araçatuba – UNESP. Apresenta uma discussão, embasada na literatura pertinente, dos principais fatores envolvidos com este procedimento clínico.

O apinhamento dentário está presente na maioria das más oclusões, requerendo do profissional um conhecimento amplo sobre o diagnóstico e plano de tratamento. De acordo com sua severidade, existem modos diferentes de tratamento, como a distalização de molares, as extrações, as expansões dos arcos dentários e os desgastes interproximais. Os desgastes dentários referem-se à diminuição das dimensões dentárias mesiodistais com objetivo de corrigir apinhamentos suaves ou moderados, bem como eliminar a desproporção natural de tamanho dentário entre os arcos, e requerem o conhecimento de vários aspectos clínicos para serem realizados. 


A Ortodontia contemporânea vem usufruindo intensivamente deste procedimento, o que o torna cada vez mais freqüente no cotidiano clínico. Entretanto, muitas são as dúvidas quanto ao nível de apinhamento que pode ser corrigido, quantidade de desgaste do esmalte e sua qualidade após a terapia, envolvimento pulpar e periodontal, materiais utilizados e estabilidade em longo prazo, de modo que o desgaste interproximal constitui um assunto de suma importância e não completamente conhecido.


Porém, é importante deixar bem claro que os desgastes interproximais são utilizados para a redução da dimensão dentária, pois este é o fator a ser corrigido; quando a discrepância de modelos tem como fator principal o aumento do espaço presente, outros procedimentos têm melhor indicação. O clínico deve estar atento para não oferecer o tratamento equivocado ou até mesmo associar dois métodos de tratamento sem o correto entendimento do que deve ser corrigido. 


Tradicionalmente, o desgaste de esmalte nas regiões interproximais foi idealizado para o tratamento de casos com discrepâncias entre as larguras dos dentes superiores e inferiores. Esta filosofia foi brilhantemente descrita por Bolton em seu artigo clássico de 1958, que relata a desarmonia de tamanho dentário e sua relação para a análise e tratamento das más oclusões. Estudos subseqüentes, como os de Crosby, Alexander e Freeman et al., demonstraram que aproximadamente 20% dos pacientes apresentam discrepância de tamanho dentário, decorrente de um excesso de massa dentária no arco inferior.

Em um artigo clássico de 1980 relacionando os fatores envolvidos com a oclusão do segmento anterior, Tuverson inferiu que a redução de esmalte de 0,3mm para os incisivos inferiores e 0,4mm para os caninos inferiores pode ser realizada sem prejudicar a vitalidade dentária. Radiograficamente, existe esmalte suficiente para permitir o desgaste dentário sem comprometimento da face proximal. Enfatizou que a opção pelo desgaste dentário seria a alternativa mais indicada para casos limítrofes de extração.

Sheridan afirmou que os desgastes interproximais podem ser indicados para tratar indivíduos que apresentem discrepâncias de modelos de 4 a 8mm, evidenciando-se uma alternativa para o tratamento de casos com discrepância negativa de modelos. 



Considerando que a diminuição de 50% do esmalte dentário resguarda uma espessura de esmalte aceitável biologicamente, este procedimento constitui um método de tratamento que pode ser aplicado nos casos de apinhamentos suaves a moderados, ou ainda, para correção de desproporções dentárias dos casos que apresentam discrepância de Bolton. 



Considerando as inúmeras tentativas de eliminação dos sulcos provocados pelos desgastes, Zachrisson destacou que superfícies lisas podem ser produzidas com discos para polimento. Conforme o disco de lixa vem se desgastando durante o procedimento, age como um instrumento de polimento, descartando a necessidade de polimento adicional. 


Sheridan e Ledoux informaram que a realização de desgaste com brocas associadas à micromotores e selantes pode proporcionar um menor risco de cáries interproximais, por meio do selamento e suavização dos sulcos gerados durante o procedimento de desgaste. 


Vários métodos são utilizados para realização do desgaste. Os mais citados são a lixa de aço para amálgama, a ponta diamantada montada em alta rotação, o disco de lixa unifacetado e as brocas de tungstênio multilaminadas com 8 lâminas retas.

Sheridan descreveu a técnica de desgaste com alta rotação, objetivando a remoção de esmalte, principalmente, na região distal de caninos, em decorrência da maior quantidade de esmalte. 



CONCLUSÕES
O procedimento de desgastes interproximais pode ser realizado para correção da falta de proporcionalidade dentária, ou seja, casos que apresentam discrepância de Bolton. Além disso, constitui uma alternativa para os casos com apinhamentos moderados de até 2mm para dentes anteriores e 4mm para dentes posteriores, sendo 2mm para cada hemiarco. 


A saúde dentária e periodontal podem ser preservadas por meio deste procedimento, desde que os limites biológicos sejam respeitados, o que implica em não ultrapassar o limite de aproximadamente 0,25mm de desgaste em cada face de esmalte proximal dos dentes anteriores e 0,5mm para os dentes posteriores. Este procedimento mantém uma espessura de esmalte aceitável biologicamente, resguarda a proporção mínima entre coroa e raiz no sentido mesiodistal e evita alterações periodontais em virtude da proximidade radicular inadequada. 

Link do artigo na integra via Scielo:

sábado, 15 de outubro de 2016

Feliz dia dos Professores


Felicitações a todos aqueles que trabalham em prol da transformação de vidas, compartilhando seus conhecimentos e suas experiências .... Parabéns a todos os Professores !!! Nossa homenagem aos Professores que passaram e passarão da Academia da Ortodontia Contemporânea...

Informações sobre o curso avançado 2017 :

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Fio de Latão: uma alternativa para o clínico geral no tratamento de molares ectópicos semi-irrompidos





Neste artigo de 2008, publicado pela Revista da Associação Brasileira de Odontologia Nacional, pelos autores Hiroshi Maruo, Cláudio Vinícius Sabatoski, Marcos Adriano Sabatoski, Ivan Toshio Maruo, Orlando Tanaka; da Graduação e Pós-Graduação em Odontologia – Ortodontia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). Mostra, através da apresentação de casos clínicos, a eficiência do fio de latão, empregado isoladamente ou associado ao aparelho ortodôntico, na desimpactação e verticalização de molares ectópicos semi-irrompidos.


A Ortodontia não se constitui apenas de procedimentos complexos. Muitas vezes, pequenas intervenções podem minimizar o desenvolvimento de problemas oclusais que, com o tempo, transformarse-iam em grandes desvios, acarretando sérias dificuldades de tratamento. Desta maneira, intervenções simples, porém de grande importância para a prevenção do estabelecimento de maloclusões, podem e devem ser realizados por profissionais que não sejam especialistas em Ortodontia, desde que suficientemente treinados e com conhecimentos básicos de crescimento e desenvolvimento craniofacial, biogênese da dentição e etiologia da maloclusão.


Nesta linha de pensamento, um problema freqüentemente observado nos consultórios de Ortodontia e que poderia ser tratado preventivamente pelo clínico geral são dentes ectópicos semi-irrompidos ou impactados.


Segundo Cossman, erupção ectópica pode ser definida como um dente irrompido ou tentando irromper em uma posição ou lugar que não seja o normal. Os principais fatores etiológicos são a morfologia dentária, o desenvolvimento dentário e a correlação entre crescimento ósseo e erupção dentária.


Morfologicamente, os dentes ectópicos podem ser, significantemente, maiores que o normal e a superfície mesial do primeiro molar permanente superior se encaixa perfeitamente na superfície distal do segundo molar superior decíduo, favorecendo a sua impactação.


O descompasso entre o crescimento ósseo e erupção dentária também pode constituir um importante fator etiológico, uma vez que a falta de desenvolvimento e crescimento da maxila e mandíbula, limitando o aumento do comprimento das arcadas dentárias pode ocasionar a erupção ectópica por falta de espaço.


Segundo Interlandi, Moyers, Paiva Lino, Guedes Pinto e Carranza as conseqüências da erupção ectópica são impactação dentária, reabsorção radicular, perda precoce de molares decíduos, diminuição do comprimento do arco, apinhamento dentário e pericoronarite.


O diagnóstico não é complexo, sendo feito através da análise clínica dos pontos de contatos interproximais dos dentes em erupção e da avaliação do posicionamento dentário e do estágio de rizogênese em radiografias panorâmicas e periapicais. É importante ressaltar que a precocidade do diagnóstico possibilita um tratamento mais simples e eficiente, uma vez que o potencial de erupção é maior em dentes com rizogênese incompleta. Daí a importância de se informar e instruir o clínico geral acerca da relevância da abordagem precoce destes desvios na biogênese da oclusão, uma vez que, na maioria das vezes, são eles os primeiros a ter contato com o paciente.


Para a adaptação e a ativação do fio de latão são seguidas as seguintes etapas:

1- Toma-se um segmento de fio de latão de aproximadamente 10 cm de comprimento e com o diâmetro podendo variar de 0,6 a 0,9 mm;


2- Com o auxílio de um alicate 139, contorna-se um semicírculo em uma das extremidades do fio;


3- Com o auxílio do alicate 110, pressiona a extremidade do semicírculo, para facilitar a passagem do fio de latão sob o ponto de contato;


4- Ainda com o alicate 110, introduz-se o fio de latão, de vestibular para lingual, sob o ponto de contato;


5- Volta-se a extremidade do fio de lingual para vestibular e une-se as duas extremidades;


6- As extremidades são tracionadas e torcidas lentamente, forçando o fio ao redor do ponto de contato;


7- Por fim, corta-se o excesso de fio e, com um calcador de banda, acomoda-se a ponta de maneira que não traumatize a bochecha ou a gengiva e não interfira na oclusão.



O fio deve ser ativado a cada 15 dias, torcendo novamente o fio sempre no mesmo sentido. Com este procedimento, o dente é desimpactado gradativamente e, de acordo com o seu potencial, continua o movimento eruptivo.


Durante o processo de desimpactação, o fio de latão pode soltar-se devido à perda do contato interproximal. Nestas situações, deve-se aguardar o restabelecimento do contato, que ocorre no período de duas a quatro semanas, para recolocar o fio de latão e continuar as ativações.



CONCLUSÃO


Com a avaliação dos resultados obtidos nos casos clínicos apresentados, pode-se concluir que a utilização do fio de latão, para desimpactação de molares ectópicos semi-irrompidos, mostrou-se eficaz nos casos de rizogênese incompleta e, portanto com maior potencial de erupção. Porém, nos casos de rizogênese completa, o fio de latão precisou ser associado ao aparelho ortodôntico fixo, a fim de se obter a verticalização e o estabelecimento do correto ponto de contato.



Link do artigo na integra via ABO:


segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Efeitos da grade palatina e esporões linguais utilizados no início do tratamento da mordida aberta anterior: Um estudo clínico prospectivo e randomizado




O presente artigo de 2016, publicado pela Angle Orthodontist, pelos autores Juliana S. Leite; Luciano B. Matiussi; Anne C. Salem; Maria G. A. Provenzano; Adilson L. Ramos; do Departmento de Odontologia, da Universidade Estadual de Maringá, Maringá, Brasil. Apresenta os efeitos obtidos com uso de grade palatina e esporões linguais, instalados no inicio do tratamento de mordida aberta anterior.

Este artigo descreve o tratamento de pacientes selecionados que portavam hábitos de sucção não nutritiva e / ou língua, na faixa etária de 5 anos a 10 anos idade, apresentando mordida aberta anterior no estágio de dentição mista. E teve como objetivo, avaliar a correção do overbite com uso de grade palatina e esporão lingual no tratamento precoce da mordida aberta anterior na dentição mista, bem como a sua influência sobre as medidas cefalométricas dentárias e esqueléticas.

Os pacientes selecionados apresentavam mordida aberta anterior e uma idade média de 8,23 anos. Eles foram divididos em três grupos por sorteio: controle (n = 13), grade palatina (n = 13), e uso de esporão lingual (n = 13). Os dados da telerradiografia lateral foram obtidas no início do tratamento, após 6 meses, e depois de 1 ano. A análise cefalométrica foi realizada pelo programa Cef-X, registrando os valores de SNA, SNB, ANB, SGn OGn, 1.PP, IMPA, ângulo nasolabial, overbite e overjet.

Após 6 meses e, em seguida, 1 ano iniciada a terapêutica, observou-se que  todos os grupos apresentaram melhora na overbite. Desta forma, os grupos de grade palatina e uso de esporão apresentaram overbite positivo. Em relação ás medidas cefalométricas, não houve mudança significativa ao longo do período analisado.

Os autores concluíram que a grade palatina e esporões são simples e eficazes para o tratamento de mordida aberta anterior, com a vantagem dada à grade palatina. 

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Colaboração:

Nathalia Torres